How To Be Popular

29 Como ter o pior encontro do mundo.


Notas iniciais
Oie gentee. Então, eu sei que eu não avisei antes, mas esse é o último capítulo. Sim, último capítulo. Mas calma, ainda vai ter o epílogo e, quem sabe, uns capítulos bônus... Mas então, eu não quero enrolar muito aqui e vou deixar os agradecimentos e tals para o epílogo. So... Enjoy.

Eu esqueci a carteira em casa.

É a primeira coisa que penso quando chegamos ao nosso destino. Cinema. Eu vou me sentir horrível pedindo uma pipoca grande com um refrigerante médio para ele, isso é o que eu sempre peço quando venho aqui e eu não me sinto envergonhada pedindo para meus pais comprarem ou até mesmo para a Natalie. Mas, cara, é o Josh, e eu vou me sentir uma gorda pedindo qualquer coisa a ele.

– O que vai querer? – ele pergunta e então eu paro de olhar para aquele chocolate na vitrine que está pedindo para ser devorado.

– Ham, nada, nada não – minto.

– Tem certeza? Nós vamos ver O Hobbit. É um filme longo.

Eu sei que é um filme longo, mas eu vou arriscar a morrer de fome apenas para não parecer uma esfomeada.

– Tenho sim, obrigada.

...

Ai, meu Deus, que fome!

Ainda nem chegou na metade do filme e eu já estou morrendo aqui. Josh decidiu me acompanhar e não comprou nada, mas eu acho que ele fez isso de propósito, também acho que ele sabe que eu sou uma esfomeada, mas estou me esforçando para não parecer uma. Estou me contorcendo na cadeira, tentando achar uma posição que me faça esquecer da fome, mas acho que essa posição não existe. Estou sentando na minha perna esquerda quando sinto meu celular vibrar no meu bolso, como eu estou com uma perna cruzada na outra, eu não consigo pegar meu celular de imediato, então a música que eu coloquei como toque – Sing, do Ed Sheeran, pra quem quer saber – começa a tocar, algumas pessoas começam a fazer “Shh”, mas eu não estou conseguindo descruzar as pernas, pois o espaço do banco em que eu estou e o banco da frente é pequeno, quase inexistente. A música começa a ficar mais alta e algumas pessoas começam a gritar e eu fico desesperada pois eu realmente não estou conseguindo descruzar as pernas para pegar o celular no bolso de trás.

– Jolie – Josh sussurra.

– Hum? – digo, ainda tentando pegar o celular.

– O que está acontecendo?

Olho para a tela do cinema enquanto pego uma das minhas pernas e tento movê-la.

– Ham... O Hobbit está falando com esse cara de barba que eu não sei o nome.

– É Gandalf – ele diz. – E não é sobre isso que eu estou falando. Quer ajuda?

– Não, eu estou AAHH – eu consegui ajeitar as minhas pernas, mas para isso foi preciso cair no chão que está sujo de refrigerante. Pego o telefone e o desligo antes mesmo de ver que sem noção estava me ligando. Levanto a mão com o celular, mas ainda estou no chão. – Consegui!

As pessoas do cinema comemoram dramaticamente enquanto eu me levanto, Josh me ajuda e, mesmo no escuro, eu tenho certeza que minha blusa está acabada agora.

– Você está bem? – ele pergunta.

– Estou – digo me sentando direito agora, nada de cruzar as pernas dessa vez. – Mas minha blusa não.

– Como assim?

– Eu caí de costas – explico. – e o chão está sujo de refrigerante. Pelo menos eu espero que seja refrigerante.

Ele ri alto demais então todos começam a reclamar, mandando a gente calar a boca, eu iria revidar, claro, mas também não quero dar uma de favelada na frente dele.

...

Nossa, o filme foi horrível – eu não entendi bulhufas –, mas eu queria ficar lá para sempre, pois assim ninguém iria ver minha blusa toda suja com líquidos indefinidos – aquilo com certeza não era refrigerante. As pessoas não param de olhar pra mim e rir, provavelmente imaginam como eu consegui a proeza de só molhar as costas. Estamos parados perto de onde vendem pipoca e esse cheiro está me matando, Josh está analisando minha blusa para ver se está muito ruim e também para tentar reconhecer o líquido misterioso – ideia dele –. Tem um grupo de garotas a alguns metros de nós que não para de olhar torto para mim e depois sorriem quando Josh dá uma olhada nelas. Devem estar se perguntando “por que esse garoto lindo está com essa garota estranha?”.

– E aí? – pergunto, já estressada com tanta gente olhando.

– Não sei – ele diz pensativo. – Você quer voltar para casa para colocar outra roupa?

– Está tão ruim assim? – pergunto, exasperada.

– Não, quer dizer, não sei.

– Josh, você não está ajudando – me viro para ele. Ele passa a mão nos cabelos, os bagunçando.

– Ok, mas afinal, como você conseguiu cair ali?

– Eu me desequilibrei, oras – digo, na defensiva. – Ou você acha que eu me joguei no chão apenas para pagar um mico enorme?

– Não, eu não acho isso!

– Não precisa gritar! – grito.

– Você que está gritando! – ele grita de volta e então eu percebo que essa conversa não levará a lugar algum. Passo as mãos no rosto, totalmente frustrada.

– Ai, me desculpa – digo. – Eu arruinei esse encontro, talvez você devesse me deixar em casa e se afastar pois eu sou o desastre em pessoa.

Eu não sabia exatamente o que esperar dele, mas com certeza não esperava que ele passasse o braço por meus ombros, me abraçando de lado.

– Hey, você não arruinou nada, tudo bem? – balanço a cabeça afirmativamente. – Ok, que tal nós irmos comer?

Ótima ideia.

...

Ele me perguntou aonde eu queria ir, e eu respondi que tanto faz, então ele disse que eu tinha que dar opinião sobre algo, então discutimos até eu dizer: “Chega, tá bom, vamos naquela lanchonete perto da escola.” Então cá estamos, na lanchonete Wingle. Pedi primeiramente um hambúrguer monstruoso, daquele que parece que vai devorar você ao invés de você devorar ele, mas aí olhei para Josh e lembrei que vai ser ele quem vai pagar a conta então pedi uma salada e um suco, as coisas mais baratas do menu.

Mas, droga, eu odeio salada.

– Salada? – Josh pergunta, ele parece estar se divertindo.

– É – respondo, cruzando os braços. – Salada, por quê?

– Nada, nada mesmo – ele sorri. Começamos a conversar sobre nada quando a minha salada chega e o lindo e gorduroso hambúrguer dele chega junto. Agradecemos e a garçonete vai embora, surpreendentemente sem comer o Josh com os olhos, talvez ela faça isso de longe. Olho para minha SSS (salada super saudável), tentando não demonstrar o quanto eu odiei ter esquecido minha carteira. Ele começa a comer seu hambúrguer e então eu começo a revirar minha salada, a procura de algo que eu goste. Nada. Eu ainda não consigo acreditar que eu sou magra, sério.

– Não vai comer? – ele pergunta.

– Vou – respondo, mas continuo olhando feio para a salada.

– Então come – levanto a cabeça para olhá-lo.

– Sabe, na sua casa deve ser diferente, mas na minha nós costumamos olhar bem para a comida antes de comer – minto. Na verdade, lá em casa, nós rezamos antes de comer, mas na maioria das vezes, agora, estamos esquecendo, então rezamos depois da comida. Estranho, eu sei, mas...

– Sério? – ele pergunta, afirmo com a cabeça. – Hum, não fizeram isso quando nós fomos jantar lá. Lembra daquele dia? Você não estava em casa. Eu até te dei um biquíni, por falar nisso, você gostou?

– Agora que você vem me perguntar se eu gostei? – ele dá de ombros. – Ok, eu adorei, você que escolheu?

– Não – ele responde, meio constrangido. – Na verdade, nem me passou pela cabeça te dar nada.

Nossa, essa me acertou em cheio. Ele continua:

– Foi minha mãe que comprou para a filha da amiga dela, mas ela não sabia que ela é, você sabe, gordinha e que odeia biquínis, então teve a ideia de dar para você. Me desculpa dizer isso, Jolie, mas... eu te achava meio... sabe... estranha.

Essa foi pior ainda, essa é uma frase que você não pode usar em um encontro, mas parece que ele não sabe disso. Olho para ele, balançando a cabeça lentamente, meio chateada, claro. Isso não é muito legal de se ouvir.

– Hum, ok, então, fala para ela que eu adorei e que – minha voz saiu meio embargada, então eu limpo a garganta um pouco – Ham, diz para ela que a filha da amiga dela não sabe o que perdeu – olho para a janela, evitando olhar para ele. Esse está sendo o pior encontro do mundo. Primeiro eu não como nada por horas vendo um filme chato, depois eu caio em cima de um líquido estranho, depois eu não tenho nada para comer a não ser uma salada horrorosa, e então eu descubro que o garoto que eu sempre gostei me acha estranha. Ai Deus, dai-me forças pois se me der paciência eu vou ficar levando desaforo para casa todos os dias.

– Jolie – ele chama e, de repente, eu não me sinto mais tão fascinada e atraída pelo jeito dele de chamar meu nome. – Jolie, hey, algo errado? – Ele olha para a janela, a procura de algo que ele não vai achar.

– Não – digo simplesmente.

– Não vai comer a salada? – ele pergunta de novo. O olho com os olhos semicerrados.

– Vou, Josh – digo com raiva. – Dá para esperar? Obrigada – então eu volto a fitar a janela e ele fica quieto. Então eu penso, se eu estivesse saindo com o Noah, nesse exato momento, se eu tivesse aceitado seu convite, será que eu estaria suja de refrigerante? Será que eu estaria com raiva? Chateada, como eu estou agora? Provavelmente não, provavelmente eu estaria rindo de alguma de suas palhaçadas ou quem sabe de uma das suas piadas sem sentido. Eu estaria me divertindo. Sei disso.

Então, enquanto eu olhava tudo ao meu redor, a lanchonete, as pessoas lá fora, o Josh comendo seu hambúrguer sem me oferecer e sem direcionar o olhar para mim, me ocorreu que eu não gosto mais tanto dele quanto eu achava que gostava. Não, quer dizer, antes eu queria viver para sempre com ele, como uma criança quer ter para sempre seus pais por perto, mas agora... eu me contentaria apenas com ele sendo meu vizinho. Nossa, eu nunca me imaginei falando ou até mesmo pensando isso, mas é a verdade: eu não gosto mais do Josh. Mas eu sei que eu gosto de alguém, mas quem?

Os únicos garotos que eu realmente converso são Brad e Noah. Brad sem chances, pois ele já é da Natalie, então sobra... Ouço a voz da minha mãe em minha cabeça:

“Eu ainda acho que ela e aquele outro rapaz bonito são melhores juntos.”

Outro rapaz bonito...

– Noah – deixo escapar. Josh me olha e como está mastigando o hambúrguer, ele apenas murmura:

– Hum?

– Noah – digo, agora alto o suficiente para ele escutar. Ele engole o que estava mastigando.

– O que tem ele? – ele pergunta, mas eu sei que ele não quer saber. Mesmo assim, falo:

– Eu gosto dele – isso parece deixa-lo meio desconcertado, pois ele não diz nada, então eu continuo: – Droga, eu gosto dele, eu amo ele. – Então eu pego meu celular de cima da mesa e coloco no bolso, começo a levantar, ele me olha sem dizer nada, parece abismado, ou algo assim, provavelmente nenhuma garota já fez isso com ele. Tenho prazer em ser a primeira.

– Desculpe Josh, por ter estragado o encontro, ter feito você pagar mico andando comigo apenas para eu perceber que não é de você que eu gosto, sério, me perdoe – digo, levantando a calça e ajeitando a blusa. – Faça as contas de quanto deu a salada com o suco de maçã e depois passa lá em casa para pegar o dinheiro que eu te devo.

Saio da lanchonete e olho ao redor, para tentar achar algum caminho que dê para a casa de Noah, mas como eu sou péssima em direção e essas coisas, eu tenho que voltar para casa e pegar o caminho de lá. Quando chego em casa, estou totalmente suada pois, mesmo de noite, o calor aqui é infernal. Entro em casa e encontro minha mãe vendo TV.

– Oi filha, como foi o encontro? – Ela pergunta. Dou um sorriso.

– Foi péssimo, horrível – e ainda bem.

– E por que está tão radiante?

– Sabe aquilo que você disse hoje enquanto pegava a câmera? – pergunto. – Que eu e aquele “outro rapaz bonito” ficamos mais bonitos juntos?

– Ahn, olha Jolie, me desculpa se ele ouviu... – ela começa, mas eu a interrompo.

– Ele não ouviu, mãe – digo, ainda sorrindo. – Eu ouvi. E obrigada por ter falado aquilo, você iluminou a minha mente, sério. – Ela parece não estar entendendo nada, mas não vou explicar agora, tenho que chegar na casa dele antes que ele vá dormir, vou até meu quarto, pego uma outra roupa e vou tomar banho – não quero chegar lá toda empapada de suor –. Foi o banho mais rápido que tomei. Visto a roupa e quase caio duas vezes por estar tão esbaforida.

Desço e grito:

– Mãe, vou sair!

– Pra onde? – ela grita de algum lugar da casa.

– Eu vou fazer uma coisa – então completo em voz baixa. – que você vai gostar.

...

Ao chegar no condomínio, meu primeiro impulso é apertar o número da casa no interfone, mas aí lembro que ele está quebrado.

– Ain – resmungo. – Assim você complica minha vida, interfone.

Como eu vou falar com ele? Eu poderia ligar, mas eu não tenho o número dele, e eu deixei o celular em casa, já sei, eu posso ligar para a Natalie para ela ligar para ele e pedir... Peraí, eu acabei de dizer que esqueci o telefone em casa! E se eu gritar? Será que ele vai ouvir?

A casa dele é lá no final, ele só vai te ouvir se você tiver a garganta da Whitney Houston.

Oi Mila, quanto tempo, não senti saudades.

Tá, mas ok, o que fazer, o que fazer? Vamos, pense, Jolie, pense. Então eu olho para uma árvore que fica encostada no muro. Eu posso subir na árvore e pulá-lo.

Tudo bem, tem dois problemas nesse plano, primeiro: e se acharem que eu sou uma ladra? Segundo: Eu não sei subir em árvores.

Sim, eu tive infância, mas subir em árvores não faz parte da infância de muitas crianças daqui. Mas não custa tentar. Vou até a árvore e a encaro, me preparando psicologicamente para qualquer tipo de tombo. Olho ao redor para ver se tem alguém olhando, felizmente só tem algumas pessoas na rua e elas parecem mais interessadas em resolver seus próprios problemas. Seguro um galho e tento me puxar para cima para pisar em outro galho, mas eu não aguento o peso do meu corpo e caio. Tento mais algumas vezes até que, depois de vários tombos, eu estou em cima do muro, mas cadê a coragem para pular? Isso é alto pra cacete.

Ok, vamos lá, você consegue, Jolie.

– Eu vou conseguir, eu vou...

– Jolie? – ouço uma voz me chamar e olho para frente, Noah está andando em minha direção. Droga, ele vai me ver pagar mico. – Jolie, o que está fazendo?

– Eu queria falar com você – respondo. – Mas eu lembrei que o interfone está quebrado e eu não sabia o que fazer, eu preciso muito falar com você.

– Mas o interfone não está quebrado – ele diz, já mais perto agora. – Consertaram ele ontem, depois de você ter ido embora.

– O quê? – arfo. Então quer dizer que eu machuquei meu cotovelo, meu braço e minha bochecha à toa?

– Pensei que estivesse no encontro – ele diz, agora em baixo do muro, se eu caísse, eu cairia em cima dele.

– Eu estava, mas saí e vim direto para cá.

– Você abandonou o mauricinho? – balanço a cabeça. – Nossa, eu queria estar lá para ver. O que você tem para dizer para mim que é mais importante que o panaca lá? – ele cruza os braços. E eu iria dizer, mesmo, mas a coragem foi embora, saiu correndo. Não é fácil admitir que você gosta de uma pessoa, ainda mais quando você está em cima de um muro alto, podendo cair a qualquer momento.

– Ahn... Eu... Hum – gaguejo. Me sinto uma idiota.

– Você... – ele me encoraja a continuar. Respiro fundo algumas vezes até que um pouquinho de coragem volta, eu a agarro com força e digo:

– Você me disse, ontem, que o Josh não me merecia – começo. – Não com essas palavras, mas foi isso o que eu entendi.

– Pensei que tivesse entendido que era uma indireta – ele me interrompe.

– Eu não pensei direito, mas não me interrompa – ele fica em silêncio. – Continuando, você me avisou, me avisou que ele é um idiota, mas eu não ouvi, estava cega demais, mas hoje, no encontro, eu entendi o que você estava querendo me dizer e me senti uma tola por só perceber que ele não era o certo no nosso encontro que estava dando totalmente errado. Eu corri até aqui, Noah, para falar que você tem razão – E que eu te amo, completo em pensamento, mas não agarrei coragem o suficiente para dizer isso em voz alta.

– Hum – ele murmura. – Só por isso? Você poderia esperar até segunda para dizer que eu tinha razão, você poderia dizer lá na escola.

– Eu sei – eu digo, desviando o olhar, a coragem se esvaindo. Quer saber, dane-se a coragem, eu vou dizer. – Eu não vim aqui só para dizer isso – o olho. – Eu percebi outra coisa lá no encontro. Desde que você entrou lá em casa e se apresentou, quando você ainda estava com a Natalie, eu gostei de você, mesmo. Até sabendo que você era um traíra, eu continuei gostando de você. Eu me senti suja, você namorava a Natalie, minha melhor amiga! Mas aí vocês terminaram e eu não pude evitar ficar feliz. Eu não conseguia parar de te olhar, mas sempre usava a desculpa que “olhar não arranca pedaço”, mas aí, hoje, eu vi que eu não estava apenas “olhando”. Quando você me beijou, eu adorei, mas eu não admiti, nem para você e muito menos para mim, tanto que eu até te dei um soco – sorrio –, mas a questão aqui é que eu sempre gostei de você, mas não queria admitir, mas agora eu estou falando em voz alta que – dou de ombros – eu amo você, Noah.

Nossa. É tão estranho falar isso assim para ele. Adrenalina total, sabe? E esta está passando pois ele está em silêncio, apenas me olhando, sem expressão. Isso dá nervoso. Parece até que ele está pensando se me dá ou não uma chance.

E que o ‘não’ está ganhando.

– Por que você não desce? – ele diz, enfim – Para podermos conversar.

– Bem, eu não quero quebrar as pernas nem tão cedo.

– Mas tudo o que sobe tem que descer.

– Pois é... – balanço a cabeça vagarosamente.

– Não consegue descer, não é mesmo?

– Então... – começo, mas ele me interrompe fazendo uma coisa que eu nunca vou conseguir fazer. Ele correu até uma mureta que tem encostada no muro, uma mureta de cimento onde fica algumas flores, ele correu até ela, pisou com o pé esquerdo e depois pegou impulso e conseguiu chegar até minhas pernas, ele puxou e eu caí, consequentemente ele também caiu, mas em baixo, eu caí em cima dele e garanto que ele se machucou mais que eu. Saio de cima dele, mas não consigo levantar, então apenas deito ao seu lado e ficamos olhando o céu por um tempo.

– Eu também amo você, Jolie – ele diz, mas não me olha. Meu coração começa a bater mais rápido e eu não consigo evitar sorrir, mas depois disso, nenhum de nós falou nada, ficamos olhando o céu por não sei quanto tempo até que eu sou obrigada a falar:

– Bem, essa é a hora em que nos beijamos, não?

Cortei o clima, eu sei, mas se não fosse isso, ele iria continuar olhando para o céu.

– Não sei – ele dá de ombros. – É?

– É – respondo –, geralmente é isso o que fazem nos filmes. Eles falam que se amam e se beijam.

– Mas não estamos em um filme, Jolie.

– Não, não estamos – digo. – Você não acha melhor levantarmos? Quem sair de casa agora vai achar que somos loucos.

– Tem razão – então ele levanta e depois me estende a mão, mas ele me puxa com força, como se pensasse que eu fosse mais pesada – talvez pelo fato de eu ter caído em cima dele – e isso faz com que meu peito bata no dele e ficamos assim, colados.

– Oi – digo.

– Olá – ele responde e então sorri, um sorriso contagiante que me faz sorrir também. Então ele, finalmente, me beija. Um beijo bom. Melhor do que aquele primeiro, pois naquele, nós não sabíamos o que sentíamos. Principalmente eu. Coloco os braços em volta de seu pescoço e ele coloca as mãos em minha cintura, exatamente como nos filmes e histórias clichês, porque não adianta tentar escapar dos romances clichês, eles sempre te pegam. Quem nunca gostou de um daqueles garotos populares que não dão a mínima para você? Quem nunca fingiu odiar a pessoa que gosta? Quem nunca começou a gostar da pessoa que antes odiava? É sempre assim, ele vem de fininho e quando você vai ver, já te alcançou. Não adianta negar, nossa vida é clichê e eu dou graças a Deus por isso.

Notas finais
Quero ver todos comentando, até as que nunca comentaram, qual é, é o último capítulo, deem uma trégua e comentem pelo menos um gostei. O que acharam disso, hein? Acabei com vocês, não? kkkkkkk. Até o epílogo.