Hot&Cold
6 Capitulo Cinco - First Signs of The Fragility
Notas iniciais
— Senhor Dragneel e Senhor Fullbester. Estou farto desses seus atrasos! E ainda mais nessas condições deploráveis – Olhou-nos de cima a baixo. Gray com as calças sujas, pois havia caído em cima de uma poça, e eu com a blusa rasgada e toda manchada graças a um maldito ferro solto na parede que eu não havia visto. E aquela parede era suja para caramba! – Podem entrar, mas essa será a última vez! – Revirou os olhos e saiu murmurando algo como “esses jovens de hoje”.
Fuzilamo-nos com o olhar, quase eram vistas as faíscas, e entramos no auditório onde Macao-sensei já se encontrava no palanque e estava começando sua (longa e entediante) palestra.
Uma hora e meia depois eu já babava sobre meu caderno.
— Bem pessoal! – Macao bateu com uma força exagerada sobre sua mesa, acordando-me e a mais uma meia dúzia de alunos. – Para despertar esses nossos pobres e cansados colegas – Falou com ironia — vou passar um trabalho para vocês com o tema da minha palestra. E para ficar mais justo, e porque eu quero ver vocês mais desesperados ainda, eu mesmo vou sortear os nomes! – E começou a escrever nossos nomes em papeizinhos.
Um coro de “As” e “qual é?” ecoou pela lugar. O professor deu uma gargalhada travessa, como uma criança que acabara de pregar uma peça em alguém, e começou a falar os nomes que tirava de um chapéu.
— Sherry Blendy e Ren Akatsuki... – Ouvi um gritinho de alegria nos fundos da sala vindo de uma garota que vivia falando baboseiras sobre “amor” — Gray Fullbester e Natsu dragneel...
Eu conheço esse nome... Gray Fullbes...
Gray Fullbester!?
Não! Meu Kami-sama! Não é possível! É claro que eu não ia deixar isso barato, mas adivinha só?
— Eu não vou fazer dupla com ele! – Nós dois nos levantamos ao mesmo tempo, apontamos um para o outro ao mesmo tempo, e nos olhamos com ódio mortal ao mesmo tempo. – Eu é que não vou fazer dupla com você! Calado imbecil! Hora seu...
Um estrondo, de um livro mega groso chamado “Dicionário Médico”, ecoou pelo recinto fazendo com que todos desviassem os olhos de nós para Macao.
— Silêncio! Acho que vocês erraram o curso, a prática de espelhos é somente no curso de artes. Mas pelo que vejo vocês pensam bastante parecido não é. – Ele usava um tom falsamente controlado conosco. – Agora assente-se e parem com essa cena ridícula ou vou lhes expulsar da minha aula. Vocês estão na faculdade, não no colegial caramba!
Nos curvamos respeitosamente, mas ainda soltávamos faíscas com o olhar.
— Gomennasai Macao sensei.
E assim a aula seguiu normal, nossa pequena cena esquecida.
***
Saí da faculdade mais estressado que o normal.
Merda! Com tantas coisas na minha cabeça, mais essa agora! Não consigo nem me imaginar na mesma cabine que aquele imbecil na biblioteca... Seria o inferno!
Chutei uma latinha para o outro lado do estacionamento, extravasando um pouco a raiva na pobre coitada. Sei que ela não tinha culpa de nada, mas mesmo assim!
Entrei no carro de pus a chave na ignição. Pelo menos não iria atropelar pedestres inocentes no caminho. Eram Cinco e quinze da tarde. Mesmo estando frio decidi passar em uma sorveteria no caminho de casa. Deixei o carro estacionado e fui caminhando até a minha sorveteria preferida: Bubble Pop!
Eu caminhava do lado da rua que dava para o parque central de Magnólia. Eu adorava caminhar ali e a sorveteria ficava de frente para a entrada dele. Bubble Pop não era só uma sorveteria, mas também era uma doceria maravilhosa. Várias vezes comprei Cupcakes dali para levar para Erza, e quando eu fazia isso ela não me batia durante o dia inteiro! Eles devem por algum tipo de erva “amansa-Erzas” naqueles cupcakes. Entrei na Bubble Pop e fui para o balcão. Pedi meu sabor favorito (chocolate com pimenta) com bastantes confeitos. Eu adorava os vermelhos. Erza vivia tentando me convencer de que todos eram iguais, mas eu não dava ouvidos a ela. Os vermelhos eram especiais!
Assim que fiz o pedido, deixando bem claro que queria os confeitos vermelhos, eu rapidamente recebi o meu sorvete. Ia me sentar nos banquinhos com capinha de Cupcakes nos encostos, porque os achei bem interessantes. Mas a tentação de ir andar pelo parque me venceu.
Olhei o meu relógio de pulso, dava tempo de andar um pouquinho até a fonte. Atravessei a rua e fui para a entrada. Ela era toda ornamentada em uma bela pedra polida e clara, com o nome do parque esculpido na rocha como se sempre estivesse por lá. Andei por alguns metros pelo caminho de cascalhos, árvores com galhos quase completamente sem folhas dos dois lados da trilha, alguns animais pequenos já se retiravam para as suas tocas, e o cheiro de mato ali era maravilhoso. Amaldiçoei um esquilo que passou correndo pelo meu pé e quase me fez cair e derrubar meu precioso sorvete.
O caminho levava a uma magnífica fonte. Era uma pedra enorme e redonda com detalhes esculpidos à mão e parecia ter brotado do chão tamanha a sua naturalidade, a beirada batia quase na minha cintura. No seu centro havia uma grande estatueta que jorrava a água para o alto, que caia cristalina e brilhante de volta para a pedra grande. Dependendo de como o sol estava podia-se ver belos arco-íris por ali. Mas eles eram defeituosos. As mensagens de Íris que tentei mandar por ali nunca davam certo...
O som da fonte era tranquilizador, e a brisa ali era um pouco mais gélida por causa das gotículas de água voavam para fora dela. Procurei um banquinho mais afastado da fonte, mas em um ângulo que eu ainda conseguia vê-la, debaixo de uma árvore espessa que em outras estações devia ter uma copa enorme e colorida. O crepúsculo se fazia presente, colorindo o céu em belos tons de laranja. Há essa hora poucas pessoas adentravam o parque mais a fundo pelas suas trilhas. Um casal estava se pegando em um banquinho do outro lado da fonte. Algumas pessoas fazendo suas caminhas noturnas passavam entrando ou saindo das trilhas, mas no geral o lugar estava no completo silêncio. Estava bem distraído, pensando enquanto tomava meu sorvete. Seria legal se a Medusa aparecesse ali. Ia descobrir finalmente se virar pedra doía! Mas...
— Merda! A culpa não é minha camba! – Me sobressaltei com a voz, que de algum modo e era familiar. Escorreguei no banco para ver quem havia perturbado o meu momento filosófico. Fiquei um pouco surpreso ao ver Gray ali, ao celular. Ele não parecia ser do tipo que admirava o lugar. Gray usava uma blusa de frio branca ( aparentemente fina demais para o frio que fazia), caças jeans, tênis pretos e seus cabelos estavam bem estranhos, como se ele os tivesse puxado várias vezes. Mesmo estando escurecendo e estando um pouco longe, conseguia ver sua expressão de raiva graças à iluminação da fonte. – Tem certeza disso não é? Olha aqui! Eu não tenho porra de problema nenhum! Sabe com quem você está falando sua... Alô? Alô!? – Ele segurava o telefone com ódio, aparentemente tentando controlar sua raiva, respirando fundo.
Confesso que fiquei assustado com o que ele fez a seguir. Vou te fazer uma pergunta: que tipo de pessoa normal joga o próprio celular em uma fonte? Daqueles bem caros e bonitos? Pois é, esse cara fez isso. Agarrou o celular como se quisesse esmagá-lo na mão, e tomando um impulso jogou-o contra a estatueta no centro da fonte. O aparelho se partiu em dois devido à força e caiu na água. Ele se escorou na fonte, deixando seu cabelo cobrir os olhos o que o deixou um pouco sombrio. Fiquei na duvida se ia ate lá ou não, e até me levantei e dei alguns passos na direção dele. Mas o que vi me fez parar estático. Ele se virou, de olhos fechados. Os últimos raios de sol bateram em seu rosto, e mesmo estando um tanto longe, ainda consegui ver.
Meu coração se apertou e eu levei a mão are meu peito. Porque... Eu estava me importando com ele? Não, não Natsu! Isso é só uma empatia. Virei-me e corri dali antes que ele percebesse que eu estava perto. Mas aquela cena não saia da minha cabeça...
Gray, o homem mais ridículo, frio e canalha de todos...
Estava chorando como uma criançinha.
POVs Gray
(N/A: Um pouco depois de Natsu chegar ao parque, assim que ele chegou na fonte. Gray está na mesma trilha que o Natsu fez.)
— Moshi, moshi? Senhor Fullbester?
— Há-hai. É ele mesmo. – Tomei cuidado para não tropeçar enquanto andava. Eu estava perplexo e quase tropecei nos meus pés.
Saí da faculdade completamente estressado graças aquele trabalho que o sacana do Macao resolveu dar para a gente, e decidi passar no parque para me distrair. E então recebi a ligação que eu esperei a semana inteira para receber: O pessoal do meu estágio!
Quero dizer, do estágio que eu pretendo fazer nesse semestre. Fui... Demitido do último graças a alguns problemas, mas nesse eu faria tudo certo. Tomaria os malditos remédios e farei tudo certo, com calma. Por favor Kami-sama... Por favor!
— Sinto muito senhor, mas sua ficha para o estágio foi negada. Caso queira... – A atendente continuou a falar, mas eu parei de escutar. De novo... a mesma ladainha. A moça havia começado a tagarelar sobre outras opções “viáveis para o me caso”, mas eu a interrompi.
— Posso perguntar o porquê? – A essa altura eu já conseguia ver e ouvir a fonte no centro do parque. Tentei ser o mais educado possível, mas já estava difícil. Minhas mãos tremiam de raiva e meu coração começou a acelerar. – Por que minha ficha foi negada?
— Be-bem. Vimos que o senhor tem um extenso histórico de agressividade em trabalho. E dentre outras coisas, seu perfil psicológico não é favorável ao estágio. Sinto muito senhor, mas acho...
— Você acha. – Falei com uma risada sem o mínimo humor. – Mas que MERDA! A culpa não é minha camba!
— Sinto muito senhor, mas esse é o protocolo. Eu só o sigo.
— Tem certeza disso não é?
— Claro que tenho senhor. — A atendente já parecia estar ficando impaciente comigo, mas não me importei. – Agora procure um especialista e cuide de seu problema senhor. Pa...
— Olha aqui! Eu não tenho porra de problema nenhum! Sabe com quem você está falando sua... Alô? Alô!?
Mas era tarde, ela havia desligado. Isso estava errado, ela não podia falar assim comigo! Vou processá-la, vou processar todos! Eu...
E então aconteceu. Sem meu controle, sem eu perceber. Agarrei meu celular com força e o joguei contra a estatueta no centro da fonte. Ele se partiu em dois e caiu na água.
Não... Desgraça!
Escorei-me na beira da fonte. Provavelmente todos ali na praça olhavam para o “louco destruidor de celulares”, mas não me importei com isso no momento. Só queria ir embora agora... Deixei as lágrimas escorrerem livres por meus olhos, fazendo pequenas manchas na minha blusa branca. Me virei, ainda de olhos fechados tentando me acalmar. Respirei algumas vezes e finalmente tive coragem de abri-los.
Pode parecer loucura minha, mas juro que vi uma cabeleira cor-de-rosa correndo na direção da saída do parque.
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