Hora de Recomeçar
4 Desafio
Notas iniciais
Olá povo lindo! Atrasei uns dias esse cap, mas foi por razões de forças superiores hehehehehe
Agora começamos a adentrar mais na trama e trazer novos personagens! É um cap mais denso, mas muito importante, pois a fic começa a tomar forma.
Gente, meus caps são curtos mesmo, essa é a forma que me estruturo melhor para escrever e tentar trazer qualidade.
Espero que gostem e continuem por aqui! Muitas águas irão rolar nesse mar de lágrimas hehehehe
Bjs imensos no coração da tia Shaka Psico
Desafio
----)(----Aqueles dias não estavam sendo fáceis, sentira a solidão de uma maneira intensa e cruel. Não havia percebido o quanto havia se acostumado à presença de Mu, mesmo que esta tenha se tornado tão trivial.As noites eram sempre mais terríveis, pois era o momento em que descobria que não tinha mais casa pra voltar, não tinha mais lar. E isso não evocava boas lembranças... Lembranças de um passado igual, solitário, sem cor, sem prazer. Tivera vontade de voltar, conversar com ele. A dor batia fundo. Mas havia algo, um sentimento peculiar e inexplicável que não o deixava voltar atrás, que lhe dizia que seria melhor assim e que logo iria passar, porque tudo passa... E a racionalidade sempre lhe fora o melhor conselheiro, e apesar de ser especialista em auxiliar o reorganizar dos sentimentos alheios, inconscientemente negligenciava os seus próprios.Tinha graves bloqueios emocionais, que preferira ocultar em si próprio, tal qual copo de água suja que com o tempo vê-se o lodo assentar e a água parecer límpida porém ao menor tremor...Buscava desanuviar a mente, afinal era novamente sexta-feira, uma exata semana depois da separação e Shaka seguia sua rotina normalmente, atendendo seus pacientes e dando suas aulas no período noturno. Acreditava o que fazia, mesmo sem o retorno material desejado e sonhado. Poder auxiliar alguém na caminhada da vida, era deveras gratificante, além de alimentar o ego... E também de alguma forma, sem poder explicar, aliviava sua própria melancolia. Já fazia algumas semanas estava com um caso um pouco complicado, um jovem de temperamento difícil e palavras duras. Ia pelo pedido de seu irmão mais novo, que estava preocupado com seu desajuste cada vez mais constante. Era o último paciente da sexta-feira, o último da semana, e parecia ser o maior desafio em anos.A secretária avisou a chegada do jovem e o terapeuta pediu para que ele entrasse. Sentou-se no sofá à sua frente, com o mesmo jeito rude de sempre.— Olá Ikki, tudo bem? Como foi a semana? – perguntou interessado.— Sim Shaka, tudo bem. A semana foi boa, sem muitas novidades. – Seu tom era indiferente como sempre. – Penso que já estou conseguindo lidar melhor com a morte dela... Senti diferença essa semana, acho que a terapia está dando efeito.— Fico feliz em saber que se sente melhor Ikki.— Mas mesmo assim eu sinto uma grande revolta com a vida, é como se não tivéssemos chance de ser feliz, como se nada valesse a pena. – Não pôde deixar de reparar que o psicólogo já não usava aliança na mão esquerda, talvez estivesse se divorciando. – Ah, a maioria das pessoas não conseguem ser felizes por algum motivo ou outro. Por exemplo, quando encontram alguém que amam, ou não são amados, ou a pessoa é infiel, ou ela morre. Pelo menos é o que eu vejo. – Discretamente estava levando essa conversa pra um rumo onde pudesse obter as informações que queria. Não podia negar que reparara na beleza do psicólogo e que esta lhe chamara atenção desde o primeiro momento. Pensava que terapia fosse coisa pra louco ou gente sem o que fazer, mas tivera uma empatia tão instantânea com Shaka, que mudara seu conceito. Ele parecia uma pessoa tão interessante.Era dono uma beleza taciturna, triste, mas instigante. Um homem alto e esbelto, de traços tão delicados, quase andróginos... Uma pele amorenada contrastando com longos e lisos cabelos loiríssimos e olhos levemente orientalizados e tão azuis ... sem vida, opacos. Essa semana lhe pareciam ainda mais apagados e isso parecia lhe deixar mais interessante aos olhos curiosos do moreno.— E que você sente em relação à isso, Ikki?— Ah, como eu disse, sinto uma revolta, pensando que o mundo é injusto, pelo menos comigo.— E o que te faz crer que o mundo seja injusto com você? – Precisava tirar o maior número de informações possíveis, para saber por onde conduzi-lo, descobrir a raiz de seus transtornos, mas definitivamente não era um paciente fácil.— Veja, perdi os pais ainda criança, eu e meu irmão fomos muito mal tratados naquele orfanato que te falei e agora que pensei que seria feliz, ela me deixou, morreu por culpa daquele asqueroso do pai dela... Ah Esmeralda...— Apesar de já fazer quase um ano, vejo que a morte dela ainda é difícil pra você.— É que sinto que não vou encontrar mais ninguém para dividir a vida comigo. Não sou igual a você. Uma pessoa como você não deve ter problemas com relacionamentos. – Sua expressão era diferente, menos intimidadora, mas foi desapercebida pelo terapeuta, que acabou se afetando um pouco com a frase do paciente.— E porque uma pessoa como eu não teria problemas e uma como você sim? – Sim, sentiu que foi um leve flerte de seu paciente.— Porque eu sou difícil, um pouco bruto, você não, é simpático, legal, tranquilo... Bem, eu reparei que você não está mais usando sua aliança e achei isso estranho. Está se separando?— Estamos aqui para falar de você e não de mim. – A pergunta o incomodou, o que não passou despercebido ao moreno. Sentiu a cabeça esquentar e teve muita dificuldade em esconder o desconforto com a situação. — Mas eu venho aqui, fico falando de mim e não posso saber nada de você? – A resposta firme e esquiva de seu terapeuta o irritou.
— O nosso foco aqui é você e as suas questões, minha vida pessoal não faz diferença. – Era o primeiro paciente a reparar nesse detalhe e lhe perguntar.— É injusto, arbitrário. Eu não sei nada de você, quem é ou qualquer outra coisa, enquanto eu tenho que falar tudo! Aí você com essa conversinha de que é processo terapêutico e etc.— Olha Ikki... — E mais uma vez o moreno fugia do processo terapêutico, desviando o foco e levantando suas defesas. Aquilo era tão cansativo... Quando acreditava que estavam começando a evoluir, tudo voltava ao começo. — Já acabou nosso tempo! Não quero mais ficar nessa babaquice. – Levantou-se e foi embora apressadamente, a passos duros e inconformados. Não acreditava em como aquele homem poderia ser tão frio e compreensivo ao mesmo tempo.Não teve tempo algum para reagir, deixou-o ir, estava irado em demasia para tentar acalmá-lo. Isso não ocorria há alguns anos com nenhum paciente, e sabia que seria demasiadamente trabalhoso. Fechou os olhos e deixou-se no sofá por alguns minutos.Ao passar pela recepção, a secretária informou que o último paciente havia pagado, mas não marcara a próxima sessão. Aquela consulta o desestabilizara um pouco. Ele era a típica pessoa inconveniente, que conseguia tirar-lhe de seu centro há tantos anos construído e protegido. Porém era um motivo a mais para cair de cabeça naquele caso e faze-lo dar certo.Na Universidade dispensou os alunos mais cedo e dirigiu-se até um bar nas imediações. Bebericando um whisky, fechou os olhos e viu a imagem de Mu, sorrindo para si. Esforçou-se para não deixar transparecer essa emoção em público. Porém em seguida sentiu um calor forte e viu a imagem de Ikki em sua mente. Um tremor percorreu lhe a espinha e sentiu que algo o estava fascinando demais naquele caso. Talvez o fato de ter sido tão invasivo. Admitia que sua separação talvez estivesse começando a afetar seu trabalho e precisava corrigir urgentemente. Já um pouco alterado, tomou uma decisão que provavelmente se arrependeria quando retornasse à sobriedade. Tirou o telefone do bolso e chamou um número que lhe trazia muitas lembranças... Eram dez e meia da noite...Quando viu o nome no visor, sentiu um novo arrepio percorrer por toda a coluna e adrenalina subir a mil, como se tivesse descendo uma montanha russa gigantesca ou tivesse uma arma apontada para a cabeça. Quase se arrependeu, mas o telefone já havia sido atendido.— Olá, sou eu, Shaka. Desculpe ligar tarde, mas precisava de um horário com você... – A voz lhe saíra fraca e rouca, numa mistura de embriaguez e ansiedade. Não sabia se teria sua solicitação atendida, mas arriscou num lampejo de coragem que não lhe era usual, mas sim provavelmente efeito do álcool. ----)(----Aquela ligação tinha sido no mínimo surpreendente. Nunca imaginou que Shaka lhe procuraria de novo, e ainda por cima pra uma consulta... Alguns anos e acontecimentos os afastaram bastante... Mas não iria negar-lhe isso.A verdade é que sentira uma certa ansiedade e alegria. Os anos de vida que lhe cobravam os primeiros singelos sinais de idade e os primeiros fios brancos em sua turba vermelha também lhe haviam dado outra visão sobre a vida. Saber que o outro dava um primeiro passo em sua direção o encorajava a buscar aparar arestas do passado. Viu-o entrar no consultório um tanto abatido, pálido. Indicou-lhe o assento e o fitou suavemente. Muitas lembranças se passaram por sua mente e sentiu-se ligeiramente emocionado, mas conhecia o loiro muito bem, precisava disfarçar...— Boa tarde Shaka, tudo bem? Confesso que sua ligação surpreendeu. Mas diga, o que precisa de mim? – Sua voz era serena, até mesmo amigável.— Olá Kamus, faz realmente alguns anos, não é mesmo? Então, eu estou com um caso complicado e acho que você seria a pessoa mais indicada para me ajudar com o quebra cabeça. – Viu aquele olhos tão azuis como o seus... Tão conhecidos e ao mesmo tempo tão distantes. Se perdeu em seus devaneios momentaneamente.— Claro. Então você tem um caso que está te desafiando Shaka? Por isso busca supervisão? – Só poderia ser isso, algo profissional, pensara muito alto ao cogitar que Shaka buscava outro tipo de aproximação.— Sim, exato. Mas antes me diga, e o Milo como está? Como vocês estão? – Havia um tom de culpa maior que o de curiosidade em sua fala.— Bem, viajando bastante a trabalho. Da mesma maneira de sempre, acho que vamos juntos até o fim. E o Mu? Faz tempo que não o vejo.— Então Kamus, eu e o Mu não estamos mais juntos... Faz pouco mais de uma semana que saí de casa... Desgastou, até a última gota... – Aquilo era difícil, mas de alguma maneira, queria contar ao francês, principalmente pelo fato de ter convivido tanto com eles. Nunca admitiria a si mesmo, mas além do caso de Ikki, procurou o ruivo pois queria contar a alguém sobre sua separação... E realmente não tinha mais ninguém a quem dizer.— Nossa Shaka, eu não imaginava. Vocês pareciam se entender tão bem. Como você está se sentindo com relação à isso?— Eu não quero falar disso Kamus, não vim aqui pra isso. Só te contei porque achei que te devia uma explicação, afinal você viu tudo começar e... – Tudo que queria era falar, mas simplesmente não conseguia, começava a sentir um nó se formar no peito e subir pela garganta, o que chegou a causar uma ligeira tontura. Era o emocional somatizando-se no físico. — Tudo bem Shaka, então vamos ao que te interessa. – Pensar que ele seria simpático ou mesmo cordial era um pouco demais... Entendia que se Shaka estava ali, era porque não via outra solução, e não seria tão fácil assim chegar até ele. Percebeu o desconforto e preferiu deixa-lo à seu tempo. — Bem, como tinha comentado, estou com um caso difícil... Ikki, um rapaz de 22 anos que perdeu os pais muito cedo e ficou com a responsabilidade de um irmão mais novo. Tinha uma noiva que amava muito e a mesma foi morta pelo próprio pai... Ele é muito agressivo e intolerante, na verdade nem sei como ele continua na terapia...— Como se dão as sessões?— Ele fala bastante, da sua revolta com a vida, mas sempre que proponho uma reflexão, ele esquiva e se irrita, na verdade ele parece querer o tempo todo que eu confirme que ele está certo.— Shaka, todos pacientes fazem isso... Você saber melhor que eu... Não foi por isso que você me procurou...— É que ele fez um comentário... Na verdade ele me manipulou e eu nem percebi... Ele começou dizendo que diferente dele, eu não deveria ter problemas de relacionamento, porque eu tinha muitas qualidades e... – Sua voz era um tanto vacilante, tímida. De alguma maneira aquilo o incomodava.— Continue Shaka. – Percebeu que ele resistia um pouco em falar, algo não estava muito coordenado naquele episódio.— Ele reparou que eu não estava usando a aliança... Foi o único paciente que percebeu e tentou saber da minha vida.— E como você conduziu essa reação dele?— Bem, eu disse que o foco era ele e que minha vida pessoal não fazia diferença... Ele se irritou, me acusou de construir a relação unilateral e disse que era injusto. Foi embora.— Essa é sua interpretação Shaka, quais palavras ele usou? – Era visível que Shaka ficara desestabilizado com esse paciente, com essa situação. Ikki havia encontrado um ponto fraco em seu terapeuta e o usou para tentar conseguir o que queria... O problema seria entender o que esse paciente realmente queria do terapeuta...— Ele disse que era injusto, arbitrário, que ele tinha que falar tudo e eu não falava nada de mim.— Shaka, o que você sentiu com essa atitude dele? O que você acha que ele quis dizer com isso? –Sabia que trilhava um caminho estreito de perguntas complicadas, mas precisava andar por elas.— Eu não sei, ele me pareceu querer algo... Mas não sei bem dizer o que é... Por isso vim aqui.— Shaka, o que você sente por ele?—O que você está querendo dizer? Kamus, você não está querendo insinuar que... – Não gostou da sugestão indireta proposta pelo francês, pensara se procura-lo tinha sido realmente uma boa idéia.— Eu só fiz uma pergunta! É você que está interpretando Shaka! – Sim, havia pesado a mão, ido com muita força. Até então não havia percebido como o loiro estava realmente frágil. A verdade é que não conseguia imaginá-lo tão desequilibrado daquela forma. Foi um erro seu não levar mais a sério a intenção de Shaka ao procura-lo, aquilo não poderia mesmo ser simples. Subestimou-o, se arrependeu. Era tarde. — Olha Kamus, acho que foi um erro! Tudo isso foi um erro, ele só me pegou numa fase ruim, um pouco abalado pela separação. Vir aqui foi um erro! – Imaginou que talvez ele ainda guardasse algum rancor e por isso dizia aquelas bobagens. Levantou-se, caminhando até a porta. Sentia-se mal, constrangido. Como se sua capacidade profissional houvesse sido posta em xeque pelo outro, novamente.
— Shaka, volte na próxima segunda. Eu vou deixar o horário reservado para você! – Aquela atitude não lhe surpreendeu tanto assim, era até mesmo esperada. Seria difícil, e sabia que ele agora reproduzia o mesmo traço comportamental do paciente que tanto lhe inquietava. Agora só poderia esperar. Após vê-lo bater a porta, pôs-se a pensar... Entendia a atitude do paciente e onde ele queria chegar, mas não entendia a resposta confusa e afetada de Shaka para aquela situação. Somente seus problemas conjugais não respondiam. Ele parecia fraco, impotente e curioso frente às atitudes daquele paciente. Havia algo mais que precisaria descobrir, para poder ajuda-lo. Esperaria sua volta...
Notas finais
É isso aí galera, agora temos mais dúvidas que certezas... Vamos seguindo em frente porque prometo que respostas virão.
Comentem e deixem a tia feliz!
Mil bjs no ♥
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