Hora de Recomeçar

21 As Escolhas que Fizemos...


Notas iniciais
Olá gente! Como vcs estão? Espero que todes bem! Por aqui estou tentando colocar a vida em ordem, sempre lavando bem as mãos!!!! Sei que o capítulo anterior foi forte, mas nesse momento da fic, teremos muitos caps fortes! Espero que estejam gostando e segurem o coração!!! Todos cuidem-se bem!!! Mil bjs no ♥

As Escolhas que Fizemos...

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Os dias pareciam cada vez mais longos, mais difíceis... Ao invés das coisas melhorarem, elas estavam piorando... Enxaquecas frequentes... Trabalhar que sempre lhe fora um prazer, passou a ser algo um tanto tortuoso... Mas ainda era o que o fazia esquecer, mesmo que por poucos minutos, a falta de caráter de Mu... A dor persistia ainda mais ao imaginar que ele havia sido infiel todos esses anos... Pelo menos era isso acreditava.

Já no final do dia se preparava para descansar um pouco antes de migrar para a Universidade e enchera o copo de whisky certo de que seu último paciente não apareceria mais... Talvez nunca mais... Foi quando o susto o invadiu com o ramal.

“ — Shaka, seu paciente Ikki chegou.”— A voz da moça era quase incrédula, aquele rapaz lhe parecia tão anárquico, vinha somente quando queria.

— Segure-o por dois minutos, já irei atende-lo. – Um nó se formou em sua garganta... Definitivamente Ikki aparecia em horas complicadas... Não estava em condições emocionais para recebe-lo, mas pensou que não fazê-lo seria pior. Deixou o copo meio cheio na mesa, respirou profundamente e passou a mão sobre o peito, estufando-o. Nunca fora homem de desistir, não seria agora. Caminhou tranquilamente e girou a maçaneta devagar, deparando-se com olhos fortes e obstinados. – Boa tarde Ikki, pode entrar! – Cedeu-lhe espaço.

Fitou a sala com atenção, havia algo diferente, mas não conseguia identificar... Talvez Shaka estivesse diferente. Enfim sentou-se, mesmo inquieto, aguardando o terapeuta imitar o gesto... Foi quando percebeu que o mesmo estava com um tom ainda mais triste do que de costume... De alguma forma, aquilo partiu seu coração.

— O que você tem Shaka, parece triste, quer conversar?

— Ikki, o paciente é você e não eu, me diga, porque o fato de seu terapeuta lhe parecer triste significa pra você? – Soltou uma leve risada, despistando o nervosismo que lhe corroía.

— Shaka, pare de palhaçada! Você sabe que esse negócio de terapia não funciona mais pra nós! Por mais que você queira esconder, eu vejo que você...

— Já conversamos sobre isso Ikki, talvez seja melhor que...

— Me diz, o que significa aquele copo de whisky na sua mesa? É pra esquecer ele, não é? – Levantou-se transtornado, indo em direção ao copo, recostando-se à beirada. – Porque você não pode me amar? Porque as coisas são assim?

Derrotado, era a palavra que o descrevia nesse momento... Ikki estava certo, aquilo tudo havia ido longe demais... Dos dois lados... Chegou a pensar que talvez... Que talvez fosse mais fácil se o amasse, se desistisse do processo terapêutico e se... E se... relacionar com ele... Quantos psicólogos não o fizeram e ainda o fazem? Riu de sua própria estupidez... Não podia, simplesmente não podia... Não porque não quisesse, mas simplesmente porque não sentia... Levantou-se devagar e aproximou-se dele com certa segurança.

— Eu não sei Ikki, também não sei... Me desculpe, eu não posso! – Seu coração estava pesaroso.

— Você não sente nada por mim? – Virou-se desolado, fitando-o com amargor.

— Eu sinto algo sim, mas não o que você deseja... Eu simplesmente não sinto. – Não sabia como ainda conseguia manter o olhar firme daquela maneira vendo a fragilidade e entrega do outro.

— Você é honesto Shaka, e apesar de não ser o que eu esperava... Te admiro mais... – Impulsivamente puxou-o pelo braço próximo a si, rostos quase unidos... Não sentiu resistência... O corpo tomado pela adrenalina... Aproximou-se mais, encostando seus lábios nos dele.

Tudo parecia extremamente surreal, mas simplesmente não conseguia se mover... sentiu-o tocar em si e nada fez... Seu corpo ansiava por qualquer gesto de carinho e já não lhe obedecia mais... Aos poucos seus lábios eram tomados por completo, o que lhe fazia o corpo aquecer, a alma arrepiar... Era um beijo simples, mas fê-lo bambear as pernas, obrigando-o a segurar-se nos braços fortes do moreno... Sentia-se tão protegido perto dele...

Com os olhos fechados, sentia algo estremecer dentro de si... Mas definitivamente o que sentia não era nada luxurioso... Apenas se sentia uma criança... Uma criança inocente... Frágil... Afagada pelo... Pai... Pai... Pai?

Num estante abriu os olhos e se afastou, deixara seus vazios falarem mais alto...Aquilo era absurdo, devaneio... Fora levado por sua própria carência... Porém não era homem de brincar com sentimentos dos outros... Aquilo poderia criar falsas esperanças e machucar ainda mais aquele homem já tão marcado pela dor. Estava realmente envergonhado.

— Perdão Ikki, perdão. – Passou a mão pela testa e se afastou mais.

— Tudo bem Shaka! Obrigado por se importar. Sinceramente. – Virou-se tomando o copo entre os dedos e tomando um grande gole. Aproximou-se novamente do terapeuta que agora fitava o chão e deu-lhe um suave beijo na testa. É verdade que estava com o coração em pedaços, mas podia entender... Shaka era tão especial que pôde entender que aquele amor não seria possível e que também não queria transtorna-lo com algo que ele não queria... E que sua vida... Decidiu não pensar naquele momento, seria duro demais. – Obrigado por tudo! Foi muito importante! – Tomou rumo à porta, não havia mais o que fazer ali, já havia entendido... Obteve as respostas que a vida o levou a buscar... Naquela sala...

Não consegui dizer palavra. Apenas deixou-o ir. Assim deveria ser. Por mais que seu coração também estivesse partido, não poderia usar seus pacientes para suprir suas faltas, afinal sabia o quanto aquilo era doloroso. Poderia não ser a melhor pessoa do mundo, mas jamais abriria mão de seus ideais.

O dia ainda não havia terminado, ainda havia trabalho.

Inconscientemente, tomou o copo largado pelo moreno e sorveu o restante de seu conteúdo, antes de partir...

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— O que está acontecendo Mu? Anda estranho esses dias... Desde aquele dia que você encontrou aquele amigo de faculdade na rua... Você não está me traindo não, né?

— Ah, deixa de ser irritante Olia! Não ando estranho não, só cansado. E você, dá um tempo! – Estar com o leonino podia ser rejuvenescedor, mas também era extremamente cansativo. Ele era possessivo, ciumento e irracional... Um tanto parecido consigo próprio, provavelmente era isso que mais o irritava.

De algum modo percebeu-se diferente depois que iniciara aquele relacionamento. Já não tinha mais aquela sensação de paz e tranquilidade que sentia antes. Agora tudo parecia turbulento, barulhento, animalesco. Estava descobrindo seu lado mais obscuro. Chegou a pensar que pudesse ser a energia daquele lugar e do moreno que estavam lhe afetando. E estava cada vez mais suscetível.

Foi para a varanda espairecer... Sentia saudade de sua casa, de seu canto, mas não queria voltar para lá... Lembrar de Shaka, era lembrar daquela cena horrível, lembrar do tapa que não parava de doer... Na alma... Estava decidido a tira-lo de sua vida de vez, mas não obtinha sucesso... Ainda sentia muita raiva da prepotência dele... Mas a raiva não era irmã do bem-querer? Pois é...

— Escuta Mu, eu tô achando que você anda se encontrando com aquele seu ex babaca. Eu já disse que não aceito ser feito de trouxa, você pensa bem no que anda fazendo... – Encostou-se à seu lado, tentando dialogar tranquilamente, pelo menos à sua maneira.

Virou o rosto para o lado, fitando o rosto moreno com cinismo. – Escuta Aiolia, eu não sou nenhum moleque idiota. Sei o que faço da minha vida e não estou disposto a aturar esse tipo de chatice. – Aproximou-se mais e agarrou-o pela blusa, recostando-se na grade, puxando-o sobre si de maneira maliciosa... Era astuto o suficiente para desviar a conversa e reverter a situação à seu favor! – Estou com você porque eu quero, entendeu? – Apertou-o contra si, esfregando-se ligeiramente. – Agora vamos acabar com essa bobagem lá no quarto? Fazer algo bem gostoso, bem safado?

Não obteve resposta além de ser arrastado para o quarto de maneira voraz... Sabia muito bem como lidar com homens como o mais novo... Na verdade era assim que gostava... Não era o que sempre pedira, ansiara?

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— Shaka, essa é uma situação delicada... – O que ouvira era preocupante, o processo terapêutico com Ikki havia falhado de maneira assombrosa e sentia parte da culpa por ser o supervisor... Tentou acalmar-se, todos estavam sujeitos a esse tipo de situação.

— Eu sei Kamus, eu errei, errei feio, não há como voltar atrás... Espero que não haja consequências graves para ele... Para a cabeça dele... Desculpe, eu devia ter encaminhado.

— Não, talvez tenha sido melhor assim, talvez tê-lo encaminhado fosse pior, pois além de tudo seria somada rejeição a esse processo, o que poderia agravar o quadro dele. E bem, penso que apesar de tudo, você deu o desfecho da melhor maneira possível, pelo menos ele não se sentiu enganado, traído por você, ele teve seu respeito como ser humano, o que não deixa de ser bom. Acho que vai ficar tudo bem, que ele vai ficar bem. – Falava como se fosse a uma criança, a qual tivesse tentando acalmar, mas a verdade é que desejava imensamente que suas palavras fossem reais.

— Bem, inclusive, acho que podemos encerrar nossos encontros, afinal creio que ele não volte mais. – Sim, talvez fosse a hora de afastarem-se novamente.

— Acho precipitado Shaka, ele pode aparecer a qualquer hora e talvez seja bom pra você conversar e refletir mais sobre essa experiência... – Algo em seu coração não queria deixar Shaka se afastar novamente, queria tê-lo mais perto, mesmo que não fosse como antes... Sabia que ele não estava bem, e precisava estar perto, algo lhe dizia que isso era necessário.

— Não sei se é adequado... – Sentia-se confuso... Apesar de tudo, sentia-se um tanto desconfortável na presença do francês, como se aquela barreira entre eles nunca mais fosse se quebrar... Por mais que isso fosse uma pena...

— Mais um mês Shaka, afinal esse é o período que o Ikki costuma se ausentar, não é? Eu insisto!

— Tudo bem, mais um mês Kamus, e depois encerramos! – Por fim decidira ceder, talvez fosse o melhor a se fazer, e também o que o seu coração pedia. Ainda tinha muita mágoa, mas também sentia amor e era reconfortante estar perto dele, mesmo com tanto mal estar envolvido. – Eu preciso ir, tenho algumas coisas a resolver!

— Tudo bem Shaka. – Levantou-se para acompanha-lo até a porta. – Ah, e se precisar de qualquer coisa, me ligue, ok?

— Obrigado Kamus! – Não houve como não ironizar aquela frase, mesmo que mentalmente. Bem, era melhor deixar para lá! – Até a próxima semana.

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— Shun, não aguento mais vê-lo se entristecer pelos sumiços repentinos do seu irmão! Ele não merece tanto desgaste, tanto sofrimento! – Por mais que amasse Shun, era difícil para si lidar com toda aquela situação... Aquele cunhado maluco, que sequer tinha respeito pelo irmão, desaparecendo apenas para chamar mais atenção!

Não que se importasse pelo futuro do cunhado, mas ver seu namorado sofrer não era fácil! Já vira seu primo sofrer boa parte da vida por causa de um louco irresponsável, agora via a cena se repetir...

— Ele é meu irmão Oga! Você ficaria do mesmo jeito se fosse seu irmão, ou mesmo o Kamus! Eu me preocupo com ele, porque ele é meu irmão e eu o amo! – Shun era incrivelmente doce e firme ao mesmo tempo. Sua aparência frágil e modos ternos escondiam uma determinação e uma força interna de se admirar.

— Mas ele não merece seu amor, é apenas um irresponsável, sem a menor consideração por tudo o que você faz por ele!

Afastou-se do namorado, levantando-se do sofá e encarando-o com firmeza. – Nunca mais diga isso! Você não tem esse direito! Eu te amo Hyoga, mas meu irmão é minha família... Se pra você não está bom assim, eu realmente sinto muito... – Lágrimas enchiam seus olhos... A frieza do namorado o magoava muito. Andou rapidamente na direção do corredor.

— Shun, desculpe! – Saltou do sofá ao vê-lo se afastar, parando-o no corredor, segurando suavemente seu braço, virando-o para si. – Me desculpe, de verdade. Ás vezes é difícil pra mim entender essa situação, mas eu te amo tanto que estou disposto a aceitar e ser mais paciente, eu prometo! Só quero que fique perto de mim... – Segurou-o pelo queixo e deu um breve selinho. – Agora só quero que considere minha proposta.

— Não acha cedo demais para isso? Tenho medo que não aguentemos a pressão de morarmos juntos... – Sorriu a ouvi-lo. O loiro era um tanto difícil, porém encantador.

— Vai dar certo, acredite, vai ser melhor pra nós... Nosso canto, nossa liberdade, tudo!

— Eu vou pensar, prometo! – Viu os olhos azuis à sua frente sorrirem para si. – Você é tão lindo Oga!

— É você meu anjo, que é a criatura mais linda e pura que Deus pôs nesse mundo! – Afastou uma mecha castanha dos olhos do amado, admirado com a singeleza daquele rosto tão doce.

Era tão bom estar com ele... Só esperava que tudo se resolvesse logo...

Notas finais
Gente, sei que esse período está sendo difícil para todos, mas espero que se encontrem bem e que se curtam esse cap feito com muito amor! Lavem bem as mãos! Muitos Bjs no ♥