How To Be Popular

28 Como brigar no meio do refeitório... outra vez.


Notas iniciais
Oie gente, desculpem a demora, eu viajei e fiquei lá por dez dias, mas eu fiquei tão entediada pois eu não levei nem livro e nem caderno, só quando eu voltei para casa para fazer uma coisa que eu coloquei um livro na bolsa e levei para lá de volta. Enfim, vocês provavelmente estão pouco se lixando para isso, então... Enjoy!

Ao chegar na escola hoje a primeira coisa em que eu penso é que eu não quero vê-lo hoje. E nem amanhã. E nem depois. E nem nunca. Como eu disse: “Até nunca mais, Noah."

O carro da Natalie continua na oficina e não parece que vai sair de lá tão cedo, portanto, tive que vir a pé outra vez. Sem carona de moto. Totalmente sozinha. Ainda não tenho coragem de enfrentar o ônibus cheio de pessoas faveladas.

Vou até meu armário e encontro Natalie encostada nele e – vocês não vão acreditar – com um livro na mão e – isso é ainda mais inacreditável – ela está lendo ele.

ELA ESTÁ LENDO! UM LIVRO!

– Ér... Natalie... – Ela levanta o indicador, pedindo um segundo.

– Estou lendo.

– Pois é, estou vendo, mas não consigo acreditar – digo. – Sempre achei que você não soubesse ler.

Isso atrai sua atenção o suficiente para ela marcar a página em que está, fechar o livro e me olhar com a cara fechada.

– Você é tão engraçada, devia trabalhar num circo – ela diz. – Ah, não, espera, eles já têm uma macaca lá.

– Ah, sério? Você se candidatou? – ironizo – Que demais, amiga, quando vai ser sua primeira apresentação?

– No dia que demitirem você, besta – ela retruca e dá um passo para o lado, abro o armário e faço a mesma coisa que faço todos os dias.

– A escola está silenciosa – digo, mesmo com toda a barulheira de pessoas falando e algumas gritando.

– Hum, nunca será – Natalie responde. Reviro os olhos e me viro para ela, fechando o armário.

– É modo de dizer, cabeçuda – digo, contendo a vontade de lhe bater – Eu estou dizendo que a oxigenada não deu as caras hoje.

– Graças a Deus por isso – ela responde. – Mas daqui a pouco ela aparece, mal chegamos na escola direito, logo logo ela vai estar aqui, irritando com a voz estrangulada dela.

– É né, não podemos fazer nada sobre isso – digo. – Mas e aí, já oficializou o namoro?

– Já, quer dizer, eu acho.

– Cara, vocês são foda – digo com raiva. – Nunca vi um namoro na base do “eu acho”.

– Ah, ele é meio estranho, sabe.

– Foi você quem quis ficar com ele.

– Eu sei, mas ele é meio caladão, não combina comigo, mas eu gosto dele – ela diz olhando para um ponto distante, logo ela se vira pra mim — Os opostos se atraem.

– Com certeza – balanço a cabeça.

– BUENOS DÍAS, MUCHACHOS! – Candace chega e grita da porta da frente, ela vai na direção de um garoto que está ali perto e lhe diz: – Adivine quién está haciendo la clase de español, compadre.

– Ahn... você? – O garoto responde.

– CORRECTO! – Ela grita com animação. Reviro os olhos. Garota ridícula. Por que compartilhar com todos da escola o que você começou o terminou de fazer? É sempre assim, no face dela tudo o que tem são status de puro besteirol:

#Partiucassino.

Fazendo comida.

Não preciso de dinheiro pra ser feliz, pois tenho meus fãs – com fulana de tal, ciclano e neurano.

Me arrumando para festa.

Por que o céu é azul e meu amor por você tão grande? – com Josh Grey.

Esse último me irrita muito pois isso é tipo uma declaração e, seguida dela, tinha uma foto deles dois abraçados. E ele curtiu! Isso me irritou ainda mais.

Ah, claro que eu fuço o facebook dela, né. Não sou de ferro, eu a odeio, sim, mas quero ver a vida social dela com o Josh. Apenas isso.

– Dá para acreditar? – pergunto descrente – Essa ignorante aprendendo espanhol? Mal sabe nossa língua direito.

– Tem louco para tudo nesse mundo, até para gostar de você – Natalie responde. Me viro para ela com um sorriso debochado.

– Isso foi tão engraçado que eu cuspi meu pâncreas de tanto rir – digo com a cara fechada.

– Em falar em pâncreas, cadê o Noah? – Ela pergunta para ninguém em particular enquanto olhava para os lados para ver se o achava.

– O que o Noah tem a ver com pâncreas?

– Bem... ele provavelmente tem um pâncreas – ela dá de ombros. Mais uma vez fecho a cara, mas ela parece não ligar, pois continua: – Por falar nisso, por que você me pediu o endereço dele ontem?

Não costumo esconder coisas da Natalie. Sério. Mas dessa vez eu realmente hesitei em contar pra ela sobre a briga entre eles e entre nós. Ela com certeza vai querer saber. Se fosse o contrário, eu estaria me roendo de curiosidade, mas eu não acho que eu deva contar, não agora, pois, do jeito que ela é, ela pode ter um surto psicótico aqui e agora e eu garanto a vocês que não é uma coisa legal de se ver.

– Por nada – minto. – Só queria ver aonde ele morava.

Ela parece acreditar nessa história super improvisada.

– E aí? Gostou?

– É – dou de ombros. – Não é feia.

– Você quer dizer que é linda, não? – ela diz com um sorriso. – Você viu o quarto dele?

– Vi e, meu Deus, que quarto era aquele, Cristo?

– Perfeito, não?

– Eu moraria naquele quarto – digo.

– E eu me casaria com ele – ela retruca. – E o código dele com o pai dele?

– Ele fez aquilo com você?

– Aham.

– Foi estranho – respondo.

– Eu achei maneiro – ela diz. – Até tentei fazer isso lá em casa, mas não deu muito certo. Parece que minha mãe não entendeu muito o que era pra fazer.

– O que aconteceu?

– Bem, eu fiz assim: código azul para quando eu levar algum garoto pra lá, então ela tinha de perguntar a idade e o nome, mas aí, quando eu levei o Brad e gritei ‘código azul’ ela se sentou no sofá e fez O questionário. Ainda bem que ele não se constrangeu nem nada do tipo.

Adoro a tia Angel.

Fomos até a sala de aula e entramos. Sentamos no canto, perto da janela e começamos a conversar, mais uma vez.

– Josh me chamou para sair – digo. Ela me olha com os olhos arregalados e então abre um sorriso enorme, então começa a dizer que a lista deu certo, e isso e aquilo, ou seja, se vangloriando.

– Já sabe o que vai vestir? – Ela pergunta.

– Ahn, que tal uma roupa? – Ironizo.

– Nossa, que engraçado – ela finge uma risada e depois fecha a cara. – É sério, Jolie.

Dou de ombros.

– Ah, sei lá, pra mim tanto faz.

– Hum, tudo bem – ela diz e vira para frente, completando em seguida – Vou pra sua casa hoje depois da escola, você precisa urgentemente da minha ajuda.

– Não preciso não – tento argumentar, mas ela levanta o braço e diz:

– Shh – ela aponta para a porta – Três... Dois... E...

Surpreendentemente, o sinal toca e um grupinho de alunos entra quase que imediatamente. Nossa, agora eu realmente fiquei impressionada. Um dia eu consigo fazer isso.

...

A primeira coisa que faço quando entro no refeitório é cair. Mas não porque eu sou tão atrapalhada a ponto de tropeçar nos próprios pés, mas sim porque alguém esbarrou em mim, mas quando vi quem foi, percebi que não foi um esbarrão e sim um empurrão.

– O Josh é meu, ok? MEU! – Candace grita, possessa. Todos no refeitório estão olhando. Claro, por que não olhariam? Me levanto e fico de frente a ela.

– Então porque traiu ele? – indago. – Se ele é tão seu assim, por que o deixou ir?

Ela me responde com um sonoro tapa na cara. Garanto que ficará vermelho por horas. Por um momento fico parada, olhando para o lado, indignada. Quem essa vadia pensa que é? Quando eu iria falar algo, ela me pega pela gola da camisa e diz:

– Fique longe dele, ok? Ele não é pro seu bico, você não o merece.

– E nem você – a interrompo. Então ela me bate mais uma vez.

– Eu não terminei, vadia – ela diz. – Se chegar perto dele, eu não vou hesitar em te machucar, ok?

Nossa, essa garota está completamente furiosa. Até chego a pensar que ela pode me matar aqui e agora. Mas esse pensamento vai embora, então eu cuspo na cara dela, pisando em seu pé logo em seguida. Ela me solta apenas para limpar o rosto. Dois segundos depois estamos rolando no chão.

Ai cara, eu realmente não acredito que vou parar na diretoria por causa dessa galinha. Não mesmo.

...

Suspensa. Três semanas suspensa. Mas isso só porque o diretor de verdade, Roger, que gosta de mim e odeia a Candace estava viajando e no lugar dele estava o coordenador, Billy, que é um puxa saco dela. E ele não iria suspendê-la, não, só a mim. Então eu o enfrentei, disse que eu iria falar para o diretor dessa injustiça e que ele poderia perguntar para qualquer um que estava no refeitório quem foi que começou a briga.

Então ele a suspendeu por uma semana. O que não é merda nenhuma.

Bem, pelo menos ela saiu com o lábio e a sobrancelha cortados. Eu só estou com um lado do rosto dolorido. Ela é canhota, por isso me bateu apenas no lado direito do rosto. Já que minha mãe estava em casa quando cheguei, fui obrigada a me explicar pra ela, mas já que ela é tipo uma adolescente incubada, ela apenas sorriu e disse que eu devia era ter batido com a mão fechada. Como eu amo a minha mãe.

Estou no meu quarto, deitada na cama com um saco de gelo no rosto quando ouço a campainha. Não movo um músculo pois sei que minha mãe vai atender, mas depois de alguns segundos ela me chama. Olho para o relógio da cabeceira e vejo que são cinco e treze.

Merda, penso, o encontro!

Coloco uma roupa totalmente improvisada e inadequada para um encontro, mas foda-se. Natalie não veio como disse que viria – não me pergunte o porquê, eu saí primeiro que ela já que fui suspensa – e eu não sei se fico chateada ou feliz, pois ela provavelmente iria me enfiar em umas roupas apertadas e desconfortáveis e eu não estou com saco pra isso. Arrumo meu cabelo – lê-se abaixar os fios que estão para o alto – e desço as escadas feito o papa-léguas. Ele está parado na porta com seu lindo sorriso e ao ver como ele está vestido, eu me sinto um lixo, mas é o que tem para hoje.

– Oi, Josh – cumprimento.

– E aí? – ele responde. Ficamos nos olhando por um tempo, minha mãe está sorrindo de orelha a orelha para nós e então eu penso que é melhor sairmos daqui logo pois ela vai com certeza fazer algo para me constranger. Estou saindo de casa quando minha mãe me puxa pela blusa e diz:

– Na-na-não, eu preciso tirar uma foto de vocês dois – ela vai até a gaveta da mesa de centro, onde pega a câmera. – O primeiro namorado da minha filhinha, que orgulho – ela diz enquanto tira a câmera da capa. Não sei onde enfiar a cara. – Apesar que eu ainda acho que ela e aquele outro rapaz bonito são melhores juntos. – ela murmura, sem olhar para a gente, mas eu escuto e sei que ela está falando do Noah. Olho de relance para Josh, desesperada, mas não parece que ele ouviu. – Muito bem, crianças, se juntem aí, Josh, passe a mão por cima do ombro dela, pra ficar bonitinho.

Meu Deus, onde eu enfio a cara a agora?

– Mãe – resmungo, mas então sou surpreendida com Josh passando a mão pelo meu ombro. Paraliso e fico com uma cara de besta, minha mãe tira a foto e se despede da gente, dizendo que tem que postar a foto no face. Me desespero. Eu estou com uma cara horrível, aposto, e ela vai postar? Ai Deus, eu não devia ter ensinado ela a mexer no computador.

– Então – ele se pronuncia. – Vamos?

Acordo do transe e olho para o carro que ele está apontando. O carro de Christopher, lindo, maravilhoso, perfeito. Só não sei a marca – não sou especialista em carros, ok?

– Vamos.

Notas finais
E aí? Continuam querendo matar ela ou a raiva amenizou um pouco? Não sei vocês, mas eu continuo na mesma. Comentem :D