How To Mend A Broken Heart
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Os primeiros raios de sol da manhã desenhavam sombras no chão do quarto. Brittany tinha os olhos pesados de sono e o braço que ela não usava para enlaçar Santana já tinha perdido a sensibilidade, mas ela não ousava dormir ou mudar de posição. Ela não sabia por quanto tempo a médica tinha chorado — a madrugada já ia alta quanto o som dos soluços dela cessaram -, mas o sono da morena era agitado e cada vez que ela se remexia, Brittany apertava ainda mais o braço que tinha ao redor de sua cintura. Se ela não podia entrar na mente e nos sonhos de Santana, essa era a única maneira que ela tinha de mostrar que a morena não estava sozinha.
Brittany e Santana estavam deitadas de lado, as costas da latina firmemente imprensadas contra o peito da loura. Brittany podia sentir a respiração de Santana em compasso com a sua, como se elas tivessem se tornado um só corpo em algum momento da noite. Ela apoiou a cabeça no punho fechado da mão que não segurava Santana no lugar. Depois de tanto tempo encarando apenas o escuro, dando algum tipo de privacidade para Santana, ela queria apenas olhar para o rosto moreno. Ela precisava ter alguma idéia do que estava se passando por detrás das pálpebras fechadas dela.
Mesmo dormindo, Santana tinha uma ruga de preocupação no meio da testa, bem entre as sobrancelhas. Brittany ergueu a mão direita e deixou que ela tocasse delicadamente a pele morena, tentando alisar a ruga e acalmar o coração ao mesmo tempo. Quando as feições de Santana pareceram mais serenas, Brittany desenhou o contorno de seu rosto com a ponta do dedo. O toque era suave, pouco mais que uma brisa, e Brittany tentava memorizar cada curva, cada traço. Ela sabia que aquela noite tinha mudado tudo entre elas. Não tinha como voltar atrás, não é possível desfazer o que já aconteceu.
A única evidência de que o tempo passava do lado de fora eram as sombras que mudavam de posição e avançavam pelo chão. Santana ainda estava em sono profundo, mas Brittany começava a se sentir inquieta. Seu corpo pedia por sono e movimento ao mesmo tempo, protestando contra a noite insone de contemplação. Finalmente, uma bexiga cheia venceu a batalha e ela precisou soltar Santana.
Imediatamente, Brittany sentiu falta da pele de Santana contra a sua. Mesmo naquela situação, poder sentir o cheiro dela tão de perto, poder ouvir sua respiração, era intoxicante. Santana era uma droga e Brittany tinha certeza de que já estava viciada.
Quando voltava para a cama, Brittany parou por um momento no meio do quarto. Santana tinha se virado e agora estava de frente para ela. O coração de Brittany pulou uma batida quando viu o que uma noite inteira de choro tinha feito ao rosto tão querido. Mesmo fechados, ela podia notar que os olhos da latina estavam inchados. Os lábios estavam rachados e as bochechas um pouco mais vermelhas do que o normal. Para Brittany, era como se todo o corpo de Santana estivesse sofrendo com o que quer que estivesse passando na cabeça dela.
Perdida em pensamentos, tentando adivinhar o que podia ter causado a reação que ela vira na última noite, Brittany não notou a bolsa de Santana largada em cima da poltrona e, quando caminhou de volta para a cama, derrubou todo seu conteúdo no chão. A dançarina abafou um xingamento e logo começou a recolher os pertences espalhados.
A mente de Brittany ainda estava vagando por algum lugar do universo quando ela começou a jogar distraidamente os objetos dentro da bolsa de Santana. Depois de chaves, carteira e celular, tudo o que sobrara no chão eram alguns papeis espalhados. Principalmente contas e alguns recibos esquecidos. Brittany jogou a bolsa de volta na poltrona e juntou todos os papeis numa pilha. Ela ainda não tinha recuperado completamente a sensibilidade no braço e, no movimento de levantar do chão onde tinha se ajoelhado, um dos envelopes que segurava escorregou de seus dedos. Com uma revirada de olhos, Brittany jogou todos os papeis que estavam em sua mão de volta na bolsa de Santana.
Durante a queda, envelope e conteúdo se separaram. Brittany recuperou primeiro o envelope, lendo o nome de Santana escrito a caneta na parte da frente. Mais ao lado, uma foto estava caída, com a imagem para baixo. Brittany se abaixou para pegar a fotografia. Ela segurava o papel com a ponta dos dedos, para não estragar a imagem. Brittany virou a foto em suas mãos para assoprar qualquer poeira que pudesse estar grudada e sentiu seu coração cair em queda livre dentro do peito.
Se ainda conseguisse respirar, talvez ela tivesse gritado.
***
Santana não queria abrir os olhos. Ela já estava acordada há algum tempo, mas se revirava na cama, olhos fechados, com medo de encarar Brittany depois do papelão da última noite. Não bastasse ter atingido um orgasmo embaraçosamente rápido, ela ainda tinha caído em prantos nos braços de Brittany. Ela tinha tentado afastar a dançarina, mas precisava admitir para si mesma que nunca tinha se sentido tão segura quanto nos braços daquela mulher.
Pensar em Brittany arrancou um suspiro dos lábios de Santana. Imediatamente ela estacou no colchão. Será que Brittany teria ouvido? O que ela estaria pensando nesse momento? Santana apurou seus sentidos, tentando adivinhar onde estaria a dançarina, já que ela não sentia mais os braços compridos ao redor do seu corpo. O quarto parecia imóvel. Talvez Brittany estivesse no banheiro e não tivesse ouvido nada. Talvez ela também estivesse temendo as próximas palavras. Talvez ela tivesse simplesmente ido embora.
O último pensamento cortou por Santana como uma faca e a única reação que ela ainda sabia esboçar era abrir os olhos. Ela precisava descobrir.
O sol já ia alto no céu e a claridade cegou Santana por um momento. Depois de piscar algumas vezes, seus olhos conseguiram focar o ambiente a sua volta. Nada parecia tocado. O quarto estava como sempre esteve, praticamente livre da evidência da presença de vida ali dentro, e Santana teria acreditado que a última noite não tinha passado de um sonho se ela não tivesse visto um reflexo de cabelos louros pelo canto dos olhos.
Brittany estava sentada na poltrona. Ela tinha as pernas em cima do assento e abraçava os próprios joelhos. Sua cabeça estava enterrada no vão entre o corpo e as pernas e Santana podia perceber que sua respiração estava pesada, como se ela estivesse tentando se convencer a ficar calma. Aquela visão assustou Santana mais do que qualquer conversa que elas pudessem ter.
- Brittany?
Olhos azuis se ergueram. Eles estavam boiando em lágrimas e uma expressão dolorida contorcia todas as feições de Brittany. Ela tentou sorrir para Santana, mas o resultado se aproximou mais de uma careta.
- Ei. Como você está?
- Não sei — era a resposta mais sincera que Santana podia oferecer naquele momento.
Brittany apenas assentiu e as duas caíram num silêncio carregado novamente. Santana não desviava os olhos de Brittany, mas a dançarina não conhecia encarar a latina. Seu olhar estava fixo na janela que dava para a rua. Os pensamentos de Santana corriam com velocidade em sua cabeça, mas nenhum deles se fixava por tempo suficiente para que ela conseguisse formar uma frase coerente. Finalmente, depois do que pareceu uma eternidade, foi Brittany quem quebrou o silêncio.
- Eu estou indo embora, Santana.
A voz de Brittany soou tão quebrada que Santana precisou de alguns segundos para realmente entender as palavras que ela tinha falado. E, mesmo assim, ela ainda não compreendia seu significado. Como assim, Brittany estava indo embora? Ela não podia ir, podia? Não era seguro. Para nenhuma das duas.
Santana se sentou na cama, uma tentativa de organizar as idéias que tinham sido completamente bagunçadas na noite anterior. No movimento, ela notou que a mochila de Brittany tinha sido colocada ao lado da porta e que não havia mais nenhum pertence da loura espalhado pelo quarto. Não estivesse ela sentada na poltrona, seria como se Brittany nunca tivesse estado ali.
- Como assim, ir embora Brittany? Se é por causa de ontem a noite...
- Não é, Santana — Brittany cortou a médica antes que ela terminasse a frase. — Quer dizer, é também. Eu não sei mais. Ontem você me assustou...e hoje eu achei aquela foto...e eu não sei mais o que fazer. Acho que é o melhor para nós duas.
- Brittany, você não está fazendo nenhum sentido. Começa de novo? Respirando dessa vez.
Brittany inspirou longamente e, quando ela soltou o ar, seus olhos se perderam nos de Santana. Havia ali algo que a médica não tinha visto antes, uma espécie de resignação dolorosa. Santana teve vontade de levantar da cama e abraçar Brittany como já tinha feito tantas vezes, mas toda a linguagem corporal da loura estava fechada e a latina teve que se contentar em abraçar um dos travesseiros. Ironicamente, ele tinha o cheiro dos cabelos louros e Santana se pegou inalando com mais força.
- Eu não estou indo embora por causa de ontem. Não exatamente. Quer dizer, eu ainda não entendi bem o que aconteceu, porque não dá pra negar que você sente por mim o mesmo que eu sinto...
- Brittany, eu...
- Deixa eu terminar. Por favor? — Santana apenas aquiesceu. — Eu sei que existe alguma coisa muito forte entre a gente. Não adianta tentar negar, eu consigo ver nos seus olhos. Mas eu também sei que, por algum motivo, você não se permite sentir isso, não completamente. Tem alguma coisa te impedindo e você ainda não está pronta para falar sobre isso. E está tudo bem. Eu não vou te forçar a nada.
O misto de surpresa e medo nos olhos de Santana foi muito para Brittany e ela precisou desviar o olhar. Qualquer coisa que não fossem aqueles olhos negros suplicando que ela mudasse de assunto. Mas ainda havia muito que ela precisava falar, e ela precisava falar agora, antes que perdesse a coragem. Com um sorriso triste, ela se forçou a encarar Santana novamente.
- Sabe, depois que você finalmente dormiu, eu senti uma espécie de paz. Como se eu estivesse, finalmente, no lugar que eu devia estar. Não dá pra explicar direito, mas era um sentimento bom e eu acordei disposta a ficar aqui. É claro que a gente ainda tem muita coisa pra conversar, mas eu queria ficar.
Agora foi a vez de Santana se perder nas palavras de Brittany. Ela entendia esse sentimento que a loura tinha descrito porque, depois de chorar por horas e dormir por pura exaustão, Santana também tinha se sentido em casa nos braços que a enlaçavam. Ela ainda não estava perfeitamente confortável, mas ela se sentia segura o bastante para tentar explicar à loura o que tinha acontecido. Quem sabe ela não fosse exatamente o que Santana tinha precisado todos esses anos. Mas agora Brittany falava de ir embora e Santana não sabia o que fazer.
- E aí, quando eu levantei, eu encontrei essa foto e eu percebi que eu não podia mais continuar aqui. Você foi tão boa comigo e eu não posso arrastar você pra essa confusão.
- Foto? Que foto? Do que você está falando, Brittany?
Brittany se levantou e entregou para Santana a foto que ela tinha encontrado mais cedo. Ela deu as costas para onde a médica estava sentada e parou ao lado da única janela do quarto. Seus dedos traçavam desenhos aleatórios no vidro enquanto ela continuava a falar. Santana não conseguiu acompanhar os movimentos de Brittany. Seus olhos estavam fixos no pedaço de papel que ela tinha em mãos: uma Brittany sorridente, ao lado de um rapaz asiático, na frente do estúdio de dança que ela tinha conhecido há menos de um dia. Seria uma imagem normal, não fosse o enorme círculo vermelho que rondava o rosto da loura. Apenas uma lembrança macabra de que alguém estava por ali, observando seus passos. Um arrepio subiu pela espinha da morena quando ela conseguiu descolar seus olhos da imagem sorridente de Brittany. A versão de carne e osso que estava em seu quarto tinha um semblante bastante diferente.
- Lembra que eu falei para o detetive que tinha sumido uma foto do meu apartamento? Então, essa é a foto que sumiu.
- Aonde você achou isso?
- Estava na sua bolsa. Eu esbarrei nela sem querer, mais cedo, e quando eu estava colocando as coisas de volta no lugar, a foto simplesmente caiu. Ela estava em um envelope com o seu nome, Santana.
Imediatamente a médica se lembrou do envelope estranho que tinha sido colocado entre suas contas, no outro dia. Ele parecera suspeito para Santana e agora ela se culpava por não tê-lo aberto antes. Se ela não estivesse com tanta pressa em encontrar Brittany, ou se ela não tivesse ficado tão hipnotizada ao assisti-la dançar. Qualquer coisa. Se ao menos ela tivesse aberto aquele envelope antes, ela talvez pudesse ter poupado mais aquele golpe.
- Brittany, me desculpa. Eu não tive tempo de olhar minha correspondência. Eu devia ter olhado.
Quando Brittany não expressou nenhuma resposta, Santana se sentiu desconfortável e longe demais dela. Num movimento rápido, a morena se colocou de pé e cobriu com poucos passos o espaço que as separavam. Santana pousou uma das mãos no ombro pálido e apertou de leve. Brittany encarou a médica por um breve momento, antes de voltar sua atenção para o movimento na rua abaixo delas.
- A culpa não é sua, Santana. Mas eu não posso mais ficar. Ele sabe onde você mora e eu não me perdoaria se alguma coisa acontecesse com você. Eu não posso mais ficar.
Havia algo de definitivo na voz de Brittany e Santana soube no mesmo momento que não adiantaria se nada discutir. A decisão dela já tinha sido tomada e ela tinha apenas esperado a latina acordar antes de ir.
- Você vai pra onde?
- Eu falei com o Mike, o dono do estúdio, mais cedo e eu vou para a casa dele. Ele e a namorada estão fazendo um teste para morar juntos e o apartamento dele está vazio.
- E Mike é esse que aparece na foto com você? — quando Brittany assentiu, Santana continuou. — Será que isso é seguro? Quer dizer, ele aparece na foto com você.
- Uma hora eu preciso voltar a minha vida. Não posso me esconder pra sempre
- Sim, mas...
- Eu vou ligar para o detetive Puckerman assim que eu chegar no apartamento dele. Vou avisar o meu novo endereço e falar sobre a foto.
- Parece uma boa idéia.
- Talvez ele queira falar com você, também. Quer dizer, deixaram aqui no seu hotel, né?
- Não tem problema. Qualquer coisa para pegar essa cara.
Brittany e Santana trocaram um olhar que dizia mais do que qualquer uma delas era capaz naquele momento. Santana podia ver que Brittany não queria ir embora, que aquela era uma decisão difícil para ela, mas que era uma que ela achava que precisava fazer. Santana entendia uma coisa ou outra sobre dever e não iria tentar convencer a loura do contrário. Por sua vez, Brittany lia nos olhos escuros de Santana uma sinceridade que apertava sua garganta. Ela sabia que a médica estava sendo sincera quando dizia que faria qualquer coisa para pegar o assassino de Sarah. Ela também conseguia perceber como Santana estava em conflito naquele momento, pega entre o pânico que ela tinha sentido na noite anterior e a vontade de não deixar Brittany ir embora.
A ruga de preocupação voltou a encontrar seu lugar na testa morena e Brittany ergueu a mão para alisar a pele com os dedos. O movimento, idêntico ao que ela tinha feito naquela manhã, trouxe um sorriso triste para os olhos azuis e ela sentiu a respiração de Santana falhar por um momento antes de se suavizar. Novamente, Brittany escorregou os dedos compridos pela linha dos cabelos negros e terminou por espalmar a mão contra a bochecha dela, um dedo acarinhando gentilmente a pele logo abaixo dos cílios.
Depois de chorar durante tanto tempo, a região dos olhos se Santana ainda estava sensível e o toque suave de Brittany enviava ondas de eletricidade pela pele da médica. Ela tinha os olhos fechados, com medo de que, se os abrisse, todo aquele cenário se tornaria real demais. Se ela tivesse os olhos abertos, ela teria que lidar com a realidade. Mas agora, toda a realidade com a qual ela queria lidar eram as digitais de Brittany queimando um caminho em seu rosto.
Brittany estudava com atenção as feições de Santana e a maneira como a latina parecia relaxar diante de um contato tão singelo. Era como se ela não estivesse mais acostumada a ser tocada daquela maneira. Uma sensação comprimiu a garganta da loura e ela puxou Santana para um abraço. Era a única maneira de ela se lembrar como respirar. A médica sentiu braços abraçando seu pescoço e ela logo jogou os seus ao redor da cintura de Brittany, puxando o corpo esguio dela para mais perto.
Dessa vez, o abraço não tinha nada de sensual. Era apenas uma demonstração de afeto, uma maneira de saber que elas não estavam sozinhas. Que elas não tinham que estar sozinhas. Santana enterrou o rosto no pescoço de Brittany, inalando o cheiro da pele clara, tentando memorizar a maneira como o corpo dela se moldava ao seu e como seus corações batiam no mesmo ritmo. Como os dedos longos se enroscavam em seus cabelos e como Brittany inspirava longamente contra eles, plantando beijos suaves ali. Era um cenário tão íntimo e tão familiar, que Santana não pôde conter um suspiro.
Depois de um longo tempo, Brittany afrouxou os braços ao redor do pescoço de Santana e apertou seus ombros. Santana não queria interromper aquele contato, mas sabia que era preciso se conformar. Ela precisava deixar Brittany ir embora. Com um sorriso triste no rosto, seu olhar encontrou o de Brittany e ela viu que algumas lágrimas já tinham escapado dos olhos azuis.
- Você se lembra do que você falou para mim? No hospital? — a voz dela não passava de um sussurro, pouco mais do que uma respiração.
- Eu falei muitas coisas pra você no hospital — Santana tentou aliviar o ambiente e o sorriso de Brittany cresceu.
- Depois que eu te contei o que tinha acontecido com a Sarah e você precisou voltar para o seu plantão? — Santana apenas levantou uma sobrancelha como resposta. Ela tinha uma idéia do que tinha sido dito, mas queria ouvir na voz de Brittany. — Você prometeu que voltaria. Você prometeu que voltaria assim que pudesse e voltou.
Um nó se formou na garganta de Santana quando ela se lembrou daquele dia. Ela ainda se lembrava de cada palavra que Brittany tinha falado e de cada sorriso triste, cada lágrima, cada soluço. Aquele dia estava gravado na memória da médica. E ela se lembrava também de como tinha se sentido dividida ao ter que deixar Brittany sozinha. Ela estava de plantão e não podia passar todo seu tempo com uma paciente, mas cada célula em seu corpo pedia que ela ficasse um pouco mais. É, ela se lembrava do que tinha falado para Brittany. E ela se lembrava porque tinha falado. Santana sorriu e assentiu.
- Então, eu prometo que eu não vou sumir. Eu vou embora do hotel, mas eu não preciso ir embora de verdade. Você tem o meu telefone, sabe onde eu trabalho e eu deixei o endereço no Mike anotado.
- E você também tem o meu telefone, sabe onde eu moro e onde eu trabalho.
- Exatamente. Eu não vou sumir. Eu já falei para você uma vez que eu não ia fugir. Isso não é adeus.
Santana não confiava em sua voz naquele momento e assentiu novamente. Brittany sorriu e plantou um longo beijo na bochecha de Santana. Reunindo toda sua força de vontade, ela deu as costas, pegou o casaco que tinha deixado no encosto da poltrona, colocou a mochila nas costas e abriu a porta do quarto.
Daquela distância, Brittany e Santana se encararam por um breve momento. Sorrisos dançavam em seus rostos, mas eles não chegavam a seus olhos. Aquilo até podia não ser um adeus, mas era uma despedida. E despedidas sempre doem.
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