How To Break Elliot's Heart
7 Sob o céu estrelado
Notas iniciais
Ele se mostrou ser uma pessoa interessante na noite anterior, até pareceu ser um cara descente. Mas eu estava alertada sobre sua fama de cafajeste. Eu não conseguia desenvolver atração por ele, por mais que ele estivesse revelando ser uma pessoa romântica e atenciosa. Algo nele me lembrava uma parte triste do meu passado, e eu não gostava daquilo, o que me deixava com mais sede de partir logo seu coração e conseguir o emprego de meus sonhos.
Dois dias depois daquela noite, ele voltou a me procurar. Me chamava para ir ao cinema, para festas, para jantar, e assim ele continuava. Nos conhecíamos cada vez mais e mais.
O aniversário de seu pai se aproximava, e ele dizia que seria um aniversário especial. O pai dele era divorciado, sua segunda esposa era a mãe de Elliot. Ele chegou a comentar que ele tinha um irmão mais velho por parte de pai, mas que ele não morava em San Diego. Fora isso, ele tinha uma família feliz que dava a ele tudo que ele queria. Ele era, querendo ou não, mimado.
Como parte do acordo, eu contava à Amanda sobre tudo que acontecia entre eu e ele, me esforçando para que Elliot não descobrisse que eu à conhecia, caso contrário, o plano iria falhar. Eu e Elliot estávamos cada vez mais próximos, e eu tinha cada vez mais certeza de que ele estava se apaixonando, mas ainda tinha minhas dúvidas.
O nosso relacionamento continuou na mesma coisa durante um mês, até que ele resolveu fazer um programa diferente. Ele não contou o que planejava, só pediu para que eu levasse uma troca de roupa e um biquíni. Tudo que me vinha a cabeça era praia.
No sábado, o dia que ele marcou de me levar a esse lugar misterioso, arrumei uma pequena bolsa com o que ele recomendou, e coisas que eu achei que fosse ser necessárias, como protetor solar, pentes, e é claro, o que nunca falta em minha bolsa, um batom. Eu esperava por ele no sofá já pronta, usava um vestido florido e uma jaqueta jeans por cima, nos pés uma sapatilha azul, que combinava com a estampa do vestido. Meu cabelo estava preso com uma fita em um tom mais claro de azul, e no rosto apenas rímel e um batom de cor discreta. Eu estava sentada no sofá assistindo a um filme aleatório, quando ouvi a campainha tocar e quase gritei aleluia, já estava impaciente com a demora.
– Bom dia. — Ele disse entusiasmado. — Está pronta? — Ele usava naquela tarde uma roupa leve, nada de jaquetas o jeans.
– Aham, estou sim. Só vou pegar minha bolsa e já vamos. — Eu corri até a sala e peguei a bolsa que estava no sofá.
Como já previsto, seria uma viajem longa. Ele transmitia alegria e entusiasmo com aquela viajem, eu nunca o vi daquele jeito. Aquilo estava me deixando curiosa.
Três longas horas depois, chegamos a uma cachoeira isolada e escondida. O barulho que ela fazia era relaxante. Mas estava frio e eu não me atreveria a entrar. Eram sete horas da noite, o céu estava estrelado e a lua escondida. Eu não entendi o porque de ele ter me levado a uma cachoeira tão tarde.
– Elliot, porque não viemos mais cedo? Não é um pouco perigoso estar aqui a noite? — Perguntei.
– Não, está no horário perfeito. Eu quis fazer algo diferente, algo mais especial, sem ninguém por perto, apenas as estrelas. — Ele esticou um enorme tapete com estampas quadriculadas, e tirou de seu porsche uma diversidade de comidas, frutas e é claro, um vinho.
– Eu pensei em diversas coisas, me vieram várias ideias, até que pensei em fazer um piquenique sob as estrelas, e acabei lembrando desse lugar longe de tudo e todos. É perfeito. — Ele exclamou arrumando as coisas sobre o tapete.
– É, realmente criativo. — Eu disse procurando ajuda-lo com as coisas.
Pães, bolos, tortas, doces, havia de tudo naquele piquenique.
– Quem preparou essas coisas? — Perguntei impressionada com a quantidade de coisas, que certamente, não foi ele quem preparou.
– Eu. — Ele respondeu sorrindo.
– Você? Elliot Tyler preparou tortas e bolos?
– Tá legal, minha mãe preparou e eu ajudei em algumas coisinhas.
– Por exemplo..
– Fui em quem colocou a farinha deste bolo. — Ele pegou o bolo em suas mãos me mostrando. — Quer provar um pedaço?
– Ok, me deixe provar de sua culinária, Elliot. — Eu disse aceitando o pedaço de bolo. Ele partiu dois pedaços de bolo, um para mim e outro para ele, obviamente. Provamos de tudo um pouco, e estava tudo uma delícia. Acompanhando a culinária, o vinho tinto escolhido por Elliot.
O barulho da cachoeira deixava o clima mais suave e calmo. Conversávamos e riamos bastante durante o piquenique sob o céu estrelado e o barulho relaxante da cachoeira. Bebemos toda a garrafa de vinho, e satisfeitos, deitamos sobre o tapete, e de mãos dadas olhávamos as estrelas que brilhavam intensamente naquele céu negro. Estava tudo tão romântico, aquele som relaxante, o silêncio, as estrelas. Elliot sentou-se, e ainda segurando minha mão, ele resolveu fazer perguntas.
– Emma? — Ele perguntou assim que se sentou, fazendo com que eu me sentasse também. — Se eu te fazer uma pergunta você promete responder com sinceridade?
– Acho que sim. — Respondi hesitando.
– Você confia em mim? — Ele perguntou olhando em meus olhos.
– Com isso você quer dizer que..
– Eu quero saber se você acredita no que eu te falo, se você realmente confia em minhas palavras.
– Elliot, sinceramente, não, eu não confio.
– E porque não? — Ele perguntou decepcionado.
– Porque eu sei da sua fama. Eu sei o que você faz com as garotas.
– Tudo bem, é justo.
– Minha vez de perguntar. Você já se apaixonou antes? — Perguntei. Ele me olhou, fixou seu olhar ao meu, e respondeu:
– Não, eu nunca me apaixonei. Nunca senti borboletas no estômago, nunca senti ciumes de ver uma garota com outro cara, nunca senti o desejo de ter uma garota só pra mim. Mas desta vez é diferente, desta vez eu.. — Rapidamente eu me levantei, tirei o vestido e a sapatilha, e pulei naquele pequeno lago apenas de roupas íntimas. Eu não poderia deixar que aquilo acontecesse ali.
Eu nadei até a cachoeira e permiti que aquela água caísse sobre meu corpo, estava gelada e meu corpo tremia de frio. Para cortar o clima, resolvi brincar um pouco e fingi estar me afogando. Afundei meu corpo para debaixo d'água, prendi a respiração e fiquei por lá. Tudo que consegui ouvir foi o som de um corpo se jogando. Eu via por debaixo d'água Elliot se aproximando, não conseguia mais prender a respiração e precisava de ar, nadei até Elliot, ainda debaixo d'água e o assustei ao voltar a ficar visível a seus olhos.
– BUUU! — Eu gritei ao sair debaixo d'água. Ele gritou assustado. Funcionou.
– Achei que estivesse se afogando. — Ele falou tremendo.
– Isso aqui é muito raso para se afogar.
– Nunca se sabe. Você me assustou, pulei de roupa, sapato e tudo. — Ele disse.
– Sinto muito. — Eu disse me aproximando dele.
– A propósito, belo sutiã. — Ele falou. O que fez com que eu percebesse que eu estava apenas de roupas íntimas.
– Idiota! — Eu gritei jogando aguá em seu rosto.
– Como eu ia dizendo.. desta vez é diferente, você é diferente. — Ele concluiu.
– Com diferente você quer dizer..
– Que você não é como as outras, eu sinto algo por você, e eu nunca senti isso antes. — Ele aproximou seu corpo molhado do meu, beijando meus lábios, como da primeira vez que nos beijamos. Mas desta vez as coisas estavam mais picantes, eu estava de roupas íntimas, nossos corpos molhados, estávamos isolados e afastados de tudo, o céu estrelado iluminava a noite, e o som da cachoeira caindo sobre o lago, deixava tudo tão intenso. Foi o beijo mais longo que já aconteceu entre nós, nunca as coisas chegaram tão longe. Estava tudo perfeito, quando senti algo que eu não deveria sentir.
– Elliot, eu acho que você está.. — Falei olhando para baixo, me afastando dele ao parar o beijo.
– Eu sinto muito, Emma. Não foi minha intenção, eu realmente não queria que isso acontecesse mas você esta apenas de roupas íntimas, molhada e me beijando desse jeito. — Ele disse com seu rosto vermelho, se desculpando por ter ficado excitado.
– Vamos sair, a aguá está muito gelada, vamos acabar adoecendo. — Eu disse saindo de lá, permitindo que ele me visse meu corpo apenas de calcinha e sutiã, eu estava constrangida, mas não tinha mais o que esconder.
– Ah, eu vou ficar aqui um tempinho, você sabe eu..
– Oh, é mesmo. — Eu disse rindo. — Você trouxe toalhas? — Perguntei tremendo.
– Sim, está no porta malas. — Ele gritou. Fui até o porta malas e tirei de lá as duas toalhas que encontrei, me enrolei em uma delas e sentei novamente no tapete do piquenique, esperando Elliot sair da aguá.
Minutos depois ele saiu, com suas roupas completamente encharcadas, seus cabelos negros pingando, ele tremia. Aquela noite estava muito fria.
– Espero que não se importe, mas vou tirar as roupas na sua frente. — Ele disse já tirando sua camisa.
– Nada mais justo, você me viu de roupas íntimas, agora é minha vez.
– Admita logo que você está louca para ver esse corpo sarado só de cueca.
– Tudo bem, Elliot. Eu quero ver esse corpo sarado só de cueca. — Eu ri logo em seguida, tirando a seriedade da coisa. No fim das contas, ele tinha mesmo um corpo sarado. Ele se enrolou em um toalha e se sentou ao meu lado, voltando a admirar as estrelas. Ele escolheu o dia perfeito para ir a aquele lugar, eu nunca vi o céu tão bonito como aquela noite.
Ele passou o resto da noite se desculpando por ter se exitado daquele jeito, e eu rindo da situação. Ele tirou de seu carro um enorme cobertor, e nos enrolamos nele para se livrar do frio. Voltamos a comer os lanches que a mãe dele o ajudou a preparar, mas desta vez sem vinho para acompanhar.
Cansados, acabamos adormecendo naquele lugar, dormimos naquele tapete cobertos por seu cobertor, sob o céu estrelado e a cachoeira. Ele conseguiu, foi uma ideia realmente criativa. Porém acordamos com dor nas costas, pelo menos eu acordei naquela situação. As estrelas sumiram e foram substituídas por nuvens, e a lua pelo sol radiante daquela manha. Acabamos resolvendo ficar lá um pouco mais, desta vez o clima estava perfeito para mergulhar. Coloquei o biquíni atrás do carro, enquanto ele já estava na aguá. Apesar daquela manha estar quente, a aguá ainda permanecia gelada, e era difícil se acostumar com aquela temperatura.
Passamos o resto da manha naquela cachoeira, nos refrescando do calor que fazia. Ele superou minhas expectativas, e até fiquei surpresa com a declaração que ele fez na noite anterior. E eu não entendia o porque, mas eu não conseguia gostar dele, não conseguia desenvolver afeto. Algo nele fazia com que eu detestasse-o.
A diversão acabou quando o sol resolveu sumir, e se escondeu atrás das nuvens, enquanto uma leve garoa passou a cair do céu que já não estava mais tão azul como antes. Recolhemos as coisas do piquenique, colocamos nossas trocas de roupas, e entramos no carro, dirigindo de volta para San Diego.
Acabei adormecendo no carro enquanto Elliot dirigiu as três horas, eu estava cansada, não dormi o suficiente na noite anterior. Quando acordei já estávamos próximos de casa, eu já podia ver os prédios, os carros, os estabelecimentos, as luzes, não estávamos mais em um lugar longe de tudo e todos. Como de costume, ele me levou até minha casa, e então voltou a dirigir de volta, talvez para sua casa.
Ainda cansada, eu apenas larguei a bolsa na sala, e corri até meu quarto, me jogando debaixo do cobertor do mesmo jeito que estava. Quando minha cabeça encostou no travesseiro, meus pensamentos começaram a se organizar, e eu comecei a pensar, pensar e não parava de pensar. O sono de repente passou, e eu precisava me abrir com alguém. Eu não poderia contar a Amanda o que eu estava sentindo, e a única além dela que sabia a verdade do meu relacionamento com Elliot, era Caitlin, mas estava tarde e eu sabia que ela estava ocupada de mais, eu não queria atrapalhar. As mil emoções que eu senti aquele momento dominavam meu corpo, a ansiedade e a incerteza principalmente. Eu não sabia ao certo o que estava sentindo, e queria ter certeza, pra isso eu precisava da minha melhor amiga, e também minha psicóloga.
Por conta da ansiedade, a fome e a insônia tomaram conta de mim, eu devorava qualquer coisa que encontrava pela frente, sorvete, chocolate, biscoitos, achocolatado, pães. Já passavam das três da manhã, e eu ainda estava acordada, sem saber que direção seguir. Todos os momentos entre eu e ele me vieram a tona, desde o primeiro encontro no La Madison Park, até a declaração sob as estrelas. As lembranças da minha luta para conseguir realizar meu sonho por outro lado, também martelavam minha cabeça, me deixando confusa e nervosa. Aquele emprego era tudo que eu sempre sonhei, e sempre fui decidida que iria consegui-lo, agora que estou tão perto de realiza-lo, essa incerteza aparece.
– Vou fazer um chá de camomila para ver seu eu caio no sono, pelo menos assim eu consigo parar de pensar nessas coisas antes que acabe tomando uma decisão errada. — Eu falava sozinha enquanto perambulava a casa impaciente. Eu odiava quando eu ficava com insônia.
Após tomar o chá, deitei na cama e, como última opção do caso, contei carneirinhos. Aos poucos meus olhos iam fechando, e o sono resolveu me visitar, pra minha felicidade, adormeci.
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