Hopeless Love
3 Morrendo Por Meu Segredo.
Notas iniciais
A noite estava perfeita, com uma grande lua cheia, tendo em voltas milhares de estrelas. A brisa que soprava era fresca e cheirava a flores noturnas.
O plantão havia acabado tarde, meu corpo estava fatigado e dolorido, mas mesmo assim, só em sentir aquela brisa eu já me sentia um pouco mais revigorada.
Meu apartamento não era tão longe assim do hospital, mas mesmo assim tenho que andar rápido, pois as ruas estavam desertas, já que passava das onze da noite. Algo muito comum, já que há essa hora todos já deviam está dormindo no aconchego de seus lares felizes.
Avisto meu prédio, estava tudo escuro e meio deserto, mas não me importo. O que eu mais queria era me jogar debaixo do chuveiro, para logo dormi. Eu não estava com fome, não depois desse dia emocionante: Sasuke me acusando de ser encalhada e jogando na minha cara o quanto minha vida é uma merda. Minha adorável "mãe" indo até meu escritório tentando falar a mesma ladainha de sempre.
Porque eu tenho que ter uma vida tão ferrada assim ? Com um amor inalcançável e uma família – se é que posso chamar de família – perturbada e desequilibrada totalmente.
Só percebo sua presença quando falta apenas um metro de dista entre nós.
– Sasuke ?
Ele me olha de modo impassivo.
– Ouvi o que você disse a sua mãe. Por que disse tudo aquilo ?
Sinto a cor de meu rosto ir se esvaindo aos poucos.
E agora, o que digo ? Como ele escutou ?
Decido ficar quieta.
Em boca fechada não entra mosca. Ou não se fala demais.
Passo por ele como um furação. Fugindo dele e de seus perguntas. Começo a subir o lance de escadas, sabendo que ele vinha logo atrás.
Meu apartamento ficava no ultimo andar. Ou seja, no quinto andar. Ia ser uma caminhada longa, mas bem vinda. Principalmente se no terceiro lance de escadas ele desistisse e voltasse, me deixando assim, em paz. O que não aconteceu.
Procuro as chaves no bolso de meu jaleco branco, mas não as encontro. Ouso um som estridente e conhecido.
Quando me viro vejo Sasuke encostado na parede oposta a porta de meu apartamento, com uma expressão neutra e segurando entre os dedos longos as minhas chaves.
Não consigo esconder meus espanto e minha irritação.
– Me devolva, Uchiha – Ordeno.
Ele arquei as sobrancelhas negras, desafiadoramente. Isso faz meu sangue ferve.
– Sasuke, eu não estou brincando. Me devolva, ou faço um escândalo.
Ele continua neutro, o que me irrita ainda mais.
– SASUKE !
Ele nada diz, apenas caminha tranquilamente de encontro as escadarias, levando consigo minha chave.
Sou uma ninja, então e fácil arrombar uma porta, mas daí como eu ia fechar meu apartamento ? Sem contar que o sindico proibiu estritamente qualquer violência que pudesse fazer barulho. O que me fez questionar sua sanidade, afinal não existe violência sem barulho.
Corro de encontro ao moreno, que descia tranquilamente as escadas, com uma mão no bolso e na outra ele girava minha chave entre os dedos.
– Sasuke-kun – Chamo-o baixinho, usando o sufixo que ele tanto odiava e que, antigamente, era tão prazeroso para mim chamá-lo assim, afinal era algo carinho. E eu queria que ele e todos soubessem do meu amor.
Ele para e me olha, por cima do ombro.
– Por favor... Sasuke-kun... Por favor... Me da à chave.
Ele me avalia por um instante, faço minha expressão mais sofrida. Ouso um barulho forte e conhecido.
Chuva ! Merda, porque quando as coisas estão ruim tem que chover ? Isso e castigo, ou algo assim.
Ele começa a subir, ainda girando as chaves em sua mão, quanto a outra continuava no bolso de sua calça.
Sorriu agradecida, mas ao vê-lo passar por mim, meu sorriso morre.
– Ei ? – Chamo-o chocada com sua atitude.
Ele vasculha com os olhos as três chaves daquele chaveiro, uma da porta de entrada, outra da cozinha e outra uma copia da chave da porta de entrada. Até que pega uma, a da porta de entrada, e a original.
Como ele sabia que era essa ? Ah, sim, o sharinga. Mas ele ativou o sharinga ?
Sou despertada de meus devaneios ao vê-lo entrando em meu apartamento.
– Sasuke...
Corro e adentro meu apartamento. Assim que entro ele fecha a porta, de chave. Guarda a chave no bolso e se joga no sofá.
– Sasuke, o que pensa que está fazendo ? Pega minha chave e ainda invadi minha casa... Que cometer mais algum delido ? – Pergunto.
Aos poucos vou abrindo cada botão de meu jaleco, um por um, de modo lento e despreocupado. Logo jogo-o em cima de uma poltrona. Sinto-me nua perante seu olhar desejoso. Amaldiçôo-me por ter usado aquele vestido, agora indecente. Mas hoje de manhã ele parecia tão simples e sem atrativos. Ainda bem que eu não tinha tirado o jaleco hoje, como sempre fazia.
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Mas que inferno, o que ele realmente quer ? Pergunto-me, frustrada e irritada com sua calma e desejo.
Ele parecia ainda mais sexy daquela forma.
– O que você quer ?
– Saber porque você tratou sua mãe daquele jeito.
– Isso não é da sua conta.
– Se não é da minha, acho que o Naruto vai adorar saber.
– Não se atreva. Você sabe como ele é... Escandaloso – Digo nervosa, passando as mãos por meu vestido.
Desabo no chão, pois minhas pernas perdem a força completamente.
Não... Não. Se ele souber vai me infernizar. Não quero isso... Não posso suportar mais isso, penso quase em desespero.
Sinto braços fortes rodearem minha cintura, um cheiro forte e inebriante me atinge.
Sasuke-kun, penso afetada. Como uma garotinha desprotegida.
Ele passa um de seus braços envolta de minhas pernas, e me ergue em seguida, como se eu não pesasse nada além de algumas poucas gramas. Caminha comigo em seus braços até meu quarto.
Ele me deposita na cama, de modo calmo. Senta-se ao meu lado, olhando-me de modo indecifrável.
– Não conte nada para ele... Por favor, não conte – Imploro fracamente.
– Por quê ? Me de um bom motivo e eu não conto.
Não sei o que dizer, ou fazer. Minha mente se enevoa.
Fecho meus olhos, respiro fundo e imagino está sozinha em meu quarto. Sem Sasuke. Sem problemas. Sem tristeza.
– Sakura, estou esperando um bom motivo.
– Só não conte para ele – Digo, quase inaudivelmente.
– Então me conte, Sakura.
Seus olhos eram pura determinação.
– Porque quer saber ? Minha vida não diz respeito a sua. Volte para a vadia ruiva de sua namorada e me deixe em paz – Rosno.
– Com raiva de mim, Saky ?
– Não, magina. Hoje você praticamente me chamou de mal-amada. De não feminina, de irritante, usurpou minha chave de casa, e ainda invadiu a mesma. Mas não Sasuke, eu não estou com raiva de você. Estou furiosa !
– Esse foi um ótimo resumo – Diz, sério.
Respiro fundo e fecho meus olhos.
– Sakura ?
– Hum... ?
– Desculpe.
Abro meus olhos instantaneamente.
– Desculpe, não ouvi – Digo, sem saber se o que eu ouvi foi mesmo verdade.
Ele aperta os olhos rigidamente.
Engulo em seco.
– Quando sai da sua sala, eu pensei melhor. Nada do que disse é verdade, apenas fiquei irritado com você. Isso acontece com frequência – Diz, lançado-me seu famoso sorriso torto, que me faz sair de órbita e me prender ainda mais a ele – Quando voltei para pedir desculpas, vi o que disse a sua mãe. Ela saiu arrasada. Isso me intrigou, passei o dia todo tentando entender sua atitude, mas como não entendi, aqui estou.
Fico um pouco desarmada por sua honestidade. Sinto-me compelida a lhe contar tudo.
– Sasuke-kun... É complicado.
– Temos a noite toda, Sakura. Afinal, não vou a lugar nenhum com essa chuva.
Olho para além do vidro da janela de meu quarto. A chuva só piorava, e olha que eu havia me esquecido dela.
– Não posso contar. Não consigo.
– Se você não contar, direi ao Naruto o que vi e ouvi. Se eu não posso obter respostas, ele vai.
Olho para o mesmo, sem realmente enxergá-lo.
Abaixo a cabeça. Me remexo um pouco, até ter certeza de minhas palavras.
– Se... Se você contar... – Levanto a cabeça e olho profundamente em seus olhos ônix – Sasuke-kun, se você contar para qualquer pessoa que seja, eu me mato.
Ele arregala os olhos, olhando-me como se eu fosse o ser mais estúpido do mundo.
Talvez eu seja.
Mas naquele momento, preserva aquele segredo era tudo o que eu queria. Nem que para isso, eu tivesse que me matar.
Se eu morrer, meu segredo morre comigo.
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