Hora de Recomeçar
10 Tibet
Notas iniciais
Tibet
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Parecia distante... Desconectado da realidade agitada a seu redor... Por mais que tentasse não conseguia parar de pensar nele...
Mais alguns passos e chegou ao guichê da imigração, sem poder deixar de reparar na expressão extremamente cordial e respeitosa do atendente... Realmente fora do comum.
Pensou que teria mais dificuldade em se comunicar na língua nativa, mas tinha de agradecer ao tio que lhe obrigou a aprendê-la desde pequeno... Um dos poucos elos de ligação com sua ancestralidade...
— Mu, espero que agora após passar pela imigração você realmente chegue ao Tibet, porque é perceptível que você sequer embarcou ainda. – Sinceramente era muito incômodo vê-lo tão preso àquela situação, disperso das atividades que realizava. Sabia que seria um processo doloroso, mas se pudesse, o protegeria de toda aquela dor.
— Desculpe tio, eu prometo que vou deixa-lo definitivamente no Brasil e não ficar pensando nele o tempo todo! – Abriu um sorriso sincero até certo ponto divertido. – Afinal, esse tempo aqui é só nosso.
— Sim filho, só nosso. Que bom que compreendeu. É hora de olhar para frente e começar uma nova vida.
— Hora de recomeçar! – Sua voz saiu quase num suspiro, como se uma grande carga o abandonasse.
— Sim, hora de recomeçar...
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Após acomodarem-se em hotel simples e acolhedor, resolveram sair um pouco para reconhecer o lugar e comer algo.
O vento frio batia no rosto, dando uma sensação gostosa e gelada. Gostava de frio, estava portanto no lugar certo. Observando os detalhes das ruas, dos povoados... Tudo parecia tão... Medieval.
Exatamente como sua mãe lhe contara... Apesar de perder a família ainda na mais tenra infância, algumas coisas ainda eram muito vivas em sua mente... As histórias fantásticas e surreais que ela narrava sobre seu povo... Seu passado... Ela descrevia cada detalhe, cada lugar com perfeição... Sim, na realidade parecia tudo tão mágico, colorido, surreal como ela descrevera um dia. Nunca imaginou que um dia faria essa viagem, mas estava realmente feliz por ter essa oportunidade.
— Tio, como o senhor se sente aqui? – Seus olhos voltaram a ser como as daquela criança simples, inocente e confiante.
— Reconectado... É como se eu tivesse passado a vida toda desconectado de minha real natureza... E agora verdadeiramente me encontrado... – Aquelas palavras eram mais que verdadeiras... Nunca imaginou se sentiria assim ao conhecer à terra de seus pais. Não era homem de misticismos, mas não podia negar que sentia algo completamente diferente.
— Eu sinto exatamente o mesmo! É estranho, mas é tão bom! Inevitável não lembrar da mamãe... – Um clima saudoso invadiu completamente seu coração. Quase não lembrava de seu rosto, mas sua voz e mãos macias e carinhosas ainda eram vivas em sua memória infantil.
— Sim, eu me lembro de quando eles namoravam... Ele sempre pedia pra ela contar como era sua terra natal... Nós nascemos lá em Sorocaba, e depois nos mudamos para Itapeva. Mas ela não, passou a infância aqui e depois a família se mudou para o Brasil, para tentar sobreviver à invasão chinesa... – Sentia seus olhos encherem como há muito não acontecia. Não sabia bem dizer o porque, mas percebia-se com uma sensibilidade mais desperta.
— O senhor ainda sente falta deles... Mesmo depois de tantos anos... – Seu tio nunca fora de expor suas tristezas ou saudades, mas ele parecia diferente agora.
— Meu único irmão, minha única família Mu! Ficamos órfãos muito jovens e sempre cuidamos um do outro... Depois sua mãe chegou e coloriu mais a nossa vida... – Caminhavam tranquilamente quando chegaram a um lugar mais distante, com uma incrível paisagem natural, muitas árvores e acidentes geográficos, pararam-se frente a ela para admirar.
— Mas ele te rejeitou quando disse que gostava do Dohko, não foi? Eu me lembro do papai dizendo que o senhor não nos visitava porque era um pecador e que não se importava com a família. – Desde bem pequeno sentia uma forte ligação com o tio e sempre questionava porque esse não os visitava com frequencia. As palavras de seu pai eram sempre duras e incisivas, mas seu coração puro de menino nunca acreditou naquelas palavras ásperas.
Depois de muitos anos passou a entender essa identificação imediata. Via nele um reflexo de sua natureza, suas escolhas e condutas. Recordar-se das reações ríspidas de seu pai em relação a Shion trazia grande angústia a seu coração.
— Eu não os culpo Mu! Nossa criação foi bem rígida e também, eram outros tempos... Se a vida não os tivesse tirado de mim, talvez hoje fosse tudo diferente... – Existem alguns tons de sabedoria e compreensão que só a idade pode dar.
— Será que eles teriam me rejeitado também? – Essa era uma indagação que machucava-lhe o peito, mas que sabia nunca ter resposta.
— Se eles tivessem criado você, é provável que...
Nesse momento deixou de apreciar a bela paisagem e fitou-o sério, observando certa culpa naqueles olhos rosados.
— Não, não é verdade tio. Desde pequeno eu já sentia que era diferente, que era igual ao senhor.
— Mu...
— E eu sinto muito orgulho disso... Sei que para o senhor também não foi fácil aceitar minha homossexualidade. Não era isso que queria. Sei que se sente culpado. – Era assunto que desejava discorrer com ele há muito tempo, mas nunca houve abertura o suficiente. Finalmente surgira o momento apropriado. – Mas não deve. Essa sempre foi minha natureza e nada poderia mudar isso. Sou feliz assim e feliz por ter tido pessoas que me compreendiam e me aceitavam ao redor.
Fez-se um grande silêncio enquanto se fitavam concluindo aquela conversa apenas através das expressões dos olhares. Era sem dúvida o momento mais íntimo e importante que haviam compartilhado durante a vida. Seus laços se estreitaram de maneira única.
Um abraço terno e sincero foi trocado. A emoção era grande em ambos os corações, algo que precisavam há muitos anos... Era a primeira vez que falavam tão abertamente sobre seus sentimentos... Realmente aquele momento era único e sentiam que aquela viagem estaria recheada deles.
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Os dias foram passando tranquilamente. Visitaram muitos locais interessantes, monastérios e afins... O passeio cada vez mais parecia mais turístico do que a real proposta inicial... Não tinham como negar que os aproximou ainda mais, mas não era somente esse o objetivo...
— Mu, já estamos aqui há quase duas semanas, fomos turistas incríveis, mas acho que está na hora de cumprir nossa missão... Visitar nossa terra Mu! – Seu olhar era sério e grave, ao mesmo tempo que demonstrava total maturidade e sublimação.
— Confesso que não me sinto totalmente seguro para lidar com o passado... Com o desconhecido... – Parecia vacilante, tal qual como um menino que se assusta com o que virá pela frente, em encontrar algo além de sua imaginação.
— Está dentro de nós... É o momento Mu! – Sentia que esse era hora de encontrar as respostas das perguntas que fizera a vida toda.
— Eu sei... Confio no senhor... Precisamos fazer isso! – Seus olhos marejados o fitaram com doçura, faria qualquer coisa por seu amado tio.
Partiram rumo ao lugar mais longínquo e oculto no Tibet. Em vários trechos, a viagem tinha que ser feita a pé, apenas alguns animais carregando as bagagens em meio ao frio e o vento tão característicos. A grande altitude e o grande esforço faziam com que Shion ofegasse e tivesse certa dificuldade de prosseguir em alguns trechos, mas era sempre amparado por seu menino que ainda possuía as vantagens da juventude.
As paisagens no caminho eram incríveis e cada momento, sentiam-se mais próximos de algo que não sabiam bem dizer o que era, apenas se sentiam mais próximo de si mesmos...
Chegaram a uma pequena vila e logo foram recebidos à maneira tibetana com lenços brancos e chá de manteiga. Acomodados em uma casinha simples, foram conhecer a vila mais profundamente, dispensando os guias... Aquela jornada era muito intimista e desejavam faze-la em seu ritmo.
Aquela vila era menos medieval que os outros lugares que conheceram... Era mais antigo ainda... Como se tivesse voltado aos primórdios das civilizações... O comércio nas ruas era feito a base de trocas... Os trajes típicos eram unânimes... Mas o que mais os chocava era a reação das pessoas ao vê-los... Era como se vissem a alguém especial, alguma divindade... Curvavam-se e prestavam respeitos.
— Tio, o que está acontecendo? Porque nos tratam assim? – Estava um tanto incomodado com aqueles olhares curiosos e incrédulos sobre si. Não conseguia entender o porque.
— Parece que nos reconhecem Mu! Reconhecem nosso povo em nós... – O cheiro de flores e ervas exóticas era intenso... Lembrava o cheiro de sua mãe... De repente sentiu uma emoção invadir lhe por completo... Fechou os olhos sentindo uma rajada de vento bater contra seu rosto. – Estamos em casa filho!
— Sim tio, eu sinto... A conexão... O cheiro da mamãe...
— Sua avó tinha esse mesmo cheiro impregnado no corpo... Não me esqueço.
— Vamos, mais à frente! Tem algo mais pra frente, eu sinto! – Após retribuírem gentilmente os olhares carinhosos e respeitosos da população, caminharam guiados pela intuição do mais novo que insistentemente passava as mãos pelos sinais de nascença em sua testa, sentindo-se guiado por uma força incomum.
Após pouco mais de uma hora de caminhada, chegaram a um campo extremamente verde, fértil e florido... Não era consoante com a vegetação local... Parecia mágico, fantástico. Até seu ar parecia diferente. Era como um sonho... Um sonho mágico e fantasioso.
Caminharam por todo aquele campo até mais ao fundo encontrarem os restos de uma civilização... Uma vila perdida... A sua vila.
Aproximaram-se estarrecidos, aquilo era seu passado, sua origem... Uma vila simples mas bem estruturada. As construções ainda estavam bem inteiras, sendo que pouco imóveis encontravam-se em depredação total... As construções eram tão diferentes de tudo que já haviam visto. Arredondadas e e tingidas de branco. Simples, porém elegantes e bem feitas... Quase um conto de fadas...
Antes que pudessem se aproximar mais, foram parados por um velho... Um monge bem velho e baixinho, com traços característicos do povo nativo em suas típicas vestes açafrão.
— Vocês... Ainda não se extinguiram por completo... A força de seu povo é inabalável!
— Quem é você? — Inquiriu o mais novo, olhando espantado aquele homem que aparentava tanta idade quanto sabedoria e experiência.
— Meu nome é Lamden, sou um dos mais velhos dessa região... Conheci seu povo como ninguém. Me admira que ainda existam... – Seus olhos brilhavam como os de um jovem, feliz... Lembrava de seus tempos de meninice, quando saía correndo por entre as casas daquela vila... Sempre amara e admirara aquele povo como se a ele pertencesse.
— Você conheceu nosso povo? Nos conte o que aconteceu! – Shion olhou o ancião com intensidade, ele era o único que tinha as respostas que tanto ansiava, que poderia explicar as lágrimas de sua querida mãe...
Aproximou-se com dificuldade, amparado por sua bengala. Os traços suaves e morenos pareciam contar muitas histórias e carregar muitas lembranças. Olhou-o bem nos olhos, podendo reconhecer aquele brilho de imediato. Só podia ser ele... Tomou sua mão e o puxou suavemente até uma pedra grande, sendo seguidos pelo mais jovem com alguma distância. Ambos os estrangeiros deram ao velho a preferência por sentar-se, imitando o gesto logo em seguida.
— Talvez vocês tenham ouvido falar em mitos ou lendas sobre o povo de Lemúria, a origem da humanidade. Não era lenda... Uma pequena parcela sobreviveu à inundação e desaparecimento, mas carregaram em seus corpos – tocou a própria testa, insinuando as marcas de nascença dos forasteiros – a marca e em suas almas a sabedoria única de um povo extremamente espiritual e bondoso. – Tocou o próprio coração.
— Então... – Surpreso, Mu mal conseguia se pronunciar.
— Sim, vocês são os descendentes desse povo que encontrou essa terra como lar por muitas e muitas gerações, dando-lhe fertilidade, vida. Sempre foram amados e respeitados por todos... Na verdade ajudaram a estabelecer e desenvolver a cultura e sociedade local. Era como se fossem deuses... Com o passar do tempo, houve miscigenação e migração com o passar dos séculos e a comunidade diminuiu drasticamente. Quando criança eu sempre vinha aqui, adorava brincar nessa grama verde, nesse ar tão especial... Sempre fui muito bem tratado e querido por todos. Mas no auge do regime de Mao, o império chinês os viu como ameaça... E decidiu por exterminar aos poucos... Escravizar... Algumas famílias fugiram no início... Outras conseguiram fugir depois, mas quase tudo foi destruído, afinal algo tão elevado e sublime era extremamente perigoso ao domínio estúpido e ignorante.
— Mamãe não falava muito sobre isso, mas papai adorava contar histórias do nosso povo, nos ensinou a língua mãe e a língua do país... Era um homem justo e alegre... – As lágrimas vieram a seus olhos. – Com licença... – Não queria que ninguém as visse. Levantou-se a começou a andar entre as casas, tocando levemente a estrutura das construções. A passos lentos caminhou até que uma casa simples lhe chamou a atenção. Tocou levemente a porta e a mesma cedeu de pronto, decidiu entrar.
O interior parecia intacto, tudo simples, mas gracioso... Pensou sentir o cheiro de sua mãe... Devia estar impressionado com tudo aquilo, era isso. Sentou-se num canto e viu jogado ao chão um enfeite de cabelo muito bonito... Parecia ouro... Fitou de maneira terna e abriu um sorriso, as lágrimas agora caiam abundantes... Já havia visto algo parecido antes... Não percebeu quando o velho Lamden se aproximou, abaixando-se frente a si.
— Você é o filho de Tachi, aquela que trás sorte e prosperidade, não é mesmo?
— Conheceu minha mãe? – A voz fraca lhe tirou a atenção, voltando-se a ele.
— Eu era um menino e ela uma linda mulher, noiva de um homem forte e muito digno. Eu gostava muito de ficar com ele, perguntar sobre as coisas da vida... Queria ter tido o privilégio de ser seu filho...
— C- Chenpo?
— Sim, Chenpo, grande homem, forte e corajoso. Seu pai. Você tem a expressão forte e o caráter firme dele, mas os olhos tão róseos e doces... São de Tachi. – Olhou o prendedor nas mãos do outro. – Ela adorava essa jóia, presente de seu pai... Essa era a casa deles... Se casaram, mas pouco tempo viveram aqui...
— A casa de meus pais? – Não pôde conter o pranto forte e instantâneo. Era a casa de seus pais! Como sentia falta deles! Ficaram tão pouco consigo, apenas tempo suficiente para que pudessem ele e seu irmão sobreviver sozinhos... Tanto lutaram para sobreviver e continuar, mas esse não era o verdadeiro plano divino.
Tocou-lhe o rosto enxugando as lágrimas , com carinho. Sentia uma alegria imensa em poder estar com Chenpo e Tachi, que tanto amava, mesmo que fosse através de seu filho.
— Não chore, eles não gostariam de te ver assim...
— Me diga, porque ela era tão triste? – Sorriu-lhe amoroso, com os olhos doces como de uma criança.
— Durante o primeiro ataque chinês, seu pai quis fugir... Mas ela não queria deixar a família, sabia que eles matariam os velhos primeiro... Mas eles a obrigaram a fugir com o esposo e garantir a continuidade de seu povo, fosse onde fosse. Tachi era muito amorosa com todos, e deve ter sofrido muito.
— Mamãe... – Apertou os olhos firmemente, deixando que toda angústia saísse de seu peito.
— Esse menino lindo, é seu filho? – Indagou o velho, abraçando Shion, tentando acalmá-lo.
— Não, é filho de meu irmão, que faleceu junto com a esposa num acidente no Brasil... Sim, eles foram para o Brasil...
— Mas ele parece puro, não parece mestiço. – O velho fez uma expressão engraçada e curiosa, tentando entender.
— E ele é puro. Por acaso conheceu Nima?
— A menina de grandes olhos verdes? É a mãe desse homem?
— É sim, eles faleceram jovens, eu terminei de criá-lo...
— Agora o velho entendeu... Como são as teias do destino. Então ele é seu filho, porque tem a sua natureza...
— Mas... – Sentiu seu rosto ser tomado entre as mãos enrugadas e aquele olhar castanho pesar sobre si.
— Tudo na vida tem seu sentido, esse menino nasceu pra ser seu... Sua missão com esse mundo foi cumprida, posso sentir... Você iluminou o caminho de quem cruzou o seu através da sua natureza... Não se envergonhe dela... Era mais comum que você imagina entre os seus.
— C-Comum? – Aquilo era simplesmente... Estranho. Sabia que o velho falava abertamente sobre sua sexualidade, era óbvio e desconcertante.
— Sim, havia aqui muitos homens como você, como o seu menino. – O velho fechou os olhos e era como se algum poder sobrenatural tivesse de apossado dele. As palavras eram suaves e cheias de mistérios e verdade. — O amor não escolhe gêneros, mas transforma os corações... Sua vida teve êxito, você seguiu seu destino Shion... Amou, foi amado... Deu novas esperanças a todos que estiveram próximos... É hora de dar um passo novo em sua jornada... Agora terá sua merecida recompensa...
— Você quer me dizer que... – Fitava inerte o rosto do ancião, compreendendo neles a sabedoria expressa, o recado inaudito. E o que mais estranhara é que aquilo não o assustava de forma alguma.
— Tio, o senhor tá bem? – Disse entrando pela porta da casa, estranhando a demora do tio. Nunca o vira tão abatido, aproximou-se rapidamente, segurando em seu braço.
— Tá tudo bem Mu, tá tudo bem! — Se desvencilhou dos braços acolhedores do ancião e tocou com cuidado o rosto de seu menino. Segurou-lhe a mão e nela depositou o belo enfeite de ouro. – Guarde bem essa jóia! Era de sua avó! Essa era a casa deles...
— Mas tio, porque o senhor não guarda consigo? Sei que é importante! – Olhou ao redor emocionado, soltando também algumas singelas lágrimas.
— Filho, faça o que estou te pedindo, guarde com você, pra nunca se esquecer da nossa origem, do nosso povo...
Não entendia porque tanta comoção nos olhos de seu tio, aquela viagem mexera mais com ele que esperava... Mas claro que faria, por ele faria qualquer coisa.
— Claro tio, eu o farei, jamais me esquecerei de nosso povo... Principalmente porque creio que somos os últimos...
— Talvez sejam mesmo... Vou deixa-los a sós... Obrigado Shion, conhece-lo foi a realização de uma vida... – Levantou-se e dirigiu-se à saída quando foi parado pela voz forte do loiro.
— Como sabe meu nome?
— É o nome que Chenpo sempre disse que daria a seu primogênito... – E num sorriso gentil, deixou-os juntos com suas lembranças, sentimentos... Respostas...
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