How To Break Elliot's Heart
4 O Primeiro Encontro
Emma Morgan’s House; Sábado; 18h00
Bobes no cabelo, máscara no rosto, unhas feitas, e opções intermináveis de vestidos espalhados na cama. Uma diversidade de cores e tamanhos, para todos os tipos de ocasiões. Enquanto eu estava jogada na pequena poltrona do quarto, usando apenas meu roupão e folheava a edição mais recente da Vogue, Amanda analisava todos os vestidos atentamente, queria o vestido perfeito para impressionar Elliot Tyler.
– Esse aqui é perfeito. — Ela disse apontando um dos vários vestidos.
– Qual? — Perguntei saindo da poltrona.
– Este. — Ela pegou o vestido em suas mãos e o colocou por cima da roupa, servindo de modelo. Ela escolheu justamente o vestido que eu iria usar na festa de aniversário da minha mãe, que estava próxima. O vestido era preto com paetês dourados, tomara-que-caia, curto na altura das coxas e me custou muito caro, eu demorei muito para encontra-lo, não acredito que eu teria que usa-lo pela primeira vez em um encontro falso.
– Tem que ser esse? Eu comprei ele para usar em um data especial. — Eu disse decepcionada recolhendo o vestido de suas mãos e colocando-o novamente no cabide.
– Sim, Emma. Tem que ser esse. Ele é perfeito, Elliot ama vestidos pretos. — Ela disse retirando o vestido que eu havia acabado de colocar no closet.
– Tem outros vestidos pretos, escolha outro.
– Mas nenhum é bonito como esse. Vamos, Emma, use esse. — Ela colocou o vestido por cima das minhas roupas, mostrando como eu ficaria com aquele vestido.
– Tá. — Falei revirando os olhos. Amanda tinha o dom de convencer, eu estava disposta a lutar pelo dia de estréia daquele vestido.
Amanda escolheu um par de sapatos que combinasse com o vestido, enquanto eu retirava os bobes do cabelo e espirrava spray fixador para manter o penteado até o final do encontro.
– Use batom vermelho, ele ama garotas de batom vermelho. Garotas de vestido preto e batom vermelho é a combinação perfeita. — Ela disse procurando um batom vermelho dentre os vários que eu tinha. Até que finalmente encontrou um. Marquei a boca com o batom escolhido por Amanda e apenas delineei o olho. Permaneci com minha gargantilha de lua, era meu acessório favorito.
Eu estava pronta para o encontro, mas fazia parte do meu plano me atrasar. Ainda estava cedo para ir ao encontro, que alias, foi marcado no restaurante do qual meu pai é dono. La Madison Park é um dos restaurantes mais refinados de San Diego, é bastante conhecido por ter um ambiente romântico, a maioria das pessoas que resolvem jantar lá, geralmente são casais. Elliot precisa renovar suas ideias.
Restaurante La Madison Park; 20h30.
Ele havia marcado as oito horas, propositalmente eu me atrasei meia hora. Quando cheguei ao restaurante fui recebida educadamente pelos funcionários, que certamente me conheciam por ser filha do dono.
– Seja bem vinda senhorita Mclaren. — Um dos garçons me cumprimentou ao me ver entrando no estabelecimento. — A senhorita deseja escolher uma mesa? — Ele perguntou logo em seguida.
– Não, obrigada. Na verdade, eu vim encontrar alguém. — Falei na ponta dos pés, tentando achar Elliot em meio a todas aquelas pessoas. — Encontrei. — Exclamei ao encontrar Elliot sentando em uma mesa olhando seu relógio impaciente. Caminhei elegantemente até a mesa em que ele se encontrava. Elliot levantou-se e puxou uma cadeira para que eu pudesse me sentar. Que ato gentil.
– Achei que não fosse vir. — Ele disse voltando a sentar.
– Me atrasei um pouco, desculpe.
– Você está linda. — Ele disse me fitando, para ser mais exata, ele estava fitando meus seios.
– Perdeu algo no vestido? — Perguntei chamando sua atenção.
– Não, é que.. eu acho muito atraente garotas com vestido preto. — Ele disse voltando a olhar em meus olhos.
– Não parecia que você estava olhando o vestido. — Falei séria, deixando-o sem jeito.
Ele ficou sem palavras, acho que ele estava acostumado com garotas que davam mais ousadia. Infelizmente para ele, eu não era esse tipo de garota.
– Obrigado por ter vindo. — Ele disse após um longa pausa na conversa.
– E se eu tivesse inventado um nome qualquer e você tivesse mandado flores e chocolates para uma pessoa aleatória? — Perguntei mudando completamente de assunto. Afinal de contas, eu queria mesmo saber.
– Eu ficaria muito triste se isso acontecesse, Emma Mclaren — Ele piscou e sorriu logo em seguida. Ele usava suas piscadelas constantes como estratégia para conseguir o que quer. Sinto muito informar mas isso não funciona comigo, Elliot. O garçom apareceu entregando o cardápio estragando o clima engraçado que estava no ar. Por mais que ele tentasse, ele não estava conseguindo fazer com que eu me sentisse atraída por ele. Talvez por não ser meu tipo, ou porque simplesmente ele não estava conseguindo. Mas uma coisa era certa, eu estava achando tudo aquilo engraçado, só não podia demonstrar, mas eu estava me segurando para não soltar uma gargalhada alta.
– O que vai querer, Emma? — Ele perguntou entregando o cardápio ao garçom.
– Vou deixar que você escolha por mim, pode ser? — Perguntei encarando-o com um sorriso sarcástico no rosto.
– Tudo bem. — Ele voltou a dar sua piscadela. — Traga o melhor prato do cardápio e um vinho branco, por favor. — Ele disse ao garçom que acompanhava o pedido anotando tudo.
– Mais alguma coisa senhor? — O garçom perguntou antes de deixar a mesa.
– Não, obrigado. — Elliot disse, fazendo com que o garçom fosse entregar o pedido ao cozinheiro, que por um acaso, é meu pai.
– E então, Emma. Gostou dos chocolates? Foram importados da França. — Ele se gabava ocultamente tentando me impressionar.
– Não era meu favorito, mas obrigada mesmo assim. — Eu disse enquanto brincava com um guardanapo, mostrando não estar interessada em sua conversa.
– É.. e então, o que você faz? — Ele perguntou.
– Terminei recentemente a faculdade, e pretendo arrumar um emprego logo. — Eu sorri forçado.
– Mas já? Quantos anos você tem? — Ele perguntou espantado.
– Vinte e dois. Porque o espanto? Comecei a faculdade assim que terminei os estudos.
– Além de bonita é inteligente. — Ele sorriu exibindo seu dentes perfeitos.
– Obrigada. — Eu sorri, desta vez verdadeiramente. — E você, o que faz?
– Estou no último ano do colegial. Por enquanto não faço nada além de estudar.
– Oh, é verdade, quase esqueci que você é um colegial. — Eu o provoquei, sabendo que ele revelaria sua idade.
– Não sou tão novo quanto pensa. Tenho vinte anos. — Ele confessou.
– E ainda está no colegial? — Eu disse fingindo estar impressionada com o fato. Foi impressionante, quando eu soube por Amanda.
– Bom, eu repeti três vezes.. — Ele disse corado. Como eu estava adorando constrange-lo. Por sorte, ele foi salvo pelo vinho que o garçom colocou sobre a mesa junto de duas taças de cristal. Elliot colocou o vinho nas taças e fez um brinde.
– A esta noite maravilhosa. — Ele ergueu a taça em direção a minha seguido de um sorriso torto.
O vinho era extremamente bom, quase tão bom quanto vê-lo virar a taça rapidamente, nervoso com o encontro.
– Está tudo bem aqui? — Meu pai disse colocando sua mão sobre o ombro de Elliot. Ele usava avental e seu toque blanc favorito. Estava sujo de molho e farinha.
– Está sim. Não é mesmo, Emma? — Elliot perguntou.. ou afirmou?
– Que ótimo. Posso falar com você um instante? — Ele me tirou da mesa e me levou até um canto. Esqueci de comentar com Elliot que meu pai era dono do La Medison Park, acho que por conta disso ele ficou sem entender o que acabará de acontecer.
– O que você está fazendo Emma? — Ele perguntou quando viu que estava longe o suficiente de Elliot.
– Estou em um encontro, pai. — Respondi.
– Com Elliot Tyler? Você sabe a fama que esse garoto tem? Você tem ideia da quantidade de garotas que ele trouxe para cá? — Ele falou preocupado.
– Sim, eu sei pai. Mas não se preocupe, eu sei o que estou fazendo.
– Espero que sim. Não quero que meu anjinho saia magoada nessa história — Ele disse beijando minha testa.
Eu pude ver por cima dos ombros de meu pai, Elliot se aproximando.
– Está tudo bem? — Elliot perguntou ao nos alcançar.
– Está sim, Elliot. Este é meu pai, Robert Mclaren. — Eu os apresentei.
– Seu pai é dono do restaurante? E porque não avisou antes? — Ele disse boquiaberto.
– Não achei que fosse uma coisa que se diria em um primeiro encontro. — Expliquei.
– Querida, preciso voltar para a cozinha, tenho clientes para agradar. — Ele sorriu. — E quanto a você. — Ele fez uma pausa longa. — Estou de olho. — Ele disse diretamente ao Elliot. Meu pai voltava para a cozinha, enquanto eu e Elliot voltávamos para nossa mesa.
– Acho que seu pai não gostou muito de mim. — Ele disse me seguindo até a mesa.
– É, ele não gostou. Acho que esse é seu lugar favorito para trazer garotas. — Eu disse sentando-me à mesa.
– Isso é muito constrangedor... — Ele sentou-se á mesa também.
– Parece que eu não sou a única que você trouxe aqui.
– Bom, eu já trouxe uma ou duas. Mas nenhuma era tão especial quanto você. — Ele tocou minha mão sorrindo.
– Eu deveria me sentir lisonjeada? — Eu disse tirando sua mão que estava sobre a minha.
– Deveria. — Ele disse olhando em meus olhos. — Eu nunca trouxe uma garota tão bonita quanto você aqui. — Tenho que admitir, ele tem lábia.
Quando encerramos o jantar, ele me levou em seu carro até minha casa, que ele já sabia aonde era já que andou pesquisando meu endereço para mandar flores. Abriu a porta do carro como um cavalheiro, e me levou até a porta esperando por um beijo.
– Foi uma noite incrível. — Ele disse aproximando seu rosto do meu.
– Foi mesmo. Obrigada. — Eu virei o rosto e tirei as chaves da bolsa.
– Eu não mereço nem um beijinho de despedida? — Ele perguntou enquanto eu abria a porta.
– Sinto muito, Elliot, mas você não é meu tipo. — Eu entrei e fechei a porta em sua cara.
Entrei em casa tirando os saltos e abrindo o zíper do vestido, aquilo era extremamente incomodante. Me joguei na cama e fiquei admirando o teto por um tempo, pensando no que eu deveria fazer para conquista-lo de vez, eu não aguentaria por muito tempo ir para falsos encontros. O cansaço daquela noite me chamava para descansar e dormir do jeito que eu estava, de vestido, maquiagem e tudo, e para ser sincera, eu iria obedece-lo. Estava cansada de mais para tirar o vestido. Me joguei na cama e acabei adormecendo daquele mesmo jeito.
Emma Mclaren's House; Domingo; 14h55
Shorts, casaco, cabelo e maquiagem, eu estava terminado de me arrumar para ir até a casa de Caitlin ao som de uma música aleatória que tocava no rádio, quando o campainha resolveu me atrapalhar, ela tinha esse dom, tocava quando eu estava ocupada. O susto ao ouvir o som irritante da campainha fez com que eu borrasse o batom que eu passava.
– Estou indo. — Eu gritei descendo as escadas correndo, quase tropeçando. Seria um terrível acidente, não?
Minhas expectativas sobre o plano só aumentaram quando abri a porta e vi a cena mais engraçada que meus olhos já captaram. Era Elliot segurando uma rosa, mas tinha algo de diferente nele, algo que eu e nem ninguém poderia deixar de notar, ele estava loiro. Elliot Tyler que na noite anterior possuía cabelos negros, lindos cabelos negros estava loiro. Eu não resisti, comecei a gargalhar, ele ficou engraçado, extremamente engraçado. Cheguei a rir tanto que senti dor na barriga.
– Não acredito. — Eu disse ao parar de rir.
– Você disse que preferia loiros. — Ele disse estendendo seu braço com a rosa.
– Você pintou o cabelo porque eu prefiro loiros? — Perguntei aceitando a rosa.
– Exato. E então, o que acha de um segundo encontro? — Ele perguntou.
– Só se você voltar a ter cabelos negros. — Eu disse rindo.
– Você não preferia loiros?
– Sim. Mas essa cor definitivamente não combina com você.
– Tudo bem, pra ser sincero, eu também não gostei dessa cor em mim. — Ele disse passando a mão em seu cabelo. — Que tal irmos ao cinema?
– Ótimo. Me ligue quando voltar a ter seu belo cabelo de antes. — Eu disse fechando a porta lentamente.
– Emma. — Ele gritou antes que eu pudesse fechar a porta por completo.
– Você poderia me dar seu número? — Ele perguntou se aproximando mais da porta.
– Ah, claro. Me de seu celular. — Eu disse esticando a mão. Ele se esforçou para encontrar o celular em seu bolso, e quando encontrou, colocou em minhas mãos. Anotei meu número e salvei em sua agenda.
– Pronto. — Eu disse devolvendo o celular.
Elliot finalmente saiu da minha porta e eu pude terminar de me arrumar. Ele ter feito aquilo com seu cabelo era um bom sinal, ele estava interessado em mim, e certamente queria alguma coisa.
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