Notas iniciais
Olá, boa noite. Aqui está o segundo capítulo de HTBEH.

Parir um coração não é fácil, não basta ter um rostinho bonito e um corpo perfeito, você precisa ter cuidado, precisa saber aonde pisa, precisa acima de tudo conhecer o coração de quem pretende partir. Apesar de não ser uma experiencia nova, eu tinha minhas preocupações. Desta vez eu ganharia algo em troca, algo muito valioso, a realização de um sonho. Portanto, eu precisava de um plano A, B, C, quantos planos fossem necessários para dar certo. Eu conseguiria aquele cargo não importa o quê. A primeira fase, e a mais difícil, era conseguir fazer com que Elliot se apaixonasse por mim, portando eu iria ter que descobrir o que ele gosta nas garotas.

Depois de vasculhar todas as redes sociais possíveis dele, descobri que ele já saiu com uma variedade de garotas, loiras, morenas, ruivas, altas, magras, meigas, ousadas, mas as preferidas dele eram as loiras. Meu cabelo não estava favorável a preferencia dele, porém era apenas um detalhe.

Fiz a lição de casa, estudei Elliot Tyler praticamente a noite toda.

Regra número 1: Não se apegue. Por mais que ele seja um bonitão, charmoso, não se apegue. É a regra mais clichê de todas, mas se você não segui-la, pode estragar tudo.

Lanchonete Maryjanes’s; Sexta-feira; 13h20

Era uma lanchonete que lembrava vagamente os anos 90, poltronas de couro no lugar de cadeiras, piso xadrez, e garçonetes de patins. Minha chance de fazer contato com Elliot era naquele lugar. Me acomodei em uma das poltronas e fingi estar ocupada com algo enquanto ele não aparecia. O lugar não estava cheio, talvez por conta do horário. Eu usava uma blusa branca simples e por cima uma jaqueta jeans de cor clara, um short perfeitamente apropriado: não mostrava muito, mas mostrava o suficiente. Nos pés uma sapatilha de tom nude, no pulso um relógio de ouro que ganhei de presente de aniversário de meu pai, e no pescoço uma gargantilha com um pequeno pingente de lua. Estava impaciente, mas confiante de que Elliot Tyler iria aparecer naquela lanchonete.

Minha impaciência acabou quando um grupo de adolescentes usando a jaqueta do colégio onde Elliot estuda entraram gritando, como se fossem donos do lugar. Elliot estava entre eles, rapidamente um sorriso de canto estampou meu rosto, eu finalmente estava vendo pessoalmente o garoto que era praticamente a chave para o emprego de meus sonhos. O grupo sentou em uma mesa próxima a que eu estava e gritou por uma garçonete, que parecia já conhecer bem eles. Ela deslizou com seus patins naquele chão xadrez que me causava tontura e foi atender ao pedido dos garotos. Aquela era minha chance de chamar a atenção dele, levantei da poltrona onde sentava e caminhei até o balcão. Os garotos que acompanhavam Elliot procuravam chamar minha atenção assoviando e me chamando de apelidos nada agradáveis, como "gata" e "gostosa". Elliot resolveu agir diferente, e foi atrás de mim. Tudo ocorreu como eu planejei.

– Oi gata, tá afim de um companhia? — Ele perguntou se aproximando. O perfume marcante dele pregnou em minhas narinas. A voz dele era rouca e sensual, mas "gata"? pensei que ele tinha um jogo melhor.

– Desculpe, mas não. — Respondi sua pergunta friamente, me sentando a um dos bancos giratórios.

– Qual é gata. Você não quer perder uma companhia como a minha, não é mesmo? — Ele perguntou olhando em meus olhos enquanto colocava meu cabelo atrás da orelha.

– Por favor, não toque em mim. — Eu dei um tapa em sua mão interrompendo sua ação. — Você não faz meu tipo. — Completei.

– Eu sou o tipo de todas. — Ele disse sentando-se no banco ao lado do que eu estava.

– Pois é, acontece que eu não sou todas. — Eu girei o banco na direção oposta a dele, ignorando-o. Sem pensar duas vezes, ele girou o banco em sua direção novamente.

– Posso saber porque não sou seu tipo? Quem sabe eu não posso corrigir. — Ele girou novamente o banco me fazendo ficar frente à ele.

– Claro. Você é moreno, eu prefiro os loiros, além disso, eu não saio com colegiais. — Aquela era minha cena final, precisava funcionar. Sai do banco abandonando Elliot sozinho no balcão. Os amigos dele que observavam a cena de longe, fizeram som e gestos de rejeição à ele.

Deixar claro que ele não tem chances fazia parte do plano. Isso vai deixá-lo com desejo de conquista e vai fazer com que ele não desista fácil. Sempre funciona!

Ele me seguiu até uma praça perto da lanchonete, preenchida por árvores e crianças. Ao me alcançar, ele me puxou delicadamente pelo braço.

– Sair com um colegial não é tão mal assim. O que acha de um jantar? — Perguntou enquanto segurava meu braço.

– Já disse que não. E por favor, solte meu braço. — Falei puxando meu braço fingindo estar brava.

– Vamos, saia comigo uma vez, você não vai se arrepender. — Ele continuou insistindo.

– Sinto muito, estou muito ocupada. — Continuei andando e ignorando-o.

– Então pelo menos me diz seu nome. — Ele voltou a me puxar pelo braço, impedindo que eu me afastasse.

– Emma. — Eu disse seca e fiz com que ele soltasse meu braço, novamente.

– Emma do que? — Ele gritou antes que eu me afastasse.

– Emma Mclaren. — Gritei de volta. Ele finalmente havia parado de me seguir, mas eu sentia que seu olhar ainda estava concentrado em mim, o que fazia com que eu me sentisse observada. Aquilo incomoda muito.

Emma Mclaren’s House; Sexta-feira; 18h00

– Olá minha pequena. — Retirei minha serpente de seu espaço, permitindo que ela enrolasse seu corpo em meu braço. — É cansativo ficar aí o dia todo, não é mesmo? — Falei acariciando-a.

Quando passei a morar sozinha, pensei em comprar um animal de estimação, gato, cachorro, peixe, nada me agradava, eu queria algo mais exótico. Caitlin teve a brilhante ideia de uma cobra, no começo eu rejeitei completamente, mas depois que vi minha Eunice em um espaço protegido por vidro, eu me apaixonei.

Meu momento com Eunice foi interrompido pelo som da campainha, que parecia não parar de tocar — e eu achava que eu era impaciente -

– Já vai — Gritei descendo as escadas correndo, sem tempo de colocar Eunice novamente em seu espaço. A surpresa só começou quando eu abri a porta e tinham flores e chocolates esperando por mim.

– Entrega para Emma Mclaren. — O entregador falou colocando as flores em minhas mãos.

– Se-senhorita, tem uma.. uma cobra no seu braço. — O entregador disse com a voz falhada se afastando aos poucos da porta.

– Ah, não se preocupe, é minha pequena Eunice. — Eu disse colocando as flores na mesinha que estava próxima.

– Eu não preciso assinar nada? — Eu me aproximava do entregador, que por sua vez se afastava mais ainda. Eu sabia que aquele tipo de entrega não tinha necessidade de assinatura, mas diversão é diversão.

– Não precisa não, senhorita. — Ele disse acelerado seus passos e caminhando até o caminhão de entregas que ele dirigia.

Ainda com Eunice enrolada em meu braço, admirei as rosas vermelhas que foram entregues. Em meio aquele perfume de flor, havia um cartão branco decorado com pequenos corações vermelhos.

– "Flores para a garota mais bonita que meus olhos já viram. Você não deixou eu me apresentar formalmente, me chamo Elliot Tyler, e eu adoraria te ver novamente. Me encontre amanha as 20h00 no restaurante La Madison Park, Emma Mclaren, por favor. Com amor, Elliot" — Estava escrito no cartão com uma letra delicada. Seria uma eterna duvida se aquela letra era ou não de Elliot Tyler.

– Hmm, chocolate francês. — Eu disse ao ver o nome Valrhona estampado na caixa de chocolates.

Funcionou. Elliot não iria descansar enquanto não conseguisse arrancar pelo menos um beijo meu. Eu conheço bem caras como ele, o que deixava as coisas mais fáceis. Eu precisava comunicar Amanda sobre as flores e o chocolate, fazia parte do combinado informar ela se o plano estava evoluindo. Seria uma tortura ouvir a voz irritante da Amanda outra vez, mas eu teria que fazer aquilo. Disquei o número dela que já estava salvo em minha agenda. Três chamadas depois ela finalmente atendeu.

– Alô? — A voz irritante dela penetrava meus tímpanos.

– Flores, chocolates e um convite para jantar no La Madison Park. — Me gabei.

– Não fique tão impressionada, amada. Ele também me levou para jantar no La Madison Park.

– Eu já esperava por isso. Preciso que você me ajude a escolher um vestido.

– Você tem vestidos sensuais aí?

– Sei lá, acho que sim. Você conhece melhor o Elliot, preciso que venha até minha casa amanha para escolher um. — Falei me jogando na cama.

– Tudo bem. Amanha eu apareço aí e te ajudo a escolher um. — Ela disse desligando na minha cara.

Apesar de ser mimada e irritante, Amanda tinha um bom gosto para moda. Afinal de contas, ela era filha de Marina Morgan, é mais que normal ela ter estilo.

Eu precisava urgentemente de algo para me tirar do tédio, viver sozinha tem seus prós mas também tem seus contras. Relaxar na banheira era o melhor que eu tinha a fazer. Enchi a banheira com água quente, tirei o telefone do gancho, acendi uma vela aromatizada, enchi uma taça de vinho, e coloquei algumas revistas ao lado da banheira. Eu merecia, afinal de contas eu teria que aguentar um encontro idiota no dia seguinte.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Desculpem se encontrarem qualquer erro ortográfico. xoxo, YC