Notas iniciais
Por onde eu começo?
A sim... Vou começar agradecendo a Wanessa Nessye pela linda recomendação. Muito obrigada mesmo linda.
Bom, esse capitulo foi betado todinho por minha priminha linhda do coração. Muito obrigada pela paviência Fernanda.
Hoje não estou muito animada com as notas iniciais. Meu período de luto pelo Nyah já começou. Porque eu tenho total consciência de que fechando essa categoria, é provavél que eu não apareça por aqui.
Eu pensei até em transformar Hostility em original.Pensei de verdade em reescrever todos os capitulos dentro dos critéiros estabelicidos pelo site.
Mas eu não posso fazer isso. Hostility são meus sonhos insanos com os homens que eu mais amo nesse mundo. Eu me dediquei a essa história por um ano e quatro meses. É uma homenagem deturpada? Talvez. Mas não deixa de ser.
Quantas vezes nós não nos colocamos no lugar de personagens que encontramos aqui? Em quantas loucuras nos envolvemos fantasiando com nossos idolos justamente por conta das escritoras dessa categoria.
Agora vamos perder tudo isso? Sim... Mas eu pretendo terminar Hostility da forma que ela começou.
Portanto preciso de vocês mais do que nunca agora. Preciso de todo o incentivo possivel, seja criticas, elogios, puxões de orelha. Tudo o que vocês puderem me dar.
As atualizações vão acontecer mais frequentemente e eu prometo que assim, você terão o final de Hostility.
Obrigada por tudo....Tudo mesmo.
Wanessa... Dedico esse capitulo a você. Obrigada linda.
Enjoy

Sexta — Feira. O dia que contaríamos toda a verdade sobre Matt a Jimmy.

Tendo em vista que domingo, o dia do almoço na casa dos Sanders se aproximava rapidamente, não víamos outra saída que não fosse contar de uma vez.

Matt me pediu para passar todo o dia com o filho. Teriam um “Dia de Homens”, o que me fez rir um pouco pela forma que ele estufou o peito e disse. Mas Jimmy pareceu adorar a idéia e sem pestanejar colocou uma muda de roupas em sua mochila e desceu as escadas na direção do pai como um foguete. Engraçado eu não ter me sentido insegura e deixá-los sozinhos. Matt me inspirava confiança e eu acreditava que ele se sairia bem.

Quando eu estou sozinha, o que eu faço? Ligo para o Syn. E em cinco minutos minha casa estava cheia de homens, pois junto com meu melhor amigo vieram Johnny e Zacky. O ultimo parecia levemente desapontado pelo fato de James não estar em casa.

– Poxa, queria mostrar ao garoto umas coisinhas novas que ele vai gostar de tocar.

– Quem ensina alguma coisa pro Jimmy aqui sou eu rapaz, presta a atenção. Já não basta pra você eu ter que dividir ele com o ogro?

Comecei a rir enquanto Johnny dava um tapa na cabeça de Syn, que acabava de se esparramar no sofá.

– Criamos os filhos para o mundo, palhaço. – o mais baixo colocou os dois pés sobre a mesa de centro, renconstando sua cabeça em meu ombro assim que me sentei em seu lado. – Fora que você curtiu ele sozinho tempo demais Brian, nossa vez. Todo mundo sabe que o filho da Jade é cadinho...

– Como? – Perguntei, o encarando confusa.

– Cadinho de cada um aqui. –Riu da própria piada e foi sua vez de tomar um tapa duplo de Brian e Zacky ao mesmo tempo.

– Curti tempo demais o meu ovo, seu viado. – Brian bufou já pegando o controle e ligando a TV.

Momentos bons como aquele passam rápido. Ri muito durante todo o dia, os meninos pareciam crianças, pois brincavam como se fossem. Porém, comiam como gente grande. Havia me esquecido que alimenta-los de uma só vez era complicado. Mas acho que me saí bem. Quando entardeceu, Brian e Johnny tiveram que ir embora. Parece que iriam ao um encontro duplo – e bem brega de acordo com Syn — levando suas garotas.

E então pela primeira vez em anos, fiquei sozinha com Zachary Baker.

Alguns segundos de silêncio constrangedores se seguiram após a saída dos outros. Nos encarávamos com sorrisos amarelos de tempos em tempos. O que era de se estranhar tendo em vista que nos demos tão bem durante todo o tempo em que estiveram ali. E então o tão insuportável silêncio foi quebrado.

– Jade, não precisamos ficar assim como se fossemos estranhos. Podemos conversar.

Eu sorri um pouco incomodada e fechei os olhos balançando a cabeça.

– Você tem razão, que imbecilidade agir como se não tivéssemos intimidade.

– Ah... Isso a gente tem de sobra. Eu de olhos fechados posso desenhar um mapa do seu cor...

– Baker! – Falei exasperada. – Não ouse completar essa frase. Pelo amor...

Sua gargalhada me interrompeu e eu fui obrigada a acompanhar, apesar de sentir meu rosto ardendo de vergonha.

– Você continua linda quando fica corada. – Apenas o encarei meneando um pouco a cabeça e ele continuou. – Como estão as coisas? Eu digo... Com relação a você e Matt?

Aquela pergunta me pegou um pouco de surpresa, não a esperava vindo dele. Fiquei alguns minutos com a boca aberta o encarando, balbuciando palavras que não se completavam nunca. Enquanto isso, seu sorriso se alargou e seus olhos verdes faiscaram em minha direção.

– Ah... Eu e Matt... Não... Ele parece estar feliz com o Jimmy.

– Jade, você entendeu o que eu quis dizer, não se faça de idiota. Eu fico tão irritado quando você faz isso.

Ordenei os pensamentos.

– Ele não quer saber de mim, Zacky. Evita ao máximo estar sozinho comigo e talvez assim seja melhor. Hoje em dia eu tenho outras prioridades, que não são relacionamentos.

– Brian conversou comigo. – Ele ficou sério e pousou suas mãos em suas pernas. — Disse que sabe que durante todos esses anos você nunca o esqueceu.

Que vontade de matar o Syn depois disso. Como se lesse minha mente ele continuou.

– Não precisa ficar com raiva dele. Só estamos preocupados com você.

– Como assim preocupados?

– Você não pode vestir uma armadura de “Estou bem, nada me atinge, não sinto nada” quando na verdade você está em pedaços. Eu disse no dia em que nos reencontramos e digo hoje de novo. Você não está sozinha. Nós estamos aqui com você para o que precisar. – Ele segurou minhas mãos e as apertou com delicadeza. – Eu vou estar aqui.

– Eu não quero ser a tia mal amada dos filhos de vocês, Zee. Não quero ser um estorvo...

– Deixa de ser idiota garota. – Riu soltando minhas mãos e beliscando com carinho minha bochecha.- Você tem filho, não fica mais pra titia.- Riu da sua própria piada enquanto eu revirava os olhos- É serio Jade. Nada vai faltar pra você nem ao Jimmy, seja financeiramente... Emocionalmente... – Sua mão pousou em minhas maçãs e elas eram tão quentes que eu quase me deixei levar por seu toque. Mas fui desperta pela razão e por uma vozinha insistente que sempre me lembrava de que Zacky era puro perigo.

– E Gena?

Foi automático. A menção do nome de sua esposa o fez me soltar quase como se o queimasse. Ele pousou as mãos em suas coxas e as esfregava compulsivamente pela extensão coberta por sua calça jeans. Ele parecia bem tenso com minha pergunta.

– Diz a verdade, como sobre se sente em relação a Matt.

– O quê?

– Você me ouviu Jade. Diz o que você está sentindo que eu digo como estou me sentindo. É assim que amigos fazem. Os problemas geralmente parecem menores se temos alguém com quem conversar.

Sorri e ele sorriu para mim. Gostei de ouvir dele a palavra “amigos” já que nunca ele havia se referido a mim dessa forma, e enfim tomei coragem e coloquei em palavras o que escondi de todos e o que tentei esconder de mim mesma durante tanto tempo.

– Ah... Frustrante com certeza é a palavra, Zee. Eu não agüento estar no mesmo lugar que ele sem que ele encoste em mim. Na verdade ele evita que isso aconteça. E sabe como foi difícil passar esses anos olhando o Jimmy o que é praticamente olhar pro Matt? Eu tentei esquecer, mas não da, agora vou ter uma convivência grande com o homem que eu amo e que não me vê mais com amor, nem carinho... Por mais humilhante que seja, se pelo menos ele me desejasse, já estava bom... Mas nem isso. Eu vou enlouquecer.

Zacky arregalou os olhos me encarando atônito. Talvez ele não esperasse tanta sinceridade assim. Então ele sorriu e envolveu seus braços ao redor dos meus ombros, forçando que eu deitasse a cabeça em seu peito. Só então percebi que tremia. Era um assunto realmente delicado expor meus sentimentos dessa forma. Mas havia feito. Senti que me acalmava aos poucos conforme ele acariciava lentamente minhas costas. Só quando percebeu que eu havia me acalmado começou a falar.

– Minha vez... – Pigarreou limpando a garganta e me afastou um pouco de seus braços para que eu o encarasse. – Meu casamento é uma merda. Nem sei o que eu faço dividindo o mesmo teto com aquela mulher. Tudo é uma grande mentira e sempre foi. Não sei a quem queria enganar quando aceitei a loucura de casar. Enfim, está fadado ao fim tendo em vista que eu conheci certa menina. A irmã mais nova dos Barry, digo, meia irmã dos Barry e que sinceramente, me lembra um pouco você de alguma forma. E putz... Ainda morro de tesão em você.

Ta... Isso foi o suficiente para me fazer afastar dele quase em um pulo, o que o fez gargalhar da minha cara de assustada.

– Calma, não vou te estuprar nem nada. Só estou sendo sincero.

– Mas isso assusta Zee. – Sentei no braço do sofá mantendo uma distância segura. – Sinto muito que seu casamento não seja o que você esperava que fosse. Sinto de verdade. E espero que consiga resolver...

– Não precisa se assustar Jade. É normal que eu ainda sinta tesão por você.- Ele havia ignorado tudo o que eu havia dito ou era uma mera impressão? – Você é linda e não da para simplesmente fingir que nunca aconteceu nada entre a gente. Sei que nunca daríamos certo. Eu acredito que nem antes e nem agora. Mas reações físicas não são muito controláveis. E eu amo você apesar de todo esse tempo e de tudo...

– Mas Zacky...

– Espera, eu ainda não terminei. – Ele me cortou rindo, ajeitei-me no braço do sofá para tentar me sentir confortável em uma situação que não me deixava confortável, simples assim. – Eu sou um poço de confusão, Jade. Eu sinto por você coisas complicadas que eu não sei identificar, na verdade só identifico a vontade louca que eu tenho de transar com você aqui nesse sofá mesmo. Mas sei que Matt consegue entender muito bem o que ele sente por você. Ele ficou maluco durante esses anos. Ele merece você. Não colocaria a perder tudo como eu faria se te jogasse agora nesse chão e fizesse o que eu tenho vontade.

Você teria reação? Porque eu não consegui ter nenhuma. Ele claramente estava dizendo que queria me comer, mas só não faria isso porque estragaria alguma coisa. Ele não havia cogitado a possibilidade de que talvez eu não quisesse dar pra ele? ‘Ta... A quem eu quero enganar? Aquele era Zacky Baker e eu sabia que ele conhecia o suficiente de mim para saber que por mais horrorizada que eu ficasse no fim cederia... Não. Não cederia. Zacky conheceu a Jade deslumbrada. Tanto com a vida como pelo fato de ter sexo com um de seus ídolos da adolescência. Ele conheceu a Jade infantil e sem nenhuma noção do que era um relacionamento de verdade. Aquela com certeza cairia em seus encantos. Eu era diferente agora, me sentia diferente. Tinha outras responsabilidades e não era mais dada a loucuras púberes. Ele não me conhecia mais.

– Eu não sei o que dizer...

A risada de Zacky era deliciosa. Eu havia esquecido o quanto eu adorava aquela risada. Os anos haviam passado, mas minha mente não conseguia aceitar isso. Era tudo como quando os conheci. A aparência, as brincadeiras, as manias. Nada tinha mudado para mim. Nada a não ser eu.

– Não precisa dizer nada. Eu sei que é uma confusão, mas uma hora melhora. Aprendi a ser positivo depois que casei com a Gena.

– Por que não se separa? Se não da mais certo, não tenta forçar.

Ele considerou por alguns segundos.

– Porque eu sou um idiota. Mas talvez esse dia esteja um pouco mais perto, agora.- Se aproximou de mim e me deu um beijo demorado em minha testa. – Vou indo Jade. Não seria legal se logo nos dois estivéssemos sozinhos aqui quando Matt chegar.

Concordei com a cabeça e me levantei caminhando em direção à porta.

Já do lado de fora da casa, Zacky acenou com a cabeça e se virou. Mas por algum motivo ele resolveu voltar e aproximar seu rosto do meu. Encostou seu lábio delicadamente no canto de minha boca e os malditos arrepios involuntários vieram. Pousou ali um beijo demorado e casto. Não ousei me mover. Tive medo de que se me movesse ele acreditasse que eu queria aquilo. E só Deus sabe como tudo o que eu não precisava naquele momento era que Matt me pegasse em uma situação embaraçosa como essa, ainda mais com Zacky.

– Seu cheiro ainda é maravilhoso para mim. – Sussurrou ainda com os lábios encostados em minha pele.- Pena que eu não possa...

E dizendo isso se afastou e caminhou em direção ao seu carro. Fiquei parada ainda alguns minutos o vendo ligar a ignição e dando partida para ir embora. Apenas consegui me mover novamente quando seu carro dobrava a esquina.

Antes que eu fechasse a porta ouvi o barulho de uma freada brusca, e o vulto de um carro se fez perceptível deixando minha rua. Não dei importância e fechei a porta esperando que meu filhote chegasse, para enfim ter que encarar um momento bem delicado de nossas vidas.

Antes eu tivesse dado importância a aquele carro estranho.

Pov’s Matt

Longo dia... Mas não tão longo quanto deveria ter sido.

Jimmy, sem duvida nenhuma era uma criança, e ouso dizer sem medo de errar que ele era o ser humano mais incrível que existia na face da terra. Coisa de pai babão? Talvez sim. Mas era inevitável não se divertir com aquele menino. Era inteligente, engraçado, muito esperto, dinâmico e bonito. Quanto a beleza... Bom, teve a quem puxar certo?

Jogamos basquete no parque, comemos todas as porcarias que quisemos e passamos a tarde em minha casa jogando vídeo game. Tudo o que eu podia, perguntava a ele. Sobre como era sua vida, seus amiguinhos na escola. Sua mãe...

Como eu suspeitava, ele tinha adoração pela mãe, pelo Taylor e por Syn. Normal mesmo, tendo em vista que essa fora a sua família durante sua curta vida. Eu queria só fazer parte disso também.

Ele amava música. Praticamente enlouqueceu quando o levei no porão para conhecer meu estúdio particular. Também pudera. Meu filho foi criado por Brian. Não é a toa que o menino olhava admirado tudo ao seu redor e me surpreendeu por conhecer alguns dos equipamentos ao seu alcance.

Tentei ao máximo não imaginar uma vida ao lado dele e de Jade. Separei por algumas horas os dois em compartimentos específicos de minha mente. Eu poderia fazer isso. Com toda certeza eu poderia ser o pai que ele precisaria e Jade... Jade seria uma agridoce lembrança de minha vida. Usar o termo tentar com toda certeza veio muito a calhar, afinal. Porque foi só olha-la na porta de casa, pronta para nos receber que meu cérebro automaticamente juntou todos os compartimentos. Não existiria Jimmy sem Matt e Jade. Isso era um fato.

Desliguei o motor do carro e retirei meus óculos escuros. Jimmy já abria a porta e corria de encontro aos braços da mãe que o esperava com um sorriso no rosto.

– Mãe... A casa do grandão é muito maneira. Tem videogame abessa. A senhora tem que ir lá. Eu quero voltar. Eu posso né?

– Sempre que quiser.

Não pude conter o sorriso com olhar preocupado que Jade me lançou. Talvez ela não estivesse pronta para que Jimmy passasse mais vezes fora de casa comigo.

– Entendi que o senhor ficou bem impressionado Jimmy, mas agora é hora de entrar...

– Tio Matt pode ficar?- Jimmy perguntou com seus olhinhos verdes brilhando em direção a mãe.

– Mas é claro, Jimmy. – Jade o colocou no chão e logo ele correu escada acima para deixar sua mochila no quarto. Então ela se voltou para mim. – Como foi o dia? Espero que ele não tenha dado muito trabalho.

– Imagina... Ele é menino incrível. Foi um dos melhores dias da minha vida.

Ao entrar em casa senti o cheiro maravilhoso que vinha da cozinha. Parecia com um assado e não pude deixar de divagar com a ficção linda que seria isso em minha casa. Eu chegando cansado e minha Baby Doll vindo me receber na porta. Nosso menino correndo por todos os cantos daquela casa que é grande demais para mim. Mas que para nós três seria perfeita. Abanei a cabeça tentando afastar esses pensamentos. Eu precisava encarar a realidade.

Jade se sentou ao meu lado e ouvimos os passinhos leves de Jimmy descendo a escada.

– Pronto? Tem certeza que quer que seja hoje... Podemos dar um jeito...

Sorri a aproximei minhas mãos de seu rosto fazendo com que ela me encarasse. Ela parecia nervosa demais e por mais que eu também estivesse, eu queria passar a confiança que ela precisava para o passo que iríamos tomar.

– Vai dar tudo certo, Baby Doll.

Seu corpo se relaxou e Jimmy se jogou em seu colo.

– Que é o jantar, mãe? To com fome...

– O jantar é carne assada do jeito que você gosta amor. Mas antes precisamos conversar.

Percebendo a seriedade no tom de voz da mãe, Jimmy se sentou entre nós dois e nos encarou.

– Eu fiz alguma besteira? – perguntou assustado arregalando os olhos e mordendo seu lábio inferior, se mostrando apreensivo. Vi Jade pela primeira vez ali naquele menininho que tinha tanto de mim.

– Não Jimmy, você não fez nada de errado. Muito pelo contrário...

– Isso mesmo. – Jade prosseguiu aproveitando que hesitei. – Por ter sido um bom menino durante todo esse tempo ganhou o direito a um presente.

– Que tipo de presente mamãe? É de brincar? – Perguntou brincando com os dedos da mão.

– Você ganhou um vale segredo. – Ele nos encarou confuso. – Bom... A Mamãe sempre te disse que você era um garotinho muito especial, não é mesmo?– Ele balançou a cabeça afirmando- E você é especial porque tem muitas pessoas que te amam. O Tio Tay, o tio Syn, a mamãe...

– A senhora ta me enrolando? – Perguntou fechando um dos olhos e nos encarando com uma expressão de curiosidade.

– Bom... Eu não estou te enrolando...

– Você gosta de mim, Jimmy? – Cortei Jade porque sim, ela estava enrolando.

Ele me encarou e balançou a cabeça afirmando. – Gosto muito de você grandão. A gente brinca, come besteira o dia todo...

Jade me olhou reprovando a ultima frase de Jimmy e eu encolhi os ombros envergonhado. Ela parecia não ter gostado muito de saber que nosso filho passou o dia comendo porcaria. Mas logo ela sorriu e revirou os olhos.

– Você ainda gostaria de mim se soubesse que eu e sua mãe nos amamos muito uma vez. Tanto que decidimos que precisávamos de você para completar esse amor. Então nós encomendamos você. Mas eu tive que ir...

– Encomendar Matt? – Jade disse divertida, se contendo para não gargalhar da minha expressão.

– O que eu quero dizer Jimmy...

– Você é meu pai. – O menino disse na maior naturalidade do mundo, como se fosse óbvio. E sim, era. Mas nunca me passaria pela cabeça que ele também achava isso. Ele tão pequeno teria ouvido algo em algum lugar? Como ele poderia afirmar com tanta certeza assim?

Jade e eu nos encaramos estupefatos e eu não conseguia mais raciocinar. Então ela tomou a frente.

– Sei que pode parecer estranho meu amor, e você deve estar confuso agora, mas quando você crescer...

– Ah mãe, para com isso de quando eu crescer. Já sou maior que quase todos os garotos lá da turma. Já sou grande. Já entendi. Eu tenho mãe e pai, e agora mais ninguém na escola vai poder falar nada de mim.

– Mas como você soube? – Perguntei depois do choque inicial das palavras do menino.

– Ninguém aqui em casa tem buraquinho no rosto. Só você. E o tio Syn vive dizendo que eu sou a cara do meu pai. Eu não sou burro. Já falei que eu sou inteligente. Por que ninguém acredita em mim?

Eu ri e Jade o abraçou de lado com força. Parecia que o fato dele ter descoberto que eu era o seu pai não havia mudado muita coisa. Eu já achava que ele não teria um carinho especifico a me dispensar por conta desse titulo. Mas estava pensando errado.

Depois do jantar, nos sentamos no sofá para ver televisão. Jade levou Jimmy para se trocar e escovar os dentes, e em seguida ele deitou sua cabeça em seu colo. Ele parecia sonolento.

– Já passou do horário de certa criança dormir. – Jade sorriu enquanto tentava despertar Jimmy.

– Não passou não. – O protesto chegava a ser engraçado tendo em vista que a cabeça dele pendia molenga de tão cansado que estava.

– Passou sim mocinho. – Ela se levantou, mas ele foi mais rápido.

Com um pulo ele já estava de pé na minha frente e me puxava pela mão.

– Me leva para dormir, papai?

O papai me pegou de surpresa, mas um sorriso que parecia que nunca iria abandonar meu rosto surgiu. Meu coração acelerou e prontamente eu o peguei no colo e deitei sua cabeça em meu ombro.

– Claro meu amor. – Jade assentiu que eu subisse com o menino no colo que parecia bem confortável em estar em meus braços, acomodando a cabeça em meu ombro. Chegamos em seu quarto e com a luz apagada mesmo, afastei as cobertas de sua cama e o deitei gentilmente o vendo se espreguiçar com um sorriso no rosto. — Pronto garotão.

– Você vai se mudar quando? — Perguntou inocentemente.

– Eu? Me mudar? Para onde Jimmy?

– Ué... para cá. Você tem que ficar comigo e com a mamãe. Tem que cuidar da gente agora.

Aquelas palavras com toda a certeza fizeram uma dor repentina vir à tona no meu peito. Ele não estava errado. Nós éramos uma família por mais estranha que fosse. E o dever do pai é cuidar da mãe e dos filhos. Foi assim que eu aprendi e era assim que queria que James aprendesse também. São atitudes responsáveis como essa que separam os meninos dos homens. Mas na nossa situação, as coisas eram mais difíceis.

– Isso é um pouco complicado. Sua mãe ficou brava com o papai muito tempo. Não sei se ela iria querer que eu viesse morar aqui.

– Claro que ia. Minha mãe fica brava por pouquinho tempo. É só fazer uma gracinha que ela rir. Pode perguntar pro tio Tay ou até pro tio Syn. É só você fazer uma gracinha.

– Mas eu não tenho idéia do que fazer, Jimmy. — Era oficial. Eu era um idiota que estava recebendo conselhos amorosos do filho de 5 anos.

– Leva ela para jantar. — Disse se sentando na cama como se isso fosse a coisa mais banal do mundo. — Ouvi o tio Tay falando pro tio Syn que levar as meninas para jantar era o primeiro passo para entrar no quarto delas. E depois que você levar a minha mãe para jantar, vai poder entrar no quarto dela e dormi lá. Que nem os pais dos meus amigos fazem.

Tá legal, meu filho estava me ensinando como levar mulheres para cama. E eu fiquei assustado. Muito assustado mesmo.

– Jimmy, você sabe por acaso o que um homem e uma mulher fazem dentro do quarto? — Talvez essa conversa estivesse um pouco madura demais para ele. Mas eu precisava me certificar.

– Dormem oras. Foi o que o tio Tay falou, pro homem dormir no quarto da mulher. O que mais a gente faz no quarto, pai? Eu hein...

Eu ri de sua afirmação. Era tão óbvio e inocente. Que ele permanecesse assim, mas eu pediria a Taylor e Brian que maneirasem nas conversas sobre sexo quando Jimmy tivesse prestando atenção. Algo me dizia que ele sabia bem mais do que aparentava e isso com certeza não era saudável.

James se deitou no travesseiro fechando os olinhos. Beijei demoradamente sua testa.

– Te amo e boa noite garotão.

– Também te amo papai. Que bom que você está aqui.

Eu iria com certeza parecer a maior bicha chorona de todas se eu ficasse mais cinco segundos naquele quarto. Nem podia acreditar que ele havia aceitado. Que tudo estava bem e que finalmente teria um pouco de paz. Sobre a Jade? Bom... Eu preferi deixar que o tempo agisse sobre nós dois. Que ele nos dissesse que caminhos seguir. Se fosse para ser, ficaríamos juntos.

Fechei a porta do quarto de Jimmy cuidadosamente quando me certifiquei de que ele já dormia.



[ ... ]



Abri os olhos lentamente. O barulho de batidas ritimadas eram constantes. Eu virei para o lado e minha mão encontrou uma pele suave e morna. Apertei a região tendo certeza de quem era ao meu lado. Ela sempre esteve ali.

Os olhos de Jade se abriram lentamente me encarando.

– O que foi meu amor?

– Esse barulho não me deixa dormir.

Ela sorriu docilmente e levantou a cabeça selando seus lábios nos meus. Era tão novo e tão familiar ao mesmo tempo. Que fiquei perdido devaneado apenas no simples roçar de nossos lábios.

– É só o Jimmy amor.

– Vou ter que colocar esse moleque para dormir então. Isso não é hora

Me levantei da cama me descobrindo. Olhei para o chão e minha boxer preta estava ao pé da cama. Sorri ao lembrar de como ela havia ido parar ali. Peguei a boxer ultilizando os dedos dos pés e a vesti rapidamente. Deitei novamente na cama e passei a ponta do meu dedo indicador pela pele rosada das costas de Jade e ela se arrepiou no ato. Sorriu e se virou para mim deixando que seus seios ficassem a mostra. E eles eram exatamente da forma que eu me lembrava. Beijei seu rosto demoradamente sem que a barulheira incessante do quarto ao lado terminasse.

– Não seja duro com o menino, Matt. Ele ainda está excitado por ter conhecido os avós e a tia. Sua mãe disse que você ficava igualzinho na idade dele.

– Não serei duro com ele meu amor. Pode ficar tranquila. Só não é hora para esse barulho todo. E... Quando eu voltar... — Beijei o lóbulo da sua orelha e Jade deu uma risadinha baixinha, provavelmente com medo de que Jimmy escutasse. — Nós vamos transformar essa insônia em algo muito proveitoso, Baby Doll...

Jade fechou os olhos.

– Você realmente vai de cueca no quarto do seu filho? — perguntou irônica.

Revirei os olhos e alcancei o moletom que eu havia colocado quando chegamos da casa dos meus pais.

Parei na porta do quarto de Jimmy. O barulho era ensurdecedor.

Eu estava em meu estúdio ao entrar no quarto. Não era a bateria infantil de Jimmy que estava apoiada no canto da parede. Como também não era o meu Jimmy que estava tocando.

– Hey Man... — Aquilo não parecia nem um pouco estranho. Na verdade era corriqueiro. — Isso não é hora. Você acordou minha garota...

– Sua garota? — Jimmy parou de tocar e ficou brincando com as baquetas entre os dedos. — Pietra é minha garota, Matt.

– Não é mais e isso não é hora de tocar.

– Ela nunca foi mais minha do que é agora, Matt. — Se levantou da bateria e caminhou em minha direção, me analizando. — Até quando Matt?

– Até quando o quê?

Jimmy apoiou sua baqueta em meu peito e a apertou com força contra minha carne. Aquilo era incomodo. Seus olhos encararam os meus e eles não eram azuis. Eram verdes. Exatamente como os meus.

– Você sabe quem eu sou, Matt? — perguntou sério.

– É o Jimmy. — respondi sem pestanejar.

Ele apertou com mais força a baqueta em meu peito e eu gemi de dor. Por algum motivo eu não conseguia me defender. Eu estava paralisado.

– Matt, quem eu sou?

– O Jimmy.

– Quem eu sou, Matt?

Senti que minha pele furava e o olhei mais assustado que nunca. E então eu percebi.

– É o meu Jimmy.

Ele riu e afastou a baqueta de mim. Agora eu entendia o porquê Jade era mais dele do que minha. Seria mais dele do que de qualquer um. Da mesma forma que eu era dele. Simplesmente porque ele era meu.

– Tô de saco cheio de vocês dois, sabia? Quando não é um é outro. Eu nem deveria estar aqui, mas vocês estão me tirando do sério cara. Gostam de complicar a vida.

– O qual sua grande idéia para que ela deixe de ser complicada? — perguntei sarcástico, arqueando uma sobrancelha.

– Eu disse para você exatamente o que você teria que fazer na sexta à noite.

– Acha que é uma boa solução?

– Não Matt. Acho que é a solução. Começar do princípio. Como qualquer casal. Você nunca a convidou para sair. Isso vai ganha-la com toda a certeza.

– Não tenho coragem. — Joguei meus ombros para trás visivelmente derrotado. — Tenho a imprensão de que a perdi para sempre.

– Não é ela que está na sua cama? — Me perguntou rindo e levantei a cabeça assentindo levemente. — Você nunca a perdeu. Mas se não for rápido...

Arregalei os olhos e corri para a porta. Então me dei conta do que ia fazer e me voltei para Jimmy e o abracei forte.

– Sinto sua falta cara.

– Não precisa mais sentir, e você sabe disso.

Saí do estudio como um louco e abri a porta do quarto com brutalidade. Jade estava deitada, dormindo tranquilamente. Ela ainda estava ali. Porém, meu coração disparou a ponto que parecia que iria sair pela boca. Braços tatuados envolviam a cintura da minha Baby Doll. Zacky repousava a cabeça na curva do pescoço de Jade e meu impulso era de arrancá-lo do meu lugar. Mas os olhos verdes de Jimmy tomaram meu pensamento antes que eu chegasse a cama...

Abri os olhos assustado e completamente suado. Havia sido um sonho. Real demais a meu ver.

Reconheci que era manhã e que estava em meu quarto. Levantei sentindo meu corpo dolorido como se tivesse me exercitado até a madrugada da noite anterior. Olhei o relógio em cima da cama e marcavam 10h33min da manhã.

No dia anterior havia sido o encontro de Jimmy e Jade com minha familia. Como eu pedi, o assunto delicado que era nossa relação não foi citado, e devo dizer que tive certo orgulho e felicidade ao perceber em como minha mãe e Jade haviam se dado bem. Coisa que nem em um milhão de anos havia acontecido com a Val. E olha que a Val não tinha fugido com meu filho durante 5 anos.

Pensei em como minha familia ficaria feliz se eu finalmente resolvesse acertar minha vida. Se eu assumisse minhas obrigações como homem. Em como Jimmy seria feliz por ter o pai e a mãe juntos. Em como Jade se sentiria segura ao meu lado, porque eu faria o máximo para isso. E principalmente, em como eu me sentiria completo por ter ao meu lado a mulher que eu amo, aquela que me deu o bem mais precioso que eu adquiri ao longo da vida. Era hora de deixar de ser um menino. Iria me tornar um homem. E isso aconteceria ao lado da minha Baby Doll.

Convites para jantar em uma segunda — feira seria inusitado?



Notas finais
Então... Não esqueçam de dar sua opinião. Agora mais que nunca.
Beijos