How To Be The Princess of England
24 How NOT to kiss the king's skeleton 300 years ago
Notas iniciais
O caminho pra cá foi completamente silêncioso.
Claro que Dakota não veio conosco. Nunca mais a veria. Mas fiquei com um pouco de pena dela, e da Georgia.
Dakota foi humilhada, e ela devia ser a única amiga de Georgia. Alguém tão terrível quanto ela.
Assim que entramos pelos portões da mansão, o mundo perdeu completamente a cor.
Tinham guardas mortos para todos os lados.
Descemos as pressas, e encaramos o cenário pós guerra daquele lugar.
Estava horrível. Tudo destruído, com marcas de tiro em todos os lados.
Até que senti algo horrível, como uma facada na barriga. Fui até Jason, e sussurrei.
— Aly veio pra cá? — disse aterrorizada.
Ele arregalou os olhos, e vi seu rosto ficar pálido. Ela era prima dele. A prima preferida.
Jason começou a correr não sei exatamente pra onde, mas corria como se sua vida dependesse disso.
— ALY! — ele gritou, olhando ao redor.
Não, ela não podia estar ali. Aly não estava ali. Se estivesse, estaria em pé, lutando contra as terroristas. Nada a derruba.
Ela estava bem.— Dizia a mim mesma, enquanto meus olhos se enchiam de lágrimas.
Comecei a andar rapidamente, assim como os que guardas gritavam ordens.
Ela estava bem.
Dei a volta na casa, fui perto do portão, até que me lembrei da quadra. Corri o máximo que minhas pernas permitiam, e a vi.
Ela estava deitada no chão da quadra, com uma poça de sangue enorme a seu lado.
— JASON! ACHEI ELA! — Gritei, indo até lá.
A distância pareceu muito menor quando eu estava desesperada pra chegar lá a tempo.
Me abaixei a seu lado, e vi seus olhos se mexerem. Ela estava viva. Mas tinha levado um tiro na barriga, e perdido muito sangue.
— Aly, Aly, olhe pra mim! — perdi, fungando.
— Emily... Saiam... Daqui...
As lágrimas pesadas começaram a cair de meus olhos.
— Não, não, eu vou ficar... Você não pode ir Aly! Por favor...
Eu não suportaria se ela morresse na minha frente, como Janessa.
— Faz Jason tomar jeito... — Pediu. Assenti, segurando sua mão.
Ela não podia me deixar aqui. Deixar Jason. Deixar Lyly. Ela não podia ir.
Nem perto da morte ela derramou una lágrima sequer.
— Aly! — Jason gritou, se abaixando do meu lado. — Não, Aly... Olhe pra mim...
— Eu estava mandando a Emily mandar você tomar jeito... Jas, não estrague... sua vida... Eu sei que você ama ela...
— Eu sei, Aly. — Jason abaixou a cabeça, e eu o olhei. — Não fale. Poupe suas forças...- Pediu, com uma voz falhando.
— Eu não tenho concerto... — ela disse, com a voz fraca. — Tudo bem...
— Você não vai ir. Aly, você não pode...
— Prometa que não vai se culpar... por mim...
Ela parou de falar, quando viu Georgia e Lyly se abaixarem ao lado de Jason.
— Aly? Levanta daí, temos que ir. Alguém espetou o dedo de todos os guardas numa roca de fiar. — Lyly tinga a voz mais fina que o normal. Sabia que algo estava errado, mas não entendia o que.
— Eu sei, querida. Eu já vou. Por que você não entra no carro?
— Só depois de você vir. — ela olhou a mancha de sangue, com uma interrogação na cabeça. Seu rosto expressava que ela se sentia perdida, e ficou mais ainda quando me viu chorando, mas com certeza não entendia porquê. Não entendia que a irmã dela morreria ali, agora.
Ela era ingênua demais. Agradeci por ela não entender.
— Eu sou uma péssima irmã, mas eu te amo. — Georgia soltou, começando a chorar descontroladamente.
— Eu também, sua idota. Também te amo... Lyly... Diz pra mamãe e pro papai... Que... — ela tentou puxar ar e respirar, mas falhou, engasgando. Jason fechou os olhos com força, sabendo o que viria. A mão de Aly que se encontrava suspensa no ar caiu, como se desligasse, e sua voz saia rouca. — Emily, — comecou sem fôlego — você não pode se entregar pra elas... Elas querem...
Seus olhos vidraram, e Georgia começou a soluçar.
Ela tinha ido.
— Aly! — Ela gritou, fechando os olhos. — Por favor... — Georgia a sacudiu com força.
Jason manteve o olhar cheio de lágrimas no rosto da prima, enquanto Georgia deitou a cabeça em seu ombro, gemendo de dor.
Ele abraçou as duas primas.
— Aly? — Lyly cutucou a perna dela. — Jason, por que ela não levanta?
— A roca de fiar furou o dedo dela também, Lyly. — Eu expliquei, imaginando que Jason estava abalado demais para falar.
Ele usava todas as suas forças para não chorar, pra permanecer na imagem de rei calmo que fingia ser. Dava pra ver tudo em seus olhos.
Lyly fez uma cara triste, e deitou a cabeça no ombro de Jason também.
Ergui o olhar pra Andrew, Kiro, Eron, Hlenah, parados distantes.
Me levantei devagar, e incrivelmente meus joelhos não falharam.
Mas só aí notei que a poça de sangue ao seu redor formava uma trilha.
Segui a trilha de sangue com a cabeça, e vi uma mensagem escrita com letras grandes e vermelhas.
Me aproximei para ver melhor.
"WANDA ESTÁ VIVA. ENTÃO VOCÊ TEM 5 DIAS PARA NOS ENCONTRAR. DÊ O QUE QUEREMOS, OU VAMOS CONSEGUIR DO NOSSO JEITO"
Caí de joelhos ao lado da mensagem.
Neguei com a cabeça, enquanto lágrimas grossas rolaram de meus olhos.
Eu não podia enfrenta-las assim. Eu era fraca. Eu fui fraca, e pessoas morreram. Solucei, fechando os olhos.
Estava doendo.
Jason se agaixou do meu lado, e encarou a mensagem também.
Sua cara de dor me destruiu, me esmagou e me derrubou.
Levantei meus olhos vermelhos pra ele, que me envolveu num abraço.
— Sinto muito. — disse, fungando.
— Eu... — sua voz falhou. — Eu também.
Ele limpou minhas lágrimas, e me puxou pra levantar. Obedeci, permanecendo parada, enquanto ele andava até Aly.
Ele se agaixou a sua frente, e fechou seus olhos. Parecia que ia explodir a qualquer momento.
Devagar, Jason a pegou no colo.
O sangue pingava de sua roupa, braços e pelo cabelo.
Aquela sim, era a pior coisa que eu já tinha visto. Pisquei várias vezes contendo as lágrimas. Era como se alguém enfiasse uma faca na minha barriga.
Em silêncio, ele passou pelas pessoas e eu me manti numa distância preservadora.
Jason respirou fundo, e seguiu o caminho pra frente da casa, onde as outras pessoas estavam.
Vi os olhos de Camilly perderem o brilho quando viu Jason a carregando, assim como todos os guardas e pessoas vivas que estavam ali.
Sem tirar os olhos de Aly, ele a colocou na grama, ao lado de um soldado morto.
— O que vamos fazer? — sussurrei, com a voz falhando. Ele me olhou, com um completo desgosto no olhar.
Ele estava com ódio e de saco cheio daquelas terroristas impiedosas.
— Acabar com isso. Agora. Vamos agora.- ele cerrou os punhos.
Jason segurou minha mão. Todos estávam nos olhando. Mas eu não ligava.
Chegamos perto de Andrew, e Jason cochichou alguma coisa para ele. Andrew assentiu, e nos acompanhou pra fora dali.
(...)
Coloquei um short verde camuflado, com uma regata branca de listras, junto com uma bota com meia até o joelho. Amarrei um casaco na cintura, e fiz um rabo alto.
Quando saí do banheiro, os dois desviaram o olhar das mochilas para me olhar.
— Trouxe o mapa? — perguntei a Jason.
— Trouxe, é óbvio.
Revirei os olhos e coloquei a mochila nas costas.
Passei os olhos por aquele quarto. Tremi um pouco quando vi que Jason estava sentado na cama de Aly, provavelmente sem ter conhecimento disso. Resolvi não falar.
O lenço florido preferido de Wanda tinha ficado pra trás. Ela esqueceu quando fomos em bora. O peguei, e enrolei no pescoço. seu cheiro era doce, e me dava uma sensação nostálgica de quando nos conhecemos.
Suspirei. Eu tinha que acha-la. Ela era a melhor coisa que eu tinha. Minha melhor amiga.
— Vamos? — Andrew perguntou. Assentimos.
Seguimos pela casa vasia. Todos estavam lá fora, fazendo sei lá o que. Provavelmente partiriam de volta pro castelo em alguns minutos. Descemos as escadas do porão, abrimos a passagem secreta, e chegamos no abrigo.
Jason se aproximou do armário de suprimentos. Ele derrubou algumas latas de comida no chão, e no fundo falso do armário, tinha um botão, que ele apertou.
Uma das paredes deslizou para o lado, revelando um túnel escuro.
— Acho que não usam isso tem uns 300 anos. Então tomem cuidado. — ele disse, acendendo uma lanterna. Fizemos o mesmo, e entramos no túnel.
Andrew virou uma tocha que fechou a porta, nos envolvendo num breu iluminado apenas por nossas lenternas. Uma ratazana enorme passou correndo por nós.
— Ai meu Deus. Prefiro sugar a energia daquela cerca. — disse.
— Agora é tarde. Vamos logo. — Jason disse irritado.
Continuamos andando, e andando, e andando, pelo enorme túnel escuro e sujo.
Ele tinha cheiro de mofo.
As vezes nós tropeçavamos em um ninho de baratas, ratos e aranhas. Se não tiver nenhum palhaço ali, está tudo tranquilo.
— Quantos quilômetros essa droga tem? — Andrew perguntou, irritado.
— 1 quilômetro. Deixa de ser molenga. Ainda tem mais 4 quilômetros de floresta.
— Aaah não! — ele resmungou.
— Podemos parar? — Pergunto. Minhas pernas doíam.
— Não. Se um guarda souber desse lugar, virá atrás de nós em alguns minutos. Vamos andando.
— Ai senhor. — Andrew esfregou os olhos.
— Vamos. — disse, puxando sua mão.
Andávamos a bastante tempo, até que demos de frente com duas opções de caminho pra seguir.
Olhamos pra Jason, esperando uma resposta.
— Certo. Um desses é uma sala grande feita sei lá pra que, e o outro continua o caminho. Não seu qual é qual.
— Vou no da direita. — disse.
— Vou com você. — Andrew disse.
— Não, eu vou sozinha. Não preciso de vocês dois me protegendo.
Os dois se olham, confusos.
— Okay, princesa. — Jason disse, puxando Andrew pra esquerda.
Entrei no meu caminho.
Uma arrepio percorreu meu corpo, quando minha lanterna apagou.
— Vamos droga, funciona. — Bati no pedaço de plástico. Realmente parou de funcionar.
Vamos, preciso de você luizinha.
Fechei os olhos, e minha mão ficou iluminada.
Sorri, vitoriosa, e olhei o local iluminado. Eu estava no caminho certo.
Andei um pouquinho, examinando o teto, até que tropecei em alguma coisa, e cai em cima de algo, fazendo minha mão apagar, como uma lâmpada.
Estava completamente no escuro.
No que diabos eu tinha caído? Só sei que estalava a medida que eu tentava me levantar.
Levantei a mão, e toquei algo a minha frente.
Era um crânio esquelético. Gritei o mais alto que pude,
, enquanto tentava desesperadamente tirar a coisa de perto de mim.
Algo tocou meu pé, o que me fez gritar de novo.
— Emily! — Vi luzes, e um braço me puxou pra cima.
Comecei a bater no meu tornozelo, a fim de tirar a aranha enorme dali.
— Ai senhor, que susto. — Andrew encostou na parede.
— Você? Eu quase beijei um esqueleto! — disse, limpando meus braços.
— O que é toda essa gente morta? — Andrew aponta pra lanterna pros outros esqueletos ali.
— Hm... Durante a terceira guerra mundial, a mansão era um forte militar. — ele apontou a lanterna para o esqueleto que eu quase beijei. Ele usava uma coroa em seu crânio duro. — Você quase beijou meu tatara tatara tatara tatara tatara tatara tatara tatara tatara tatara tatara tatara tatara tatara tatara tatara tatara tatara tatara tatara tatara tatara tatara tatara tatara avô, Josh. — ele parou pra pegar fôlego. — Nunca acharam o corpo dele, meu pai vai ficar feliz. E tudo bem com você? — Jason perguntou a mim.
— Digo de novo: EU QUASE BEIJEI UM ESQUELETO. Claro que não!
— Esperem, fiquem quietos. — Andrew é ignorado.
— Para de dar piti, Emily. — Jason cruzou os braços. — Você quis vir sozinha.
— E daí? Eu achei o certo!
— Nossa, vocês brigam demais! Fiquem quietos!
Obedecemos Andrew, surpresos.
Algumas vozes se arrastavam com ecos baixinhos.
— Nos encontraram. Estão no começo do túnel. — Ele sussurra.
— Certo, vamos correr. Cuidado com meus parentes mortos no chão. — Jason disse, antes de sair andando.
Muito normal esse príncipe. Corremos pelo túnel, até sairmos numa caverna iluminada pela luz do dia. Mas uma parede grande nos impedia de passar. Uma porta de ferro super inferrujada ficava bem no meio.
Jason forçou a maçaneta, mas obviamente nem se mexeu.
— Estamos presos.
— Não mesmo. Saiam da frente. — pedi, e eles obedecem.
Eu fechei os olhos, me concentrando.
Vão.
Uma bola de energia sai das minhas mãos, e joga a porta longe.
— Bloqueia a passagem. — Jason pede. Me virei, e fiz o mesmo com o teto, que desaba pedras bloqueando a passagem.
Mas o teto inteiro começa a cair.
— Ai droga. Vamos! — Jason gritou, começando a correr.
Nós dois o acompanhamos correndo pra fora da caverna enorme. O teto ficava a uns 10 metros do chão, e caia atrás de nós. Obviamente eles corriam um pouco mais rápido que eu, mas acabamos conseguindo chegar a floresta.
Me joguei na grama, exausta, e eles fizeram o mesmo.
Todas aquelas pedras levantaram poeira, que nos fez tossir. Estávamos deitados na grama envoltos por árvores finas e algumas grossas, todas cobertas por musgos verdes e cipós. A montanha continuou desabando, numa avalanche de pedras.
— Vamos voltar a andar. — Jason disse.
— Vai anoitecer daqui a pouco. Ficamos bastante tempo no túnel. — Andrew falou, olhando seu relógio de pulso.
—Tudo bem, vamos montar as barracas. — Jason concorda.
— Hã... Barracas? Era pra trazer isso? — Pergunto. Andrew também tinha uma cara confusa.
— Vocês não trouxeram? Estão se sacanagem. Eu tenho que pensar em tudo. Certo, dividimos uma. Deve caber nós três.
— Se nenhum dos dois tentar me agarrar. — Zombei, me levantando.
— Ouviu Andrew? — Jason cruzou os braços.
— Olha quem fala.
— Vocês são ridículos. Vamos montar logo isso.
Não foi tão difícil como eu pensei. Depois de um tempinho, a barraca estava pronta, e uma fogueira nos esquentava.
— Estava imaginando meu pai me xingando por fugimos. Uma hora dessas ele já deve saber. — Jason falou, apoiando a cabeça na mão.
— Ele vai surtar. — Andrew complementa.
— Vai dizer como somos irresponsáveis, e depois nos parabenizar por resolver tudo. — Jason.
— Ou só surtar, e tirar a coroa de você. — digo brincando, mas ele me olha sério. — O que? Eu estou brincando.
Voltamos a mergulhar num silêncio. Ninguém tinha nada a dizer.
Teríamos a sopa ematada de Andrew pro jantar. Depois de comer, deitamos na barraca.
— Noite bonita né. Vocês vem sempre aqui? — Jason sorri.
— Cala a boca, Londres. — Andrew pede, virando pro outro lado.
Senhor, eu estava no meio dos dois.
— Que foi benzinho? — ele sorri, enquanto Andrew revira os olhos.
— Concordo com ele, você tem que calar a boca. — Rio.
— Não vai vomitar na Emily, hein Jason. — Me levanto num pulo, e olho pra ele.
— Que história é essa? — Os dois começam a rir.
— Na sétima série, Jason bebeu 7 milkshakes no aniversário de 10 anos da Hlenah. — Andrew se interrompe, rindo. — Nós apostamos dele ir falar com Asgard, a rainha da Suécia, que na época era princesa e nossa amiga. Jason vomitou tudo em cima dela. — os dois gargalham, e quando eu arregalei os olhos.
— Ela nunca mais falou comigo. — ele sorriu.
Revirei de um lado ao outro, mas não consiguia dormir. Estava virada pra Andrew, que abre os olhos e sorri. Reviro os meus, e viro pra Jason. Ele faz a mesma coisa. Bufei com raiva, enquanto eles riem. Cobri minha cabeça com o cobertor, e fiquei assim.
Comecei a brincar com minha eletricidade, já que não conseguia dormir. Acendia e apagava minha mão, controlando a energia.
— Emily, da pra desligar essa mão?
— Já tá chato isso aí.
Sorri, e tirei a cabeça de de baixo do cobertor.
(...)
Abri os olhos.
Andrew não estava mais na barraca, mas Jason dormia adorávelmente. Coloquei a cabeça pra fora, e o vi cozinhando algo no fogo.
— Bom dia. — ele sorriu.
— Que coisa é essa? — Esfreguei meus olhos, e me sentei ao seu lado.
— Sopa.
— Ah. — Bufei. — Passo. — ele sorriu, mas desmanchou o sorriso e olhou para baixo.
— Nós não... Falamos muito depois da...
Suspirei.
— Ainda não parece real. — abaixei a cabeça, mexendo nas mãos. Meu olhos enchiam de água a medida que pensava como as coisas seriam diferentes sem ela.
Como isso atingiria Jason.
Olhei pra barraca, e ele suspirou.
— Também pensei nele. Ele vai fingir que não está abalado...
— Mas na verdade está horrível. — Completei.
— Ele era diferente antes da... — ele parou de falar, temendo contar a história de Leila pra mim.
— Eu sei essa história. — Suspirei. — Aly era uma pessoa incrível. — ele assentiu.
Ficamos em silêncio, nos perdendo em pensamentos e lembranças que envolvia A garota marrenta, engraçada, grossa de mechas verdes. Aly Londres. Morta pelas Destructives. Quem tinha raiva agora, era eu.
— Aconteceu alguma coisa? — Jason pergunta, saindo da barraca.
Suspirei novamente.
— Não.
— Você mente pior que o Andrew. — Sim, eu mentia muito mal. Mas deixou passar. -Temos o que pra comer?
— Sopa.
— Passo.
— Qual o problema de vocês com a sopa? — Andrew sorri, indignado.
— Tem gosto de pele de velhinha dissolvida na água. — Olhamos pra Jadon, até Andrew começar a rir.
— Você já bebeu pele de velinha dissolvida na água? — sorri.
— Longa história.
— Certo, essa sopa não tem gosto disso, vocês que são dramáticos. — ele enfiou uma colher na boca, e fez uma careta. — Certo, realmente tem gosto de pele de velhinha.
Uns minutos depois, guardamos tudo e voltamos a andar, quietos.
O caminho era grande, e nós já estavamos na metade, ao lado do rio.
Os mosquitos iam todos em cima de Andrew.
— Por que eles implicam comigo? — Perguntou, abanando o ar.
— Seu perfume. — disse. — Passa isso. — dei um repelente pra ele. Ele colocou na mão, e esfregou nos braços enquanto andava.
Jason parou instantaneamente, o que me fez fazer o mesmo.
— Que foi?
— Esse repelente protege só contra mosquitos, ou vespas também?
Franzi o cenho, e olhei Andrew, que estava distraído demais para perceber que ia bater de frente com uma árvore pequena que tinha um vespeiro no topo.
— ANDREW A...
Ele bateu contra a árvore, e a coisa se espatifou do seu lado.
— Corre. — Jason falou, sorrindo. Nos afastamos, enquanto Andrew começou a correr pra lá e pra cá, sendo perseguido pelos insetos.
Jason se contorcia de rir.
— O QUE EU FAÇO?
— Continua correndo! — Jason gritou, gargalhando.
Revirei os olhos, e olhei ao redor.
— O rio! Pula no rio! — ele tirou a mochila das costas rapidamente, e pulou na água.
Jason continuava se batendo de rir. Ele até tirou a mochila pra fazer isso.
Revirei os olhos, e o empurrei pra dentro da água. Foi minha vez de sorrir.
Algundos passaram, e eu parei de sorrir, quando nenhum dos dois saiu de dentro do rio.
— Jason? Andrew? — Nada. — Andrew! Jas! gritei, correndo os olhos pelo rio
Nada deles.
Tirei a mochila, e sem pensar duas vezes, pulei dentro da água. Meus pés não encontraram o chão, e eu comecei a me debater, com a água batendo no meu queixo.
Péssima idéia.
Comecei a gritar, até que senti braços me puxarem.
A cabeça sorridente de Andrew saiu da água, me levando de volta pra terra. Soquei seu braço com força, e Jason continuou a gargalhar de dentro da água.
— Qual o problema de vocês? — Bufei. — Eu não sei nadar, esqueceu?
— E entrou pra nos salvar mesmo assim. Que bonitinho. — Jason sorriu.
— Na próxima eu vou deixar vocês dois morrerem. — Revirei os olhos, irritada, e torci meu cabelo na grama.
Um som alto vindo do céu, nos fez ficar em alerta. Eu não sei o que era, nunca tinha visto um. Só sei que era grande, de ferro, fazia muito barulho e vento e tinha um símbolo do castelo. Assim que ele apareceu, eu e Andrew nos escondemos de baixo de uma árvore, e Jason emergiu no rio.
Prendi respiração, e com o pé puxei nossas mochilas pra de baixo das folhas que nos escondiam.
Ele passou reto, e ficamos escondidos até o som parar completamente.
Jason saiu da água num pulo, ofegante.
— Era um helicóptero. Se usaram um desses pra nós procurar, estão desesperados. Na cidade já devem ter guardas nos procurando. — ele parou pra respirar. — Temos que ir. Agora.
(...)
Seguimos nosso caminho, e em uma hora chegamos na feira.
Era de frente para o mar, bem nos arredores da cidade. O clima estava muito quente, e as pessoas se banhavam no mar e aproveitavam a praia.
— Certo, consegue ver a tenda? — Jason perguntou.
Estávamos escondidos no fim da floresta, onde terminava a feira enorme.
Fiquei na ponta dos pés, e vi a bandeirinha amarela na tenda roxa com estrelas.
— Sim.
— Então vamos.
Os dois colocaram um casaco com óculos escuros, enquanto eu coloquei o lenço de Wanda na cabeça, acompanhada por óculos escuros.
Fomos andando pelas barracas, evitando as pessoas andando pra lá e pra cá e desviamos dos vendedores vendendo seus produtos.
— Com licença... — uma mulher tocou meu ombro. — Você não é...? — Droga. Nos reconheceram. Já era. — Você não é a vendedora de perfumes desaparecida? — Ah... Não. Neguei com a cabeça e sai dali o mais rápido possível.
— Ela te reconheceu? — Andrew perguntou.
— Não.
— Guardas. — Jason nos empurrou pra trás de uma barraca de frutas.
Dois guardas armados passaram andando, ignorando as pessoas, apenas olhando ao redor, procurando rostos específicos. Com certeza todos os guardas do país tinham ordem para nos procurar.
Eles passaram, e a barraca estava a alguns metros. Fomos pra lá correndo, e eu entrei na frente.
Estava do mesmo jeito do meu sonho. Idêntico.
A mesa de centro tinha a mesma toalha estampada, o mesmo armário de poções, o mesmo balcão, o alçapão no chão...
E a mulher negra gordinha arrumando o balcão, de costas para nós.
— Seus nomes... — ela levantou uma mão, sem nos olhar. — Andrew... Washington... Jason... Londres E... E uma presença que eu não sinto tem muito tempo... Emily. Rhondes.
Ela se virou para nós.
Algo estava diferente em seu rosto: Tinha uma cicatriz nova cortando seu rosto.
— Você deu choque em quem dessa vez garota? — ela abriu um longo sorriso.
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