Host Love
3 Estrelas
Notas iniciais
Yutaka saiu pela porta do bar, a noite estava fria e o céu contemplável, mas a imagem do céu estrelado não era tão agradável quanto à imagem do pequeno parado a sua frente com um olhar melancólico, e esperando por ele. Yutaka não acreditava no que via, apesar de toda a noite atordoante que tivera sua mente ainda pulsava de decepção pela falta do menor, e agora, vê-lo à sua frente era algo realmente agradável.
Yutaka estava paralisado enquanto o menor vinha em sua direção.
-Vo-você... veio. – disse o anfitrião, com a voz baixa e embaçada, quando o menor já estava totalmente à sua frente.
-Claro que vim. Eu disse que viria. – disse o menor serenamente. – mas acho que você não se lembrou disso.
A expressão de Yutaka ficou indagada, e o menor apenas o encarou sério.
-Eu sei que você já esta acompanhado, eu volto outro dia. – continuou o menor, com a voz ainda mais séria e fria, enquanto se distanciava lentamente. Yutaka pegou-o pelo braço, puxando-o de volta.
-Do que você esta falando?! – Yutaka olhou profundamente em seus olhos, que não diziam nada, apenas o encaravam seriamente. A mente de Yutaka se clareou, se lembrando de Yuu. – Não se preocupe, ele é apenas um amigo. – Yutaka o puxou ainda mais pelo braço que ainda segurava, deixando-o ainda mais próximo, Takanori fora voluntariamente.
Agora Yutaka o encarava de perto, a expressão do menor mudou de séria para melancólica, apesar de ainda estar com aquela arrogância no olhar, que Yutaka simplesmente adorava.
-Por que você não veio antes? – disse Yutaka em voz baixa, para que apenas o menor pudesse ouvir.
-O que importa é que vim, certo? (como o prometido) E você vai me atender, certo? (como prometido).
-Mas o bar já esta fechando...
-Isso não é motivo pra você não me atender. – disse o menor com a voz personativa, enquanto Yutaka o encarava, esperando respostas. – Vamos lá pra casa, é melhor do que você me atender aqui.
-Como assim? Pra... sua casa? – disse o anfitrião em tom inesperado.
-Não é muito longe, não se preocupe. – Takanori se distanciou e Yutaka apenas o acompanhou sem respostas.
-Chegamos. – disse Takanori após alguns minutos, agora parado diante a uma casa enorme e fria. – vamos, entre. – Yutaka o olhou, perguntando se poderia mesmo entrar, ele confirmou com a cabeça, incentivando-o.
Yutaka entrou com o olhar passando por tudo e Takanori foi acompanhando-lhe logo atrás. Takanori se sentou em um sofá tranquilamente, enquanto acendia um cigarro, e tragava lentamente, passando os olhos por Yutaka, que continuava perplexo.
-Então, não vai me atender? – disse Takanori entre uma tragada.
-O que você está querendo fazer? – disse Yutaka se aproximando, fitando o menor.
-Fumando. – respondeu Takanori com a voz entediada, sem olhar para Yutaka nos olhos.
-O que você quer exatamente? – disse Yutaka se aproximando ainda mais, com o tom de voz mais displicente.
-Me desentediar. – continuou Takanori, fumando e continuando a fingir que Yutaka não existia.
-Então eu estou aqui apenas para te desentediar, é isso? – disse Yutaka, se afastando da distancia que havia se aproximado.
-É isso que os host’s fazem. – respondeu Takanori com a voz fria, encarando Yutaka, e finalmente seu olhar de arrogante fazia parte do seu perfil, que conseguira provocar o anfitrião, de tal forma. – eu detesto host’s. – continuou o menor com a voz ainda tão fria quanto o normal, largando o cigarro quase inteiro e fitando Yutaka com o olhar profundo. – mas acho que gosto de você.
Yutaka o olhou nos para reconhecer a sinceridade de suas palavras, e os olhos do menor estavam baixos. O braço de Takanori voou em direção de Yutaka, agarrando-o e puxando-o para si, o que lembrava um pouco o que Keeitaro havia feito com o anfitrião alguns minutos antes, a diferença é que Yutaka agira voluntariamente, indo a sua direção e apenas sendo guiado pelo menor. Quando Yutaka já estava em seu peito sendo abraçado fortemente pelo menor se sentiu seguro para dizer.
-Como eu posso te atender exatamente? – perguntou Yutaka com a voz ressoante.
-Eu não sei, você é o host aqui.
-Mas você sabe que eu não sou um host muito bom...
-Quem disse que é pra você agir exatamente como um?
-Então vou fazer simplesmente o que eu quero fazer... – disse Yutaka se aproximando, levando uma das mãos à cintura do menor, mas ainda sentia anseio, pois nunca sabia o que se passava exatamente pela mente do menor, às vezes ele agia como alguém levianamente apaixonado, e às vezes fazia parecer que apenas se divertia.
O rosto de Yutaka se moveu lentamente, encostando-se ao rosto de Takanori, sua mão que estava em pressionada no ombro do menor enquanto o abraçava, agora caminhava até sua nuca, passando a mão e massageando suas madeixas loiras. Takanori levou outra mão até o rosto de Yutaka, enquanto fitava-o antes de fechar os olhos e levar seus lábios em direção aos do moreno, beijando-o lentamente.
Apesar de Yutaka estar glorificando aquele momento, ainda se sentia preocupado. Não queria parar, mas também não queria se comprometer com alguém que apenas queria se divertir. Involuntariamente o moreno se afastou, apenas passando a sobre o cabelo do menor.
-Você fica nervoso normalmente... – disse o menor à Yutaka em um sussurro, de uma maneira sublime, que o fizera deixar de lado qualquer grande preocupação que houvesse, querendo apenas curtir o momento.
Diante do anseio e do nervosismo do anfitrião, Takanori o aproximou para si, juntamente com seus lábios, o beijando novamente enquanto passava suas mãos pelas laterais do moreno. Kai agira voluntariamente, como se o que planejasse fazer; acontecesse simplesmente.
Yutaka aproveitou o memento para tentar ser mais ousado, passando as mãos pelas pernas do menor displicitamente, que suspirava entre os beijos, recuando-os para o pescoço do anfitrião.
Em meio ao momento perfeito diante dos lábios do menor, algo inevitável e incomodante acontecera, o celular de Yutaka começara a tocar freneticamente, ocupando o silêncio do local.
-Han?! Não... acredito... – Yutaka olhou com indulgência para Takanori, que surpreso e indignado apenas olhou seus atos. – Alô? Hm? Não eu estou apenas na casa de um amigo... Não, não imagino que ele esteja na rua depois do soco que você deu nele... Claro que eu me importo... Ok... eu vou para casa...
Yutaka falou com a voz decepcionada e triste, desligou o celular e olhou para Takanori, fitando-o por alguns segundos.
-Você já vai, né? – disse o menor com a voz decepcionada e vazia.
-É, bem... eu tenho que ir... já tá tarde... mas aparece lá no bar qualquer dia desses...
-Quem é que te obriga?
-Não, não é ninguém... já ta tarde mesmo, eu preciso ir.
-Ok, mas eu sei que quando você chegar... tem alguém lá te esperando.
-E você? Não é por falta de opção, não é? – Yutaka sorriu cinicamente, com uma pequena malicia em tentativa de provocar o menor.
-Não, não é por falta de opção mesmo... mas tinha optado essa noite por você. – respondeu Takanori com a voz seca, prendendo o anfitrião contra a parede, fitando-o com os olhos cobertos por uma arrogância odiosa, e chegando mais perto de seu ouvido para sussurrar de modo provocador. – O que você quer exatamente hein?
Yutaka fechou os olhos, se sentindo culpado. Por mais que desconfiasse do menor, suas palavras conseguiam soar sinceras e convincentes, mas por que ele estaria se apaixonando por alguém que acabara de conhecer?E por que o menor indagaria tanto se quisesse apenas se divertir? Yutaka não se sentia confortável no meio de tantas dúvidas, então levou uma das mãos à testa, olhou para Takanori de modo sincero e lhe disse:
-Eu preciso ir... – hesitou alguns segundos, engoliu seco e disse quase se arrependendo ao terminar a frase – eu não tenho certeza do que eu quero, mas só vou saber quando você também souber.
Takanori o soltou, Yutaka saiu do local, indo para casa.
“Eu não sei o que estou sentindo... o que ele me faz sentir, mas é inevitável não retribuir”. Os pensamentos de Yutaka viravam em uma sensação que ele não sabia distinguir. Não sabia se era boa ou culposa, ou se era má ou adorável. O caminho de casa se tornou longo.
Em casa Yuu o esperava, mas Yutaka relevou qualquer que fosse o comentário dele a respeito de sua preocupação. Estava grato e muito por Yuu tê-lo salvo daquele cara, mas também não queria posessividade da parte dele. Ele nunca teve isso, nos três anos em que moravam juntos Yuu nunca havia se mostrado muito voluntário em relação à ele, e começar agora inevitavelmente o incomodara.
No dia seguinte à caminho do bar Yutaka teve a companhia de Yuu, que não dissera nada o caminho inteiro, “ficara receoso por eu tê-lo tratado friamente quando cheguei?” se perguntava Yutaka sem respostas. O dia no bar já começou tranqüilo, e apesar de Yutaka pensar que haveria alguma grande mudança pelo fato de Yuu estar lá, o dia até que pareceu não se diferenciar dos outros. Yuu atendia os clientes como se fosse veterano, mas Yutaka percebia que apesar disso o olhar do maior custava a sair dele.
“Será que ele vai aparecer?”... Por mais que não quisesse era difícil parar de pensar em Takanori, e a cada minuto que passava Yutaka fitava o relógio, esperando poder resolver seus problemas nele.
-Como está sendo a noite hein? – Perguntou Akira que chegara inesperadamente em Yutaka enquanto ele pegava um drink para levar à um cliente.
-Hm... normal, não é? – respondeu Yutaka encolhendo os ombros.
-Sei lá, eu pensei que fosse haver alguma grande mudança desde que seu amigo chegou... mas até parece que ele trabalha nisso há anos!
-Isso é bom né? Ele está reembolsando o que eu perdi. – disse Yutaka ironicamente, porem Akira pareceu não achar a menor graça.
-Você já ta fazendo o maior sucesso... e se isso que você disse tem alguma coisa a ver com o acontecimento de ontem... eu juro que te bato Yutaka!
Diante da “ameaça” de Akira, Yutaka saiu da cozinha e foi ao balcão servir seu cliente, ainda com a esperança de encontrar o menor ali. Mas aos poucos Yutaka foi perdendo essa esperança, mas criando outra em seu lugar. A esperança de encontrar o menor parado em frente ao bar quando ele estivesse fechando. Aquela cena na noite anterior havia sido tão esplendida, que sonhar com ela várias vezes era algo agradável, além de sonhos, algo que se tornara realidade.
A noite ia terminando e o bar esvaziando, não havia ninguém além de Yutaka e um cliente, Yuu e Akira que arrumavam as mesas, e Kou que estava na cozinha. O cliente que acompanhava Yutaka foi embora. Yutaka despia o avental e colocava o casaco, já se preparando para ir para casa, quando entrou um cliente no bar com um casaco com capuz e cachecol, a noite estava fria, mas nem tanto, Yutaka estranhou.
-Posso servi-lo? – perguntou Akira no lugar de Yutaka que já cruzava o caminho da porta.
-Não. – respondeu friamente o cliente encapuzado – Por favor, um drink e... – suspirou com o olhar passando pelo lugar – ele! – o cliente apontou para Yuu.
-Sim? – perguntou Yuu à Akira quando recebeu o chamado. – ele quer me designar?
-Foi o que ele pediu...
-Mas eu não posso, o Uke já foi para casa, tenho que ir também...
-Yuu, sinto muito, mas agora você esta trabalhando aqui e precisa atender seus clientes até as três da manha, ainda são duas e vinte...
-Hm... – bufou Yuu e suspirou algo infantilmente que parecia com “e por que o Yutaka pôde ir?”.
-O Yutaka foi por que estávamos nos preparando para fechar, mas apareceu um cliente e ainda estamos no nosso tempo, então vai lá!
Yuu pegou o drink do cliente e levou até ele, serviu-o e no mesmo instante após analisar bem os traços do maior e beber sua bebida o cliente foi embora sem mais nem menos.
-Viu, não precisava exagerar... era só um típico cliente tímido. – disse Akira rindo de canto enquanto Yuu colocava o casaco e saia do bar. Não precisou passar muitos minutos para que Akira e Kou percebessem que estavam sozinhos e começarem “se pegar” por cima das mesas.
Yuu chegou em casa procurando por Yutaka. Talvez ele estivesse ansioso para poder falar sobre o primeiro dia de trabalho... Não, isso não era uma coisa típica do Yuu. Yutaka já se encontrava deitado em seu quarto, fingindo que dormia, mas na verdade sua mente se preenchia de pensamentos, procurando respostas, procurando motivos... motivos, para estar gostando de um cara que acabou de chegar arrogantemente em sua vida.
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