Hot&Cold
5 Capitulo Quatro - Revenge
Notas iniciais
Já eram três horas de uma fria madrugada de sábado.
A grande e praticamente vazia mansão Dragneel estaria no mais absoluto silêncio, não fosse o uivo do vento forte que rondava pelo jardim fazendo as copas das árvores chacoalharem e baterem levemente contra o vidro das janelas ao longo da propriedade. No segundo andar da mansão o silêncio era quebrado por roncos excessivamente altos de um certo rosado que, de tanto se remexer em cima daquela cadeira, iria acabar caindo a qualquer momento.
— Layla... Lucy... – Esses nomes podiam-se ser escutados entre um ronco e outro. E pelas feições do garoto sonho bom não era. – Fiquem... Voltem... Não quero... Sozinho... NÃO!
E enfim, ele conseguiu. Rolou e caiu de cara no chão em uma bagunça de cobertas e travesseiros.
Natsu POVs
— O que, quem, onde!? – Gritei para o nada. Levei alguns segundos para me situar. Fui tentar me levantar, mas senti uma dor lancinante nas costas e no pescoço. – Aai! Eu dormi aqui? – Olhei confuso ao me redor. Eu não estava estudando...? Enfim!
Cocei a cabeça e me levantei com certa dificuldade. Peguei meu travesseiro e meu cobertor e me joguei na cama. Amanhã era sábado e eu queria aproveitar para dormir ate tarde!
***
— Acorda seu preguiçoso! – Ouvi a voz de Erza ao longe. Ué... O que ela estava fazendo na minha cabeça...? – Acoorda! – Chutou a porta e com o estrondo levei um susto e acordei de vez.
— Não! Hoje é sábado! Eu quero dormir ate tarde! -
— Natsu, seu imbecil! Levanta logo! Já são duas da tarde, esqueceu que você tem uma palestra na faculdade às duas e meia!?
— O que!? – Levantei e olhei meu celular em cima do criado mudo. Duas horas! Porra...
Corri para o banheiro para tomar um banho rápido. Em alguns minutos eu já estava só de toalha em meu closet. Depois de tropeçar em cuecas e meias pelo caminho (tenho que contratar uma empregada nova, Erza é inútil!) finalmente acabei de me arrumar. Uma blusa de moletom preta, uma calça jeans azul marinho, tênis Al Star branco e aproveitando o frio que estava lá fora, um cachecol que tenho desde os cinco anos de idade. Peguei meu tablet, o celular, a carteira e saí correndo e fechando a porta atrás de mim.
— Você é um péssimo despertador! – Gritei para Erza do alto das escadas e desci correndo pulando de dois em dois degraus.
— Calado! A obrigação de acordar é toda sua. E não corra por ai desse jeito! – Repreedeu-me da porta da sala.
Revirei os olhos e fui ate o porta chaves no corredor pegar as chaves do carro.
— Não vai comer nada? – Erza surgiu atrás de mim com a minha mochila em mãos. – Perdeu o café. Mas eu posso esquentar alguma coisa se você quiser...
— Não dá tempo, tenho que voar! Compro alguma coisa no refeitório mesmo. – Fui até ela e peguei minha mochila. Dei um beijo estalado em sua bochecha falando um “adeus” que ela retribuiu murmurando um “idiota” e corando.
POVs Gray
Eu havia conseguido (por algum milagre divino) que Ultear me emprestasse seu precioso Honda City Prata 2013 para vir à faculdade hoje. Como eu cheguei adiantado, liguei meu IPhone na central multimídia do carro, pus na ordem aleatória e recostei a cabeça no banco, aproveitando o frio.
Eu amo o inverno, é a minha estação preferida. E quando neva... Há, eu amo a neve! O frio me é estranhamente convidativo e a neve é algo mágico. Algumas pessoas (lê-se Ultear) me acham estranho por vestir apenas uma calça jeans e uma camisa comum nesse frio que estava fazendo, mas eu não me importo com isso. Eu amo o frio e ele me faz bem.
Mas derrepente, minha atmosfera calma foi quebrada por uma simples criatura que estacionava a alguns carros de distância. Assim que ela desceu do carro, um vento forte soprou fazendo seus cabelos azuis e as pontas de seu cachecol esvoaçarem, deixando a mostra sua face pálida e porcelanada.
Foi o frio que me consolou naquele dia em que Ela fez aquilo tudo.
E agora é o frio que irá me dar forças para ir resolver essa história de uma vez por todas.
Meu coração batia forte em meu peito e minha respiração estava acelerada. Apertei o volante com força. Será que era a hora certa para resolver tudo? Será que eu conseguiria me segurar e não dar um soco naquela desgraçada? Acho que vou parar de me questionar antes que eu enlouqueça!
Meu IPhone, que estava na ordem aleatória, começou a tocar uma música que eu gostava muito. Ela combinava com o momento, afinal tudo o que eu havia feito naquela época fora para agradar os meus pais... Deixei a forte batida me envolver e continuei somente a observbando, tomando coragem para sair do carro. Duas garotas apareceram e foram conversar com ela.
— É agora ou nunca! – Peguei minha mochila, meu celular e saí do carro batendo a porta com força.
O barulho da porta ecoou pelo local quase vazio, fazendo com que ela olhasse para mim. Ela deu um sorriso irônico na minha direção que desapareceu na mesma rapidez com que veio. Eu andava ate ela sem demonstrar sentimentos, apesar de estar borbulhando de ódio por dentro. E o calor é algo que eu odeio!
— Podem ir entrando garotas. Juvia tem que pegar mais alguns papéis no carro. – Dispensou suas amigas que saíram dando risadinhas assim que me viram me aproximando.
Parei a alguns metros de distância dela. Estávamos entre um Nissan march Azul escuro e um belo Honda Prateado. Poucas pessoas ainda transitavam por ali, mas não prestei a mínima atenção nelas. Só conseguia olhar para aquela garota na minha frente. Tão linda por fora e tão... podre por dentro.
— Gray-sama! Juvia está tão feliz por você ter vin...
— Cala a boca, vadia. – Fui curto e grosso. Ela não merecia a minha gentileza. Juvia pareceu tropeçar em seus pensamentos por alguns segundos.Engoliu em seco mas continou com sua expressão se “santa”. – Só quero saber de uma coisa. Porque?
E então ela começou a rir. Ria como se tivessem lhe contado a melhor piada de todas, ate saiam lágrimas de seus olhos. Ria da minha cara.
— Hora, não é óbvio?! – Cerrei minhas mãos em punhos. Os nós dos meus dedos parecendo que iam arrebentar sob a minha pele, tamanha a força que eu exervia sobre eles. Sua feição de santa sumiu completamente, dando lugar a sua verdadeira personalidade. Uma verdadeira vadia. – Era um casamento arranjado, se idiota! Os pais de Juvia não a aceitavam como ela era. “ Não queremos uma filha assim”, eles diziam para Juvia a todo o tempo. Então Juvia propôs isso a eles: achar uma família desesperada financeiramente. E achamos a sua, com um filho idiota o suficiente para pensa que Juvia o amava. Era perfeito. E no fim, o único imbecil que não sabia que a “namorada” – Fez aspas no ar. – comia outra garota era você... – Aproximou seu rosto do meu ouvido, sussurrando: — Gray-sama...
Não me agüentei e a agarrei pela gola fofa do seu sobretudo, a levantando um pouco do chão. Ela me olhou, e finalmente vi algo que nunca havia visto: Juvia estava com medo. E isso estava bem explicito em seus olhos.
— Só não te dou um soco agora porque isso me daria muitos problemas, sua vadia. Mas bem que você merece.
A larguei, ela cambaleou um pouquinho e se apoiou no seu March para não cair. Peguei minha mochila, que eu havia deixado cair sem querer, como eu esperava, ainda não consigo me controlar. Já sentia a raiva tomando conta de mim e começando a me dominar.
— Gray-sama! – Ouvi ela me gritar a alguns passos de distância e parei. Vamos Gray, se mova. Vai embora. Já está tudo resolvido... certo? O vento gelado soprou mais uma vez bagunçando meus cabelos, como uma resposta para o meu questionamento. – Gray-sama! Espere... Juvia... – Ela finalmente me alcançou. Encostou no meu braço direito, e eu o afastei bruscamente. Aquilo doía em minha alma. O seu toque... Eu só o experimentei uma única vez, e fora falso. Loucamente apaixonante e falso!
— Não encoste em mim. – Pedi. Uma mistura de dor e ódio na voz que ela devia estar adorando.
— Sabe que Juvia não fez o que fez por...
— Sabe o que eu deveria fazer nesse momento?! – Tentei ser o mais calmo possível, mas não consegui mais me segurar. Me virei de frente para ela e me descontrolei, já gritando com ela. – Sua maldita! É tudo sua culpa! – Juvia, apesar de sua voz chorosa, ria. Ela ria porque sabia o que eu tinha. Sabia que eu iria extrapolar e era isso mesmo que ela queria. A empurrei com força e a mesma caiu sobre o chão gelado e meio molhado, já com lagrimas nos olhos. Perfeito! Chore mesmo sua desgraçada. Fui em sua direção já fora de mim e levantei o punho pronto para socá-la. Não enxergava mais nada. Sei que me arrependeria depois, mas por mais que eu tentasse não conseguia me controlar! Só queria descontar meu ódio preso a todo esse tempo dentro de mim. Finalmente eu poderia... eu poderia me vingar!
Mas derrepente uma mão forte segurou meu pulso no ar.
— O que você pensa que está fazendo seu imbecil? – A pessoa disse.
Natsu POVs
— Droga! – Exclamei para o nada enquanto corria pelo estacionamento praticamente vazio da Fairy Glitter, na parte reservada para estudantes.
O vento frio batia contra o meu rosto deixando o meu nariz gelado e meio avermelhado. Várias poças de água espalhadas pelo caminho tornavam-no quase um ringue de patinação.
— Gray-sama! – Ouvi a voz de alguém ao longe. Normalmente eu teria ignorado e continuado a correr já que eu estava bem atrasado, mas quando a curiosidade me fez olhar para a direção de onde à voz vinha tive que parar. Era a voz da Juvia chamando por aquele idiota que parou derrepente. E, como que para deixar o momento mais dramático, uma rajada de vento fez voar o cabelo de ambos. – Gray-sama! Espere... Juvia... – Ela finalmente o alcançou, mas assim que encestara nele ele se afastou bruscamente, como se seu toque machucasse. Pelo ângulo em que eu estava só conseguia ver as costas de Juvia, mas fui me aproximando para escutar melhor a converça.
— Não encoste em mim. – Ouvi ele falando. Eu sabia que era errado espionar, minha mãe havia me ensinado isso e Erza sempre me dava um soco quando eu ouvia suas conversas atrás da porta. Mas o cara parecia estar prestes a socar a garota, não podia deixá-la sozinha ali.
— Sabe que Juvia não fez o que fez por...
— Sabe o que eu deveria fazer nesse momento?! – Ele começara a se descontrolar, dava para perceber que sua voz era tomada de ira. – Sua maldita! É tudo sua culpa! – Então Gray fez algo que me surpreendeu. Ele empurrou Juvia, com força o suficiente para fazê-la cair e se chocar contra o chão frio. Pode ser pouco, mas ver um homem fazendo isso contra uma garota indefesa, não importando o motivo, era algo revoltante! E assim que ele levantou o punho e partiu para cima de Juvia, eu corri ate eles e segurei seu punho no ar.
— O que pensa que está fazendo, seu imbecil? – Perguntei pausadamente, com ódio. Soltei a mão dele com repulsa e fui ate Juvia que chorava acho que mais de medo do que dor. Estendi a mão para ela e a ajudei a se levantar. – Pode ir Juvia-san. Esse idiota não lhe fará mal.
— A-arigatogozaimasu -
— O que isso tem a ver com você imbecil?! – Ele perguntou em um tom de voz grave e intimidador, mas cabisbaixo.
— Pode ir Juvia-san, ele não fará nada contra você. – Soltei o pulso dele com força e me afastei para ajudar Juvia a pegar suas coisas. Antes de ir ela sorriu para mim, mas aquilo não era um sorriso de alivio ou gratidão... Ela deu a volta pelo outro lado do carro evitando Gray, que antes que eu percebesse me empurrou contra a parede do estacionamento. Só dei conta da minha situação quando puxei o ar e o mesmo não vinha de jeito nenhum. Ele estava me enforcando!
Não ia deixar aquilo barato, claro. Dei uma joelhada na boca do estômago dele, que o fez perder o ar por alguns segundos. O suficiente para eu conseguir desfazer seu aperto e empurrá-lo com força. Ele tropeçou em seus pés e caiu no chão com força, seu cabelo cobrindo seus olhos o deixando um tanto sombrio.
— Escuta aqui, desgraçado. Eu vou me vingar... Vou me vingar de vocês. Acham que podem me fazer de otário? – Levantou a cabeça e me olhou. Recuei um passo, seu olhar realmente me assustou. Era masoquista, era ódio, ira e tristeza misturados. Engoli em seco. Senti que ele não se referia a mim em sua fala. E apesar de tudo, uma pequena parte de mim sentiu pena daquele idiota.
— Você pode falar o que quiser... – Falei, pegando minha mochila no chão e me virando para ir embora, jogando a mochila sobre o ombro direito e pondo a outra mão dentro do bolso. Mas antes de ir, disse por cima do ombro: — Mas você sabe que eu não ajudei somente a Juvia-san. – Sorri para ele e caminhei tranqüilo ate a Fairy.
Tranqüilo nada, eu tava atrasado pra caralho!
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