How To Be The Princess of England
23 How NOT to kill your best friend
Notas iniciais
— Não, não, não Jason! Eu não queria... Jason faz alguma coisa! — Gritei, desesperada.
Não parecia real.
Eu estava sonhando. Eu não podia perde-lo.
Eu não podia ter matado Andrew.
Jason o encarava, estático sem saber o que fazer.
— Emily... A energia. Desfibriladores.
Como não pensei nisso antes?
Coloquei uma das mãos em seu peito, e pressionei com a outra. A eletricidade envolveu minhas mãos, e seu peito convulcionou.
Fiz o mesmo de novo.
— Por favor, Andrew. — fechei o olhos, fazendo minhas lágrimas caírem em seu terno. — Vamos!
Fiz o mesmo novamente.
— VAMOS ANDREW!
Mais uma vez.
— ANDREW! — Gritei, colocando a cabeça sobre seu peito. — Por favor... Andrew...
Esfreguei as mãos com força, e coloquei sobre seu peito.
Ele abriu os olhos, e respirou fundo, se levantando. A confusão era explícita em seu olhar. Soltei todo o ar, e me joguei pra trás, me apoiando naparede.
— Eu morri?
— Ah, nem chegou a morrer mesmo. Para de drama, idiota. — Jason da um soco em seu braço, bem forte. — Nunca mais me assuste assim. — ele cruzou os braços, irritado.
Até que Andrew olhou pra mim.
Eu me mantive encolhida, encostada na parede, com lágrimas paralizadas no meu rosto assustado.
— Não faça isso, Emily. Não foi sua culpa. — Ele colocou a mão no peito, e fez menção de arrastar até mim, mas eu me afastei.
— Até eu estar sob controle, eu acho que é melhor... Eu ficar longe, dos dois. De todo mundo. — Respirei fundo.
— Emily, você não tem culpa. — Jason disse.
— Eu prefiro morrer, do que me afastar de você. — Andrew disse, ainda com a mão no peito. Todo o brilho dos olhos de Jason sumiu.
Não pude evitar de olhar pra ele. Não era hora disso, eu sabia. Mas por que ele não entendia?
— Nós vamos te ajudar. — Jason garante, desviando o olhar. — Vou pra biblioteca.
— E eu vou pra enfermaria. Me ajuda, Jason. — Ele estendeu a mão pra Jason, que o ajudou a ficar de pé. — Se perguntarem, eu fui ligar a luz e levei um choque. — ele piscou pra mim. — E... Não se culpe. Eu devia ter sido mais compreensível. — ele segurou minha mão, sem se dar conta do que estava fazendo.
Mas nada aconteceu.
Ele deu um sorriso.
— Se precisar, me chame. Você sabe como. — Jason falou, e deu um sorriso triste disfarçado.
Assenti.
— Vou sobreviver.
Os dois saíram, me deixando sozinha.
Desabei na cama.
Suspirei.
Estava tudo desmoronando, e eu quase mato meu melhor amigo.
Eu estava completamente instável, e só Deus sabe por quê.
(...)
Três batidas ritmadas na porta.
O que ele queria?
Me levantei com dificuldade da cama, e fui até a porta.
— Eu entendo se quiser ficar sozinha, mas eu achei melhor não deixa-la, mas tudo bem, eu posso sair...
Eu o olhei, dando um sorrisinho, que pedia pra virar uma gargalhada.
— Pode entrar, Jason. — ele revirou os olhos e entrou. Notei nos livros que ele carregava. — O que é isso tudo?
— Livros.
— Jura?
— Sim. — Ele estava tão concentrado, que nem percebeu meu sarcasmo. Jason colocou os livros no chão, e se sentou, fazendo sinal para eu o acompanhar. — Bem, achei esse livro de tribos ancestrais do Sul do país, e vi um povo nomade chamados Escarlates. Os Escarlates eram feiticeiros que tinham o poder de colocar feitiços em colares especiais. Mas o exército do rei mandou queimar todos vivos, achando que eram bruxas. Pode ter sobrado alguma, que adotou o título de Vidente Escarlate. O que me leva a pensar, que o colar ajuda a manter as habilidades instáveis.
Assenti, peguei o colar, e o coloquei em mim.
Ele brilhou, mas para minha alegria, voltou a ser vermelho.
— Tente ligar o abajur. Devagar. — ele pede, se levantando.
Se concentre. Fechei os olhos com força.
Vão.
Minha mão brilha, envolta por raios brancos, e eu toco a lâmpada com o dedo.
Devagar, ela começou a brilhar, e foi aumentando, e aumentando sua intensidade.
— Tudo bem, tudo bem, chega. — Jason pede.
Certo, chega.
A lâmpada se apaga, junto com minhas mãos.
— Deu certo. — ele sorriu de orelha a orelha. — Acha que conseguiria se controlar se eu te tocasse?
O olhei, assustada.
— Não Jason, Andrew quase morreu da última vez que... — ele não ligou. Começou a se aproximar devagar.
Esses garotos querem todos morrer.
Jason estava a menos de dez centímetros de mim dessa vez, mas se afastou quando percebeu que estava perto demais. Para minha tristeza.
Devagar, ele tocou meu ombro com um dedo. Nada aconteceu. Um dedo virou uma mão inteira, e eu comecei a ficar nervosa.
Alguns raios começaram começaram a faíscar em uma das minhas mãos, mas algo em seu olhar me dizia para controlar.
Fechei os olhos com força.
Parem. Está tudo bem.
Elas obedeceram.
— Você não me eletrocutou é um bom começo. — Ele parou de falar e olhou pra mim. — Tenta me tocar.
Engoli em seco, e comecei a aproximar a mão de seu rosto. Estava quase tocando sua bochecha, mas não queria fazer isso.
— Tudo bem, Emily.
Fiquem quietas.
Fechei os olhos, e o toquei.
Nada aconteceu.
Ele tocou minha mão também, e a tirou de seu rosto, mas a manteve envolta pela dele.
Jason apenas ficou me olhando, acariciando minha mão devagar.
— O que está fazendo? — perguntei.
— Te olhando. — Deu de ombros.
Acho que eu podia fazer isso. Apenas o olhar também.
Dei um sorriso pequeno, e apertei sua mão com um pouco de força, e ele fez o mesmo. Isso iria demorar um pouco.
— Bem, Aly já foi. Temos que ir pra mansão e falar com ela de lá. — Ele disse, sem tirar os olhos de mim.
— E se não conseguirmos sair escondidos?
— Ai sairiamos por bem. Sou o cara no comando da mansão. Antes da minha ordem chegar ao meu pai, nós já estaremos fora. — ele estendeu um mapa de Brigthon no chão. — Onde é?
Analisei o mapa com calma, e achei a feira Hagrid Jean.
— Aqui.
— Ótimo. Não é longe, e temos que passar pouco por dentro da cidade. O Sul é perigoso, se nos reconhecerem...
— Eu sei. Não tem como pegarmos um carro?
— Os guardas perceberiam e seria difícil de despistar. Mas, — ele pegou uma caneta vermelha e uma régua. — Se passarmos por esses... 5 km de floresta, saímos logo aqui, pertinho da feira.
— Tudo bem.
— Meu pai tem um mapa detalhado da área. Vou pegar nas coisas dele. — ele se levantou.
— Como sairemos da casa?
— No abrigo tem uma passagem que é um túnel de alguns metros, sai bem no meio da floresta.
— E... Como está Andrew...? — ele suspirou, segurando um fio do meu cabelo, e começando a brincar com ele. Isso me deixou estranhamente melhor. Era como se ele tirasse um pouco do peso em meus ombros.
— Ele ficará bem. E você não teve culpa de nada. Nós vamos resolver isso.
Assenti, e olhou pra baixo, soltando meu cabelo.
Suspirei.
Acho que ele percebeu que estava ferindo o próprio orgulho.
Ele se afastou de mim, pegando os livros e o mapa.
— Fica bem aqui?
— Claro. — disse, abraçando meu corpo.
Seria um longo dia, ali, sem fazer nada.
(...)
Finalmente a noite chegou, e tudo ficou melhor. Eu resolveria tudo isso. E estava decidida a recuperar minhas memórias também.
Andrew estava bem, apenas com o peito enfaixado, sem aparentar que tinha morrido, a algumas horas.
Era a primeira vez que decia pra baixo hoje. Então só aí notei que todos estavam mais quietos. Wanda tinha sido levada, e eu podia sentir o medo de cada um.
Hlenah estava simplesmente arrasada. Me afastei de todos, para não ter que tocar nem falar com ninguém. Mas ninguém se importou, todos estavam distantes um dos outros.
O rei suspirou, antes de falar aquelas palavras incentivadoras.
— Uma de nós foi levada. Quero que saibam, que por hora aquele lugar é seguro, e que ficarão bem. Quanto a Wanda, temos um batalhão de dezenas de soldados procurando-a. Estamos obtendo progresso, e não seremos vencidos por elas. Se unam, e tudo ficará bem.
Philipe escancarou a porta, entrou andando rápidamente, e chegou no rei. Eles cochicharam algo que eu não entendi direito, e Philipe mostrou um tablet com algo que fez o rei fazer uma careta raivosa.
— Jason. — Ele o chamou. Jason o olhou, confuso, e foi. Eles assistiram, seja lá o que aquilo fosse.
A cara confusa de Jason sumiu na hora. Nos olhamos, confusos. Talvez Andrew soubesse. Busquei seu olhar, e ele deu de ombros, tão confuso quanto todos nós.
Jason irradiava raiva. Muita raiva, que aumentava a medida que os três conversavam. Até que pararam, e olharam pro canto onde Dakota estava.
Ela tremeu na hora.
— Senhorita Northwest? — O rei chamou. — Dê um passo a frente.
Minha nossa.
Ela olhou pra Georgia, que se afastou um pouquinho dela, e deu dois passos.
— Você empurrou a Emily na piscina? — Jason apertou os punhos. Mas sua voz se mantia calma, diferente da sua cara, que parecia que ia mata-la com um olhar.
Oh, por essa eu realmente não esperava...!
Alguns olharam pra ela, alguns olharam pra mim. Eu só conseguia encara-lo.
— Responda! — ele gritou.
Ela se manteve estranhamente calada.
Certo, agora todos olhavam-na, inclusive eu.
Calada ela permaneceu.
Jason bufou, e clicou algumas vezes na tela, quase a quebrando com a força que bateu.
Jesus, ele estava com MUITA raiva. Sorri mentalmente com isso.
De algum jeito, a filmagem da piscina foi encontrada.
A imagem era em preto e branco, e sem som, mas dava pra ver perfeitamente eu me aproximando da beirada, e Dakota, — seu rosto estava escuro, mas seus cachos eram inconfundíveis, — se espreitando pelas sombras da casa, até me empurrar com força na água.
Minha cabeça dói novamente, ao ver como foi forte o impacto na beirada, fazendo eu levar a mão a boca.
Os olhares surpresos e murmúrios circularam.
Olhei pra Dakota, sem tirar minha mão que repousava sobre a boca.
Ela olhou pra baixo, com os olhos cheios de lágrimas.
Senti pena dela.
Jason estava quase indo lá e batendo nela.
— Responda.- insistiu, com a voz grave e impecável.
O silêncio ecoou novamente.
— Sim. — Ela disse num sussurro.
— Por que?
Ela levantou a cabeça.
— Por que? Eu simplesmente não tinha chance de ganhar essa competição. Você já a escolheu. Sempre foi a Emily. Sempre será a Emily. — Algo em seu rosto... Me dizia que ela estava se obrigando a falar isso. Mas uma pequena parte em mim, sorria.
Jason rangeu os dentes.
— Pois bem. — ele socou o tablet na mão de Philipe. — Você perdeu. Está fora. — cruzou os braços, completamente nervoso. — Saia da minha frente. — ele respirou fundo.
Ela o olhou assustada.
— Agora. — Se ele tivesse gritado, seria menos ameaçador que esse som. Ele tinha o tom de um rei. Senti um pouco de orgulho.
Ela deu a volta nas pessoas, e subiu as escadas como un relâmpago, provavelmente chorando.
Jason olhou pra mim, um pouco corado com a revelação, e eu o encarei, sorrindo, mesmo sabendo que todos nos olhavam.
Sempre foi eu. Sempre será eu.
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