Host Love
2 Apenas amigos
Notas iniciais
A noite chegou ao fim, Yutaka atendeu mais uns dois clientes e foi para casa, com os pensamentos avoados, obviamente pensando no menor Taka. Tomou um banho gelado antes de se deitar. Algumas horas depois, Uke acordou e foi até a cozinha tomar um copo de leite, atordoado, o que fizera o outro morador da casa acordar.
-O que você ta fazendo há essa hora acordado, Yutaka? – disse o moreno, com uma expressão irritada na voz.
-Só vim tomar um copo de leite. – disse o menor em resposta quase tão bem educadamente quanto o outro. – enquanto a você, o que esta fazendo acordado há essa hora Yuu?
-Você me acordou.
-Sei... seu sono é mais pesado que uma pedra. Não me culpe se você esta com insônia outra vez. – Yuu levantou as sobrancelhas. Mas não disse nada durante alguns segundos.
-Me desculpe... é aquele sonho outra vez.
-Tudo bem. Só não desconte sua raiva em mim. Quer alguns remédios pra dormir?
-Yutaka, os que você usa são tarja preta. Ta querendo me matar é? – disse Yuu serenamente e rindo um pouco, quase despercebido. – Mas não tem problema, afinal, por que você toma tantos remédios, hein?
-Bipolaridade, basicamente. – respondeu Yutaka colocando leite em um copo.
-Hm. Não imaginava isso de você, sabia? – ele olhou serio para o menor.
-Não se preocupe, meu medico me receita isso. – ele sorriu, porem Yuu não tirou sua expressão seria do rosto. – mas e então vai querer ou não?
-Não, obrigado.
-O que exatamente acontece em seus sonhos? O que te preocupa tanto a ponto de você não conseguir dormir, Yuu?
-Nada. Esquece. Vou tomar uma dose de wisky, depois eu durmo tranquilamente.
-Se você for beber toda vez que não dorme vai virar um alcoólatra.
Yuu não respondeu, encheu o copo e bebeu de uma vez, saindo da cozinha e indo para seu quarto antes que Yutaka desse sequer uma golada em seu leite.
No dia seguinte Yutaka acordou tarde, já passava das quatro da tarde e em poucas horas teria que ir para o Sekai Host Bar. Yutaka não sabia se sentia angustiado ou ansioso com a confirmada presença de Takanori no local, e ainda o fato de ter que servi-lo. Mas não se precipitou em pensar. Foi até o mercado comprar algumas coisas para o almoço, e quando voltou vira que já tinha perdido tempo de mais e teria que ir para o trabalho sem nem mesmo comer.
-Eu não disse que você ia começar a ficar popular aqui Yutaka? – disse o loiro, quando o menor já havia chego ao bar, e colocava seu avental na cintura. – Ontem você atendeu três clientes. E um deles era o Takanori-kun. Fiquei impressionado.
-Isso não tem nada de mais. Quantos clientes você atende por dia? Vinte? Trinta? Três clientes te impressionam... grande coisa. – comentou Yutaka com a voz debochada de si mesmo.
-Ta, mas... você atendeu o Takanori. Ele nunca quis o serviço de nenhum de nós até hoje. – Suzuki dissera com a voz “consulente”.
-ok, ok... tem uma cliente lá. – Yutaka apontou a uma mulher que chegara ao bar.
-Quer atendê-la?
-Não. Vai lá. – a voz de Yutaka saiu baixa, e no fundo ele não sabia se não queria atender a mulher por que estava pouco interessado, ou se estava com medo de não estar livre na hora em que Taka chegasse. Então, Yutaka se sentou em um banco, entediado e ansioso pela a visita do menor.
O bar inevitavelmente começou a encher, e Yutaka já não tinha mais escolha, teria que atender alguém, mas tediosamente ele estava se saindo bem, e seus serviços estavam sendo até mesmo elogiados. Mas Yutaka fazia aquilo apenas pelo emprego, simplesmente.
As horas passavam e Yutaka emendava um cliente no outro, sem sequer fazer pausas. O movimento do bar crescia de tal modo que não deixava nem mesmo a Yutaka tempo para pensar no menor, que não dera nem sinal de sua presença ainda.
Yutaka agora atendia um homem baixo e pouco tímido e ao mesmo tempo muito convicto. Tinha cabelos ruivos compridos, tingidos obviamente, olhos grandes e quando sorria, era maliciosamente para o anfitrião. Era o tipo de pessoa Yutaka realmente não gostaria de estar perto, então olhou para o relógio, ansioso e vira que faltava menos de uma hora para o bar fechar e nada do pequeno. As expressões do anfitrião pareceram mudar, seu olhar se encheu de decepção, mas ao mesmo tempo lhe veio alguns pensamentos culposos; “Eu estive ocupado à noite inteira, ele pode ter vindo e ido embora quando viu que eu me ocupei de outro cliente ao invés dele. Ou ele pode ter visto que eu estava atendendo muitos clientes, e certamente pensado que eu estava agindo como um host, falsamente, ou”...
-Você esta bem? Poderia me trazer outra bebida? – disse a voz de seu cliente ao seu lado, acordando-o de seus pensamentos, quase tão confuso quanto o modo que chegou neles.
-Ah, sim claro. Só um minuto. – disse a voz acordada do anfitrião, chegando agora à sanidade. Yutaka entrou na cozinha, trouxe uma taça cheia de uma batida e lhe entregou, cortesmente. – aqui esta. – o ruivo lhe sorriu (com aquele sorriso, que estranhamente parecia malicioso para o moreno) que desconfiado, sorrio de volta.
O ruivo bebeu o que estava no copo em apenas um gole. Olhou contundente para o anfitrião, que baixou os olhos fingindo não vê-lo, no mesmo instante o ruivo pegou pelo braço de Yutaka e o aproximou para perto de si, perto de mais. O ruivo ficou alguns segundos olhando fixamente nos olhos de Yutaka, que se rebatia para sair dos braços dele. O ruivo cochichou em seu ouvido algo que parecia “você tem que fazer o que seu cliente pede”, o que o deixara com repugnância. Yutaka agora, estava tão próximo que conseguia sentir um grande cheiro de bebida, o ruivo certamente estava muito alcoolizado, e continuava tentando se aproximar ainda maispara beijá-lo,enquanto Yutaka o empurrava com violência.
-Para com isso! – guinchava o anfitrião, desesperado, tentando com todas as forças se afastar.
-Solte ele agora! – falou uma voz séria que vinha do fundo do bar.
Yutaka olhou com relutância para trás, para saber de quem era a voz que gritara, mas não conseguiu distinguir quem era, pois antes de seus olhos chegarem ao rosto do ser, o ruivo puxou-o agressivamente para ainda mais perto de si.
-Não, não vou solta-lo. Ele esta me servindo agora. E tenho o direito de fazer o que quiser com ele. – O ruivo sorriu cinicamente e voltou a tentar beijar o anfitrião.
Yutaka continuou a guinchar e empurra-lo como podia, mas em menos de segundos o moreno dono da voz que vinha de trás do bar se aproximou, colocou uma mão na gola da blusa do ruivo e a outra na gola da blusa do moreno anfitrião, tentando soltá-lo, mas o ruivo continuava a segurar o menor com força, então o moreno puxou Yutaka com ainda mais força, conseguindo soltá-lo, mas a força fizera com que ele caísse bruscamente em cima de uma mesa. A mão do moreno continuou a apertar a gola da blusa do ruivo e agora, Yutaka que não estava mais sendo pressionado, conseguiu visualizar quem era o moreno, e se surpreendeu ao ver Yuu. O rosto de Yuu estava completamente diferente da última vez que o vira, quando ele estivera com olheiras e entediado, desta vez o olhar de Yuu estava furioso e sua mão estava levantada intencionalmente para socar o ruivo.
O movimento do bar sumiu simultaneamente com o tormento, e Yutaka já estava mais que certo que seria despedido. Yuu dera um soco no rosto do ruivo que se abaixou, não deixando que os outros vissem seu nariz sangrando. Os outros anfitriões chegaram rapidamente, tentando separar Yuu para que ele não deformasse o rosto do ruivo, mas que fora desnecessário, após o primeiro soco Yuu soltou o ruivo com nojo e foi em direção de Yutaka, que estava caído sobre a mesa, indignado.
-Yutaka, você está bem?! – perguntou Yuu com o rosto repleto de preocupação.
-Estou! Estou! Mas como você chegou aqui?!
-Eu vinha passando, e por acaso resolvi passar pra ter levar pra casa, já que estava indo pra lá... mas isso não importa! Tem certeza que você ta bem?
-Não precisa falar como se fosse meu pai, esta bem? – disse Yutaka se levantando, tentando acalmá-lo. – mas muito obrigado mesmo Yuu, eu... eu nem sei o que faria sem você...
-Que isso... vamos pra casa ta? – disse yuu, mostrando-se um pouco mais tranqüilizado.
-Yutaka! Yutaka! Você ta bem?! – perguntara Suzuki que vinha correndo em sua direção.
-Eu estou sim. Mas enquanto aquele cara?
-Keeitaro... hm, ele tem fama de ser... assim... me desculpe, o bar tava tão cheio que nem percebi quando ele entrou... ele é cliente do Kou, por que sabe, só o Kou pra conseguir cuidar dele, mas, enfim... vai ficar tudo bem.
-Então, amanha eu volto, né? – disse Yutaka com a voz receosa, enquanto Suzuki concordou com a cabeça lentamente e Yutaka suspirou aliviado.
-Não! Não volta não! – bufou Yuu, com a voz em protesto. – depois do que aconteceu aqui, você ainda vai voltar como se a minha ajuda não fosse nada!?
-Yuu! Eu preciso do emprego! – retorquiu o anfitrião com a voz suplicante.
-Mas e se acontecer de novo? E se eu não puder estar aqui pra te ajudar? Como vai ser? – gritou Yuu fazendo parecer raiva, quando na verdade sentia preocupação.
-Sabe, não estamos realmente dando conta dos clientes ultimamente. – sibilou Suzuki fazendo as palavras soarem como uma proposta.
-Hm? – Yutaka olhou Yuu com entusiasmo. – Eu nem sei como é ser um host... (?)
-Kou pode te ensinar... acho que vocês tem basicamente o mesmo perfil. – continuou Suzuki, ainda fazendo suas palavras soarem como proposta, e agora fitava bem o moreno, examinando-o.
Yuu virou-se para Yutaka, e olhou fundo em seus olhos que concordavam com a proposta feita pelo loiro. Yuu sacudiu a cabeça afirmando, e tanto nos lábios de Suzuki quanto principalmente de Yutaka havia um sorriso imenso. O menor sorria por poder tranqüilizar o moreno que agora estaria ao seu lado, e Suzuki sorria por que realmente um tipo como Yuu atrairia muitos clientes.
-Yutaka, e ai como você esta? – Disse Kouyou que chegara de longe. – já terminei de arrumar tudo, não se preocupem aquele idiota não vai mais atormentar ninguém.
-Estou bem, não se preocupe. – Yutaka sorriu.
-Kou! Kou! – Gritou Suzuki, animado, fazendo com que Kouyou levantasse as sobrancelhas estranhamente indignadas. – Arranjamos um aprendiz pra você. – agora falando tranquilamente, diminuindo a animação idiota da voz.
-Hm? Esse ai? – Perguntou Kouyou, apontando para Yuu, que acenou com a cabeça. – Bem, ainda tenho uns vinte minutos do meu turno, eu vou arrumar umas coisas lá dentro... então, pode vir pra eu ir te dando uns toques. – a voz de Kou saiu entediada enquanto ele regressava a cozinha e Yuu indo atrás...
-Então... você volta amanhã né? – perguntou o loiro distraidamente, e Yutaka acenou com a cabeça.
-Eu vou ir lá pra fora pra esperar o Yuu...
-Ok, eu já vou indo pra casa. Até amanha.
Yutaka saiu pela por do bar, a noite estava fria e o céu contemplável, mas a imagem do céu estrelado não era tão agradável quanto à imagem de um pequeno parado, a sua frente, com um olhar melancólico, e esperando por ele.
Fale com o autor