Hostility
4 Take the time just to listen
Notas iniciais
Espero que gostem...
Saímos pelo backstage e Matt não me dirigiu palavra alguma. Isso estava começando a me incomodar. Então fui obrigada a puxar qualquer assunto.
- Hum... Matt, ta frio não é? Você não deveria ter saído sem cami...
- Deveria ter falado isso enquanto estávamos no camarim, eu arranjava um casaco para você. Agora eu não vou voltar. – Ele disse me cortando. Mas não foi o fato dele me cortar no meio de uma frase que me deixou magoada, apesar de ter sido uma puta falta de educação. Foi o tom de voz que ele usou comigo. Tão rude e seco. Tão diferente do que eu imaginei diversas vezes que ele seria. Será que M. Shadows tinha distúrbio bipolar e eu não sabia?
- Mas eu não estava falando sobre isso...
- Não sei se você notou, mas são 3 da manhã, eu estou cansado, fiquei de ressaca acordado enquanto você realizava seu “teenage dream” com o Zacky. Você vai realmente continuar a falar no meu ouvido?
Aquilo me indignou. Para começar a culpa não era minha se ele ficou de ressaca ainda acordado, até entendo que isso seja uma merda. Mas não era motivo para me tratar mal. E quem disse para ele que o Zacky era meu teenage dream? Ele, Matt Shadows, era meu Teenage dream e sinceramente, estava começando a deixar de ser. Eu senti meu rosto arder, é muito triste quando você descobre que alguém que você admira é um completo idiota. Minha vista começou a embaçar , mas eu não ia chorar na frente dele. Como eu ia consegui passar um ano perto desse cara? Respirei fundo e me controlei, apertei o passo e comecei a andar na frente dele.
Logo, avistei o Taylor na porta do clube apertando com força os braços ao redor do corpo. O coitado cheio de frio me esperando e eu me divertindo. Eu essa amiga inútil, esqueci completamente que ele existia, mesmo depois de ter passado horas comigo na fila. Corri ao seu encontro e abracei com força.
- Tay, me desculpa por favor! Eu sou uma idiota...
- Onde você estava Jade? – Ele estava com o nariz e as bochechas muito vermelhas. Era mistura de frio e irritação. Me afastei do Tay, abaixei a cabeça e me preparei para escutar. Hoje parecia o dia ideal para as pessoas descontarem em mim sua ira, mas pelo menos ele tinha motivo — Eu vi você sendo tirada pelo segurança e logo em seguida fui até a o posto médico saber de você, e você não estava lá. Ninguém sabia de você. Fiquei tentado a ligar para sua casa e se você não atendesse agora eu iria fazer isso mesmo...
Taylor estava tão entretido em descontar em mim toda a sua raiva (e ele tinha o direito de fazer isso) que nem notou quem se aproximava de nós dois.
- Boa noite – Matt disse com um sorriso, diga-se de passagem, lindo, no rosto. Nem parecia o ogro de minutos atrás. – Você deve ser o amigo da Jade... Eu sou Shadows.- Disse isso estendendo a mão para que Taylor apertasse.
O coitado ficou tão sem reação que levou alguns segundos para perceber que ele deveria apertar a mão do homem. Um pouco inseguro ainda, conseguiu apertar a mão do outro.
- Bem, sei que realmente você deve ter ficado preocupado, mas quero deixar claro que a culpa não foi da Jade, nós a prendemos lá para acertar uns detalhes...- Como se o Taylor fosse idiota o suficiente para não sentir o cheiro de cachaça que exalava tanto de mim quanto de Matt- Seja como for, ela vai ter a oportunidade de esclarecer isso com você. Sei que vocês estão cansados então vamos para o carro, que eu vou deixá-los em casa. –
Matt caminhou em direção ao carro enquanto eu e Taylor nos encarávamos. A expressão da cara do Taylor era hilária. Uma mistura de “CARALHO O SHADOWS” com “WTF” que eu juro, se eu estivesse de bom humor, teria rido. Segurei no braço de Taylor e seguimos assim para o carro.
Lógico que depois do big coice que eu tinha tomado eu não ia sentar no banco da frente. Recolhi minha insiguinificancia abri a porta traseira e sentei. Sobrou para o Taylor o banco da frente, o qual ele ocupou com prazer. A viagem transcorreu sem nenhum acontecimento significativo. Taylor logo se acostumou com Matt e os dois foram conversando animados até chegar em sua casa. Taylor desceu do carro me mandou um beijo e entrou em casa. E Matt não deu partida no carro.
- Seria muito educado da sua parte se você sentasse agora aqui na frente. – Olha que fofo, quem veio falar de educação comigo. Eu bufei, passei por cima do banco do carona e me sentei. Ele estava fazendo com que eu me sentisse uma criança mal humorada. Eu permaneci calada até que paramos na porta da minha casa. As luzes estavam apagadas, o que era um ótimo sinal. Minha mãe não ia me encher de perguntas. Mesmo com 23 anos, eu ainda morava com ela, e lhe devia explicações.
- Eh... Muito obrigada Shadows.- Tentei abrir a trava mas adivinha ? Ele não desbloqueou...
- Você pode me chamar de Matt, ok? Se eu não me engano, já disse isso para você.- Seu tom de voz tinha mudado, ele estava bem menos agressivo. A história da bipolaridade estava começando a tomar força na minha cabeça.- Olha, eu fui um idiota com você, me desculpa.
Eu fiquei parada esperando a continuação. Pelo menos assumiu que foi um idiota. Grande progresso senhor Sanders.
- Você não merecia ter ouvido aquilo. E eu não tenho nada a ver nem com a sua vida. Se você e o Zacky estavam conversando ou sei lá...
- Pera aí, mas não aconteceu nada.- Ele deu um sorriso tão sarcástico que meu deu ódio.
- Se seu celular não tivesse tocado tudo indicava que teria acontecido. A propósito, gostei da música. — Senti que essa foi a deixa para mudar de assunto, o que foi ótimo, meu rosto já estava quase roxo, porque vermelho não expressava mais a minha vergonha.
- Sou fã de vocês esqueceu? – Eu disse sorrindo, e rezando para o meu rosto estar parecendo menos envergonhado.
- Mas Bat Country? Pensei que toques telefônicos de meninas fossem mais calmos... Sei lá Gunsliger ou Dear God.
- Você está insinuando que suas fãs só gostam das baladas? Foi isso que eu entendi?- Ele gargalhou. E todos os pelos do meu corpo conseguiram ficar arrepiados. O som da gargalhada de Matt era lindo, melodioso.
- Longe de mim dizer algo como isso. Nossos fãs gostam da nossa música. E isso é tudo que eu afirmo. – Quase suspirei, ainda bem que deu tempo de segurar. Ficamos alguns segundos nos encarando em silencio. Isso começou a ficar incomodo então resolvi aliviar o clima.
- Me diverti muito com vocês hoje, obrigada. – Engraçado como as coisas são, só depois que eu disse isso, que percebi que parecia que estava me despedindo de um encontro.
- Também me diverti. E o lance que eu falei da ressaca é verdade mesmo, é muito ruim ficar de ressaca acordado, mas isso não é desculpa para tratar você daquele jeito.
-É... Eu sei. Vamos fingir que isso não aconteceu certo? Assim eu não fico chatiada nem você precisa pedir desculpas.- Eu não queria sair dali. O sorriso dele me prendia dentro do carro. O silencio começou a se tornar incomodo novamente. Então tive que quebrá-lo.- Eu tenho que ir... – Ele destravou a porta e se inclinou em minha direção. Um pouco sem jeito e pouso os lábios em minha testa.
- Boa noite Baby Doll- E quando eu saí do carro ele gritou. – Descanse bem e aproveita a sua casa, porque amanhã alguém vem te buscar. Ah... e não se empolga muito, eu mesmo vou cuidar para que não seja o Zacky.- Eu preferi não revidar , só fui até a porta da minha casa e entrei. Só então escutei o carro dando partida e indo embora.
POV’ S Matt
“Caralho!!! O que está acontecendo comigo? Que coisa mais idiota foi aquilo que eu falei para a garota? E em pensar que eu não a conheço a mais de 6 horas... Mas também. Por que ela estava daquele jeito logo com o pedaço de tocinho do Zacky? Eu sei que as garotas até gostam dele e tal, mas achei que a unanimidade fosse o Synyster. A... Mas aquela bola de banha vai ter o que merece. Eu não posso deixar que ele estrague o péssimo nome que nossa banda já tem porque ta passando pela puberdade pela nona vez. Eu vi que foi ele que chegou em cima da menina.Igual a um desesperado. Mas ela também podia ter se controlado um pouquinho mais. Cair nas cantadas do Baker é ser burrinha demais. E ela nem é tão bonita assim. Ela tem um rosto comum, olhos castanhos e cabelo vermelho. Acho que é o cabelo vermelho que deve chamar atenção. Ou devem ser os olhos mesmo. São tão intensos. O olhar dela queima. E o corpo dela. O Zacky passou a noite medindo ela de cima a baixo. O corpo dela é comum. Nós já pegamos mulheres muito mais gostosas e com muito mais silicone, com certeza. Deve ser porque o seios delas não são exagerados. Devem ser bons de pegar e com certeza se encaixariam perfeitamente em uma boca. Uma boca qualquer. E ela deve ser sexy também... Quando ela joga os cabelos, eles caiem em forma de cascata pelas suas costas e ela toda hora umedece os lábios com a ponta da língua. Isso mexe sim com a imaginação de um homem,ainda mais quando esse gesto é tão inocente. A culpa já está saindo um pouco das costas do gordo. É difícil resistir a certas coisas. Mas eu não tenho nada a ver com isso. E mesmo não tendo, eu vou falar com ele.”
Eu estava tão perdido em meus pensamentos que nem reparei que estava na porta da casa do Zacky. O bom de fazer shows na Califórnia era esse. Por ser minha terra, eu não precisava prestar atenção, eu chegaria onde eu quisesse. Até de olho fechado.
Sai do carro e entrei na casa do gordo. Com certeza ele já estava ali... O tênis dele estava jogado no chão da sala. Subi as escadas em direção a seu quarto e quando abri a porta, tive a visão deprimente de um Zacky bêbado, dormindo de bruços com o lençol cobrindo apenas da sua cintura para baixo deixando as costas do nosso querido leitão nuas. Infelizmente nesses momentos agente só pensa em uma coisa. Montinho. Me joguei com tudo em cima do porpeta.
- Seu viado. Acorda!!!!!
Transtornado, o coitado tentava me empurrar como se ele fosse conseguir. Eu fiquei com pena e sai de cima dele, o empurrei pro lado e sentei na cama.
- Precisava falar com você.
- E não podia esperar até amanhã Shadows...- Disse se sentando com dificuldade e encostando na cabeceira da cama.
- Não podia não. E você não dorme a essa hora. Nem são 5 da manhã ainda.
- Eu bem que poderia estar acordado a essa hora se não fosse o maldito celular da Jade ter tocado. Ai você saiu de lá arrastando a garota...
- Era exatamente isso que eu quero falar.
- VOCÊ FICOU COM ELA?! – Ele gritou e eu comecei a rir. A reação dele foi tão espontânea que eu não me segurei. Peguei uma blusa no chão e entreguei a ele.
- Coloca isso, eu não preciso assistir suas banhas balançando para mim. – Ele colocou a blusa me encarando ainda com uma expressão que denotava que nós éramos crianças em uma caixa de areia e eu tinha roubado o seu baldinho.- Para de fazer bico pra mim eu hein... Como se nós já não tivéssemos saído com a mesma mulher antes. Para de palhaçada.
- Mas ela é... É nossa fã .- Eu sei que eu não deveria, mas eu tive que render o assunto. Era engraçado.
- Grandes coisas. Agente nunca pegou fã nenhuma, não é mesmo. Quem olhar você assim, transtornado até acredita nisso. E você não estava nem preocupado com isso, dentro do camarim...
- Eu não estava pensando direito, só isso.
- Então começa a pensar de agora palhaço. Eu não fiquei com ela não, só a deixei em casa.- Ele me encarou avaliando se deveria acreditar ou não em mim e eu prossegui. – Olha Zacky, não tenho nada com sua vida e menos ainda com a dela. Mas para pra pensar cara. Ela não é mais uma que hoje você vai comer e nunca mais ver. Ela vai passar um ano com agente cara. E falando sobre nosso Dia a dia para outros fãs. Você não acha que se ela estiver magoada ela não vai expor isso? Nós não a conhecemos cara... Só vai com calma.
Ele me olhou por alguns minutos pensativo. Meneou com a cabeça e logo a sacudia afirmativamente.
- Você ta certo cara. Eu não poderia ter agido assim. Mas não sei se isso aconteceu com você, mas ela passa aquela sensação... Sabe do que estou falando. – Balancei a cabeça negando e ele abriu um largo sorriso.- A sensação de que a conheço a minha vida inteira.
Eu só arranquei o travesseiro das costas dele e taquei com força na cara dele.
- Que papo mais gay Zacky! Eu sempre te achei estranho, mas agora... – Levantei rindo e ele abraçou o travesseiro deitando novamente e murmurando um “ Que se foda” Antes de fechar os olhos e me ignorar. O Zacky era muito bom nisso. Ele se fechava no próprio mundo e ignorava tudo o que incomodasse ao redor.
— Boa noite para você também Baker! – E dizendo isso deixei o quarto de Zacky. No carro eu forçava pensar em coisas como a nossa agenda de shows. Meus problemas mal resolvidos com Valary, que ainda não aceitava muito bem nosso divórcio, na banda de novo. Mas a todo o momento surgia o sorriso, o olhar e nome de Jade na minha cabeça. Eu não queria admitir mas era verdade o que o Zacky tinha dito. A Jade passava mesmo essa sensação de que fosse alguém que eu conhecia a séculos. Era estranho e eu não queria aceitar isso. Como também não queria aceitar que eu estava me lixando com imagem de banda naquele momento. O que me irritou de verdade era o Zacky estar em um lugar que deveria ser meu. Pelo menos eu achava que deveria ser eu ali, imprensando ela contra o frigobar. Finalmente admiti. O que tanto me incomodou foi a inveja que eu senti. Eu a desejava. Mas eu iria ignorar esse desejo. Pelo menos por enquanto...
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