How to Love
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Evitei ao máximo possível falar com Jonathan. Não queria me irritar com mais nada hoje. Ter descoberto sobre as ameaças do meu pai… Não acho que conseguirei chamar ele de pai novamente. Fecho os olhos, meus dedos pressionando minhas têmporas. Faço uma leve massagem no local enquanto apoio meus cotovelos nas minhas pernas. A poltrona da sala parece desconfortável enquanto eu tento, ainda na mesma posição, me ajeitar melhor. Depois do que parecem ser horas, levanto e ando até o balcão, onde deixei minha bolsa. Pego meu celular e digito o número de Jonathan. Respiro fundo enquanto espero ele atender. Parte de mim faz uma oração silenciosa para ele não atender. A outra torce para que a conversa seja curta.
— Ruivinha.
— Johnny, — digo. Mesmo sabendo o motivo dessa ligação, sorrio com o apelido.
— Achei que tinha esquecido de mim, — sua voz é tranquila, como a de alguém que acabou de ouvir boas notícias.
— Não acho que isso seja possível.
— É, também acho que não, — ele diz, rindo. Limpo a garganta, mordendo o lábio em seguida.
— Você queria falar comigo, — não é uma pergunta.
— Sim.
— Diga.
— Você sabe porque eu quero falar com você?
— Sim.
— Uau, — ele responde, sua voz coberta de surpresa. — Não achei que eles tivessem te contado.
— Mas contaram, — digo. Me surpreendo com a frieza da minha resposta.
— E?
— Não acredito que Valentim fez isso, — digo.
— Não foi isso que eu perguntei.
— Não?
— Clary, — sua voz está tensa. — Você sabe que isso vai quebrar a Herondale’s, não sabe?
— Vai quebrar a Morgenstern’s também, — digo. A linha fica muda e eu mordo o lábio de novo.
— E você vai ficar, — ele sussurra. Não é uma pergunta. Uma pequena lágrima desce pela minha bochecha.
— Você acha que, se eu voltar, o papai vai deixar isso tudo de lado?
— Não sei, Clary.
— Eu não posso arriscar. Pelo menos aqui eu sei que vou ajudar eles.
— Ajudar eles? E o seu irmão?
— Johnny…
— Johnny? O quê? Você vai virar as costas para mim…
— Eu nunca vou virar as costas para você, Jonathan. Mas Jace disse…
— Jace? Meu Deus, Clary! Você é ingênua assim? — ele grita do outro lado. Sinto meu lábio tremer e seguro um soluço.
— Eu acredito nele, — sussurro. A linha fica muda e eu me pergunto se ele desligou o telefone.
— Eu vou herdar uma empresa falida, — ele murmura, depois de algum tempo.
— Johnny…
— Tudo bem, ruivinha, — ele sussurra. Posso vê-lo, sentado em uma cadeira, olhando para baixo. Posso sentir sua exaustão.
— Eu sinto muito, — digo depois de algum tempo.
— Eu também.
— Eu…
— Espero que Jace não te decepcione, — sua voz soa seca e fecho os olhos com força.
— Eu também, — murmuro.
— Boa sorte, ruivinha, — ele murmura e desliga o telefone. E, antes que eu possa me mexer, sinto os soluços tomarem meu corpo.
—
Depois de ficar sentada, abraçando meu próprio corpo, pelo que parecem horas, decido ir dar uma volta pela cidade. Coloco uma legging preta, com um top combinando, e uma regata cinza que fica bem larga no meu corpo. Calço um tênis de caminhada, pego meu fone de ouvido e meu celular. Vou até o banheiro e lavo o rosto, arrumando o estrago que minhas lágrimas causaram. Depois, coloco um caderno e um estojo em uma mochila e saio do quarto, prendendo meu cabelo em um rabo de cavalo. Vou até a recepção e pego um pequeno mapa da cidade. Vejo que há uma praça, como aquela em que Jace me levou, à algumas quadras do hotel. Aceno para a recepcionista e vou andando até o local. Coloco minha playlist favorita na ordem aleatória e, quando I Have Questions, de Camila Cabello, começa a tocar, coloco o volume no último.
Vou andando pela cidade, passando por alguns becos e rezando para estar fazendo o caminho certo. De repente, o beco se abre e vejo uma praça enorme, com um obelisco no centro. Há uma igreja, à direita, com diversas estátuas de anjos. Do outro lado, há alguns restaurantes e um pequeno bar. Ao lado do beco, tem alguns bancos e um pequeno café. No outro extremo da praça, existe um grande prédio que parece um hotel. Sorrio e ando até um dos bancos. Há um casal idoso sentado no banco ao lado, tomando sorvete. Sorrio e abro a minha mochila, puxando o caderno e escolhendo um lápis. Primeiro, desenho o casal. A maneira como o senhor, que usa um pequeno chapéu beje e óculos, na ponta do nariz, olha para sua esposa. Ela está com um vestido florido, as pernas cruzadas, tomando sorvete com um sorriso de criança no rosto. Quando estou satisfeita com o desenho, começo a procurar outra inspiração.
Depois de desenhar uma criança andando de bicicleta e uma jovem tomando café, olho para a igreja. Começo a desenhar, o lápis se movendo como se estivesse dançando em minhas mãos. A sensação enche meu coração e eu sorrio enquanto rabisco mais algumas coisas. Depois de alguns minutos, vejo que fiz um anjo, sentado no telhado de uma das torre da igreja. Seus cabelos são cacheados, na altura dos ombros. Há um sorriso torto em seu rosto. Depois de alguns segundos avaliando o resultado, percebo que desenhei Jace. A curva de seus lábios, seu queixo quadrado. Reviro os olhos e guardo o caderno. Vejo que são 18:40 e decido voltar para o hotel. Compro um café e começo meu caminho de volta.
Chego no hotel e vou para o chuveiro. Prendo meu cabelo em um coque e tomo um banho quente, tirando a maquiagem. Saio do chuveiro e me enrolo em uma toalha. Passo uma máscara hidratante no rosto e um creme no corpo. Depois, coloco uma calça de moletom, que eu uso de pijama, e uma camiseta enorme — que eu tenho quase certeza que era do meu irmão — com um desenho de um pug. Pego o telefone e peço uma salada com alguns pães. Tiro a máscara do rosto e vou para a varanda. Sento, com as pernas cruzadas, e tiro fotos de todos os desenhos que fiz. Depois de anexar as fotos, mando uma mensagem para Simon.
Olha quem voltou a desenhar :) -XX
Mordo o lábio enquanto passo a mão pelo desenho de Jace. Foi o único que eu não mandei para Simon. O primeiro desenho que eu fiz depois de dois anos sem encostar num caderno de desenhos. Ouço uma batida na porta e pego a minha refeição. Depois de comer e colocar os pratos na pia, escovo os dentes e jogo meu corpo na cama. Coloco o alarme para às 8:15 e abraço o travesseiro, pegando no sono em seguida.
—
Acordo com o alarme do meu celular. Levanto e começo a me arrumar para ir trabalhar. Decido que, quando voltar para o hotel, irei realmente conversar com minha mãe sobre tudo que tem acontecido. Tomo um banho rápido, coloco uma calça social cinza, de cintura alta, e uma blusa creme, sem decote. Penteio meu cabelo e faço uma maquiagem suave. Depois de me calçar, vou até a cozinha e preparo um café. Como um pedaço de pão com queijo e, assim que termino, pego minhas coisas e desço para a recepção. São 9 horas quando um carro da empresa aparece.
— Srta. Fray, — diz Hodge, o motorista que me levou para a empresa pela primeira vez.
— Obrigada, — digo enquanto entro no carro e ele fecha a porta para mim. Checo meu celular e vejo uma mensagem de Jace.
Desculpe não ter ido te buscar. Tive que vir mais cedo para a empresa. O almoço é por minha conta :)
Sorrio com a mensagem e mordo o lábio enquanto respondo.
Cuidado, posso me acostumar com isso — XX
O caminho é tranquilo até a empresa. Chegando lá, vejo que Tessa está no telefone. Ela parece concentrada enquanto anota alguma coisa em um pedaço de papel. Ando até o elevador e vou até a minha sala. Quando chego no escritório, me sento e começo a editar o contrato de acordo com a reunião de ontem. Leio alguns termos, faço anotações, puxo setas, digito no documento e mudo algumas coisas. O dia parece voar e, quando olho no relógio, vejo que são 15:40. Checo meu celular para ver se perdi alguma mensagem de Jace, mas não há nada. Franzo as sobrancelhas enquanto penso no assunto. Mando uma mensagem rápida, dizendo que estou indo almoçar, e aguardo uma resposta. Depois de meia hora, levanto e vou até o refeitório. Como uma salada caprese e tomo um suco de maracujá. Quando estou voltando para a sala, sinto meu celular vibrar no bolso.
O dia está corrido. Fico te devendo o almoço.
Guardo o celular no bolso e tento afastar a tristeza que me preenche. Balanço a cabeça, tentando me livrar do sentimento, e saio do elevador. Quando chego de volta na minha sala, pego meus fones de ouvido e coloco uma música qualquer. Me concentro no contrato e, quando paro de escrever, vejo que já são 18:50. Desligo o computador e tiro os fones. Assim que termino de guardar tudo, ouço meu celular tocar.
— Fray, — atendo.
— Clary, é Izzy! Vou passar no hotel para te pegar, pode ser? — sua voz é animada, mas fico confusa com a pergunta.
— Me pegar?
— Bar, comemoração, se arrumar na minha casa…
— Ah, — passo a mão pelos cabelos enquanto tento pensar em uma desculpa. — Esqueci completamente disso!
— Bom, ainda bem que uma de nós tem boa memória, — ela diz e eu posso imaginá-la sorrindo e dando de ombros. — Te vejo às 19:30.
— Izzy, eu não sei o que usar, — digo.
— Pegue o vestido mais quente que você quiser e eu cuido do resto, — ela diz, rindo. — Até daqui a pouco!
— Até, — murmuro.
Desligo o celular e arrumo minhas coisas. Saio da sala e vou até o estacionamento, onde vejo meu carro, na mesma vaga, com o pneu trocado. Reviro os olhos e pego o carro, indo para o hotel. O caminho é tranquilo, mas há um pouco de trânsito. Quando chego no quarto faltam apenas quinze minutos para Isabelle vir me buscar. Vou até o meu armário e procuro um vestido apropriado. A maioria é formal, para eventos sociais relacionados ao trabalho. Depois de algum tempo procurando, finalmente encontro um vestido que pode deixar Izzy satisfeita. Nunca havia usado ele, mas sinto que ele é perfeito para a ocasião. Coloco ele, junto com uma sandália de salto alto preto, em uma bolsa. Vou ao banheiro e pego algumas coisas, como base, escova de dente e perfume. Pego meu celular e desço para a recepção. Alguns minutos depois, Izzy para seu carro na entrada.
Entro no carro e vejo ela usando um vestido solto, rosa. Ela sorri e me cumprimenta. O caminho para a casa dela é rápido e silencioso. Ela estaciona o carro na frente de um prédio enorme e desce do carro. A recepção do prédio é simples, mas aconchegante. Há alguns quadros nas paredes e o piso é de pedra branca. Os elevadores são antigos, mas parece que é mantido apenas pelo estilo. Subimos até o décimo andar e entramos em um apartamento enorme. Há uma sala de estar, com um sofá vermelho e uma mesa de centro. Do lado direito, tem uma porta que leva para a cozinha. Do lado esquerdo, ao lado de uma mesa de jantar redonda, há um corredor. Ela me puxa, me guiando até uma suíte. Há uma cama de dossel, com lençóis vermelhos. Coro quando penso em Jace. Balanço a cabeça, tentando me livrar dos pensamentos, enquanto ela me leva para o banheiro. Há duas pias e um box, com uma banheira. Ela diz para eu tomar banho enquanto ela prepara alguma coisa pra gente comer. Depois de tomar uma ducha rápida, coloco uma calcinha de renda preta e um roupão. Vou até a cozinha e vejo Isabelle servindo um prato de miojo para mim.
— Espero que eu não tenho arruinado isso, — ela diz.
— É miojo. Não tem como arruinar isso, — digo sorrindo.
— Bom, enquanto você come eu vou tomar um banho.
— Ok, — digo. Ela sai da cozinha e, quando ouço ela ligar o chuveiro, dou a primeira garfada. Sinto um gosto forte de tempero, como se ela não tivesse misturado o miojo direito. Tento consertar e como mais um pouco. Depois de algumas garfadas, desisto de comer e jogo a comida fora. Lavo o prato e tomo um copo de água. Ela aparece, vestindo um roupão vermelho, de seda. Imagino que essa seja sua cor favorita e sorrio
— Vamos, — ela diz, me puxando para o quarto.
Chegamos no banheiro e ela começa a fazer minha maquiagem. Depois de ter insistido para ela não se preocupar, acabei desistindo. Ela passa uma sombra no meu olho, depois um lápis e finaliza com um rímel. Depois ela me dá um batom cor de boca. Olho no espelho e perco o fôlego. A sombra escura realça meus olhos, fazendo com o verde fique mais claro que o costume. Sorrio com o resultado e, enquanto ela faz sua própria maquiagem, tento ajeitar meu cabelo. Faço algumas ondas com um mousse e, quando estou satisfeita, olho para ela. Seus maquiagem está impecável. A sombra nude e o batom vermelho parecem se complementar.
— Vamos nos vestir, — ela diz.
Ela sai do banheiro e eu fecho a porta. Coloco o vestido, com cuidado para não estragar a maquiagem, e me olho no espelho. O vestido ficou perfeito. Era curto, mas não curto demais. Seu tom azul escuro fazia minha pele brilhar. E havia um enorme decote, que deixava meus seios bem à mostra. Fico insegura num primeiro momento, mas decido arriscar.
Saio do banheiro e dou de cara com Isabelle. Ela está usando um vestido preto, colado no corpo. Suas curvas parecem ter sido ainda mais realçadas pelo vestido. O decote, em formato de coração aumenta seus peitos. Ainda assim, o vestido parece bem comportado comparado com o meu. Ela me olha e seus olhos brilham.
— Meu Deus, você está muito gata, — ela diz, batendo palmas.
— Você também está um arraso, — digo.
Coloco o salto enquanto ela coloca uma bota de cano curto. Quando estamos satisfeitas com o resultado, ela pega a chave do carro e saímos do apartamento. Vejo no meu celular que são 22:23. Minha cabeça dói quando penso na hora que vou voltar para o meu quarto. O caminho até o bar é tranquilo e eu fico surpresa quando vejo que é o mesmo lugar que fomos quando saímos para jantar com Tessa. Mas, ao invés de entrar no bar, damos a volta e entramos em uma porta lateral. Ela me guia por um corredor e, quando começo a me preocupar, entramos em um salão enorme. Há uma pista de dança enorme e, para a direita, há um mezanino com algumas mesas. Um DJ toca algumas músicas famosas e as luzes piscam, me deixando tonta.
— Pensei que íamos em um bar, — grito para Izzy. Ela chega mais perto e eu repito a pergunta.
— Ah, bom, ainda é uma celebração, — ela diz. Ela ri da minha cara e me guia até o mezanino. Quando chego, vejo Tessa e Jem.
— Oh, meu Deus! Clary, você está maravilhosa, — Tessa grita e me abraça. Ela está usando um vestido de renda verde escuro e forro cor da pele. Com as luzes do lugar, tenho a impressão de que o vestido é feito apenas de renda.
— Você também, — digo e cumprimento Jem.
— Onde estão os outros? — Izzy pergunta.
— Atrasados, como sempre, — responde Jem.
Ele chama um garçom com um aceno de mão e pede uma rodada de shots. Digo que não vou beber nada e, quando as bebidas chegam, Izzy praticamente vira o copo na minha garganta. O líquido desce queimando e minha cabeça gira. Eles insistem para eu tomar mais uma e, como eu sei que não vou vencer essa batalha com palavras, invento uma desculpa de querer dançar. Izzy se anima, imediatamente, com a ideia e me puxa para a pista de dança. Uma música animada começa a tocar e eu e Izzy dançamos juntas. Os caras parecem fazer fila para falar com ela, mas ela apenas espanta todos eles com um simples aceno de mão. Tessa se junta à nós, trazendo três copos. Os drinks, de cor azul, têm cheiro de limão. Ela me diz que eles são sem álcool e eu aceito. O gosto é delicioso e eu começo a dançar ainda mais animada. Nossos corpos se movem e eu rezo para que meu vestido esteja no lugar enquanto dou um pequeno giro com Tessa. Nós rimos enquanto temos improvisar alguns passos e eu deixo que a dança leve minhas preocupações embora. Em algum momento, entre girar e pular com Izzy, vejo Jace na mesa, com Jem e Will. Seus olhos estão escuros e, por um momento, nos encaramos como se não houvesse mais ninguém na sala. E então, como se nada tivesse acontecido, Izzy me puxa e eu perco o foco.
Paramos algumas vezes para tomar os drinks que Tessa trazia e continuamos pulando. Sinto minha cabeça girar, a música alta demais. Continuo dançando, como se meu corpo tivesse vontade própria. Sinto uma mão, no meu braço, me puxar. Vou de encontro com um corpo forte e sorrio. Olho para cima, para seus olhos dourados, mas vejo olhos pretos.
— Olá, minha linda, — ele sussurra. Seus olhos parecem me avaliar e eu franzo as sobrancelhas. Seus cabelos louros são claros e me fazem lembrar alguém, mas não tenho certeza. Tento pensar, mas ele me gira e me puxa de novo. Minha cabeça parece que vai explodir e sinto meu estômago se revirar.
— Não, — murmuro, tentando me afastar.
— Espera aí, — ele diz, sorrindo. Uma mão me puxa pela cintura e, quando eu tento me soltar, vejo que a mão não é sua.
— Acho que está na hora de ir para casa, — a voz de Jace enche meu ser. Sua voz rouca faz com que eu core violentamente.
— Eu também acho, — ronrono. Olho para seus olhos dourados, esquecendo completamente do outro homem, e observo enquanto eles escurecem. Sua mão ainda está na minha cintura, fazendo uma leve pressão. Vejo que ele está usando uma camisa preta e um jeans escuro, que marcam cada músculo do seu corpo.
— Desculpe por hoje, — ele diz. Sinto uma coragem absurda me dominar e me inclino, ficando a poucos centímetros de sua boca.
— Eu posso pensar em uma maneira melhor para se desculpar, — sussurro. Ele geme, ou rosna, e desvia o olhar. Então, ele vira e puxa Tessa, sussurrando alguma coisa em seu ouvido. Fico curiosa e me inclino, tentando ouvir o que eles estão conversando. Ela acena com a cabeça e Jace parece bravo.
— Vamos embora, — ele diz, me puxando para a porta.
— Hey, eu preciso me despedir, — digo, e vou até Tessa. Vejo Jace me seguir a contragosto. Depois de dar tchau para todo mundo, saio com Jace. Ele me leva pelo mesmo corredor que Izzy e, quando ele abre a porta para a saída, uma brisa faz com que meu corpo suado se arrepie. — Estou com frio, — digo, fazendo um biquinho. Ele me olha e respira fundo.
— Vem, — ele sussurra. Seu braço me envolve e ele me leva até sua Lamborghini. Ele abre a porta de seu carro para mim e eu entro, sentindo cheiro de pós-barba e perfume masculino. Ele entra no carro e começa a dirigir.
— Você está me levando para sua casa? — pergunto. Minha voz soa estranha e eu me pergunto porque minha cabeça continua girando.
— É isso que você quer?
— Você está bravo.
— Quanto, exatamente, você bebeu? — seus olhos parecem me acusar. Franzo as sobrancelhas.
— Eu não bebi, — digo. Ele arqueia uma sobrancelha e eu sinto vontade de chorar. — Juro que não bebi. Tessa só me deu drinks sem álcool.
— Sem álcool?
— Sim. Eu perguntei, — digo. Ele olha para mim e vejo suas mãos apertarem o volante.
— Eu vou matá-la, — ele sussurra.
— Oh, — digo, quando percebo que ela mentiu. — Achei que estava tonta por causa da música e do calor… — Minha cabeça continua girando. — Eu acho que vou vomitar.
— Ah, merda, — ele diz, parando o carro. Abro a porta e vomito todo o miojo que Izzy me deu. Isso, e todos os drinks de Tessa. Jace tenta segurar meus cabelos e, quando eu termino, fecho a porta. Ele volta a dirigir.
— Desculpe, — sussurro. Sinto uma crescente vergonha quando percebo que estou quase tão bêbada quanto meu pai costumava ficar.
— Você está com a chave do seu quarto?
— Sim, — murmuro. Ele continua dirigindo em silêncio e, quando chegamos, ele estaciona o carro ao lado do meu.
Ele me ajuda a descer e vai comigo até o quarto. Lá, dou a chave para ele, que abre a porta, e entro no quarto. Antes que ele feche a porta, tiro meus sapatos. Vou até o banheiro e lavo a minha boca, tirando o gosto de vômito. O vestido parece grudar no meu corpo e sinto um grande desconforto. Então, decido tirá-lo. Jogo o pano no cesto, ficando só de calcinha, e me viro. Jace está ao lado da cama, seus olhos tão escuros quanto a noite. Eles deslizam pelo meu corpo, se demorando na minha calcinha e nos meus seios, espalhando um calor intenso por todo meu ser. Seus olhos encontram os meus e eu mordo o lábio. Ele respira fundo e desvia o olhar. Ando até ele e passo meus dedos pelos botões da sua camisa. Ele prende a respiração e eu gemo quando percebo o efeito que eu tenho sob ele. Seus olhos voltam para os meus e eu me aproximo ainda mais. Quando meu corpo encosta no seu, sinto que ele está tremendo.
— Clary, — sua voz está tão rouca que sinto uma pontada em meu ser.
— Jace, — sussurro. Meus dedos se enroscam em seus cabelos e ele vira o rosto.
— Você está bêbada, — ele murmura, como se estivesse falando consigo mesmo.
— E?
— Eu não vou transar com você sabendo que você está bêbada.
— Finge que eu não estou, — digo, minha voz tão baixa que me pergunto se disse isso em voz alta.
— Clary, — ele diz. Suas mãos prendem meus braços e me afastam dele. — Eu não posso transar com você. Não assim.
— Um beijo.
— Clary.
— Por favor, — imploro. Ele se afasta de mim e eu sinto meu coração se partir.
— Aqui, — ele diz, me estendendo uma roupa qualquer.
— Você não me acha atraente, — digo enquanto coloco a peça. Sinto-me confusa e rejeitada.
— O quê?
— Tudo bem, — digo, me virando e indo para cama. Ele me segura, me puxando para ele. Minhas costas vão em direção ao seu peito. Sinto, no meu quadril, sua ereção.
— Não ouse dizer que eu não te acho atraente, — ele sussurra no meu ouvido. Tento me virar, mas ele me segura no lugar. — Eu estou queimando por você, Clary. Mas eu não vou transar com você se não for para você lembrar, pelo resto da sua vida, o que eu posso fazer com você. Cada detalhe, cada beijo, cada orgasmo.
Gemo enquanto imagino todas as coisas que ele poderia fazer comigo. Fecho os olhos, tentando conter minha respiração. Ficamos assim por alguns segundos, ambos ofegantes e sedentos. Nossos corpos colados um no outro. Respiro fundo várias vezes e, quando finalmente me acalmo o suficiente para falar, me afasto e olho para ele.
— Dorme comigo, — digo. Seus olhos continuam escuros, com apenas uma pequena linha dourada em volta de suas pupilas.
— Clary…
— Só dormir. Por favor. Não quero dormir sozinha, — digo, fazendo um biquinho. Uma sombra de um sorriso passa por seu rosto e ele acena com a cabeça.
— Só dormir, — sua expressão parece a de um pai que diz para o filho que só vai brincar mais uma vez.
— Obrigada, — digo enquanto puxo ele para cama. Ele deita, de roupa e tudo, e me puxa para si. Abraço seu corpo, sentindo cheiro de suor e perfume. Ele faz um carinho suave nos meus cabelos e eu pego no sono ouvindo as batidas do seu coração.
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