Hot&Cold
3 Capitulo Dois - First Impressions
Notas iniciais
Eu corria pelos corredores da Fairy Glitter. Esse era um dos melhores hospital universitário do pais. Eu já havia perdido a primeira aula e agora a segunda já estava para começar e eu acabaria a perdendo caso não me apresasse. Várias pessoas andavam por ali. Enfermeiros e médicos para todo lado, enfermos sendo levados em macas e sentados na sala de espera, alunos atrasados ou recebendo algum tipo de lição. Nada nunca parava naquele lugar, tudo estava sempre em movimento, tudo sempre apressado.
— Gomen nasai! – Falei arfante ao esbarrar contra alguém que conversava com uma enfermeira. Torci para não ser um paciente e continuei minha corrida até o laboratório 2B. Nem parei na frente da porta para respirar e já fui abrindo, ou melhor escancarando, a porta.
— E então... – O professor parou no meio da fala e olhou para mim. Na verdade todos olharam para mim. Droga...
— Eu... Eer... Go-gomen, eu me atrasei e...
— Apenas sente-se senhor... – Checou a lista em cima de sua mesa. – Dragneel. Natsu Dragneel. – Senti uma ponta de reconhecimento em sua voz, mas a ignorei. Andei o mais rápido que pude e sentei na parte mais vazia da sala.
Os minutos foram passando. Eu tentava prestar atenção naquilo que Macao, o professor, falava, mas estava difícil. Eu sempre deixava minha mente escapar para Layla. Será que ela estava bem? Ela já havia comido? Será que estava com frio? Será que sentia tantas saudades quanto eu...?
— E por fim alunos quero apresentar-lhes a enfermeira chefe da Fairy Glitter: Juvia Lockser. – Uma mulher entrou na sala. Ela tinha cabelos curtos azuis e espetados nas pontas. Usava o típico uniforme das enfermeiras só que o dela tinha uma cor levemente mais escura. Todos nos levantamos e nos curvamos respeitosamente para a enfermeira, e nos sentamos logo depois. – Hoje vocês terão a chance de conhecer mais sobre a cirurgia cardíaca. E Juvia irá guiá-los até a sala de cirurgia e ensiná-los todos os procedimentos. – A menção dessa palavra me fez prestar mais atenção no que Macao dizia. Meu sonho era me tornar um cardiologista.
— Juvia está muito feliz em conhecê-los. Podem levar o aparelho de sua preferência para fazer as anotações. – Ela parecia um pouco nervosa ao falar. E ela não era muito nova para ser a enfermeira-chefe do hospital? Parecia ser pouco mais velha que eu. — Nós...
Nesse momento, um homem alto e com ar de superior adentrou a sala. Ele vestia uma camiseta pólo azul-marinho, uma calça jeans preta e sapatos sociais. Andou até a mesa de Macao e deixou um papel em cima dela;
— Desculpe a demora, sensei. – Foi sua única fala. Sua voz era tão fria quanto seu olhar e sua postura era completamente desleixada. – Sou novo por aqui e acabei me perdendo pelo hospital durante uma converça...
— Está bastante atrasado senhor... – Olhou novamente a lista. Qual o problema desse cara? Estamos no meio do ano! Tá certo que o cara é novo, mas ele ainda sim devia saber nossos nomes! – Gray Fullbester L...
— Só Gray Fullbester, sensei. Somente Fullbester... – Olhou para Juvia. Um olhar que se foi tão rápido quanto veio, mas eu senti a tensão entre eles. Voltei a escorar a cabeça nas mãos e o acompanhei com o olhar do modo mais discreto possível. Gray Fullbester... Não sei por que, mas, ao olhá-lo, senti algo dentro de mim começar a se aflorar...
Raiva. Muita raiva!
Odeio essas pessoas que se sentem superiores as outras, e esse cara exala
“se achassisse” pelos poros! Ele olhou ao redor, provavelmente para achar um lugar para sentar, e nossos olhares se cruzaram sem querer. Ele estalou a língua e mandou um olhar de deboche na minha direção. E eu revidei com um belo dedo do meio que ele não pois foi sentar-se do outro lado da sala, perto da janela.
— Ju-juvia vem... Dentro de alguns minutos chamar os alunos autorizados a ir acompanhar a cirurgia realizada pelo Dr. Nicolas Takahashi. – Juvia, que parecia estranhamente confusa, pediu licença e se retirou da sala.
Com o passar dos minutos eu me pegava a todo o momento observando aquele estranho de cabelos azuis. Qual era a dele!?
***
No fim eu fui um dos autorizados a seguir Juvia até a cirurgia. Entregaram para nós aquelas roupas que pareciam mais pijamas, toucas, máscaras. Tudo para a higiene e segurança de todos. Durante todo esse tempo eu não conseguia esquecer aquele idiota. Quem ele pensa que é!? Ainda bem que ele não veio.
— Certo minna-san... – Juvia passou mais algumas instruções para nós enquanto entrávamos e nos ajeitávamos na sala. Parecia que eu estava entrando em um filme Sci-fi, olhando para toda aquela aparelhagem e bips. – E por fim, podem usar seus tablets aqui dentro, mas nada de filmar ou tirar fotos. O paciente já deve estar... Ah, chegou. – Falou sorrindo enquanto os enfermeiros adentravam a sala com um corpo inerte em uma maca.
A cirurgia ainda levou algum tempo para começar. Os únicos sons audíveis no decorrer daquele tempo eram os bíps das máquinas e as instruções do Dr. Nicolas.
Eu desliguei a minha mente dos problemas lá de fora. Deixei-me concentrar somente na perfeição que era o corpo humano, nas mãos ágeis do cardiologista e na agilidade da equipe. Eu prestava atenção em cada movimento do médico, cortando aqui, empurrando ali e colocando o que tivesse de ser colocado. Tudo com uma delicadeza e uma firmeza incríveis.
E eu fiquei cada vez mais encantado e empolgado ao pensar que daqui a algum tempo eu estaria ali, salvando vidas, mudando vidas, ajudando a humanidade! Eu estava mais que empolgado...
Eu estava pegando fogo!
POVs Narrador
Natsu chegou à mansão por volta das onze da noite. Ele havia ficado quase o dia todo no hospital. Sua sorte era que seu chefe era também avô da sua filha, então ele entendia quando Natsu faltava no estágio.
Ele ainda tinha que estudar. Sentou-se na escrivaninha e encarou sua pilha de livros como se fosse sua pior inimiga. E era nesse momento. Ele começou a ler a fazer anotações, mas depois de uma hora o cansaço venceu o corpo do rosado que acabou por dormir em cima de seus livros.
Alguns minutos mais tarde, uma certa ruiva subia as escadas para o segundo andar. Ao passar em frente ao quarto de Natsu, estranhou o fato das luzes estarem acessas tão tarde da noite. Aproveitando que a porta estava somente encostada Erza a empurrou e já ia xingar seu primo, quando percebeu a situação em que o mesmo se encontrava. Ele babava sobre os livros da faculdade parecendo uma criançinha, o que era muito engraçado aos olhos de Erza.
“Seu idiota” Pensou ela com um leve sorriso nos lábios. Olhou o primo com ternura, foi até a cama dele e pegou sua colcha e seu travesseiro.
— Está frio seu imbecil. – Murmurou ao cobri-lo e colocar o travisseiro sob sua cabeça como pôde. Ela não tinha medo de acordá-lo, afinal aquele idiota tinha um sono de pedra. – Vai adoecer assim.
Virou-se e foi embora, apagando as luzes e fechando a porta com cuidado.
— Layla... – Murmurou o rosado em seu mundo de sonhos, remexendo-se sobre a mesinha e dando um belo e inconsciente sorriso.
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