How to Love
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Obrigada desde já por lerem e, vamos lá!
Arrumar a casa é algo que eu odeio fazer. Odeio ter que tirar o pó, organizar as coisas, limpar e guardar tudo. Não é uma coisa lógica. Tudo que eu faço é com um propósito. Se escrevo um relatório ou preparo uma refeição, é com um objetivo em mente. Seja esse de convencer alguém de algo ou simplesmente me alimentar. Mas arrumar a casa? Não há propósito. Você simplesmente arruma sabendo que vai sujar e desarrumar de novo. Decido parar por alguns minutos e sento no sofá enquanto tomo uma taça de vinho. Meu celular toca, quase como se soubesse que estou sem fazer nada.
— Fray.
— Clarissa, minha filha, preciso que você dê um pulinho aqui na empresa, — meu pai responde com uma voz animada.
— Pai! Hoje é o meu dia de folga. Não dá pra eu ver isso amanhã? — respondo, revirando os olhos. Não é possível que eu não consiga um único dia de paz.
— Clarissa, não, — meu pai me repreende como se eu fosse uma criança. — Preciso de você aqui agora.
— Ok, ok. Estou indo. Estarei aí em meia hora, — digo enquanto olho a pilha de roupas para passar e a vassoura com poeira acumulada.
Fico sentada, pensando na minha falta de sorte. O único dia da semana que eu teria para arrumar a casa, e agora vou ter que largar pela metade. Vou ao quarto procurar o que vestir. Se meu pai quer que eu vá para a empresa no meu dia de folga, é porque existe algo, ou alguém, importante lá. Decido vestir uma calça social preta de cintura alta e uma blusa de seda vermelha. Coloco o único sapato de salto alto que não me dá bolhas e pego a minha bolsa. Dou mais uma olhada nas coisas largadas no meio do meu apartamento e penso que, com toda a certeza da minha vida, eu não vou arrumar isso quando chegar. Antes de sair, passo um batom leve e dou uma ajeitada no cabelo.
Desço até a garagem e pego meu carro, um Audi Q3 cinza. Dirijo calmamente até Manhattan, ouvindo algumas músicas aleatórias que tocam na rádio. O trânsito, por algum milagre, está muito bom e eu chego no prédio da empresa em apenas 20 minutos. Estaciono o carro e pego o elevador até a cobertura. Checo meu cabelo e meu batom no espelho enquanto estou lá. As portas se abrem e eu perco o fôlego por um minuto. Nunca vou me acostumar com essa vista. O chão de mármore cinza e o vidro da janela, que ia do chão ao teto, dá uma visão panorâmica da cidade de Nova Iorque. O céu estava começando a escurecer e o pôr do sol deixava o horizonte alaranjado. À minha direita estava uma parede com dois quadros e no centro um corredor que levava até a sala do meu pai e a sala de reuniões. À esquerda estava um balcão branco, com duas mulheres sentadas atrás.
— Olá Maia, tudo bem? — pergunto para uma das secretárias. Seus cabelos cacheados e seus olhos cor de mel são uma combinação perfeita com sua pele negra. Ela sorri, piscando para mim.
— Olá Clary. O que faz aqui em seu dia de folga? Estava com saudades, já? — ela pergunta, olhando para a mulher ao seu lado.
— Olá Clary, — ela sussurra enquanto está no telefone. Ela era mais velha, quase da idade de meu pai. Seus cabelos eram bem escuros, assim como seus olhos.
— Olá Lilly, — respondo sem olhá-la direito. Alguns meses atrás surgiu um rumor de que ela e meu pai estariam tendo um caso e eu nunca mais fui a mesma com ela. — Óbvio que estava. Agora me fala, onde está meu pai?
— Seu pai está esperando você na sala dele, linda. Ele parece estar de bom humor hoje.
— Que bom. Pelo menos isso, — digo enquanto me viro para sair. — Ah, e não podemos deixar de marcar de ir naquela boate!
— Com certeza!
Bato na porta duas vezes antes de entrar em sua sala. Seu escritório é enorme e eu olho tudo como se fosse a primeira vez. As paredes são de vidro e, enquanto duas são mais foscas, a da lateral é totalmente transparente. Há um sofá e duas poltronas de cor gelo do lado direito, com uma mesa no centro. Já do lado esquerdo, há uma mesa de uns dois metros feita de madeira maciça. Atrás da mesa, em uma cadeira de couro, está meu pai. Seus cabelos são loiros, quase brancos, e seus olhos são castanhos. Ele me olha, enquanto eu ando em sua direção. Na frente da mesa há duas cadeiras. Ambas estão ocupadas com caras altos. Um deles é totalmente careca, enquanto o outro tem o cabelo comprido, preso em um coque baixo. Seus ternos são escuros e alinhados, mas um deles tem a barba por fazer. Eles levantam e me cumprimentam, acenando com a cabeça. Sorrio e olho para o meu pai.
— Olá, Sr. Morgenstern, — digo, me atendo às formalidades da reunião.
— Oh, Clarissa. Tão formal! Gostaria de te apresentar à esses senhores. Eles são os representantes dos Herondales. Lembra? Aqueles senhores que são os donos de uns 4 cassinos em Vegas. A sede deles é na Itália e, como somos parceiros, eu me comprometi a ajudá-los.
— Sim, sim. Eu lembro dos Herondales. Na verdade, lembro de Stephen Herondale, e não de seu filho. Conheci ele naquela festa de 30 anos da Morgenstern. Só não entendo como você ajudar eles tem algo a ver comigo, — sorrio para não parecer grossa.
— Bom, você é minha arma secreta. A Morgenstern só tem todo esse sucesso porque você convenceu alguns caras bem ricos de que valia a pena investir em nós, — ele diz, sorrindo. Então ele se levanta da cadeira e se aproxima de mim, pondo um de seus braços em volta dos meu ombros. — Vou emprestá-la para eles, — ele completa, apontando para os senhores a minha frente.
— O quê? — pergunto. Não posso evitar corar pela conotação sexual do que ele acabou de dizer. — Co-como assim vai me emprestar para eles? — pergunto, me cutucando mentalmente por ter gaguejado.
— Bem simples, na verdade. Eles precisam fechar um acordo com um sheik em Dubai, o que irá render alguns milhões de dólares para eles. Eu preciso que eles fechem esse acordo pois irá render alguns milhões para nós. Você consegue fazer isso. Vê a lógica? Nós concordamos que você irá trabalhar lá, com eles, por cerca de 3 meses. Então tudo será resolvido e você pode voltar para casa e continuar trabalhando para mim, — ele conclui, sorrindo com a sua ideia.
— Três meses? Eu achei que a sede deles fosse na Itália, — ele não poderia estar me mandando para lá por 3 meses, não é?
— Ah, Clarissa. Você fala como se tivesse uma vida muito agitada aqui. Vai ser legal! E você nunca foi para a Itália, então é uma oportunidade única de conhecer uma nova região, — ele me olha sorrindo. Em seus olhos, porém, posso ver que ele não está pedindo. É uma ordem, Clarissa. Sua voz grita em minha cabeça. — Quando você voltar, podemos até discutir sobre seu mês de férias, o que acha?
— Mas, — tento pensar em uma desculpa. Não acredito! Faz apenas quatro dias que cheguei de Hong Kong e ele já quer me despachar, dessa vez por 3 meses? Sua sobrancelha se arqueia levemente, mostrando que ele já está insatisfeito com os meus protestos. — Tudo bem, — respondo seca.
— Ótimo! Seu voo está marcado para amanhã, às 21:00, saindo do JFK. Esses cavalheiros estarão no mesmo voo e te acompanharão até o Sr. Herondale, que irá te apresentar sua sala, etc. Você sabe, não é? O carro que levará vocês ao aeroporto sairá da empresa às 18 horas, então esteja aqui com pelo menos 30 minutos de antecedência. Pode ir agora.
Olho para ele por alguns segundos antes de perceber que ele está me mandando embora da sala dele. Tenho vontade de chorar, mas me recuso a demonstrar algum tipo de fraqueza perante dois estranhos. Sorrio, com o meu mais belo sorriso, e aceno para todos antes de virar e sair. Ando até o balcão onde Lilly já está com a passagem nas mão, sorrindo de orelha a orelha. Ela me deseja uma ótima viagem e Maia me olha, sorrindo também.
— Aproveite a Itália, linda. E se achar algum italiano bonitão, não se esqueça de checar se ele tem um irmão, — ela dá uma piscadela antes de atender o telefone. Tenho vontade de gritar com o fato dela saber sobre essa viagem antes que eu mesma saiba.
Olho para a janela enquanto o elevador não chega. O sol já se pôs completamente e agora, Nova Iorque se estende aos meus pés. As luzes, centenas de metros abaixo, parecem com estrelas em um céu invertido. Ouço o barulho das portas e mando mais alguns beijos para as meninas antes de entrar no elevador. Vou até meu carro e, assim que fecho a porta, começo a chorar. Choro por ser tão fraca e choro por ter que ceder, toda vez, ao que meu pai diz. Choro, principalmente, por ainda me importar. Ele sempre me tratou assim. Faça o que eu diz, Clarissa. Não vou aceitar que me desafie, Clarissa. Não fez mais do que a sua obrigação, Clarissa. Por que isso ainda machucava? Ele simplesmente me despacha para os lugares, visando apenas o lucro. Choro ainda mais quando percebo que, ficando 3 meses lá, eu irei perder o aniversário da minha mãe.
— Mais que merda! — digo, batendo no volante do carro.
Ligo o carro e dirijo até o apartamento. Não consigo pensar em nada enquanto ultrapasso o limite de velocidade. Chego no meu apartamento apenas alguns minutos depois, vendo uma belíssima pilha de coisas para fazer e uma taça de vinho não terminada. Ligo o som e começo a arrumar as malas. Se é para ir para a Itália, pelo menos eu vou ir arrasando.
Notas finais
Não esqueçam de comentar e me falarem o que acharam desse primeiro capítulo. O próximo já veremos o Jace :)
Beijos, beijos
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