How to Love

10 Capítulo 10 - Jace


Notas iniciais
Olá, meus amores! Estou de volta! Amei os comentários! Muito obrigada! Aqui está mais um capítulo fresquinho. Espero que gostem! PS: Está um pouco curto, mas tem bastante família Herondale para vocês. Boa leitura!

Entro em casa, passando direto pela sala e indo até o bar. Havia uma prateleira com bebidas acima de uma pia de mármore preto. Os armários, de portas de uma madeira escura, davam um ar misterioso ao ambiente. Do outro lado de um balcão, alguns bancos altos estavam dispostos. Respiro fundo e pego uma garrafa de Whiskey e um copo, servindo uma dose e me sentando no primeiro banco. Apoio os braços na bancada e fecho os olhos.

Nunca parei para pensar muito no que significava ter uma família presente. Claro, sempre fui muito grato pelos meus pais, pelos Lightwoods. Pela minha família, num geral. E, quando eu ouvia histórias de pessoas que não sabiam o que era isso, eu balançava a cabeça e dava de ombros. Eu pensava que todos tinham problemas, mas que no final tudo se resolvia. Até Clary. Até ver como uma pessoa brilhante poderia ter que passar por isso. Até ver os pedaços de seu coração espalhados pela sala depois dela discutir com seu irmão.

Estava no meu segundo copo de Whiskey quando Will entra na sala. Ele não diz nada. Apenas pega outro copo no armário e senta ao meu lado. Ele apoia seus braços no balcão do bar e olha em volta. Acompanho seu olhar. Bar, janela, varanda, sala de estar, meu rosto.

— Quantos copos você já tomou? — sua voz é calma. Sinto minha mandíbula ficar tensa ao pensar onde essa conversa irá parar.

— Dois.

— Ah, — ele murmura. — Imagino que não vá parar por aí.

— Não.

— Eu acho que…

— Eu acho que vou trocar a fechadura da porta, — digo, minha voz baixa me surpreende. Will levanta as sobrancelhas e sorri.

— Você precisa transar com alguém, — ele diz, rindo para si mesmo. — Urgentemente.

— Não preciso de…

— Uma pessoa ruiva, talvez, — ele diz. Sua mão alisa seu queixo, como se considerando a ideia e avaliando as possibilidades. Sinto meu corpo ficar tenso e o encaro.

— O quê?

— Ah, Jace, pelo amor de Deus. Você está de quatro por ela, — ele dá de ombros. Ele dá de ombros!

— Vindo de você, deve ser um elogio.

— Ah, sim. Tessa. Tem razão. Pelo menos eu fui homem o suficiente para admitir meu amor, — ele vira o copo de Whiskey e serve mais uma dose.

— Eu conheço Clary faz três dias. Não faz sentido falar de amor.

— Amor, paixão, atração. Chame do que quiser. Ela mexe com você, — ele diz e dá uma risada rouca. Arqueio a sobrancelha. — O mais engraçado é que eu não percebi isso até ele falar que você queria comer ela.

— E qual é a graça disso?

— Ah, talvez o fato dele ter ficado na mesma sala que você por dez minutos e ter percebido. Enquanto eu passei os últimos três dias com você e não notei.

— Realmente, — digo, tomando mais um gole. — Hilário.

— Tá.

— O quê?

— Desembucha, — ele diz. Ele vira seu corpo de frente para mim, segura o copo com uma das mãos, e me encara.

— Sobre o quê?

— A garota chegou agora, mas mexeu com você. O irmão dela, assim como o pai, aparentemente, é um babaca. Dá para confiar mais num pato, que não são nem um pouco confiáveis, do que neles. Essas partes eu peguei. Eu quero saber por que você está com esse humor excepcional sendo que ela disse que não vai embora, — ele diz, dando de ombros. Deus, eu queria poder socá-lo. Ele diz tudo aquilo como se tudo fosse simples e prático.

— Ela merece melhor, — digo, apenas.

— Claramente.

— É só isso. Estou puto porque ela merece melhor e não tem nada que eu possa fazer.

— Filho, — a voz de seu pai faz com que ambos virem em direção da porta. Stephan está encostado na parede, as mãos no bolso e um sorriso relaxado no rosto.

— Tio! Sinto muito, mas estamos tendo uma sessão do grupo de Herondales que não tem sorte no amor, — Will diz, sorrindo. — Mas junte-se a nós para uma dose de Whiskey. É por conta da casa.

— Eu já disse que é patético falar de amor sobre uma pessoa que eu conheço faz três dias, — digo. Reviro os olhos quando Will arqueia as sobrancelhas. Meu pai se senta ao meu lado.

— Eu me apaixonei pela sua mãe no dia em que eu a conheci, — ele diz dando de ombros.

— Alguém anotou a parte de “sem sorte no amor”? — Will pergunta.

— Alguém anotou a parte de “eu não estou apaixonado”? — eu pergunto.

— Sim, claro, — meu pai diz, dispensando meu comentário com uma das mãos. Ele pega o meu copo das minhas mãos e dá um gole. Do que estávamos falando? Ah, sim. É claro que você pode fazer algo por ela.

— Sério? — pergunto. Meu tom de voz indica que eu estou questionando o motivo de ainda estarmos no assunto, mas por dentro fico feliz em ouvir os conselhos do meu pai. Ele me encara, seus olhos me dando um sermão silencioso sobre ser sarcástico durante uma conversa séria. Posso sentir Will segurar a risada enquanto dá outro gole em seu Whiskey.

— Você pode mostrar o que ela merece. Ela mesma já disse que nós a tratamos melhor do que eles. É só mostrar pra ela que ela merece melhor. Acredite, você estará ajudando, — ele diz. Seus olhos calmos parecem sorrir para mim.

— Sem contar que estamos na Itália. É o país do romantismo, — Will completa, sorrindo. Encaro-o por alguns segundos antes de afastar a garrafa de Whiskey dele e me levantar para guardá-la. — Hey, a não ser que você pretenda sair, acho bom me devolver essa garrafa.

— Você não vai continuar bebendo do meu Whiskey Escocês enquanto tira um sarro da minha cara, — digo.

— Mas eu quero continuar bebendo, — meu pai diz. Encaro-o enquanto ele, deliberadamente, pisca para Will. Meu primo sorri de orelha a orelha e me encara. Reviro os olhos e devolvo a garrafa.

— Vocês não vão desistir, não é mesmo?

— Jamais vou desistir de você, filho, — meu pai diz, dando de ombros. Seus olhos azuis me acalmaram imediatamente. Enquanto ele servia outra dose para Will, tentei marcar cada detalhe. A maneira como seus ombros estavam relaxados, como um sorriso brincava em seus lábios. Seu cabelo loiro, bagunçado. Alguns fios brancos aparecendo em suas têmporas. A maneira como seus dedos desenhavam sua aliança distraidamente, como se ele estivesse desenhando o rosto de minha mãe sem perceber. Vi ele me olhar, esperando uma resposta.

— Obrigado, — digo. Não era o suficiente. Nunca seria. Um simples obrigado jamais bastaria para expressar o quanto eu era grato por ter um pai presente. Um pai que me ensinou como andar de bicicleta, como fechar negócios, como tratar uma mulher. Um pai que me amava. Vejo em seus olhos um entendimento. Ele sabia exatamente como eu me sentia e, com um leve aceno de cabeça, ele me agradeceu por isso. Depois de um tempo em silêncio, Will decide ir embora.

— Bom, obrigada pela dose Tio Steph. Já você, obrigado por não ser um completo babaca, — Will diz, dando uma leve piscadela para mim. Sorrio enquanto vejo meu pai dar um beijo na bochecha de Will. Ele sai pela porta, cantando alguma coisa.

— Vamos para a sala, — meu pai diz, levando o copo de Whiskey com ele. — Como foi seu dia?

— Ah, — digo. Sei que ele se refere à ela. — Ela saiu para almoçar com Jonathan. Pelo menos foi isso que Tessa disse, — dou de ombros.

— Isso é bom.

— Bom?

— Claro. Já sabemos que ela não é estúpida o suficiente para tolerar agressões. Ela não sairia com ele se ainda estivessem brigados.

— Ah, — digo. Não consigo dizer mais nada.

— Sabe, filho, a vida não é fácil. Nem todo mundo nasce com dinheiro, com amor, com família, com um lar e com amigos.

— Eu sei…

— A questão é, ela é uma pessoa brilhante que merecia muito mais do que lhe foi dado, — ele diz, acabando com a dose. Ele reflete por um momento e depois me encara. — Às vezes, o nosso primeiro passo é sentir pena, ou achar que temos que proteger essa pessoa. Clary não precisa disso. Ela é uma mulher que, mesmo com todos os fatores que podiam ter destruído a vida dela, se manteve forte. Ela é educada e gentil. Tudo que ela precisa é que alguém reconheça isso. Reconheça que, tendo todas as desculpas para se tornar uma pessoa amarga, ela ainda traz doçura para o mundo. E, no final, isso é tudo que importa.

— Eu sei de tudo isso, pai. É que ver a maneira como o irmão dela falou com ela… Ver o jeito como ele segurou o braço dela… Sei lá. Queria matar ele, — digo. Vejo a cena em minha mente e sinto meu corpo ficar tenso. — Não lembro de ter me mexido, mas quando vi já estava na frente dela.

— Eu notei. E, acredite, eu teria feito a mesma coisa na sua idade. Ou se fosse sua mãe. Mas, às vezes, palavras são mais brutas do que um soco.

— Você acha que…? — não sou capaz de terminar a pergunta. Não queria e não estava preparado para amar ninguém. E, se fosse ser sincero, estava apavorado de estar me apegando, tão cegamente, a uma pessoa que eu nem conhecia direito. Sou incapaz de encará-lo enquanto falo, então decido avaliar minhas unhas.

— Eu acho que seu coração está balançado. Você nunca encontrou uma mulher, do ramo, que sabe exatamente o quão duro esse trabalho pode ser, e que seja de tirar o fôlego. Acontece. Será que vocês vão casar e ter filhos? Ou será que, daqui três meses ela irá voltar para Nova Iorque e você conhecerá uma belíssima mulher italiana? Ou será que, na semana que vem, ela decida que vai trabalhar para uma empresa na China e você tenha que voltar para Londres, onde…

— Já entendi, pai.

— O ponto é que é muito cedo para dizer. Foram três dias. Intensos. Mas apenas três dias. Dê tempo ao tempo. O universo sabe o que faz, filho.

Sorrio com seu conselho e, depois de conversar sobre amenidades, ele decide ir embora. Ele me dá um beijo na testa e sai, acenando e sorrindo. Levo os copos até a cozinha e guardo a garrafa de Whiskey. Vejo meu celular, no balcão do bar, e o levo para o quarto comigo. Vou até o banheiro e tomo uma ducha rápida. Jogo meu corpo na cama e pego no sono com os cabelos ainda molhados.

—-

Acordo com meu telefone tocando.

— Herondale, — murmuro sonolento.

— Eu realmente espero que você não esteja na cama, — ouço a voz de Jem do outro lado da linha.

— Bom dia para você também, — digo enquanto me espreguiço.

— Você esqueceu. Eu não acredito que você esqueceu, — sua voz demonstra uma raiva contida que me desperta. Tento pensar em todas as coisas que tinha que fazer e nada passa pela minha cabeça.

— Claro que não, — digo, tentando ganhar tempo. Merda, penso quando lembro da reunião dos fornecedores.

— Seu pai vai comer seu fígado de almoço.

— Oh, merda, merda. Ganhe uns vinte minutos que eu estarei aí.

— Como estou de bom humor, você tem dez.

— Filho da…

Ele desliga e eu jogo o celular na cama enquanto me arrumo. Coloco uma camisa preta e uma calça social qualquer enquanto escovo os dentes. Decido não usar uma gravata hoje e desço até a garagem enquanto me calço. Ajeito o cabelo e saio com o Porsche. Dirijo o mais rápido que posso e, às 9:50, eu chego na empresa. Paro na vaga reservada e ando o mais rápido que posso sem causar uma cena. Chego no terceiro andar e vejo Jem, sentado, conversando com Will. Olho em volta e não vejo os fornecedores.

— Eu espero que você tenha um motivo excepcional para eu não matá-lo nesse instante, — digo entredentes. Jem revira os olhos enquanto Will gargalha.

— Deus, como você é previsível, — Jem murmura. — Vamos, Tessa deve estar esperando por nós, — ele diz e se levanta, entrando na sala de reuniões.

— Eu vou matá-lo, — digo encarando Will. Ele revira os olhos e sorri, entrando na sala e segurando a porta para mim.

— Aqui estão seus papéis, — Tessa diz e, depois de acenar com a cabeça, sai da sala, fechando a porta atrás de si. Sento na cabeceira da mesa e, enquanto os fornecedores não chegam, decido revisar os relatórios que Tessa me deu. Abro a pasta e me deparo com um post-it amarelo.

23 de Agosto

Festa Surpresa — XX

Sorrio e guardo o post-it no bolso. Balanço a cabeça, tentando focar nos números à minha frente. Os fornecedores finalmente chegam e começamos a reunião. Depois de duas horas, saímos da sala de reuniões com um contrato fechado. Enquanto andamos até o refeitório, meu pai me manda uma mensagem.

Minha sala. Agora.

Dou uma desculpa qualquer e vou direto para a sala do meu pai. Não consigo evitar olhar para a porta da sala dela. Posso ouvir, através da porta fechada, ela cantarolando alguma coisa e sorrio. Bato duas vezes na porta do meu pai e entro. Ele está de pé, do lado da janela. Sinto um arrepio descer pela minha coluna quando percebo a tensão em seus ombros.

— Pai, — digo. Minha voz soa incerta, como a de um garoto que vai ser repreendido por algo que não sabe que fez.

— Sente-se.

— Sim, — digo. Não havia necessidade de dizer nada, mas o silêncio estava sufocante.

— Temos um problema.

— Com a empresa?

— Sim.

— E eu estou aqui para aprender a lidar com ele, — concluo. Sempre que havia um problema, meu pai me apresentava a situação, pedia minha opinião, e me mostrava como resolver o problema.

— Não. Você está aqui porque isso pode impactar sua vida mais do que a minha, — ele diz, sentando em sua cadeira.

— Como assim? — pergunto. Me arrependo assim que vejo seus olhos tristes.

— Valentim disse que irá terminar todos os contratos que temos se não mandarmos Clary de volta.

Notas finais
E aí, meus amores? Que final, né? Bom, espero que tenham gostado. Sei que demorei para postar, mas fiquei enrolada (já estou na California de novo -- o que significa que teve despedida e eu fiquei meio mal). Maaaas, estou de volta e, se tudo der certo, até sexta eu posto um cap. novo pra vocês. Comentem, favoritem, recomendem (por favor)! Ah, e eu AMEI os comentários. Sério, vocês são maravilhos@s. Até logo, Beijos, beijos