Hora de Recomeçar

13 E assim Chegar e Partir são só Dois Lados da mesma Viagem


Notas iniciais
Olá lindezas do meu ♥! Tentei postar um cap na última semana, mas foi muito corrido pra mim! Início de Ano já na loucura! Gente, vamos falar sério! prevejo ameaças de morte com essa capítulo, mas tudo aqui foi estritamente necessário... Espero que gostem! Bjs no coração de todxs e um Maravilhoso Ano Novo!

E assim Chegar e Partir são só Dois Lados da mesma Viagem

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— Eu fico muito feliz em ver que está progredindo filho. Apenas 3 meses que voltamos de viagem e sua vida já caminhou bastante! – Estava satisfeito por vê-lo colher resultados positivos. Vê-lo em movimento o deixava mais tranquilo.

— Sim tio, depois do primeiro artigo, mais duas revistas universitárias me procuraram e o número de publicações só aumenta. Nunca imaginei que poderia chegar a tanto. – O sorriso se espichava de lado a lado do rosto, parecia aquele jovem rapaz cheio de sonhos novamente, com a diferença que agora estava realizando-os.

— E o livro Mu, quando sai? – Queria vê-lo ir cada vez mais longe.

— Calma tio, acho que ainda é cedo para pensar nisso. – Os anos com Shaka lhe ensinaram a ter os pés mais próximos do chão.

— Não Mu, nunca é cedo demais. Você deve começar agora, pois quando chegar a hora certa, você estará preparado. Pense nisso.

— Vou pensar tio, talvez seja o momento de pensar alto. – Aos poucos recuperava seu jeito livre e corajoso de ser. Passara anos buscando refrear seus impulsos, nas mudanças que todo relacionamento exige e agora sentia-se completamente vivo novamente. Pronto a fazer o que desejava sem nada a temer ou se preocupar.

Sem que os dois percebessem, o velho chinês adentrou o recinto, sempre contagiando a todos com seu bom humor.

— Que alegria chegar em casa e encontrar os dois homens da minha vida! – Abraçou o mais novo beijando-lhe na testa e voltou-se ao companheiro dando-lhe um suave selinho, permanecendo abraçado a ele. – Você me parece bem melhor amor! Mu, como você está?

—Bem Dohko, como pode ver, cheio de novidades. Mas o que acontece? O tio não anda bem? – Sentiu uma pontada no peito, um pressentimento ruim...

— Mu, não se preocupe! É só uma falta de ar. Os exames já estão saindo, mas não é nada importante, você verá. – Tentava tranquiliza-lo, pois agora deveria se concentrar em seu promissor futuro.

— Ele é teimoso e se recusa a te contar, Mu. Mas eu estou de olho. Além da tosse constante e falta de ar, ele sente o coração acelerar também. – Sabia que com a idade, os problemas de saúde vinham para todos, porém não era nada agradável ver seu companheiro tão frágil.

— Tio, tem que me contar! Eu sei que o senhor faz o que pode, Dohko. Mas é sempre bom ter mais alguém para ajudar.

— Eu quero que se concentre nas suas coisas agora. Eu e o Dohko damos conta. – Era uma ordem, não um pedido.

Aquele gênio forte, olhar duro. Sabia que era apenas uma máscara. Aproximando-se abraçou-o ternamente, acolhendo-o em seu peito enquanto ainda permanecia nos braços do chinês.

— Te amo tanto tio! Só quero preservar seu bem-estar. – Beijou-lhe no rosto com ternura, afagando os volumosos cabelos loiros.

— Estar com vocês e vê-los felizes é o meu verdadeiro bem-estar! – Durante longos minutos, permaneceram assim os três abraçados, revivendo a época em que ficavam assim todos os dias. Uma família amorosa e feliz.

— Tio, agora eu preciso ir. Tenho muito trabalho amanhã. Os alunos do matutino apresentarão seminários. Qualquer coisa me chama, por favor!

— Filho, eu te amo! Lembre-se que não importa o que aconteça, eu sempre estarei do seu lado, Vá com Deus! – Fitou-o enternecido, com a alma a chorar.

— Fiquem vocês com Ele! Amo vocês! São o mais importante da minha vida. – Deu um doce beijo no rosto de cada um, o que foi prontamente retribuído.

— Eu também te amo Mu! Fica tranquilo que eu cuido do Shion.

Partiu, mas levou consigo uma angústia terrível no peito. Sentia que havia algo errado, ele não estava bem. Mas o único que poderia fazer era rezar e esperar que tudo saísse bem, afinal o destino de todos pertence somente a Deus.

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— Há algumas semanas, você me perguntou sobre meus sumiços repentinos e eu me recusei a responder. Eu sei que o Shun te ligou e contou tudo, ele confessou. Enfim, hoje decidi dizer e acabar com sua curiosidade. – Seu olhar era indecifrável, enigmático. Era realmente uma pessoa a qual nunca se poderia prever o próximo passo.

— Ikki, gostaria que entendesse que não é uma curiosidade vã, e sim uma forma de te conhecer melhor, para realizarmos juntos um bom trabalho. – A condução das sessões tornava-se cada vez mais complicada e trabalhosa.

— Como sempre, lindas palavras Shaka, mas não me dizem nada. Enfim, prefiro ir direto ao ponto. – Respirou profundamente, ajeitando-se na cadeira. – Eu saio para ficar sozinho. Não tenho natureza sociável. A convivência com as pessoas é irritante. Não gosto de grupos, sou aquele que se poderia chamar de lobo solitário. Enquanto estava com a Esmeralda, conseguia me controlar e me adaptar melhor ao convívio. Depois que ela se foi, fiquei cada vez mais intolerante. – De repente fez uma inesperada pausa.

— Pode continuar Ikki.

— Eu sei que isso magoa meu irmão, me faz perder as boas oportunidades, mas é algo que eu preciso. Vou para lugares isolados na natureza e acampo por um tempo, utilizando os recursos locais para sobreviver. Parece primitivo, mas eu me sinto bem assim. Satisfeito?

— Você está satisfeito, Ikki? Em me contar, em deixar de ter esse momento unicamente reservado a você, compartilhando comigo? – A revelação havia sido interessante. Era hora de começar a gerar reflexões.

— É, talvez tenha sido bom poder dividir um pouco. Aliviar a carga. Você é alguém que considero confiável e gostaria, quem sabe, ter mais próximo de mim. – De maneira geral, não gostava das pessoas, mas quando se aproximava e passava a confiar em alguém, chegava a ser possessivo.

— Já que você parece mais disposto em dividir, vamos fazer uma reflexão juntos. Ikki, essas fugas não lhe parecem que você quer se esconder de alguma coisa?

— Sim, pode ser.

— Então me diga, do que você se esconde? – Esse procedimento terapêutico mais invasivo era muito arriscado e deveria ser feito com total sutileza e controle, senão poderia trazer danos irreversíveis ao processo.

— Talvez de mim mesmo, dos meus próprios sentimentos. É a maneira que me sinto seguro, longe daquilo que poderia me atingir. – Estava se confessando, se abrindo. Mas sem dúvida cobraria por tudo isso.

— E o que você não quer que te atinja?

— O sentimento de dependência, de apego. Por mais que a gente se apegue, confie, de alguma forma sempre somos abandonados.

— Então você tem medo de ser abandonado? – Começava a evoluir em compreensão.

— Não tenho medo do abandono. Passei por ele minha vida toda. Só decidi que não quero mais, que não vale a pena. Sempre fui uma pessoa difícil e prefiro ficar sozinho. Você não pode entender isso.

— Posso entender seus sentimentos, Ikki. E lembre-se que não estou aqui para julgar, não o farei. – remexeu-se levemente na cadeira. Não podia negar que aquele tipo de situação lhe causava certa ansiedade. – Mas tem algo que eu gostaria de entender. Você que evita se apegar às pessoas, mas tem uma relação bem estreita com seu irmão...

— O Shun sempre foi meu “calcanhar de Aquiles”, meu ponto fraco. Ele sempre precisou de mim e sempre foi afetuoso. Uma das poucas pessoas com a qual tenho dificuldade em dizer não. Mas agora ele arrumou um namorado do qual não desgruda, parece que é mesmo sério. Ele já não precisa tanto de mim e talvez fique melhor com a minha ausência. Eu sei que um dia eu vou e não voltarei mais.

— Então você já tem planejado que partirá definitivamente? Está certo de que essa é a melhor decisão? – Por um momento, impulsivamente desejou que isso não acontecesse e inferiu no comentário mais opinião do que deveria em seu papel de terapeuta.

— Eu só não fiz dessa última vez por sua causa. Assim como o Shun e a Esmeralda, você me faz querer ficar. Eu voltei por você Shaka! – E a pergunta mal elaborada e afetada do psicólogo tão prontamente havia cobrado seu preço.

Essas palavras caíram como uma bomba a seus ouvidos. Teve a certeza de que não reacionara adequadamente novamente, por mais que tenha se esforçado. Tudo parecia cair por terra, e aquela sessão que começara tão promissora, estava terminando de maneira péssima. Sabia disso. Anunciou logo o e se despediu normalmente. Mais nada que fosse dito naquele momento traria algum benefício à terapia, ao contrário, poderia trazer mais prejuízos.

Sabia que estava corado, seu rosto queimava e seus olhos pareciam estar secos. Se perguntou que qualidade de sentimento Ikki estaria desenvolvendo por si... E qual sentimento estaria devolvendo a ele, para sentir-se tão afetado por suas palavras e praticamente ter colocado tudo a perder com aquele vacilo tão estúpido... Precisava refletir sobre o que estava fazendo... Não mais só o pessoal, mas sua vida profissional também parecia sair completamente de seu controle e degringolar-se por completo.

Tudo o que queria agora era uma dose de whisky.

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— Dohko, eu já disse o quanto eu te amo e o quanto você é especial para mim? – Sentia-se diferente esse dia, muito mais disposto e tranquilo... Com a sensibilidade à flor da pele.

— Hoje ainda não! Mas pode dizer quantas vezes quiser, eu nunca me canso de ouvir! – Sorriu abertamente, sem deixar de preocupar-se, afinal aquele comportamento não era típico de Shion.

— Então eu vou dizer: Te amo muito mais que poderia imaginar ou conceber, sua presença faz minha vida ter sentido! Sempre, por toda sua vida, tenha certeza da veracidade dessas palavras! – As lágrimas vinham aos olhos, mas não se denunciaria daquela maneira.

— Shi, me parece muito sensível hoje! Está tudo bem? – Passou a mão pelo rosto, segurando-lhe o queixo delicadamente. – Sempre que o Mu vem você fica mais expressivo, mas hoje está um pouco além da conta.

— Não sei porque, mas me sinto assim. Me sinto bem, mas muito sensível também. – Algo em seu coração dizia grandes mudanças viriam... Não necessariamente algo ruim... Tinha uma doce esperança preenchendo seu coração. – Sinto que algo importante vai acontecer!

— Algo impotante? O que poderia ser?

— Não sei, mas também não interessa, deixa a vida seguir seu rumo... – Aproximou-se o beijando de forma cálida, sendo logo correspondido.

Da carícia adveio um abraço forte... Mãos percorrendo os corpos cheias de desejo... Da mesma maneira como a mais de 30 anos... Mas logo uma separação indelicada interveio.

— Shion, você não anda bem de saúde, não seria melhor esperar mais uns dias? – Seu rosto mostrava preocupação e paciência, porém era mais sério que o habitual.

— Não quero esperar! Me sinto bem e quero, preciso de você...

— Mas Shion...

— Não tem mais Dohko, não somos dois jovens com a vida pela frente... Eu quero aproveitar o máximo possível. – Sim, esse era o real temperamento de Shion, típico ariano e tão parecido com o de Mu. O enlaçou pelo pescoço e novamente o beijou sôfrego.

Realmente aquela noite parecia especial, se amaram como da primeira vez, cheios de carinho desejo, entorpecendo os sentidos de carícias, gemidos e prazer... Aproveitaram cada beijo, cada toque e cada sensação como se fosse o último... Aqueciam as almas com o calor dos corpos, lágrimas de emoção se confundiam nos rostos unidos pela ternura.

— Te amo Shion, mais que a minha própria vida!

— Te amo Dohko, e não importa o que aconteça, estarei sempre do seu lado, sempre... Pela eternidade... — Adormeceram num meio abraço, num descanso longo e merecido.

De repente sentiu-se voar num belo lugar, cheio de belezas naturais... Um povoado gracioso, que lembrava as ruinas do Tibet, a terra de seu povo, de sua alma... De repente seus pés ao chão, caminhando tranquilamente, sorrindo ao ver as crianças correndo e brincando... Não pôde deixar de notar na mulher encantadoramente bela que caminhava em sua direção... Olhando bem... Era sua mãe, mas de aparência muito juvenil... Lhe estendia a mão... Dizia que havia chegado a hora de juntar-se a ela, a todos os seus e seguir seu caminho...

Fora desperto por um som estranho, e um movimento brusco. Abrindo os olhos viu que Shion parecia não respirar, esforçar-se sem sucesso. Levantou-se acudindo-o de imediato, mas não houve resposta, apenas um olhar lúcido se despedindo de forma gentil e calorosa. E de repente aqueles olhos tão róseos e vívidos se fecharam e se apagaram para sempre, levando consigo todo o brilho daquela incrível existência...

Não conseguia conter o pranto, muito menos acreditar no que acontecia... Sacudiu-o algumas vezes num ato desesperado de que a vida retornasse a seu corpo, mas não aconteceu... Seu olhar num misto de ternura e dor fitavam o corpo ainda quente que jazia em seus braços...

— Porque me deixou tão cedo... – Sussurrou suavemente, depositando um último beijo em seus lábios doces... Antes de gritar por seu nome, num gesto impulsivo, liberando toda sua dor...

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Aquela noite tinha sido difícil, não dormira direito... Sonhos confusos com o Tibet, seu tio... Nada fazia sentido. Levantou-se bem cedo e preparou um chá forte, para tranquilizar o coração... Algo lhe dizia que alguma coisa grave tinha acontecido, mas não sabia dizer o que poderia ser...

Logo mais, pouco depois das 6h o telefone de sua casa tocou, confirmando-lhe as suspeitas de que algo acontecera, afinal ninguém ligaria aquele horário se não fosse urgente... Aproximou-se do aparelho com o coração aos pulos, atendendo de maneira afoita.

“Sr. Mu?”

— Sim, ele mesmo.

“Olá, meu nome é Rose, sou enfermeira aqui do Hospital Estadual, estou ligando a pedido de seu pai, um senhor oriental...”

— Sim, meu pai. Ele está no hospital? Aconteceu alguma coisa com meu tio, o companheiro dele? O nome dele é Shion! – Tremia intensamente, tentava deixar a mente vazia enquanto sentiu um enjôo forte e ânsia de vômito, não queria pensar no que poderia ter acontecido...

“Senhor Mu...”— A senhora sentiu um nó em sua garganta, mesmo após tantos anos, não era fácil dar aquele tipo de notícia. “– O seu tio Shion faleceu...”— Ouviu o assustador silêncio do outro lado da linha, tentou chama-lo por algumas vezes sem sucesso. Acabou por desligar.

Caiu de joelhos sob o chão ainda com o fone em mãos, seu rosto empalidecera de imediato e uma lágrima automática escorrendo por sua face.

— Tio... – Estava em choque, não conseguia reagir, pensar, nem ao menos respirar... Como se também estivera morto... Só que por dentro...

Notas finais
Gente, muito triste eu sei, mas depois vcs vão entender! O título é uma referência à música Encontros e Despedidas de Maria Rita! Espero que tenham gostado e comentem, mesmo que seja pra me xingar hehehehehe Mil Bjs ♥