Hopeless Love
27 O Anoitecer, Lua de Mel Parte 3, Final.
Notas iniciais
Almoçamos de frente para o mar, em uma pequena cabana para dois que era somente utilizada para refeições e que ficava atrás da pousada, onde se tinha uma das vistas mais românticas do mundo: uma praia de areia douradinha e um mar cristalino.
Sorriu bobamente, admirando a vista, já o mesmo desde que saímos do quarto estava emburrado por eu não ter ainda lhe mostrado como posso ser uma menina má.
Sinto uma leve brisa entrar pela janela e sobra meu cabelo para o lado contrario da mesma. Isso faz com que eu alargue meu sorriso e esqueça um pouco minha refeição já pela metade.
Que delicia !
– Você ainda não me mostrou seu lado menina má – Comenta ele, entre garfadas de sua refeição, um prato de Tonkatsu(Costela de porco frita).
Riu de sua impaciência.
– A cada dia que passa eu tenho mais e mais certeza que você nasceu de sete meses – Brinco.
Ele revira os olhos e beberica um pouco de seu suco de tomate, todo emburrado.
– Não mude de assunto – Repreende-me.
Pisco para o mesmo, para logo dar uma generosa garfada em meu Omu-Raisu (Omelete de arroz).
– Não seja impaciente, quando chegar à hora certa eu vou revelar meu lado malvado – Digo, usando meu tom mais doce.
– Não sou impaciente, você que é lerda – Resmunga baixinho, não prestando a atenção no que fala.
Ergo uma de minhas sobrancelhas, desafiadoramente, enquanto que logo em seguida enrijeço meus lábios.
Sinto-me muito irritada com o que ele acabará de dizer.
– Você disse algo, Sasuke ? – Pergunto, inclinando-me para frente, para ficar mais perto do mesmo.
Ele olha-me por um breve instante, para logo bebericar mais uma vez seu suco, optando pelo silencio.
A alegria que há minutos atrás eu sentia havia sumido, dando lugar a uma raiva descomunal.
Jogo o guardanapo que estava em meu colo em cima da mesa e me levanto bruscamente, fazendo a cadeira cair para trás e produzir um barulho irritante.
– Você é um maldito filho da puta, Uchiha. Consegue destruir minha felicidade em um piscar de olhos – Rosno, sentindo meu sangue ferve de raiva.
Ele abre a boca mais não fala nada, completamente chocado.
Afasto-me da mesa a passos rápidos e rígidos de raiva, deixando-o para trás.
Assim que encontro-me fora da cabana e de frente para o mar escuto o mesmo gritar meu nome, mas simplesmente o ignoro e corro de encontro ao mar, abandonando meus chinelos neste processo.
A água morna devido ao sol quente me acolhe como uma velha amiga.
Sigo rapidamente para mais e mais longe da praia, sabendo que um Uchiha extremamente preocupado vinha atrás de mim. Mesmo um pouco mais adiante que ele, eu conseguia escutar sua voz duas vezes mais rouca de preocupação gritando meu nome.
Quando a água já batia perto de meus seios decido parar e apreciar a água que me envolvia até um pouco acima de meu ventre.
A adrenalina aos poucos vai passando, fazendo com que eu me abraçasse e começasse a chorar baixinho.
Sasuke segura meu braço fortemente, com seus dedos gélidos e levemente trêmulos. Isso só faz o aperto em meu coração se intensificar.
– Você é louca ? Como sai correndo daquele jeito... Sakura... ? – Ele para de falar ao vê-me em prantos.
Seus braços me envolvem e eu agarro sua camisa encharcada, chorando mais forte e liberando meus soluços.
Ele acaricia minhas costas e beija o topo de minha cabeça, com sua respiração e coração acelerados. Então eu desmorono em seus braços.
– Desculpa... Eu fiquei com raiva... Você me chamou de lerda... Eu não sou lerda... Desculpa... É culpa dos hormônios... Eu fiquei com tanta raiva... Eu te amo muito... Desculpa... Os hormônios...
Ele cala-me com um beijo sôfrego e muito urgente. Assim que nos separamos encaro-o confusa.
O mesmo sorri, um pequeno sorriso de desculpas.
– Eu que tenho que pedir desculpas, Sakura. Você não é lerda, eu que sou um idiota – Diz, verdadeiramente arrependido.
Ele segura minhas coxas e as puxa para cima, fazendo-me entrelaçar minhas pernas em seu quadril.
O mesmo começa a caminhar de encontro à praia, levando-me em seu colo.
– Sasuke-kun – Chamo-o baixinho, acanhada.
– Sim ?
– Eu não iria tentar me afogar. Só corri para ficar longe de você, porque eu estava com raiva.
– Eu sei, amor – Diz, para logo depositar um beijinho em meu ombro.
– Você me chamou de amor ? – Pergunto, maravilhada.
– Não – Resmunga, obtendo um leve tom de vermelho nas bochechas.
– É culpa dos hormônios, sabe. Eu vou ficar sensível de vez em quando – Digo, para logo enterra meu rosto no vão de seu pescoço alvo. E que continha algumas marcas de chupões, os meus chupões.
– Eu posso lidar com isso se você me prometer uma coisa.
– O que, Sasuke ?
– Que vai tentar ser paciente comigo. Este negocio de ser pai é novidade para mim. Tudo que envolve nós três é novidade para mim.
– Prometo tentar, mas não sei se vou conseguir. Você é muito impaciente.
– Eu sei – Responde, para logo revirar os olhos.
Sorriu e beijo seu ombro, para logo beijar sua bochecha direita. O mesmo suspira e ataca meus lábios sensíveis com muito fervo e selvageria.
[...]
Dois Dias Depois...
Enterro meu rosto no travesseiro, esperando o remédio para enjôo fazer efeito.
Agora entendo como as mulheres grávidas sofrem... Que enjôo, meu Kami!
O cansaço que eu sentia em meu corpo também me incomodava, mas nem tanto e eu já esperava por isso, já que, passamos praticamente esses últimos dois dias explorando os arredores da pousada, fazendo brincadeiras idiotas e muito sexo. Tudo para dissipar a tensão causada pelo “incidente de meus hormônios” na praia dois dias atrás.
– Sakura, você está bem ? – Pergunta-me Sasuke, após sair do banho, todo preocupado como sempre.
– Hum...
– Sim ou não ?
Mesmo com o rosto enterrado no travesseiro e os olhos fechados tenho uma vontade louca de revirar meus olhos e fazer biquinho.
– Estou – Resmungo.
Ouso seus passos cautelosos irem se aproximando da cama.
– O remédio ainda não fez efeito ? – Pergunta, afagando meus cabelos despenteados.
– Não.
– Eu posso fazer alguma coisa para te ajudar ?
– Não.
– Tudo bem, então. Vou me vestir, qualquer coisa me chame.
Ele se afasta da cama e com isso sinto-me abandonada e subitamente agitada.
Afasto meu rosto do travesseiro e abro meus olhos, deparando-me com a semi-nudez de meu adorável marido, que só estava com uma toalha enrolada na cintura, de costas para mim, com seus cabelos úmidos e gotículas de água escorrendo por suas costas e peitoral.
– Sasuke... – Chamo-o manhosa.
Ele se vira e encara-me, com a testa franzida.
– Toma banho comigo – Peço.
Ele sorri. Um sorriso cheio de dentes e promessas. Coro com o olhar lascivo do mesmo, deixando de lado meu enjôo horrível.
O mesmo se aproxima da cama, afasta minhas cobertas e me pega no colo.
– Senhora Uchiha, você só pensa em sexo – Diz, alargando seu sorriso.
– Não, eu também penso em você, de vez em quando – Provoco-o.
Ele solta uma sonora gargalhada enquanto empurra a porta do banheiro com o pé.
– Bem, então terei que fazer com que você só pense em mim. E já sei um modo muito divertido de fazer isso acontecer – Diz, com um olhar safado.
Umedeço meus lábios, lembrando-me da noite passada, quando fizemos sexo três vezes e só não ouve uma quarta, pois fiquei muito enjoada.
Ele coloca-me no chão ainda com seu sorriso lascivo e provocador.
Riu um pouco.
– Então o que está esperando ? Vamos, faça – Ordeno, com a voz embargada de luxuria.
Grito quando o mesmo me pressiona contra a parede do banheiro, bem ao lado do boxe preto. Sua língua invade minha boca avidamente.
Gemo contra seus lábios.
Que gostoso ! Meu Kami, que homem é esse ?!
Suas mãos percorrem minhas costas, depois o mesmo aperta minha cintura, para logo retirar apressadamente a toalha que estava em seu quadril e pressionar seu corpo ainda mais contra o meu.
Percebo que sua ereção já estava bem elevada.
Separamo-nos por falta de ar.
– Venha – Chama-me.
Ele puxa-me para dentro do boxe que ainda estava úmido e com um pouco de vapor.
[...]
Três Dias Depois...
– Droga – Resmunga, olhando pela janela, de costas para mim.
– O que foi ? – Pergunto, terminando de colocar um belo vestido de verão, a fim de aproveitar a nossa manhã da melhor forma possível. Naquela adorável praia que eu aprendi a amar, mesmo após aquele dramático incidente.
– O tempo mudou. Não poderemos passar a manhã na praia. Já está começando a chuviscar.
Suspiro, emburrada.
– E agora ? – Minha voz sai quase infantil.
Ele fecha a janela e se afasta, dando-me a visão de pequenos pingos de chuva batendo contra o vidro da janela. O mesmo se joga na cama, acho eu, que também muito chateado com esse imprevisto da mãe natureza.
Livro-me rapidamente das sandálias e jogo-me ao seu lado, igualmente, ou até mais chateada que o mesmo.
– Vamos esperar um pouco, talvez a chuva... – Ele se cala ao escutar os pingos de chuva irem engrossando e ficando cada vez mais fortes.
– Lá se vai nossa manhã romântica – Resmungo.
Ele nada diz. Apenas se aconchega ainda mais na cama e vem para mais perto de mim. Coloco minha cabeça em seu peito, inspirando seu cheiro.
O mesmo deposita um gostoso beijo no topo de minha cabeça, acabo sorrindo com esse ato dele.
– Eu te amo – Sussurro, começando a sentir minhas pálpebras irem pesando.
– Também te amo.
– Você tem preferência ? – Pergunto, tentando espantar o sono.
Ele se mexe, então o encaro. O mesmo estava com uma expressão confusa.
– Como assim, Sakura ?
– Você quer uma menina ou um menino ?
Ele fica mudo, encarando-me com confusão e surpresa.
– Prefiro que tenha saúde. Não me importo com o sexo.
Faço cara feia para o mesmo.
– Eu quero uma menininha.
– Por quê ? – Pergunta, verdadeiramente interessado em minha resposta.
– Porque meninas são mais apegadas à mãe. Porque eu quero ser uma mãe diferente daquela que me crio. Quero instruir minha filha, ser sua amiga, mentora e acima de tudo sua confidente.
Ele fica quieto, acho eu, porque eu mencionei a minha suposta mãe.
– Você será a melhor mãe do mundo, Sakura.
Sorrio.
– Você também será o melhor pai do mundo, Sasuke-ku.
– Tenho minha duvidas – Resmunga.
Beijo-o com carinho.
– Não tenha duvidas, você será sim um ótimo pai, Sasuke. O melhor do mundo.
[...]
Cinco Dias Depois...
Tudo estava quieto e escuro.
Sasuke ao meu lado da cama dormia serenamente, como um anjo. Tive até pena de acordá-lo, mas era preciso, questão de vida ou morte.
– Sasuke... Amor... Acorde – Sacudo-o um pouco, fazendo-o despertar sobressaltado.
– O que ? O que foi, Sakura ? Você está sentindo alguma coisa ? Dor ? – Bombardeia-me de perguntas, preocupado.
– Bem... – Retorço-me na cama, sem saber ao certo como dizer.
Ele acende a luz do abajur que ficava no criado mudo ao lado de nossa cama e encara-me.
– O que ? Conte-me, Sakura. Agora ! – Ordena, exaltado.
Sorrio, fracamente.
– Eu to com desejo, Sasuke.
Ele suspira, parecendo aliviado.
– Desejo ? Você quer fazer sexo às... 4:32 da madrugada ? – Pergunta, surpreso.
– Não seu bobo. Eu estou com desejo de grávida, estou com desejo de comer certo tipo de comida.
Ele franze a testa e volta a suspirar, para logo coçar os olhos.
– O que você quer comer ? – Pergunta, já se levantando da cama.
– Hum... Quero bolo de cenoura com chocolate, chantili e frutas cristalizadas.
Ele faz cara de nojo, mas não diz nada.
Sorriu bobamente.
Meu marido é perfeito.
[...]
Dois Dias Depois...
Caminhamos de encontra a cabana que ficava por detrás da pousada e de frente para o mar, iríamos terminar nosso dia tomando café da manhã de frente para o mar.
Meu humor estava instável, tudo porque daqui a dois dias nós teríamos que retornar a Konoha. Deixar nossa Lua de Mel mais que perfeita para voltar à loucura que é Konoha com Karin e suas idiotices. Mas graças a nossa maravilhosa Lua de Mel, eu estava confiante e muito mais tranqüila quanto à ruiva vadia.
– Vamos, não fique assim. Podemos tirar férias mais pra frente e vim ficar mais alguns dias aqui – Diz Sasuke, tentando mudar meu humor e me fazer ficar mais alegre.
Reviro meus olhos e fico quieta.
Assim que adentramos a cabana deparamo-nos com um pequeno banquete leve, com frutas, pães, queijos, geléias, bolos, tortas e diversas bebidas. Minha boca até saliva.
Sentamos e começamos a comer. Tudo em silencio.
Um pressentimento ruim me atinge, fazendo com que eu me encolha no lugar.
– Algum problema ? – Pergunta ele, fitando-me intensamente.
– Não, e só que... Não sei. Senti um mau pressentimento.
Ele fica quieto, encarando-me avidamente.
Assim que terminamos a refeição ele sugere que fiquemos na praia e tomemos um banho de lua, só que acabo dizendo não, pois o meu mau pressentimento me persegue e faz com que uma forte angustia preencha meu peito. Sugiro que ele fique na praia, só que ele nega e me segue de encontro ao quarto.
Assim que adentramos a pousada fomos informados que Naruto estava a nossa espera na recepção. E isso faz com que meu coração comesse a galopar. Mesmo sem dizer nada, sei que Sasuke está tão intrigado e preocupado quanto eu. Ele tenta me despista e pede para que eu vá para o quarto, só que bato o pé e o sigo até a recepção.
Assim que avistamos o loiro e ele nós vê, meu coração se comprime ainda mais.
– Sakura-chan... Debe ! – Salda, um pouco menos escandaloso que o de costume.
– O que faz aqui, Naruto ? – Sasuke, pergunta, um tanto ríspido.
– Aconteceu alguma coisa, Naruto ? – Minha voz soa frágil demais.
Ele olha-me de relance e se foca em Sasuke, pedindo permissão para falar, eu acho.
O Uchiha olha-me, avaliando meu estado.
– Sasuke...
Não foi preciso que eu falasse mais nada, o mesmo tinha entendido que eu não sairia dali até descobrir o que quer que fosse que Naruto fosse falar.
– Fale o que aconteceu, Naruto – Ordena meu marido.
Ele nos escara, para logo fitar o chão.
– Quero que saibam que fizemos de tudo para que vocês não precisassem saber disto antes de voltarem a Konoha, pois não queríamos estragar esse momento de vocês, mas...
– Pare de enrolar e fale logo – Ordeno esgotada.
Ele encara-nos intensamente.
– Karin está morta.
Levo minha mão à boca, sufocando uma exclamação de horror.
– O que ?! – Exclama Sasuke, surpreso, confuso e acima de tudo descrente.
Naruto continua, incrivelmente serio.
– Uma semana após vocês terem se ausentado de Konoha, Juugo foi vê como ela estava, só que quando chegou ao apartamento dela, a mesma já não tinha mais vida. O laudo médico acusou overdose. Ela se matou. E os ambus precisam do depoimento de vocês para arquivar o caso.
Me seguro na parede que se encontrava bem ao meu lado, buscando equilíbrio. Ouso Naruto perguntar se eu estava bem, só que nada digo.
Karin cumpriu o que prometeu... Ela se matou. Ela cumpriu o que prometeu... Oh meu Kami !

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