Horizonte
5 Tudo começa na Revoada do Meio Dia
Notas iniciais
Revoada Do Meio Dia
Acabei de acordar e fui me arrumar para escola, estava um pouco atrasada, logo Angel iria chegar.
Sei, desde quando eu o chamo de Angel? Desde que eu cansei de pronunciar aquele longo nome.
Desci as escadas apressada e enquanto minhas torradas ficavam prontas li um artigo do jornal em cima da mesa.
“Tem gente que diz ser privilegiada, apenas por nascer com pais ricos, ou ter boa educação, ou até ter um carro na garagem. Sim são privilegiados, poucos, e desses poucos menos ainda tem felicidade, com os pais trabalhando fora sem tempo para eles, rodados de pessoas que só tem interesse por seu dinheiro. E desses menos ainda tem alguém que vele por eles, falta comparecerem com seu próprio eu ou com sua alma.”
Profundo, minhas torradas agora estão mesmo torradas.
Engoli em duas bocadas cada uma e corri (pulei) para arrumar meu material e escovar os dentes.
Quando acabei, me deparei olhando para uma foto antiga na parede, minha família inteira.
Sempre as reuniões de família aconteciam na casa de meus tios, apenas por que a casa era grande e conseguia acomodar a todos, até que era legal os jovens e crianças não tinham que participar, apenas ficavam na piscina.
A manhã correu bem, até o almoço só tivemos 2 aulas, pois um professor havia faltado e ficamos com aula vaga. Depois do almoço tivemos a aula de inglês e matemática e na ultima educação física.
O professor resolveu dar aula ao ar livre (ou fazer uma coisa diferente) o tema de hoje era: Yoga.
Eu me safei pois não conseguia ficar em pé direito, graças ao pequeno tombinho que levei.
Ele fez todos de deitarem na grama de baixo do sol, devia ser por volta de 11:30 a 12:00, até que o dia estava bem bonito.
Ficaram se agachando, contorcendo e esticando, enquanto uma revoada de pássaros pairava sobre nossas cabeças. Acho que não era pra eles ficarem cansados, mas de uma coisa tinha certeza o professor realmente não nasceu para dar aula de yoga.
Assim que terminamos a aula fomos nos trocar no vestiário. E ai começou...
– Nossa como ela conseguiu?
– Cai entre nós... Ele é muito gato, né? Hihihi– risadas histéricas.
– Bem melhor que ela pelo menos – mais risadas.
As meninas não paravam de cochichar e dar gargalhadas histéricas.
Uma hora eu percebi que elas se dirigiam a mim. Mas quem? Quem era melhor que eu, gato? Hã?
Uma delas cochichou novamente no ouvido de uma das outras duas algo e veio em minha direção.
– Cuidado para não cair feio tentando alcançar ele.
E mais risadas rolavam pelas bocas inchadas de tanto batom.
Angel... Será que isso era verdade? Quem estaria falando isso sobre a gente? Que coisa horrível! “Ele não merecia passar por isso...” pensei por um estante.
No estacionamento, mecanicamente Angel abriu a porta do carro e deu a partida, sem dizer nada eu entrei no carro.
Alguns minutos se passaram, e o silêncio persistia.
– Angel! Pare o carro e vamos conversar.
Ele me olhou confuso, e pouco- a- pouco a velocidade foi diminuindo até pararmos em frente a uma loja de antiguidades.
– Angel – ele olhou para mim com o cenho franzido, era a primeira vez que eu lhe chamava assim, agora com certeza eu deveria estar muito corada, percebendo isso ele tentou arrumar sua expressão, deixando-a vazia.
– Mel, queria dizer que... Sabe, não é por que eu vou dizer isso que você tenha obrigação de dizer nada – ele começou, eu estava começando a ficar preocupada com que rumo essa conversa tomaria.
– O que você está querendo dizer?
– Ah Mel... Eu acho que já deu para você perceber. Quer dizer... Eu gosto de você, claro, não tenho feito tudo isso para ganhar alguma coisa de você, simplesmente, você se tornou mais que uma amiga...
– Sim, eu só queria ter certeza de que você também gostava de mim.
Nossa eu ainda não estou acreditando no que eu acabei de falar, era eu mesma que estava dizendo isso? De onde saiu essa coragem toda?
O rosto de Angel se esvaziou novamente e ele direcionou sua cabeça para mais perto de mim.
– Mel...
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