Hopeless
3 Central Square
Notas iniciais
(...) Nos beijamos...

Ele agarrou em minha cintura de um jeito que fez meu coração quase saltar pela boca. Com a outra mão, ele segurou atrás de minha coxa, logo acima da panturrilha. Eu queria beijá-lo a tarde inteira.
— Sou apaixonado por você desde os meus 13 anos de idade — Ele disse ofegante — Então me beija mais — Sorri com malicia.
Foi naquele momento que percebi que eu ainda gostava dele. Confesso que quando eu tinha 12 anos eu tinha uma quedinha pelo James. E confesso ainda que, descobri que ele também tinha uma quedinha por mim desde aquela idade foi música para meus ouvidos, foi a melhor noticia do dia.
Ele beijou meu pescoço, me fazendo arrepiar-se. Apoiei meu braço no balcão porque eu estava prestes a cair, e eu não queria quebrar o clima. Estava ótimo. Eu o amava.
De repente a campainha tocou. Nós dois tivemos um susto. Tremi.
— Que horas são? — Perguntei assustada — Olhei para o relógio e o relógio indicava dez pras seis, era o horário que minha mãe chegava — Rápido James! Se esconde, mãe não pode te vê aqui. Vem — Disse correndo contra o tempo para as portas do fundo — Olha, você ainda quer ir ao parque? — Perguntei — Você quer ir? Aquilo era só uma desculpa para te vê de novo — Ele respondeu rindo — Ah, seu bobo — Brinquei — Então, James, vamos ao parque. Te vejo daqui à uns 20 minutos na praça central? — Perguntei. Depois de um tempo ele respondeu, ele estava querendo me deixar mais assustada — Claro. Na praça central. 20 minutos. Certo — Ele disse revisando tudo.
Ele beijou. Tive que ficar nas pontas dos pés para alcançá-lo.
— Te vejo daqui a pouco — Disse acenando. Minha mãe já tinha entrado em casa, provavelmente ela teria ido pro quarto. Acho que ela pensou que eu estivesse no meu quarto como sempre.
Quando tudo se acalmou eu não pude acreditar no que tinha acontecido hoje mais cedo. Aquilo não estava se conduzindo com a realidade. "Meu Deus!" pensei.
Tomei banho. Fiz um coque em meu cabelo deixando algumas mechas laterais cair sobre meu rosto, vesti uma jardineira com uma blusinha preta com margaridas, calcei um all star preto cano médio que eu nem lembrava que existia, peguei uma bolsinha lateral com franjinhas para levar meu celular e alguns trocados que minha mãe provavelmente me daria para completar o dinheiro da minha mesada para comprar os ingressos e alguns doces.
— Mãe? Vou ao parque tudo bem? — Perguntei, ela estava assistindo TV enquanto o entregador de pizza não chegava. Essa seria a janta dela e do meu avô, que deve ter passado a tarde dormindo, ou não varando lendo alguma coisa.
— Mas eu pedi pizza, Melinda — Ela disse
— Guarda duas fatias para mim? Eu só queria sair de casa um pouco hoje, já faz tanto tempo que não vejo a lua, mãe.
— Hm, tudo bem. Mas volte cedo, viu, mocinha?
— Ok, mãe — Disse sorrindo quase fechando a porta, quando lembrei — AH, mãe! Pode me dar alguns trocados pra comprar doces? — Perguntei na esperança dela ser bondosa e ter dó da sua filha em busca de uma vida social.
— Tem 20 reais na minha bolsa, pegue — Ela disse sem ligar muito, minha mãe estava estranha — Ah, Melinda, quero você em casa às 21hrs.
— Não se preocupe. Eu chego antes até. Tchau, beijos — Disse fechando a porta.
Fui até a praça central, eu não parava de sorri. Sorria para todo mundo que passava por mim, o vento estava soprando ao meu favor. Cheguei próxima a praça central e o James estava sentado em um banco embaixo de uma árvore, do lado tinha um poste, e um pouco mais para a esquerda, uma cabine de telefone. Me aproximei mais e ele me notou, se levantou e acenou. Eu baixei a cabeça, não pude segurar meu sorriso. Aquilo era bom de mais para ser verdade. Cheguei mais perto dele.
— Você está linda — Ele disse corando.
— Obrigada — Sorri com muita vergonha, eu não parecia a mesma menina de hoje a tarde — Então, vamos?
— Ah, claro. Meus amigos estão lá — Ele disse sem graça.
Caminhamos com vergonha pela calçada sem nos dar as mãos. Eu estava com as mãos para trás, caminhando com longos e desajeitados passos, enquanto ele estava andando com as mãos dentro do bolso de sua calça jeans.
Eu já estava desajustada por está andando com as mãos assim, parecia uma prisioneira, coloquei minhas mãos normais, se ele estivesse que pegar em minha mão, a hora era agora. Ele não pegou na minha mão.
Depois de um tempo, mais ou menos uns 3 minutos, o James delicadamente e timidamente segurou minha mão, e eu não tinha percebido, ele estava esperando a hora perfeita. Eu amo esse menino. Só fui perceber quando ele enroscou nossos dedos, e apertou, como se dissesse "tu me és, e eu te sou".
Chegamos ao parque. Os amigos deles eram todos mais velho, na verdade, eles eram só mais um ano mais velho do que eu, assim como o James, eu tenho 16 e ele 17. Tinha algumas meninas, Katie e Cassie. E os meninos eram o Zed, o Max e o Michael.
Fomos em alguns brinquedos grandes, como eu costumo chamar, aqueles que viram de cabeça para baixo, ou que gira rápido e muitas vezes, que me deixam tonta só de olhar, também fomos no túnel assombrado e eu nunca pensei que fosse sentir tanto medo. A cada grito dos bonecos do brinquedo eu tremia, mas o James sempre me abraçava deixando um ar de "vai ficar tudo bem"
Por fim, ele me chamou para ir na roda gigante. Eu tinha medo de altura, nossa, agora que eu percebi que eu sou muito medrosa, mas não contei ao James porque ele me chamou para ir na roda gigante, o que eu achei bem fofo.
Quando chegamos lá em cima a roda parou para entrar mais pessoas, eu estava com muito medo, mas não queria preocupá-lo. Olhar para baixo não ajudaria, então levantei a cabeça, fechei os olhos e senti a brisa do vento gelado la de cima balançar as mechas do meu cabelo que estavam soltas e em minha franja. Parecia que eu estava voando.
— Tá tudo bem, Melinda? — James perguntou.
— Claro... gosto de senti a brisa. Você não gosta? Tente uma vez, acho que você vai gostar, James
— Ok...
Eu não pude vê se ele tinha testando mesmo, mas o brinquedo voltou a rodar e acabou meu momento com o vento. Ainda com os olhos fechados, senti o James se aproximar mais um pouco de mim.
Abri meus olhos, e ele tocou o meu rosto com suas mãos. Ele segurou meu rosto delicadamente. Coloquei minha mão em sua nuca, encostando minha testa na dele.
— Eu te amo, Melinda — Ele sussurrou.
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