Hostility
28 When things aren't what they seem
Notas iniciais
Pois é meninas, eu voltei, maior, mais forte mais gorda (fim de ano faz isso com as pessoas) e com capitulo novinho em folha pra vocês.
Vacilei e admito mesmo, já que eu fiquei muito tempo sem postar, mas juro, foi um período difícil que eu não consegui superar completamente. Espero que vocês compreendam.
Li cada review de Vocês mais de uma vez e fico mais do que feliz com o carinho que vocês depositam nessa história e com o apoio que tem me dado, sem ele, nunca conseguiria escrever uma linha sequer.
Agradecimentos especiais a storiesA, que fez a capa linda que vocês estão vendo. Obrigada por ter se compadecido da minha falta de talento em programas de edição. Muito obrigada mesmo flor.
Gostaria de dedicar esse capitulo a quatro meninas incríveis que fizeram lindas recomendações a minha fic: Sulligates, NandinhaW, pqpfran e SamyCherry.
Esse capitulo é para vocês, muito obrigada mesmo pelas recomendações eu nem sei mais como agradecer a isso. Então espero que gostem de ler tanto quanto eu gostei de escrever.
Então, cala a boca Lilith e posta né? Ashuahsuhausha
Enjoy
Acho que não ter atendido telefones não tinha sido uma idéia muito genial no final das contas. Já que minha mãe ligou algumas vezes para o meu celular e para o de Zacky e não obteve respostas.
Imagina uma velha incorporando o Shadows em Second heartbeat? Pois é... Essa era mamãe . Ela não queria saber de nenhuma desculpa, jogou na minha cara que eu era desnaturada, que ficava meses sem ligar para ela ( O que era verdade) e que quando ela ligava, alguma coisa sempre impedia que ela se comunicasse comigo.
Bom... Esculachos maternais a parte, digamos que eu vivi dentro daquele quarto de hotel no meio daquela cidadezinha meu pequeno pedaço do paraíso.
Eu tinha perdido todas as minhas ambições. Só estar com Zacky me importava. De meu namorado ele passou a ser o sol do meu universo. Isso não é saudável. Sem duvida nenhuma. Mas meu sistema solar passou a girar em torno dele.
Acordei ouvindo o barulho do chuveiro ligado, esfreguei os olhos bem devagar e assisti Zacky sair do banheiro enrolado em uma toalha. Sem querer mordi os lábios delicadamente apenas apreciando as pequenas gotas de água que caiam de seu cabelo e deslizavam vagarosamente por seu corpo deixando o ponto onde a toalha se enrolara molhado. Nunca pensei que um corpo pudesse me proporcionar tanto prazer apenas por estar ali, parado. Os desenhos de suas tatuagens, a forma com que seus músculos apareciam levemente desenhados. Tudo nele passou a ser erótico. E isso me entorpecia.
Perdi a conta de quantos minutos eu passei analisando aquela cena. Até que ele pigarreou alto.
- Se você continuar me olhando assim eu vou ser obrigado a não decretar o fim do seu seqüestro. — Seu sorriso era simples e eu apenas balancei a cabeça corando violentamente.
- Desculpe. Eu só estava pensando...
- Então evita pensar assim . – Disse ele se aproximando de mim e beijando meus lábios rapidamente. — Porque você fica muito sexy e me dá uma vontade louca de transar com você de novo.
Taquei um travesseiro em cima dele que reclamou e corri para o banheiro me trancando o mais rápido que pude para tomar banho. [Se eu deixasse aquilo continuar, com toda a certeza nunca mais iria sair daquele quarto . E enquanto a água caia em meu corpo eu me peguei considerando se aquela seria uma idéia tão má assim.
Estávamos sentados a mesa do restaurante do hotel. Zacky praticamente me serviu o tempo todo e enquanto comiamos éramos observados curiosamente pelos membros da mesa. Aparentemente os únicos levemente irritados aquela manhã eram a Arin e Matt. Porém Matt disfarçou bem. Ou pelo menos tentou. Já Arin a todo o momento tinha uma resposta ácida para me dirigir. E não havia sido apenas eu que notara.
- Pode me passar a jarra de suco Arin? – tentei ver se conseguia puxar alguma conversa com ele e ele sorriu levantando a jarra e me entregando.
- Claro que sim, só não me toca porque eu tenho medo de que aura sedutora de Jade Greenwood caia sobre mim e você não precisa de mais um integrante de banda na sua lista certo?
- Ta ficando maluco garoto? – Exclamou Syn enquanto eu segurava o braço de Zacky que contriu todo seu corpo e retesou os punhos.
- Deixa isso pra lá amor...- Disse segurando o punho deZacky que já se contraía.
Meu rosto ardeu de vergonha e eu não conseguia entender por qual motivo Arin estava agindo daquela forma. Eu não esperava uma reação desse tipo vinda logo dele, que era um garoto tão doce com todos na maioria do tempo. Então, antes que eu desabasse na frente de todos me levantei da mesa.
- Se me dão licença,
Levantei da mesa o mais rápido que pude e rumei em direção ao meu quarto. Mas não tão rápido que não pudesse ouvir a voz calma e pacata de Arin tentando se explicar.
- Mas era só brincadeira, não tem motivo pra ninguém ficar chateado...
Quando entrei em meu quarto do hotel parecia que eu nunca havia estado ali. E eu só havia passado duas noites fora. Me sentei na cama e peguei o controle da TV. Fiquei passando os canais e nada parecia interessante o suficiente a ponto que prendesse minha atenção.
O tédio começou somado ao barulho que a chuva (pois é, tinha voltado a chover) me fizeram lentamente fechar os olhos e antes que pudesse me dar conta, estava dormindo.
Abri os olhos assustada com o barulho que as cortinas faziam na parede. A janela estava completamente aberta e o eu sentia que meus pés e mãos estavam mais do que gelados. A chuva era intensa do lado de fora. Levantei com certa dificuldade e quando ia em direção ao banheiro, olhei de relance para a janela. Havia uma coisa escura se movendo pela janela. Algo me dizia que era pra que eu me mantivesse longe, mas quem disse que eu escutava esse tipo de coisas. Fui me aproximando lentamente da janela e quando minha visão enquadrou do que se tratava levei as mãos a boca chocada e meu grito ficou pra sempre preso na garganta. A maior tarântula que eu já havia visto passeava pelo batente da janela como se o vento não a incomodasse.
Dei alguns passos para trás, pronta para correr e buscar ajuda. Não consegui dar mais que dois passos já que senti uma barreira de pele macia e quente atrás de mim. E antes mesmo de saber quem era eu gritei com todas as minhas forças. Mas então seus braços me abraçaram e eu me senti segura. Somente ele poderia causar essa sensação em mim. E então o reconheci e comecei a rir da minha estupidez.. Eu deveria saber. Eu deveria ter reconhecido os sinais. E entradas triunfais faziam bem seu estilo. Sem contar que eu o reconheceria em qualquer lugar.
Virei meu corpo e abracei a sua cintura com força .Ele retribuiu o abraço e depositou um casto beijo no topo de minha cabeça. Meus olhos arderam e eu tive vontade de chorar de felicidade, saudade.
- Achei que você nunca mais viria.
Senti que seu tronco se contraindo e escutei o ronronar de seu riso.
- Não é só porque você não consegue ver que eu não estou aqui.
Me afastei e encarei seus olhos que estavam risonhos e de um azul tão profundo. Exatamente o azul que eu recordava. Jimmy estava mais lindo que nunca sem blusa e pra variar de calça , só que dessa vez de brim, preta. Seu sorriso era brilhante e me passava uma tranqüilidade fora do normal.
Fui sentada na cama como um bebe e Jimmy se agachou a minha frente.
- Pietra meu amor... Por que você precisa tanto colocar os outros a frente de você?
O olhei confusa, não fazia idéia do que ele estava falando. Na maioria do tempo eu era egoísta. Eu só pensava na minha própria dor.
- Eu não entendi Jimmy.- Disse enquanto meus dedos passeavam por seu rosto. Era muito bom tocá-lo e sentir a maciez da textura da sua pele.
- Você se prende tão intensamente as pessoas e cria tanto expectativa com relação a elas e isso inevitavelmente vai fazer com que você se decepcione. Pessoas que acumulam expectativas tendem a se decepcionar com facilidade. Perdi a conta das vezes em que eu me decepcionei. Mas por mais freqüente que isso seja não torna menos doloroso.
- Você fala do Zacky não é?
Seu olhar brilhava na minha direção.
- O jeito que ele agiu com você, nunca vi ele agir assim Pietra. Não confunda obsessão com amor. O amor está mais em relevar e abrir mão de coisas pelo bem do outro do que com ser aprisionado ou exibido por aí. Não é porque ele não te deixa olhar para o lado que faz dele o motivo da sua existência.
- Você acha então que o Zacky não me ama?
- Acho. Mas ele está tão preocupado em manter você por perto e sob as vistas dele que nem ele se deu conta disso. Ele acredita que te ama sim. Só não sente isso. Entre acreditar e sentir existe uma distancia imensa.
Abaixei a cabeça considerando por alguns segundos o que ele me dizia. E tentava contra argumentar de alguma forma. Só que não era capaz disso.
- O gordo não é uma má pessoa. Eu juro. Só é um filho da puta confuso e estranho. Ninguém melhor do que eu pra dizer isso. – Jimmy continuou. — E não adianta avisar nada porque você já está envolvida demais. Então o negócio é remediar. Seja forte Pietra. Não se abale, porque sei que você vai conseguir superar. As coisas vão ser complicadas mas só você vai poder sair delas. Você vai ganhar o maior presente que alguém pode receber e por mais que pareça que você não tem saída você vai ganhar uma força que é capaz de tudo. Até de clarear as situações mais escuras.
Ele sorria convencido como se ele fosse esse presente. E sem perceber eu já chorava. Ele beijou o caminho que minhas lágrimas faziam por meu rosto e se levantou no exato momento alguém bateu a porta.
Eu levantei para atender e Jimmy segurou meu braço fazendo com que eu o encara-se.
- Eu te amo Pietra e meu amor por você não é de hoje. Para pra analisar o porque disso tudo? Nós estamos ligados por coisas muito mais fortes de que a morte por exemplo. – Ele arqueou a sobrancelha e eu ri gostosamente.
As batidas ficaram mais intensas na porta e Jimmy segurou meu rosto e depositou um beijo tão calmo e carinhoso em meus lábios e eu senti que realmente eu conhecia essa sensação. Quase esmurravam a porta e der repente tudo ficou escuro.
- Chris amore... Vamos acordar que você tá babando no travesseiro e agente tem que ir pro ônibus.
Tentei abrir os olhos e não consegui de tão cansada que estava. A voz de Johnny nunca tinha sido tão bem vinda mas eu juro que queria ajudar pra levantar. Depois de alguns minutos abri os olhos lembrando do que tinha acontecido e procurei ensandecida vestígios de que pudesse ter sido verdade. Porém ainda estava claro, não chovia e a janela estava mais que fechada. E eu estava coberta e de camisola.
- Alguém entrou aqui Johnny ? – Era minha ultima esperança.
- Acho que a bicha gorda do seu namorado psicopata veio aqui ver se você estava bem. Mas quando ele chegou você estava apagadona e babando de qualquer jeito na cama.
Eu havia sonhado. Tudo tinha sido um sonho. Mas o triste é que eu senti o toque dele. O cheiro. Foi um sonho real demais. Mas mesmo assim um sonho.
— Se troca que eu vou levar suas malas lá pro ônibus ok? E hoje a noite vai ser nossa. Comprei a quarta temporada de true blood e nada de jubarte pentelhando agente. Você é só minha hoje.
— Adoro ser só sua, senhor Seward...
— achei que você gostava de ser só do senhor Baker.
Zacky estava encostado no batente da porta do meu quarto, arrumado já e com um sorriso no rosto. Mas era nítido que seus olhos não acompanhavam seu sorriso.
— Não posso virar as costas que vem um anão de jardim querendo tomar minha mulher. E quem olha até acredita que você gosta disso.
— Ta errado Zacky . Matt é o ogro, Syn a bicha, Arin a vareta eu o anão e você é o GG.
Eu e Zacky olhamos um pra cara do outro confusos. “GG?”, dissemos ao mesmo tempo.
— Isso... Gordo Gay.
Eu ri da idiotice que havia sido aquilo e minha crise de riso só aumentou quando Zacky avançou pelo quarto atrás de Johnny que pulava na cama e dizia que se ele fosse menos obeso talvez conseguisse alcançá-lo.
Zacky parou de correr e se encostou à cama. Com as mãos pro alto e respiração arfante. Eu comecei a me preocupar e quando Johnny resolveu ver se estava tudo bem com o amigo, Baker o puxou pelos pés fazendo com que Jojo batesse a cabeça no chão. Subiu em cima da cintura e começou a rir vitorioso.
— Agora seu baixinho delicia, vou te mostrar a bicha... Vou te fazer “mulher” gostoso.
— Qual é viado? Me solta... Eu disse que você era Gay. A Chris é fachada pura.
Eu resolvi levantar e ir me arrumar porque aquilo parecia que não ia acabar cedo e da forma que imaginei, quando saí do banheiro eles ainda estavam rolando no chão. E o pior estava por vir quando Syn apareceu na porta do quarto gritando “MONTINHO”, e se jogou em cima dos outros dois.
Como era de se esperar, a zona só acabou com a chegada de Matthew que no melhor estilo “ eu grito pra caralho” Fez todo mundo se comportar novamente.
Estava começando a escurecer quando finalmente deixamos o hotel. Zacky envolvia meus ombros com o braço e me provocava dizendo coisas que não eram legais de serem ditos quando estamos em publico, bem baixo no meu ouvido.
Era bom e confortável namorar Zacky. Era seguro e perfeito. Mas eu deveria pensar um pouco mais em mim também. Se ele tem os amigos dele perto, eu quero ter os meus perto também. Eu tinha esse direito e fui curtir minha noite do DVD com Jojo na sala de TV. Zacky , por incrível que pareça , ficou na cozinha com os outros jogando poker e bebendo. Tudo estava tão certo e tão bom. Por que será que quando agente acha que vai ficar tudo bem, acontece alguma coisa que estraga? Eu acho que nunca vou ter essa resposta mas se eu soubesse naquele dia que os tempos bons são tão efêmeros eu teria aproveitado mais. Tudo estava no lugar, eu estava com aqueles que eu amo, me divertindo. Poderia ter sido sempre assim. Eu não ficaria incomodada.
Fui pegar refrigerante e uma cerveja pra Johnny. Quando saí do corredor e dei de cara com Arin. Ele sorriu e eu retribui da melhor forma que pude tentando esquecer o que havia acontecido mais cedo. Na minha concepção acabou se tornando só uma tentativa de brincadeira infeliz.
Matt estava vindo logo em seguida e o ônibus deu uma freada no exato momento em que nos cruzamos no corredor. Desequilibrei-me e caí por cima das poltronas e minha cabeça ia na certa de encontro a janela quando a mãe de Matt aparou o impacto, mas ele também perdeu o equilíbrio e caiu por cima de mim.
Encaramos-nos por alguns segundos mas rapidamente o momento foi quebrado quando ele se levantou e em seguida extendeu a mão para me ajudar a levantar.
— Será que ele atropelou algum animal? – Ele disse como se não tivesse no mínimo se abalado com nosso contato. Mas sua voz rouca ainda dava arrepios.
— Talvez... Eh... Obrigada por não ter me deixado bater a cabeça. Um galo não estava nos meus planos.
Ele sorriu e eu estava começando a odiar quando ele fazia isso, até porque aquele sorriso me hipnotizava e aquelas covinhas definitivamente eram perfeitas.
— Não precisa agradecer, eu vou estar sempre ali quando você cair. Nem que pra isso, eu tenha que cair junto.
Essas palavras finais ele disse serio. E alguma coisa estalou no meu cérebro, mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele já havia ido.
E isso tudo aconteceu e Zacky nem mesmo apareceu sorrateiramente. Nem parecia que ele estava no ônibus. Mas quando cheguei a cozinha tudo havia sido esclarecido. Syn, olhava desolado para o microondas esquentando um hambúrguer que devia estar nesse lugar a muito tempo e zacky estava terminado de cheirar uma carreira que parecia ser a ultima de uma pequena seqüência. Ele levantou a cabeça fungando e me encarou um pouco assustado. Dei um beijo em sua testa e passei por ele como se nada estivesse acontecendo. Peguei a coca e a cerveja na geladeira, puxei o cabelo do Syn que evitava de me olhar por algum motivo e voltei para a sala de TV.
Pelo menos estava explicado o porquê ele não tinha ido me fiscalizar durante parte da noite. Parecia que aquilo estava se tornando um hábito. E eu sabia que não era um hábito inofensivo. Nem a ele, muito menos a mim.
“Você vai se magoar”, Meu cérebro gritou e eu, sem a menor coragem, rezei pra que ele não viesse atrás de mim. E tentei curtir a noite com meu amigo, que é tão incrível que de cara notou que eu não estava bem. E ao invés de me encher de perguntas, deitou minha cabeça em seu ombro e disse:
— Você só precisa descansar disso tudo. Todos nós precisamos disso de vez enquando.
E ele estava certo. Talvez estivesse na hora de eu voltar a ser alguém normal. O problema, era a droga do contrato.
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