Notas iniciais
hello hello people do meu querido Brasil, como vai???
Pra ser sincera, essa é a única história que eu realmente pretendo terminar, sério. eu to trabalhando nela há uns dois anos já, e não abandonei... mas só decidi postar agr.
ELA É ENORME mas uma parte já ta feite, então...
DIVIRTAM-SE ^^

Quando o som quase adocicado de violinos acorda sua mente adormecida, Liniste se lembra de muitas coisas, mas a principal delas era: ele precisava ir para a escola.

Coçar os olhos, bocejar e levantar, além de andar até o despertador e desligá-lo, levavam, exatamente, trinta e seis segundos, o que deixava o garoto com menos de uma hora para tomar banho, café e chegar à escola.

À escola que nunca tinha ido antes.

Pensou nisso tudo no trajeto até o despertador. Quando alcançou o mesmo, hesitou, antes de desliga-lo; sabia que, daqui a dezenove segundos, sua parte favorita da música tocaria, mas essa era uma das desvantagens de colocar sua música favorita como despertador. Avisaram-no sobre os perigos do ato, mas, Liniste acreditava, não conseguiria reunir a disposição necessária para levantar-se todos os dias se a música fosse agitada e digna de seu desgosto. Era um garoto calmo, e assim seriam suas manhãs. Além disso, estava cinco segundos atrasado.

Todos aqueles números o deram dor de cabeça, e ele esperou profundamente que a água aquecida de seu chuveiro pudesse lavá-la para fora antes de ele sair de casa, ou seu dia estaria arruinado.

Olhando para o ralo do chuveiro, enquanto massageava suavemente a cabeça, ele pensou em quantas vezes já mudara de escola. Zero. Esse foi o resultado. Tinha esquecido como era a sensação e, pela primeira vez em um tempo considerável, ele estava ansioso.

Não via a experiência como “abandonar uma vida antiga”, e sim como “começar uma vida nova”, que ele esperava ser melhor, mas, no fundo, sabia que não iria.

Com a calça jeans e o moletom já no corpo, por cima do uniforme, refletindo se aquilo iria repelir ou chamar atenção, ele escuta uma voz brandir um andar abaixo do seu quarto, e percebeu que estava sete minutos atrasado pro café.

Desceu calmamente as escadas; agitação não era de seu feitio, além do mais, não gostava de como a mochila quicava em seus ombros.

No andar debaixo, o último, três seres o esperavam na mesa: sua mãe, sua irmã, e Pax, seu cachorro, mas o considerava uma pessoa, pois ele se juntava a mesa todos os dias, além de assistir televisão com o resto e não se aliviava se seu jornal não estivesse limpo e no canto mais afastado do banheiro principal.

Liniste sorriu, ao lembrar-se da memória boa.

Sentando-se a mesa, ele observou sua mãe colocar duas panquecas para sua irmã, uma torrada para si, a ração de Pax (encima da mesa) e, por último, a fruta do dia de Liniste; uma laranja. Nunca pedia nada pesado, pois sabia que não ia praticar exercícios o dia inteiro.

—Energia é a prioridade de hoje, uh? –perguntou ele, enquanto descascava e cortava sua laranja.

—falei para a mamãe não fazer café para você hoje –explicou a pequena Veselia, como gostava de ser chamada, pois achava Vesel, seu verdadeiro nome, muito masculino -, sua língua ia ficar marrom e você ia ficar bafo!

—se você comer panquecas todos os dias vai ficar gorda! –rebateu Liniste, brincando com a garotinha, cerca de sete anos mais nova que ele, e desarrumando os cabelos castanhos da pequena, antes de se retirar da mesa em direção à porta.

—Boa aula, e bom dia! –Bradou Danielle, sua mãe, enquanto Vesel ecoava um baixo bom dia, olhando, presunçosa, suas panquecas, e Pax latia com animação.

—Bom dia. –falou o garoto, antes de bater a porta de casa.

O dia estava cinzento, mas Liniste presumiu que isso se dava ao fato de ser cedo, e continuou andando, sem medo da chuva que talvez caísse. Pegou um livro de bolso que, ele achava engraçado, estava em sua mochila, e foi lendo todo o trajeto que memorizara na manhã passada, rumo à escola.

Enquanto lia, com a cabeça baixa, esbarrou em alguém. O problema era que a pessoa estava correndo, então o esbarrão foi forte, e a pessoa derrubou tudo que estava em suas mãos, além de cair.

O garoto, calmamente, fechou o livro, guardou-o na mochila e, só então, olhou para baixo, na intenção de ajudar o estranho.

Que no caso era estranha.

—Você está bem? –perguntou, gentilmente.

—Você acha que eu estou bem?! –ela respondeu seca, enquanto recusava a mão estendia de Liniste e sentava-se, olhando o estrago de suas coisas.

Em suas mãos, carregava sua mochila, na qual estava fechando e, quando esta caiu, com a garota em cima, diversos dos seus cadernos, novinhos em folha, voaram para poças de agua próximas.

O céu estava cinza, mas não porque ia chover, e sim, porque chovera.

A garota estava em um estado no qual não sabia direito se chorava, seja de raiva ou tristeza, ou gritava com o “poste” que a havia derrubado. Quando decidira fazer a segunda opção, e virou para o garoto, pronta para gritar, se deparou com a mão estendida do mesmo, desta vez, segurando algumas notas de dez.

—Desculpe-me por estragar seus livros — pediu ele, após a garota pegar todas as notas e analisa-las, sem acreditar no que acontecera-. Acho que sessenta é o suficiente para recupera-los, sim? Desculpa se não, é todo o dinheiro que eu ganho por mês...

—É bom que seja! –gritou ela, depois de algum tempo, que Liniste contou como mais trinta e quatro segundos de atraso.

E, depois de recolher todos os seus pertences, com cuidado para a lama não manchar seu uniforme –afinal, não queria uma má reputação no primeiro dia de aula -, a garota, que correra em direção a um Liniste distraído, saiu andando com passos decididos e nariz empinado.

Com a expressão neutra, O garoto observou a apressada e orgulhosa figura virar a esquina, antes de continuar seu caminho, desta vez, sem o livro de bolso.

Imaginou o pior, que sabia que era verdade; A garota estudava em sua escola. Percebeu isso pelo brasão da mesma no lado esquerdo do uniforme, próximo ao coração. Esperava profundamente que, pela tarde, ela esquecesse o que tinha acontecido naquela esquina. Esquecesse o garoto.

Mas não esqueceu.

Com uma voz de choro e uma história convincente, que tinha várias versões, desde que ela contava uma mais dramática a cada pessoa, Liniste se transformou em:

*Um ladrão, que queria sua mochila e, quando a rasgou, ao tentar puxar a mesma das mãos da assustada garota, correu, deixando uma ameaça. Algo como “não conte a ninguém!”.

*Um pervertido, que pagou para ir a um canto com ela e, quando ela recusou, pegou e tacou a mochila na garota, em um excesso de raiva, que desviou, e a mochila acabou parando em uma poça.

*Um tipo de machista ou “bad boy” que queria se mostrar superior a ela, então, tacou sua mochila longe, e saiu rindo.

O que resultou em todos olhando para ele quando ele pisara na escola, sussurrando, rindo, se escondendo... Foram muitas reações que Liniste, pessoalmente, ignorara.

Com o passar do dia, as pessoas pareciam muito interessadas em Liniste, seus comportamentos, os rabiscos que fazia em seu caderno; as pessoas que olhava, o livro de bolso que puxava; tudo era atentamente –mas não discretamente –estudado por todos que estivessem por perto –ou com tempo para chegar perto.

Ele, como um garoto calmo, ficou calado, e isso foi algo que também perceberam. Muitas pessoas desistiram de entender as histórias da garota, virando o interesse para “quem diabos entupira o banheiro no primeiro dia de aula”. Outras, nunca sequer acreditaram, pelo nível de drama da garota. Algumas ainda estavam paranoicas, ou assustadas, mas, a maioria, após processar o pouco que sabia sobre Liniste, estava convencida de que não fora ele, de que a garota estava mentindo.

Mas isso não impediu o fato do garoto ter que ficar sozinho na hora do almoço.

Ninguém ousou se aproximar, fosse por medo, ou por criar uma reputação ruim no momento que trocassem uma palavra com o garoto, obrigando ele a sentar-se no jardim da escola –que estava vazio, por estar molhado -, onde ninguém sussurrava ou apontava para ele, e ele poderia ler seu livro em paz (o dinheiro pro lanche lhe fora tirado para reparar os cadernos da garota, impedindo-o de comer qualquer coisa).

Escolhera uma árvore –a mais perto do muro, e mais longe do pátio -, sentou-se, sem se importar com o chão úmido e abriu o livro.

Mas não o leu.

Não tinha concentração para tal, sua mente estava em outro assunto: seria assim pro resto do colegial? Ele esbarrara em alguém, algo comum, e isso, realmente, condenara o resto dos próximos três anos da sua vida?

“Bom” pensava Liniste, “Acho que não foi um recomeço, a final”.

“Foi algo como uma continuação”.

E então, sem se sobressaltar, Liniste levantou a cabeça; O que o puxou para fora de seus pensamentos não foi um insulto de alguém, nem a necessidade de continuar lendo; Foi algo sedoso passando na sua testa.

Primeiro, Lineste pensara que fossem folhas, mas nem o esquilo mais gordo conseguiria derrubar tantas folhas assim, então olhou para cima...

E viu laranja, a suave cor do outono, sua estação favorita: Frescor, o ambiente cor de por do sol, o suave vento batendo em seu rosto. Mas não era tão agradável quando cutucava seus olhos. Não, não eram folhas.

Era cabelo.

O garoto se arrastou para longe, tendo melhor visão do que, antes acima dele, agora estava na frente.

Uma garota.

Pendurada de cabeça para baixo no galho mais próximo ao tronco, ela parecia confusa, mas interessada no garoto; Ela o olhava de cima ara baixo, de um lado para o outro, e parou no seu rosto, encarando os olhos castanhos do mesmo e, por um momento, ele encarou seus olhos cor de mel; desviara rápido o olhar.

Quando pequeno, o pai de Liniste, quando brigava com o garoto, mantinha o contado visual inquebrável, e isso incomodava profundamente Liniste.

E ainda incomoda.

Percebendo a inquietação do garoto, a garota, num movimento rápido, que envolveu dar uma cambalhota segurando o galho da árvore e soltá-lo, caindo com os pés no chão, se aproximou e ajoelhou na frente dele, parecendo se importar tanto quando Liniste em se molhar.

Sua cabeça estava perto, mas não olhava para o rosto de Liniste: olhava para o livro e, após o que o Liniste contou vinte e três segundos, tornando o tempo que estava lendo em seis minutos e vinte e oito segundos, tendo ainda de almoço quatorze minutos e trinta e dois segundos, ela franziu a testa e olhou para Liniste, que olhava para todos os lugares de seu rosto, evitando os olhos.

—O que você acha que vai acontecer com ela? –perguntou ela, inesperadamente, atraindo o olhar de Liniste para sua boca.

—Perdão? –indagou ele, que ainda estava um pouco desnorteado.

—A protagonista! –ela explicou ansiosa, e sua voz soava infantil — A... Ah, não sei o nome dela! –disse a garota, chateada.

—... Você estava lendo de cabeça pra baixo? –indagou ele, depois de um tempo .

—hehe, estava. –ela disse sorridente, e uma mecha de cabelo caiu em seu rosto, perto do nariz.

—Eu sempre fico nessa árvore, sabe, dá pra ver além do muro. –ela explicou, com uma voz sonhadora- não vem muita gente para essa parte do jardim, então eu fiquei curiosa com o que você precisava de tanto silencio para ler, você parecia perdido na história, como se mergulhasse em outro mundo! –ela exclamou, mais anima do que deveria estar, na opinião de Liniste.

Mas não era na história que Liniste estava perdido, era em sua mente.

—Além do muro só tem prédios e casas. –observou o garoto, confuso com o motivo de a garota gostar tanto de olhar parar rua.

—Bem –ela começou a explicar -, eu gosto de imaginar as coisas que eu poderia estar fazendo fora daqui.

—Não tem muita coisa que dá pra se fazer em uma área residencial. –disse ele, ainda sem entender.

—Mas eu posso imaginar muito mais além. —Ela explicou, sem quebrar o sorriso que insistia em brilhar em seu rosto.

A garota, então, olhou para ele por mais três segundos, antes de perguntar, com o cenho franzido e um sorriso de lado:

—Quem é você?

—Ah. –exclamou Liniste, reconhecendo o começo de uma conversa normal –Meu nome é...

—Você é um nome? Que triste... –começou ela, com um olhar de pena. O garoto ficou sem palavras.

Aquela conversa o fazia querer fugir; não gostava de coisas que fugissem da lógica, da linha de raciocínio, de cronogramas e padrões; não sabia lidar com elas, e elas lhe davam a sensação que ele mais odiava; a ansiedade.

—Eu sou Joanne –começou a garota, chamando a atenção de Liniste, mesmo que ninguém a tivesse perguntado nada –Mas Joy reflete mais minha personalidade. E eu não sou dessa realidade. –ela olhou além do muro, enquanto Liniste se perguntava se a conversa podia ficar mais estranha –Minha mente está sempre em outro lugar, mas no mesmo lugar, também; na Terra. Entretanto, as coisas que acontecem e podem acontecer pra vocês não são as mesmas que acontecem e podem acontecer comigo. Eu vivo em outro mundo, mas no mesmo mundo que vocês.

Enquanto falava, animada, a garota sorria. Liniste pensava a quem ela se referia como “vocês”, enquanto tentava entender como alguém pode estar em dois mundos diferentes, mas no mesmo lugar.

Ele estava ficando com dor de cabeça.

Tentou para de pensar, mas a garota sorrindo e cantarolando algo do seu lado só piorava as dores.

—Hey. –ela falou, depois de exatos doze minutos de silêncio, nos quais Liniste sofria no mesmo tom – Você se acha perigoso?

A garota não estava olhando para ele, e sim, para as pessoas do pátio; rindo, conversando, se divertindo... Ela não estava séria, ou pensativa... Ela sorria, e não conseguia manter um tom sério, por causa de sua voz infantil e suave.

Talvez esse fosse o tom dela, e Liniste pensou nele, achando certa graça.

—Não. –respondeu, sincero.

—Mas você é um play boy estuprador que rouba, não é? –ela indagou, voltando o olhar para ele. – essa é a sua realidade?

—Não. –respondeu ele, demorando um pouco mais nessa resposta.

—Mas é a realidade de muitas pessoas ali. –ela apontou para o pátio, antes de olhar novamente para ele. – quem é você?

Trinta e sete segundos se passaram, e ele pensava na resposta com cuidado. Queria dar a resposta que ela queria ouvir, mas não sabia o que a mente embaralhada da garota à sua frente queria ouvir.

—Liniste. –respondeu ele, finalmente –Palavra romena que significa “tranquilidade”. Sou um garoto normal, tão normal quanto o resto da escola, e talvez do mundo.

—Eu faço parte do resto da escola –ela falou, imediatamente –e eu não sou normal.

Então, arrancando Liniste de seus pensamentos, o sino tocou. Foi como um balde de agua fria em um dia de calor: primeiro, o choque, mas então, o alívio.

Suspirando fundo, Liniste guardou o livro no bolso, antes de se levantar e sair, sem falar nada.

Quando estava na metade do caminho para dentro da escola, pensando nos segundos que estava perdendo, ouviu uma voz distante e infantil.

—Até mais ver! –dizia a garota, no mesmo ponto no qual Liniste lembrara que ela estava e, então, inesperadamente, a garota fez uma reverência, tendo os cachos embaralhados pelo seu rosto, quando se levantou da mesma.

Com um sorriso de canto de rosto, só para não ser rude, Liniste levantou a mão direita, olhando para a figura cada vez menor, pois ele não parava de andar, e acenou.

No corredor, em direção à sala de aula, ouvia em uma voz agudamente familiar.

—Então a abominação conheceu a esquisitona? –perguntou uma voz debochada, que naquela manhã mesmo estava gritando com ele. -E que tipo de nome é este? Liniste?

—é meu nome. –respondeu o garoto, sem parar de andar nem para olhar no rosto da garota (estava atrasado), fazendo-a ter que apressar o passo atrás dele, se sentindo desrespeitada. -É um nome romeno, e se traduz para...

—Eu não te perguntei nada! –interrompeu ela, e quem estava perto o bastante para ouvir começou a dar risadinhas baixas.

Ela sorriu, se sentindo vitoriosa.

—Na verdade, perguntou sim. –disse o garoto, entrando na classe, enquanto imaginava, por menos de três segundos, qual era a expressão da garota no momento.

A aula seguiu e, como ele imaginava, podia ouvir sussurros de coisas como “esquisitona”, que ele passou a ignorar na terceira vez que ouviu a palavra, voltando sua atenção à aula.

Ao sair pelos muros da escola, ele olhou ao redor; prédios e casas, mas nenhuma loja, além de algumas barraquinhas. Começou se concentrar no assunto: o que faria se tivesse tempo livre e estivesse na vizinhança?

Voltaria para casa. Ele pensou, e não conseguiu pensar em nada diferente, então obedeceu a seus pensamentos –até porque não tinha tempo livre.

—Estou de volta –anunciou o garoto, para quem quisesse ouvir, assim que pisou em casa e fechou a porta, colocando seu livro de bolso numa prateleira próxima.

—Ah, que bom! –exclamou Danielle, chegando para o lado no sofá e forçando Pax a descer, abrindo espaço para Liniste sentar –Espero que seu dia tenha sido melhor que o da Veselia... –a mãe olhou para a garota, achando graça, e esta estava de cara emburrada.

—o que aconteceu? –perguntou o garoto, com um falso interesse.

—Mandaram dever de casa... –falou ela, aborrecida- no primeiro dia! Que escola faz isso?! –indagou indignada, gesticulando com as mãos.

—Todas, eu acho. –respondeu Liniste – o primeiro dia de aula ainda é um dia de aula. –finalizou, fazendo a garota bufar.

—Mas e você? –perguntou a mãe. –fez muitos amigos?

—Alguma namorada? –incrementou veselia, com um sorriso bobo no rosto.

Liniste odiava quando ela dava esse sorriso.

—Não. –disse olhando para a mãe –e não – olhou para a irmã.

As duas pareceram decepcionadas; fosse por serem respondidas secamente, ou fosse por não esperarem essa resposta, Liniste odiou os olhares.

—Ah, filho... –começou a mãe – não acredito...

—Você podia ser mais sorridente... –reclamou Veselia, antes de olhar para o garoto e sorrir – assim! –indicou, apontando pro próprio sorriso.

—Veselia! –repreendeu-a a mãe.

—é verdade, as duas coisas. –respondeu Liniste, sem se alterar –mas está tudo bem, era do mesmo jeito na outra cidade, é até melhor que seja igual –disse, com sinceridade, pensando em seus cronogramas – essa é a realidade de antes, e será a de agora.

Silêncio. Por dez, vinte, vinte e cinco segundos, até que veselia quebrou-o.

—Mamãe fez jantar. –começou – é melhor comer tudo que sobrou. As pessoas podem ter medo de você, porque pensam que você é algum tipo de múmia ou esqueleto... –zombou, balançando os dedos e fazendo uma careta, na intenção de ser assustadora.

Falhou, no ver de Liniste, que concordou com um aceno, indo em direção à cozinha.

—...No qual você mora junto e deveria respeitar! –terminou Danielle.

—Ouça a mamãe. –aconselhou Liniste, na porta do cômodo, e Veselia o mostrou a língua.

Achou graça, mas nem ao menos riu.

Depois de comer e lavar a louça (com uma pequena ajuda de Pax para tirar um pouco do molho do strogonoff do prato), voltou à sala e avisou Veselia que estava na hora de dormir.

Após um pouco de resistência da pequena, e tentação por parte do garoto, dizendo que podia vestir seu pijama de coelho –seu favorito, que o garoto tinha secado no dia anterior, que era, basicamente, uma fantasia de coelho, porém macia e confortável: Lhe cobria o corpo todo, tendo os pés como pantufas em formato de patas, assim como suas luvas, e seu capuz tinha duas grandes orelhas, que caiam ao lado do rosto sonolento da garota, mesmo ela implicando, varias vezes, que não estava com sono. O garoto colocou a pequena na cama. Trocaram um pedido de canção e uma negação seca, que antecipou seus boa noites. A luz foi apagada, o abajur em forma de estrela aceso, o bichinho de pelúcia em forma de coala – Eucalipto- abraçado e, quase instantaneamente, a pequena Vesel caíra no sono profundo.

Antes de ir dormir, o garoto se certificou que sua mãe havia tomado seus remédios, e insistiu que dormisse, também, pois o garoto, passando a tarde na escola, deixou a casa nas mãos da mulher, que estava exausta. Seguindo os conselhos do filho, ela, com a ajuda do mesmo, pôs-se na cama; A televisão do quarto estava ligada, apenas para não deixar o quarto mergulhado na escuridão; o ventilador fazia os barulhos que sua mãe tanto gostava, e que Liniste detestava; a mulher estava bem aquecida nas cobertas, e um copo de agua se posicionava ao lado da cama, acompanhado de algumas cartelas de comprimidos distintos.

Com o último elemento checado, que seria Pax, se efiando debaixo das cobertas pelo pé da caba e se embolando junto ao ventre de Danielle, o garoto, finalmente, suspirou, e fez menção de sair do quarto.

—Liniste. –Disse a voz bem baixa que Liniste conhecia bem – Filho... Me perdoe por te colocar numa situação dessas. Eu nunca sonhei em ter um futuro assim para você e Vesel, e, eu sei que é culpa minha, mas...

—Mãe... –interrompeu-a o garoto, calmo- a culpa não é de nenhum de nós.

—...É, você tem razão... –ela passou a mão nos cabelos, como bem fazia quando estava insegura, ansiosa – Ninguém podia ter impedido aquilo... Desculpa por te preocupar com minhas paranoias...

—Durma. –ele respondeu, simplesmente, após oito segundos, apagando a luz e cerrando a porta, antes de soltar um longo e merecido suspiro.

O garoto voltou ao quarto e, após colocar sua mochila ao lado da cadeira onde havia se acomodado, em frente à uma mesinha, concentrou-se no dever de casa.

Pelo menos tentava se concentrar.

Estava pensando na escola, e como o primeiro dia refletia os outros que estavam por vir. Pensou também em como era exatamente assim na outra cidade. Refletiu, antes de se conformar que essa era a realidade, sua realidade.

E não havia como escapar da realidade.

Notas finais
Meu bbs, adogo eles.
Se a Joy fosse uma cor, o qual você acha q ela seria? Eu n a vejo como cores quentes, mas.... sla. venho pensando nisso há tempo.