Hora de Recomeçar

19 Um Novo Começo ou Apenas Sexo?


Notas iniciais
Olá gente! Ganhei uma semana a mais de férias, até o fim da quarentena e vamos esperar, ver como vai ficar a situação! Quero todo mundo se cuidando direitinho e protegendo os outros! Momento difíceis, que vem ensinar, mas que também irão passar! Gente, esse capítulo está controverso e vai quebrar muitas expectativas, mas é assim que tem que ser. Espero que gostem e comentem! Mil bjs no coração de vcs! ♥

Um Novo Começo ou Apenas Sexo?

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Sentia-se um tanto aéreo, fora de sintonia... Parecia cansaço, mas não era. Algo diferente que não sabia explicar...

Estavam naquela mesa de bar há algum tempo, conversando sobre todo o tipo de banalidades... Aiolia não era a pessoa mais intelectual que conhecera... Na verdade era bem frívolo e comum... Muito diferente do que estava acostumado, era verdade, mas talvez fosse isso que realmente precisasse, alguém mais simples, menos filósofo...

Olhava-o falar, falar e falar... Falava de si mesmo, do irmão, do trabalho... Tudo tinha a ver consigo... As frases pareciam se repetir, porém com apresentação diversificada... Nada que realmente valesse a pena focar ou mesmo prestar muita atenção...

Detalhar-lhe a beleza com os olhos era mais interessante, afinal esta valia a pena... Parecia ter sido esculpido a mão, um “Michelangelo”. Sua juventude o atraía de maneira quase magnética, como se a quisesse para si, recuperá-la...

Enquanto não lhe dava ouvidos, perpassavam por sua cabeça mil fantasias e loucuras com o moreno... Ele despertava em si uma luxúria até então adormecida. Uma animalidade desconhecida.

Fitava intensamente a camisa branca e justa e desejava-lhe arrancá-la e poder sentir cada ondulação daquele corpo perfeito.

De repente uma pergunta... Acordou de seus devaneios e apenas concordou, sem fazer ideia do que se tratava, admitira que se envergonhou um pouco pela atitude desleixada.

— Vejo que você está cansado de tanto falatório. Vamos para a parte prática... – Levantou-se de sua cadeira, sentando-se ao lado do mais velho e o abraçando despudoradamente. – Você é tão lindo Mu... Não entendo como ele pôde te abandonar. Bem, sorte a minha não?

Fazia muito tempo, quase a vida toda, que não era íntimo de ninguém que não fosse Shaka, e o contato tão próximo com outro homem o incomodava um pouco, porém paradoxalmente seu desejo era intenso... O moreno trazia consigo uma vivacidade que desejara toda a vida.

— Gosto da sua voz, na verdade gosto de tudo em você! – Seu olhar era malicioso e translúcido, a verdade era que o corpo já vinha lhe exigindo prazer...

— Não fala assim que eu posso perder a linha com você! – Imaginava que toda aquela delicadeza e suavidade fossem na verdade uma máscara que escondiam um homem intenso e experiente.

Era verdade que sua real preferência era pelo sexo oposto, mas algo no interiorano lhe despertara desejo inominável, que parecia romper-lhe o controle por completo. Não raciocinava, apenas queria tê-lo para si.

— Até que não seria má ideia... – Sem mais se conter, passou a mão pelo peitoral coberto deliciando-se com cada músculo que sentia, lançando-lhe um olhar lânguido... Todas as suas fantasias agora pareciam muito próxima de adentrarem o campo do real.

— Você é uma tentação Mu... – Passou a mão pelos cabelos compridos e lisos ajeitando uma mecha atrás da orelha. Ele era tão macio e... Sedutor... – Seria interessante a gente ir pra um lugar mais privado, ficar mais à vontade...

Por um momento, sentiu-se completamente constrangido, afinal não estava acostumado com esse tipo de abordagem mais direta... Mas queria, desejava, imaginava e talvez fosse o momento de sua vida para fazer tudo aquilo que não havia feito.

— Sim, será ótimo! – Aproximou-se mais aspirando o perfume no colarinho da camisa, sentindo todos seus hormônios se revirarem como os de um adolescente...

Com total discrição deixaram o local e o mais novo conduziu-os para sua casa... Conversaram algumas amenidades no caminho, riram um pouco.

Chegando lá, o mais velho notou lugar sossegado, num bairro de classe média, porém nada havia de impressionante, era uma casa simples e pequena. Ao adentrar a casa, sentiu um nó na garganta, certa ansiedade e desconforto... Pensou em desistir... Mas seria demasiadamente infantil.

— Seja bem vindo, a minha casa é simples, casa de homem solteiro mesmo. Quer beber alguma coisa? – Levou-o até o sofá sentando-se ao lado, abraçando-o despudoradamente.

— Sim, aceito! – A verdade é que nunca havia vivido algo tão invasivo, direto e mecânico... Bem, havia tido uma vez... Aquela vez que queria esquecer, acreditar que nunca realmente acontecera... Aquele ímpeto que o fez se deitar com Milo e ferir o coração daquele que amava...

Sentia ódio de si mesmo por mesmo numa hora como essa não conseguir deixar de pensar nele... Será que a sombra de Shaka nunca o deixaria viver? Será que toda vez que se aproximasse de outra pessoa sentiria essa culpa? Logo o viu se aproximar com dois copos de whisky... Apesar de não ser muito fã do álcool, precisava relaxar... Tomou um gole generoso e sentiu-o novamente sentar-se próximo e começar a acariciar seu tórax...

— Você parece tenso, está arrependido Mu? Se não quiser... – Percebia certo nervosismo no homem à sua frente e paciência nunca fora seu forte, principalmente com alguém que acredita ser realmente experiente.

— Não sou homem de me arrepender, se estou aqui é porque sei o que estou fazendo! – Sabia mesmo? Se questionava internamente.

Sim, ele era tão orgulhoso quanto bonito, isso apenas o excitou mais... Arrancou o copo da mão do sociólogo e em seguida descartou o seu na mesa de centro, puxando-o para si, com força, atacando ferozmente seu pescoço com os lábios, a língua... As grandes mãos segurando o corpo mais frágil, que as poucos se entregava às sensações...

Gostava... Gostava daquela rudeza, isso o seduzia, o excitava... Agarrou-se a ele entregando-se plenamente à seus desejos, entravando uma luta de corpos, de mãos, de volúpias... Logo sentiu-se levantado e empurrado contra os corredores da casa enquanto ainda preso a ele, abrindo os botões da camisa branca, ofegante, trêmulo...

Fora arremessado contra uma cama, num quarto onde não se preocupou em ver ou detalhar nada... O desejo lhe explodia por dentro e por fora... Em pouco tempo as carícias começavam a ficar mais intensas, mais brutas... Até mesmo um pouco agressivas demais...

Os suores se mesclando, os gemidos e gritos preenchendo o ambiente... O corpo desnudo do moreno era ainda mais deslumbrante do que imaginara... Aproveitou cada parte, deliciou-se, esbaldou-se por completo assim como faria uma criança sozinha numa loja de doces...

O ar pesado do ambiente estava carregado com aquele perfume másculo, de tonalidades tão rudes quanto seu dono... Era definitivamente muito diferente de Shaka... Repreendeu-se por esses pensamentos, porém não podia evita-los...

A força do outro lhe comandava por completo, sem deixar-lhe autonomia alguma... Fora virado de costas, apoiando-se nas próprias mãos, numa posição bem suscetível e passiva... De maneira surpreendente sentiu-se penetrado de forma rápida, sem nenhum tipo de preparo ou gentileza... Era perceptível que ele não tinha experiência com homens... Parecia estar transando com uma mulher...

A dor fora aguda e insuportável... Porém seu orgulho era maior e com esforço máximo não soltou nenhum som ou qualquer lágrima... Ao segurar a reação sentiu algum enjoo e embrulho no estômago, mas tratou de dispersar essas sensações e começou a respirar fundo...

Nada era permanente, então a dor também passou, e começou a sentir algum prazer... Mas não deixava de pensar no ex-companheiro... Com ele era tão diferente... Não havia dor, incômodo, sujeição... De alguma forma se arrependera nesse momento de todas as vezes em que criticara seu comportamento sexual moderado... Finalmente depois de mais de 15 anos, entendera que ele o tratava como igual, que respeitava seu corpo... Era só isso...

O ritmo era intenso, e apesar do corpo reagir dando-lhe algum prazer, ainda era muito incômodo. Tanto que aos poucos sua excitação diminuía... Sem muito demorar, o moreno atingiu seu ápice, empurrando-se ainda mais ferozmente sobre o outro... Sem mais suportar o próprio peso e também o do outro debruçado sobre si, cedeu ao colchão, relaxando. Sentiu um leve beijo no rosto e ele se retirou de si... Mais nada. Não houve carinho, palavras doces, olhares, nada. Ainda deitado de bruços percebeu-o deitar-se ao seu lado e respirar ofegante. Fechou os olhos e deixou algumas lágrimas saírem... Sua mente lhe torturava...

Não era isso que desejara, que pedira tanto? Não era por isso que ameaçava o trair? Até mesmo o deixar? Que chegou a humilha-lo, questionando sua virilidade? Bem, teve o que tanto desejou... Lembrou-se de Milo... Fora parecido....

Talvez fosse enganado por uma ilusão tola, sem sentido, arrogante... Talvez não merecesse mais do que já tinha, porque já tinha o melhor... Talvez, mas só talvez estivesse errado...

Agora entendia que jamais teria outro homem como Shaka, ele realmente fora único...

Adormeceu...

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Após àquela sessão difícil e constrangedora, Ikki não aparecera mais... Sua experiência profissional dizia que era temporário e que ele voltaria, mas seu coração pensava diferente... Ele não voltaria mais, ele havia fugido pra sempre... E isso lhe doía. Sabia o porquê, sentia-se abandonado novamente pela figura paterna... Talvez fosse bom que ele não voltasse mesmo... Tinha a impressão que nada daquilo havia sido proveitoso para nenhum dos dois... Fora somente um erro de percurso... Essa era a quarta sessão em que ele não aparecia...

Num gesto atrevido chegara a ligar para o irmão de Ikki, que apenas lhe confirmou suas suspeitas do sumiço. Depois de muito andar de um lado a outro, sentou-se novamente na poltrona e deixou-se relaxar...

Um breve cochilo... Sonhou com Mu. Seu coração se apertou... Sentia sua falta... Aquela última noite de amor reabriu uma ferida em seu coração. Poderia parecer bobo, mas por mais que a decisão fosse sua e resoluta, sabia que ele era o único homem da sua vida... Que não sentia vontade de estar com mais ninguém, não conseguia despir-se na frente de qualquer outra pessoa... A solidão era seu destino.

Segredo que nunca teve coragem de revelar, mas Mu fora o único homem a quem tocou e permitiu ser tocado... Aquela tarde na pensão fedorenta fora sua primeira vez... Não fora percebido pelo outro, pelo fato de ter estudado o assunto, buscado saber como funcionava, afinal, seu perfeccionismo era extremo e não queria parecer um tolo, inexperiente e antiquado... Guardaria aquilo em seu coração pra sempre, era para si algo tão sagrado que não queria compartilhar com ninguém. Tinha para si o orgulho de ter estado apenas com aquele a quem amou, sem erros ou arrependimentos.

Acabou por ceder a suas emoções mais profundas e ligou para ele...

— Olá Mu, tudo bem?

“- Tudo sim Shaka, e você?” – Ficou surpreso, mas se alegrou.

— Incomodo?

“- Nunca! Pode dizer!”

— Só liguei para saber de você e novamente pedir desculpas pelo lançamento... – Estava constrangido, como se não houvera passado tantos anos ao seu lado.

“- Pare com isso! Aquele dia choveu demais e sei que não foi porque não conseguiu mesmo! Inclusive quero te levar o livro...”

— Quando quiser... – Saber que ele lhe levaria o livro, iria de encontro a si, foi como um bálsamo a seu coração ferido.

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Desligou o telefone... Era bom poder ouvir a voz de Shaka. Sentia que devia dar mais atenção à ele, o conhecia como ninguém e devia estar se sentindo só.

Repousou o telefone na cama quando viu o moreno sair do banho apenas com uma toalha enrolada na cintura, vindo em sua direção.

— Quem era? – Perguntou desconfiado.

— Era meu ex, apenas algumas coisas relativas à casa. – Mentiu, mas também não queria revelar a verdade. Não era da conta dele.

— Espero que não seja nada demais, pois não tolero que ninguém toque no que é meu! – Sentou-se ao lado, beijando o ariano no ombro, brincando com algumas mechas de cabelo. Nunca negara ser possessivo.

— Não se preocupe Aiolia, entre mim e o Shaka já não existe nada, somente amizade e respeito. – Isso não era mentira, pelo menos assim pensava.

— Tá certo! Inclusive, quando vou conhecer a sua casa?

— Bem, por enquanto não... A casa também é dele e não me sinto à vontade para fazer isso, deixa a gente organizar as coisas e decidir como será a divisão oficial.

— Ah, como você é complicado Mu, mas tudo bem, temos aqui nosso ninho de amor. – Logo o beijou e agarrou com paixão...

Após a desastrosa primeira noite, algumas conversas apararam algumas arestas e o mais novo ficara maravilhado em aprender os saborosos detalhes do sexo homoafetivo... Era jovem e tinha a mente aberta a novas experiências. Acabaram por arriscar num relacionamento e assumir um namoro, o que deixara o irmão mais velho do moreno extremamente feliz...

Essa era uma nova fase e decidiu apostar num novo amor, afinal não gostava de ficar sozinho... Desde a adolescência, sempre estava namorando alguém. E Aiolia era tão jovem, lhe acariciava o ego... Mas admitia que faltava algo... E sabia que nunca seria completo como fora com ele...

Notas finais
Gente, eu sei que as fãs do Aiolia não vão gostar, mas ele não é o mocinho dessa fic! Ele é o macho hétero top totalmente padrãozinho, então nada que fuja as realidades da vida lindezas! Espero que tenham gostado e continuem por aqui! O próximo cap eu garanto que será muito babadeiro!!!! Mil bjs no ♥ de vcs!