Hopeless
9 Granada
Notas iniciais
Annabeth tinha os dedos entrelaçados e batia um dedão contra o outro repetidamente, tentando controlar uma crise de ansiedade. Ela esperava por Percy, esperava pela policia, esperava por noticias de seu pai, esperava pelas conseqüências. Ela fora atendida há poucas horas, e fora aconselhada a descansar, nenhuma hemorragia interna, nenhum osso quebrado. Agora estava sentada na sala de espera ao lado de Rachel E. Dare com dois médicos a vigiando discretamente (ou acreditavam que estavam) enquanto ela apenas esperava.
Rachel pigarreou ao lado dela, fazendo-a para de bater os dedos, e voltar seu olhar para a ruiva, uma sobrancelha arqueada.
— Você está bem? — perguntou, Annabeth desviou os olhos e voltou a bater os dedos contra os outros — Olha, eu não fazia ideia, ok?
A loira abaixou a cabeça e pressionou a tempora, fechando os olhos.
— Não… importa mais — sussurrou ela, levantando a cabeça — Percy pode estar morto bem agora — seus olhos se encheram de lagrimas — A policia vai chegar e levar Frederick e me levar, ele vai pagar a fiança e me caçar, e provavelmente vou terminar morta também!
Rachel tinha os olhos arregalados, os médicos pararam de tentar ser discretos e olhavam para a loira, alarmados. Annabeth percebeu que havia se levantado e estava gritando.
Se sentou novamente, enterrando o rosto nas mãos, de modo que não viu uma médica de cabelos castanhos cruzar o corredor em direção às duas. Rachel agarrou seu braço, trazendo-a de volta a realidade. Ela levantou o rosto e encarou a mulher que se aproximava, ela tinha cabelos castanhos encaracolados e olhos tão verdes quanto os de Percy.
Eles estavam vermelhos.
Annabeth estremeceu, sentindo os olhos se encherem de lagrimas.
Não, não, não. Não!
A mulher parou à sua frente e se abaixou, de modo que ficasse do mesmo tamanho de Annabeth sentada.
— Você é Annabeth? — sua voz era gentil, a loira assentiu, as lagrimas escapando-lhe dos olhos — eu sou Sally Jackson, é um prazer finalmente conhecê-la.
A loira ficou momentaneamente tonta, Sally Jackson? A mãe de Percy.
— V-você deve me odiar — gaguejou enterrando o rosto nas mãos de novo — eu sinto muito, eu sinto muito mesmo.
Surpreendentemente Sally a abraçou, ela tinha cheiro de hospital.
— Psst,querida, isso ia acontecer de qualquer jeito, não é sua culpa. Tudo bem? — ela alisou seus cabelos — se acalme, sim? Percy está te esperando.
Annabeth desfez o abraço e olhou para a médica a sua frente, confusa.
— Ele está bem?
A Sra Jackson sorriu.
— Só um pouco cansado. É a ultima porta à esquerda. Quanto a senhorita… — Sally se virou para Rachel, mas dois policiais se aproximaram.
— Com licença, Annabeth Chase?
— Sim.
— Mora no Upper West Side?
—Sim.
A policial da direita puxou um bloco de notas.
— Meu nome é Nemesis e eu preciso fazer algumas perguntas.
Annabeth sentiu o sangue gelar.
— Tudo bem.
— Às 7h dessa noite recebemos uma chamada da ambulância, aparentemente uma adolescente desesperada havia ligado para eles na presença de três pessoas desacordadas: dois adolescentes e um adulto. Confirma? — Annabeth assentiu, ela abaixou a cabeça e anotou algo em seu bloco, depois voltou a encarar a loira — O que exatamente aconteceu?
Annabeth engoliu um seco, ela não podia ir para um lar adotivo ou algo assim, ela gostava da casa dela, ela poderia suportar Freddie.
— Nós fomos assaltados. Por uma gangue, mas não deu tempo de roubar nada, por que nós reagimos e deu no que deu, Rachel já estava chamando a ambulância.
A loira fez um gesto na direção da outra, que ergueu as sobrancelhas, Annabeth lançou um olhar você-me-deve-isso.
— F-foi exatamente o que aconteceu.
— E vocês saberiam reconhecer essa gangue?
Antes que Annabeth pudesse dizer qualquer coisa Rachel respondeu:
— Clarisse La Rue.
A loira arregalou os olhos, Clarisse podia ser irritante, mas não merecia ser presa injustamente.
— A informação procede? — perguntou Nemesis.
— E-eu não pude reconhecer — murmurou Annabeth, os policiais se afastaram e a loira seguiu em frente, ansiosa para ver Percy.
Ela parou na frente da porta, indecisa, se inclinou em direção a maçaneta, mas então recuou. Finalmente, tendo em mente o que iria fazer, abriu a porta e entrou.
Percy estava meio deitado, com vários aparelhos conectados ao corpo, seu cabelo extremamente negro estava varrido de um lado. Ele sorria. Thalia estava ao seu lado rindo.
A visão era torturante.
— Eu estava imaginando quando você finalmente iria entrar.
A loira se manteve perto da porta e encarou o chão. Respirou fundo algumas vezes e ergueu os olhos, Percy continuava sorrindo.
— Sabe por que Thalia me chama de Cabeça de Alga? — disse — eu estava surfando e acabei me afogando, não é uma sensação legal, afogar, mas o que vem ao caso é quando acordei na praia, meu cabelo era um emaranhado de algas. Não é engraçado? Essa foi a sensação que eu senti hoje, afogamento. — ele continuava a sorrir sem ter nenhum motivo.
Annabeth piscou os olhos com força, querendo acabar logo com aquilo.
— Olha, eu sinto muito mesmo, ok? Isso nunca vai acontecer de novo. Eu só faço mal a você.
O sorriso do moreno se desfez.
— Do que você está falando?
— Isso não pode continuar, você não pode continuar a se machucar por minha causa.
Annabeth virou as costas e girou a maçaneta.
— Você não pode simplesmente sair assim! — gritou ele — Você não tem idéia do que está falando! Você não está me matando. Está me salvando!
A loira fechou os olhos, tentando impedir as lagrimas de rolarem e abriu a porta.
— Tudo bem! É melhor assim então, desse modo eu não machuco ninguém.
Annabeth se virou para ele novamente, perplexa.
— O quê?
— Eu sou uma granada, Annabeth, uma granada prestes a explodir, e que vai machucar muita gente quando isso acontecer.
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