How to Love
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Ando de um lado para o outro dentro da sala, cantarolando alguma coisa. Não havia conseguido escrever uma única palavra sobre o contrato. Nada. Mordo o lábio, frustrada. Sento na minha cadeira e apoio o rosto nas mãos, meus braços apoiados nas minhas pernas. Imagino minha mãe, sentada, fazendo uma careta enquanto corrige minha postura. Balanço a cabeça e deslizo meus dedos pelos meus cabelos, fazendo com que os mesmos fiquem fora do lugar. Checo os papéis com os termos mais uma vez e mordo o lábio mais uma vez. Decido dar uma volta pela empresa. Vou até o primeiro andar e noto que Tessa não está lá. Vou até o estacionamento, onde tenho certeza que não irei atrapalhar ninguém. Ando sem rumo até que encontro um banco, próximo à um poste com uma placa que indica um ponto de ônibus. Vejo que ainda estou dentro da propriedade, então decido me sentar um pouco. Penso no almoço com meu irmão e minha cabeça dói.
—-
Estávamos no carro, o caminho silencioso. Podia sentir o cheiro do perfume masculino do meu irmão. Ele estava usando um terno preto, feito sob medida, com uma camisa vinho e sem gravata. Havia um sorriso tímido em seu rosto, o que fez com que eu sorrisse também. Ele me levou até um restaurante incrivelmente chique. Havia um grande arco branco na entrada e diversas colunas espalhadas. Uma escadaria enorme levava ao segundo andar, onde janelas davam para uma vista extraordinária da cidade. Um estilo de navio, como um cruzeiro, parecia tomar o local. Nos sentamos e conversamos amenidades enquanto um garçom nos servia uma comida esplêndida. No final do almoço, andamos de volta ao carro. Me sentei no banco do passageiro e, enquanto colocava o cinto de segurança, esperava Jonathan ligar o carro. Quando olhei pra ele, notei que ele me encarava.
— Eu quero que você ligue para o papai agora, enquanto eu ainda estou com você, — ele disse. Encarei-o, esperando que ele desse um sorriso e dissesse que era uma piada. Ele não o fez.
— É muito cedo em Nova Iorque, — disse, sem pensar em uma desculpa melhor.
— Garanto que ele vai entender.
— Claro, — disse, apenas. Peguei meu telefone e procurei seu nome. Fiz uma prece silenciosa para ele não atender. Porém, com a minha sorte, ele atendeu no segundo toque.
— Clarissa, — ele disse. Sua voz, seca, mostra que ele já estava acordado fazia tempo e não estava com um humor bom.
— Pai, — disse.
— Sim?
— Hm, — olhei para Johnny e respirei fundo. — Estou ligando sobre o contrato dos Herondale’s.
— Sim?
— Bom, eu me comprometi a fechar o contrato, — disse enquanto mordia o lábio.
— Clarissa, — ele disse. — A não ser que você esteja me ligando para dizer que está chateada, mas está a caminho do aeroporto com seu irmão, sugiro que repense o que está prestes a me dizer.
— Eu me demito, — eu disse. Meu lábio inferior tremia tanto que fiquei com medo de soluçar. A linha ficou muda e, quando eu achei que ele tinha desligado, ouvi sua respiração.
— Como você ousa, — ele rugiu. Fechei os olhos com força, prendendo a respiração. — Você não pode fazer isso comigo!
— Sim. Eu posso, — minha voz estava fraca, mas continuei falando as coisas que, por tanto tempo, ficaram entaladas na minha garganta. — Se você me visse como algo além de sua funcionária, talvez eu não estivesse fazendo isso. Mas como você é muito mais meu chefe do que meu pai, eu me demito. Quem sabe assim você entenda que eu tenho princípios e valores. Não vou deixar eles na mão porque você quer…
— Cale a sua boca, sua ingrata. Eu te dei tudo que você tem. Eu te fiz quem você é…
— Não, — gritei. Não conseguia olhar na cara de meu irmão, então fechei os olhos.
— Você vai pagar muito caro por isso, Clarissa, — senti um arrepio descer pela minha coluna. — Eu vou mostrar para você que isso foi um erro. E se você não voltar correndo para cá, eu mesmo vou aí ter uma conversinha com os Herondales.
— Eu não vou deixar isso acontecer, — disse e desliguei o telefone. Antes que eu pudesse evitar, senti as lágrimas descerem e comecei a soluçar.
—-
Enxugo uma lágrima que desce pela minha bochecha enquanto afasto a lembrança de meu almoço com Jonathan. Me levanto e decido voltar para minha sala. Respiro fundo várias vezes enquanto ando. Quando chego na recepção, vejo Will, Jem e Tessa. Will parece nervoso enquanto Tessa e Jem tentam conversar com ele. Acho melhor não me envolver e vou direto para o elevador. Quando chego no terceiro andar, um arrepio desce pela minha coluna, como uma pedra de gelo. O silêncio se torna assustador e, por um segundo, perco o fôlego. Não havia motivos para eu me sentir assim, certo? Tudo parecia igual. Mas, por algum motivo, algo estava diferente. Como se uma guerra tivesse acabado de acontecer e as pessoas ainda estivessem se recuperando da batalha. Ando até minha sala apressadamente, entrando e fechando a porta atrás de mim. Sento à minha mesa e coloco um fone de ouvido, colocando uma música qualquer. A batida me acalma e, depois de algum tempo, já estou bem.
Abro um documento novo no computador e começo a digitar. Escrevo os primeiros termos do contrato. Depois de umas três horas digitando sem parar, termino o rascunho. Minha cabeça dói enquanto eu mando as páginas para impressão. Depois que tenho todas as páginas, grampeio as folhas e decido ir falar com Jace. Vou até sua porta e bato duas vezes. Ouço sua voz autorizando a minha entrada e abro a porta. Pela primeira vez, reparo em sua sala. O piso é o mesmo que o da sala de seu pai, porém as semelhanças param por aí. Assim como a minha sala, as paredes são brancas e há uma janela, razoavelmente grande, atrás de sua mesa. Há uma porta que, aparentemente, leva à um banheiro. A mesa, de madeira escura, está no centro da sala. Há diversos papéis empilhados em um dos cantos e um computador com uma tela enorme. Atrás da mesa, Jace está sentado em uma cadeira de couro. Ele está usando uma camisa cinza, que está toda amarrotada, e seu paletó está pendurado na cadeira. Seu rosto parece cansado e seu cabelo está completamente bagunçado. Há uma mecha caindo em seus olhos e seus lábios são uma linha fina. Posso sentir a tensão em seu corpo.
— Desculpe. Posso voltar outra hora se estiver atrapalhando algo, — digo. Seus olhos encontram os meus e vejo como eles parecem ouro derretido.
— Não, — ele diz. — Você não está atrapalhando nada.
— Ah, — digo. Limpo a garganta e ando até sua mesa. Há uma cadeira em frente a mesa, mas por algum motivo não me sento. — Bom, eu terminei o rascunho do contrato.
— Que bom, — ele diz. Sua voz, entretanto, não soa nem um pouco animada com a notícia. Encaro meus pés.
— Eu queria saber se, com a reunião de amanhã, eu preciso imprimir a cópia de vocês ou eu mando para alguém…
— Pode mandar para Tessa, — ele diz enquanto escreve algo em um pedaço de papel. — Este é o email dela.
— Obrigada, — digo, pegando o papel. Ele acena com a cabeça. Respiro fundo e me viro. Embora eu esteja encarando a saída, meu pés não se mexem e eu volto minha atenção à Jace. — Está tudo bem?
— Por que não estaria? — ele pergunta. Seus olhos estão no computador enquanto ele evita a pergunta.
— Você não parece bem.
— Eu estou ótimo, Srta. Fray.
— Srta. Fray?
— Algum problema?
— Uau, — digo, levantando as sobrancelhas. Ele não me olha. Tenho a impressão de que se o fizesse, ele pediria desculpas. — Nenhum problema, Sr. Herondale, — digo, me virando.
— Clary, — ele diz, sua mão segurando meu braço. A parte irracional do meu cérebro está preocupada com a habilidade dele de se mover tão rapidamente. A parte racional está se concentrando em virar a maçaneta de sua porta e abri-la.
— Sr. Herondale, se você me der licença, eu tenho que voltar ao trabalho… — sou interrompida. Ele me vira, meu corpo indo de encontro ao seu. Seus olhos derretem nos meus e eu perco o fôlego. Ele me encara, nossos hálitos se misturando.
— Desculpa, — ele murmura. — Eu tive um dia longo. Não quis ser grosseiro.
— Bom, você claramente falhou, — digo, tentando manter o foco nos seus olhos e não na sua boca.
— Claramente, — sua voz rouca chama minha atenção. Vejo um sorriso torto se formar em seu rosto.
— Ouso dizer que você fez de propósito.
— Você ousa?
— Ah, sim. Eu ouso, Sr. Herondale.
— Ah, Clary, — ele ri. Percebo que sua mão ainda está no meu braço. Antes que eu me mova, no entanto, ele volta sua atenção à mim. — Esse sarcasmo todo ainda vai te trazer problemas.
— Teoricamente, se trata de ironia, — digo e ele me beija. Não sei como aconteceu. Seus lábios foram de encontro aos meus e eu fui de encontro a porta. Ele prensa meu corpo contra a parede, seu corpo pressionando o meu. Nossas línguas lutam por controle enquanto suas mãos deslizam pelo meu corpo. Seus lábios passam para o meu pescoço e eu solto um gemido.
— Shh, — ele sussurra contra a minha clavícula. Mordo o lábio, segurando outro gemido, quando seus beijos encontram o lóbulo da minha orelha. Ele morde e puxa, assoprando de leve em seguida.
— Oh, Deus, — suspiro, puxando seus cabelos. Trago sua boca até a minha e me perco em seus lábios. Suas mãos descem para minha coxa, levantando minha perna. Posso senti-lo contra mim e gemo.
— Clary, Clary, Clary, — ele geme contra minha boca. Quando sua mão toca meu peito, por cima da blusa, uma batida na porta nos desperta. Tomo um susto tão grande que acabo batendo minha testa em seu queixo. Começo a rir em seguida. Ele não se controla e ri comigo, passando a mão pelo local. Outra batida na porta. Me olho no reflexo da janela e, enquanto rio, tento ajeitar minha roupa. Quando estou apresentável, ele abre a porta com um sorriso ainda no rosto.
— Jace, eu… Oh, Clary, — Will parece surpreso em me ver. Seus olhos vão de Jace para mim diversas vezes e ele sorri. — Bom, hm, eu esqueci um dos relatórios que eu vim deixar aqui, — ele diz, apontando para alguns papéis que estavam em sua mão. — Acabei de perceber! Vou voltar lá e já trago. Ou melhor, eu trago mais tarde, — ele diz. Ele acena com a cabeça para mim e sai da sala.
— Você acha que ele…
— Não, — Jace diz. Ele volta a rir e recolhe o contrato que caiu atrás da porta. — Fico feliz em saber que finalizou o contrato.
— Primeiro rascunho do contrato, — digo. Ele dá de ombros.
— Eu realmente gostaria de continuar da onde paramos, — ele diz. Sorrio. — E não, não estou falando das risadas. Mas, tenho que fazer alguns telefonemas, — ele diz. Vejo uma tensão passar por seus olhos.
— Claro, — digo. Pego o papel da sua mão e, antes de ir embora, olho em volta. Vejo que estamos sozinhos e dou um beijo em seus lábios. O toque é suave, gentil. — Espero que dê tudo certo nos seus telefonemas. Eu vejo você mais tarde, Sr. Herondale.
— Mais tarde, — ele diz, um sorriso no rosto. Entro na minha porta e suspiro com o duplo sentido da frase.
Vou até minha mesa e mando um email para Tessa. Meus lábios parecem formigar e eu resisto à vontade de voltar a sua sala. Tento focar no rascunho em minhas mãos e coloco o fone de ouvido. Pego um marca texto e começo a grifar as partes que estão muito vagas e circular os termos que podem ser um problema para a negociação. De vez em quando, entre uma cláusula e outra, uma imensidão dourada toma meus pensamentos. Porém, uma força de vontade que eu não sabia que existia fez com que eu focasse nos papéis em minhas mãos.
No fim do dia, às 18:30, arrumo minhas coisas e vou até o estacionamento. Encontro Tessa na recepção e ela me chama para jantar com ela. Percebo, pela primeira vez, que eu não almocei. Ela combina de passar no hotel para me buscar às 20:00. Me despeço dela e vou até meu carro. Quando saio do estacionamento, meu celular toca.
— Simon, — digo, colocando o celular no viva-voz.
— Fray!
— Tudo bem?
— Tudo e você?
— Tudo ótimo. Tenho novidades, — digo, imaginando a cara de Simon quando lhe contasse sobre a minha discussão com meu pai.
— Oh, Deus. Tenho até medo, — ele diz. Sua voz animada faz com que eu sorria enquanto dirijo pela cidade.
— E aí, como estão as coisas?
— Estão ótimas Fray, — ele diz. Uma buzina chama minha atenção e noto que um cara acabou de bater em outro. Dou seta e saio a direita, tentando evitar o trânsito. — Isso foi uma buzina? Bom, a Espanha é maravilhosa. Jordan é super legal e…
— Jordan?
— Meu colega de quarto. De todo jeito, ele é muito simpático. Ah, eu tenho meus horários. Você está livre no final de semana seguinte do seu aniversário? Dia 27 e 28 de Agosto?
— Não sei, Simon. Talvez, — digo enquanto desvio de um caminhão dando ré.
— Bom, eu vou estar em Paris. Pensei que você pudesse pegar um avião para gente comemorar o seu aniversário em Paris. Já pensou?
— Estou quase chegando no hotel. Assim que eu chegar, eu vejo meus horários e mando uma mensagem avisando, pode ser?
— Excelente, — ele diz, animado. Sorrio com sua felicidade. — Te amo, Fray.
— Te amo, Simon, — digo, desligando o telefone.
Depois de algum tempo, chego no meu quarto. Meus pés doem e eu tiro o sapato, indo descalça até o quarto. Chego lá e tiro a calça social e a blusa branca que eu estava usando, jogando-as no cesto de roupa suja. Tomo um banho rápido, sem lavar o cabelo. Me enxugo e passo um creme no corpo, indo para o quarto e colocando uma calcinha branca e um vestido verde claro. Decido ir sem sutiã, já que o decote permite. O vestido é solto, com um pequeno laço na cintura. Vou até o banheiro e prendo o cabelo em um rabo de cavalo. Puxo alguns fios, desenhando meu rosto. Passo um batom nude e um rímel. Volto para o quarto e coloco um sapato nude, de salto médio. Passo um perfume e checo meu reflexo mais uma vez. Quando estou satisfeita, vou até a sala procurar meu horário. Encontro uma tabela com todas as reuniões e datas. Vejo que estarei livre no final de semana que Simon mencionou, então mando uma mensagem falando que vou começar a ver preços de passagens. Olho no relógio e vejo que são 19:40. Decido esperar na recepção. Pego o elevador e ando até um dos sofás, perto da entrada do hotel. Sento, cruzando as pernas e refletindo sobre meu dia. Eu, provavelmente, deveria parar de me envolver com Jace. Não ia acabar bem pra ninguém se eu me apaixonasse por alguém que mora do outro lado do mundo. Minhas reflexões são interrompidas por uma voz animada.
— Uau, você está linda, — ouço Tessa dizer. Ela está usando um vestido, regata, azul escuro, na altura do joelho. Seus cabelos estão completamente soltos.
— Você está maravilhosa, — digo, seguindo ela em direção à uma Maserati, Gran Cabrio, cinza escura. O carro, conversível, faz com que eu perceba que há uma outra pessoa dirigindo.
— Você se importa de ir atrás? — Tessa pergunta. Digo que não e entro no banco de trás. Cumprimento Isabelle, a irmã de Alec, que está dirigindo.
— Você está adorável, — ela diz sorrindo e eu agradeço o elogio. Tessa entra em seguida e colocamos o cinto. Noto que Izzy está usando um vestido curto, vermelho escuro, que marca todas suas curvas. Seus cabelos pretos estão soltos, contribuindo para o visual. Mordo o lábio e decido que vou começar a frequentar uma academia.
Ela começa a dirigir pela cidade. O vento contra meus cabelos é extremamente relaxante e eu observo o pôr do sol enquanto ela acelera por uma estradinha. Depois de alguns minutos, chegamos em um bar. Há uma fila enorme do lado de fora. Descemos do carro e Izzy vai na frente. Seguimos ela, que cumprimenta o segurança e entra, passando na frente de todos. Sinto os olhares de raiva e inveja dirigido a nós enquanto entramos no bar. Há diversas mesas espalhadas por um ambiente. Luzes espalhadas pelas paredes, e não no teto, dão um efeito de meia-luz. O bar é todo de madeira, embora as paredes sejam de pedra. Algumas pessoas se aglomeram em volta das mesas, enquanto outras dançam em uma pequena pista de dança. Subimos uma pequena escada que leva para uma área mais reservada, onde as pessoas parecem ser mais importantes. Todos abrem caminho para que possamos passar e noto que isso acontece pela maneira como Izzy anda. Sua confiança atrai o olhar de todos e eu me pego invejando-a.
Chegamos em uma mesa de quatro lugares, onde Izzy se senta. Tessa se senta ao seu lado e eu me sento do outro lado, em frente à Tessa. Izzy levanta uma das mãos e um garçom, jovem, de cabelos loiros aparece. Ela faz um pedido em Italiano e eu decido que, assim que eu voltar para o hotel, vou começar a ter aulas com o Google Tradutor.
— E aí, Clary… É Clary, né? Está gostando da Itália? — Izzy pergunta. Seus olhos brilham e ela parece realmente interessada na minha resposta.
— Sim, — digo. Minha voz soa animada enquanto eu aceno com a cabeça. — Nunca tinha estado aqui e estou amando a cidade!
— E Jace?
— Izzy, — Tessa diz enquanto eu engasgo com minha própria saliva.
— O quê? — pergunto, me fazendo de tonta.
— Sei lá. Fiquei sabendo que ele te levou em um tour pela cidade. Só estava curiosa, — ela diz, colocando as mãos para cima e fazendo cara de inocente. Tessa revira os olhos.
— Ele tem sido bem gentil, — digo, encarando minhas mãos.
— Gentil?
— Izzy, — Tessa murmura. — É a noite das garotas, lembra? Nada de meninos hoje.
— Ah, claro. Você briga com Will, ou com Jem, e sobra pra gente, — ela diz, rindo. Tessa levanta as sobrancelhas, realmente chateada.
— Uau, quanta compaixão, — ele murmura, virando a cara.
— Hey, foi sem querer, — Izzy diz, cutucando o braço de Tessa. — Diga para ela que foi sem querer, Clary.
— Não tenho certeza se quero me envolver nessa conversa, — digo. Vejo Tessa sorrir e Izzy revirar os olhos.
— Deus, vocês até soam parecido, — Izzy diz.
— Vocês?
— Você e Jace, — Tessa diz, sorrindo. Coro e agradeço a Deus que a comida chegou.
Diversas Bruschettas formam um arranjo numa grande travessa. Há também uma porção de nhoque, com molho de tomate caseiro, para cada uma de nós. O garçom também traz três águas, com limão. Meu estômago ronca enquanto eu pego uma Bruschetta. O sabor é delicioso e a crocância da torrada é perfeita. Comemos nossas porções enquanto conversamos amenidades. Tessa fala de como ela e Izzy estavam na mesma turma do Ensino Médio. E, enquanto Izzy foi fazer moda, Tessa começou um estágio com os Herondales. Izzy diz que ela e Jace cresceram juntos, como irmãos.
— Nós vivíamos na casa um do outro. Agora é mais difícil. Jace está sempre viajando e Alec… Bom, ele trabalha para a Interpol. Você pode imaginar como é a rotina, não é mesmo? — Izzy diz, sua voz carregada com saudade. No mesmo instante, pensei na minha relação com meu irmão.
— Fiquei chocada quando ele apareceu no meu aniversário, — Tessa diz.
— Sim! Ele fez uma surpresa para a família, — ela diz, sorridente. — Já tinha uns três meses que não nos víamos.
— É difícil mesmo, — digo, dando de ombros. — Acho que já fiquei oito meses sem ver meu irmão.
— Meu Deus, — Izzy diz. Seus olhos estão levemente arregalados. — Eu morreria.
— Você encontra uma maneira de sobreviver, — Tessa murmura. Izzy encara suas mãos e eu procuro os olhos de Tessa. — Eu não falo com meu irmão faz muito tempo, — ele diz, se justificando. Mordo o lábio, acenando com a cabeça e desviando o olhar.
Izzy muda de assunto e começamos a falar sobre viagens. Elas me fazem diversas perguntas, sobre os lugares em que eu já estive. Izzy nos conta sobre a semana da moda, em Paris, e Tessa fala sobre um intercâmbio que fez para o Canadá. Meu celular vibra com uma notificação qualquer e eu vejo que já são 23:50. Tessa também nota e pedimos a conta. Depois de muita discussão, decidimos dividir a conta igualmente e vamos embora. Alguns homens nos param no caminho, mas apenas ignoramos enquanto andamos para a saída. Esperamos ao lado do segurança enquanto o manobrista pega o carro de Izzy. Noto que ainda há uma fila considerável do lado de fora enquanto entro no carro. Paramos na metade do caminho para deixar Tessa em sua casa, que eu descubro ser um apartamento nos limites da cidade.
— Achei que a casa dela era a do aniversário, — digo para Izzy depois de sentar no banco da frente e vê-la entrar no prédio.
— Oh, não. Aquela é a casa do Will, — ela diz, dando de ombros.
— Meu Deus, — sussurro, imaginando o tamanho da casa de Stephan Herondale.
— O quê?
— Ah, nada. Achei que vocês morassem em Londres.
— Moramos. As casas daqui são provisórias. Nem estão totalmente decoradas, — ela diz, acenando com a mão.
— Ah, — digo, porque não consigo pensar em mais nada. Não sei porque estou surpresa com isso, já que meu pai mora em uma casa ridiculamente grande.
— Bom, fiquei sabendo que sexta iremos comemorar sua primeira semana aqui, — ela diz. Abro a boca para falar algo, mas ela me interrompe. — Estava pensando em você se arrumar na minha casa. Assim a gente vai junto para a balada, — ela diz, sorrindo.
— Mas eu não vou te atrapalhar?
— Claro que não! É bom ter uma irmã de vez em quando. Digo, é bom ter uma menina com que conversar, — ela diz, dando de ombros. Percebo que ela está tímida e sorrio.
— Acho ótimo! Sempre quis ter uma irmã, — digo, sorrindo. Vejo, de canto de olho, que ela está sorrindo. E, quando desço do carro, já não me sinto intimidada por ela. Afinal, nós duas somos mulheres, cercadas por homens e com saudades dos nossos irmãos. O que mais poderíamos ter em comum?
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