Hopeless
4 Carona
Notas iniciais
Annabeth recuperou o controle sobre os seus membros e correu em direção à Percy, empurrando seu peito, para que se afastasse.
— Não faça isso — sussurrou ela
O moreno não olhava para ela, seus olhos estavam vermelhos de raiva, fixados em Frederick Chase, que ainda assistia o desenho, alheio à batalha que ocorria logo atrás dele.
A garota encontrou força e empurrou Percy para trás.
— Ele bateu em você! Ele bate em você! — protestou o garoto.
Annabeth empurrou-o novamente, conseguindo adentrar em seu quarto.
— E você vai fazer o que? A mesma coisa que ele faz comigo todos os dias? Você só vai piorar as coisas para mim.
Finalmente os olhos verde mar encontraram os seus e o moreno parou de lutar, suspirando, derrotado.
— Você não pode ficar aqui. Isso não pode continuar, você não merece isso.
— Você não me conhece. Eu deixei a minha mãe morrer!
— Eu estava lá! Eu vi o que aconteceu! Você não poderia ter feito nada, nada.
— Você não sabe nada sobre mim.
— Eu não sei? Eu não sei? Sei que você não poderia ter feito nada, sei que você tem pesadelos todas as noites, sei que você sente que falhou em ser igual a sua mãe e por isso é bulêmica, sei que seu pior medo são aranhas, sei que você tentou suicídio na primeira semana depois da morte da sua mãe, sei que sonha em ser arquiteta, sei que sonha ir ao Parthenon, sei que queria ter cabelos negros para ser mais respeitada, sei que assiste filmes da Disney todas as noites para fingir que ainda é criança e que nada ruim nunca aconteceu, que tudo ainda é um conto de fadas, onde todos são felizes para sempre. Sei que chora até conseguir dormir, sei que você ama uvas* e me odeia, sei que você e a pessoa mais interessante que eu já conheci.
Annabeth tinha os olhos vermelhos e as bochechas coradas, ela olhava para Percy de modo bobo e zangado, por fim, ela murmurou:
— Eu não odeio você.
O garoto se empertigou:
— Então o que?
— Saia logo da minha casa.
— Mas…
— Vá logo, antes que você provoque minha morte.
Percy franziu o cenho, deu de ombros e pulou a janela, subindo a escada de incêndio enquanto resmungava coisas incoerentes sobre qual é a definição das garotas sobre ódio.
...
Annabeth se deitou na cama, se encolhendo abaixo do cobertor enquanto pensava no que acabara de acontecer, um pequeno sorriso se desenhou em seu rosto, e, pela primeira vez, ela não chorou ate dormir, pela primeira vez, ela não teve pesadelos, seus sonhos foram apenas preenchidos por um sorriso travesso, olhos verde mar, e um leve cheiro de maresia.
A manhã seguinte fazia um calor quase insuportável, era um bom dia para matar aula, mas só de pensar na cara de seu pai quando a escola ligasse em sua casa, Annabeth resolveu encarar o calor.
Ela tomou banho na água fria, vestiu o suéter mais fresco que tinha, e depois de analisar as pernas decidiu que podia arriscar um short, apenas um hematoma dava para ser visto, e poderia ser de um tombo ou de um esbarrão. Annabeth sorriu satisfeita, ainda fazia calor, mas estava bem mais suportável. Prendendo o cabelo em um nó ela saiu para a cozinha, preparar o café da manhã.
...
Percy Jackson batucou os dedos no volante de seu carro, não, não era um carro de luxo, embora ele tivesse alguns, o garoto odiava sair por ai se exibindo como alguns garotos de sua escola e… seus pensamentos se perderam ao avistar a loira saindo do prédio segurado alguns livros, e naquele momento, quando os sol refletiu em seus cabelos, Percy pode jurar que a garota era um anjo.
Ele abaixou o vidro do carro, chamando a atenção da garota, que estreitou os olhos, os cantos da boca se repuxando levemente.
— Carona? — perguntou o moreno
— Eu ainda consigo andar, obrigado.
— Eu também consigo andar sabia? Nem por isso vou caminhar dez blocos carregando livros.
A garota revirou os olhos, mas jogou os materiais pela janela e entrou no carro. Percy sorriu vitorioso.
— Idiota — resmungou a loira.
— De nada.
O garoto olhou para o suéter da Annabeth, franzindo as sobrancelhas, ela devia estar com calor, ele fechou as janelas do carro e ligou o ar condicionado, a garota arqueou as sobrancelhas, ela não estava acostumada com gentilezas.
Percy ligou o radio, tentando se distrair com algo que não fosse encarar a garota ao seu lado, mas sempre que parava em algum sinal de transito seu olhar se desviava automaticamente para a loira, e ele ficava contemplando seus cabelos, seu pescoço gracioso, sua boca curvada em um sorriso.
— Então — Annabeth disse fazendo o garoto se sobressaltar e corar logo em seguida — como sabe tudo aquilo sobre mim?
Percy ficou vermelho:
— Eu, huh, te observava na escola e… enquanto dormia.
Ela ergueu uma sobrancelha:
— E por que fazia isso?
— Como eu disse, você é a pessoa mais interessante que eu já conheci.
A garota voltou o olhar para a rua, percebendo que já chegara à escola, ela saiu do carro, virou-se para ele e cerrou os olhos, como se fizesse esforço:
— Obrigado pela carona.
Percy deu uma risada, todo aquele esforço para agradecer.
— Como eu sou uma pessoa legal, você não vai precisar me agradecer nos próximos dias.
A garota balançou a cabeça, sorrindo e adentrou na escola. Se dirigindo ao seu armário Annabeth esbarrou com uma garota morena que começou a xingá-la de todos os nomes possíveis.
A loira arregalou os olhos:
— Thalia! — e pulou no pescoço da garota.
A morena olhou assustada para a loira que a abraçava.
— Annabeth? Você está me sufocando, pode parar com esse exagero e me soltar?
— Exagero? Exagero! Faz só dois meses que você não vem à aula, seu pai me disse que você estava, possivelmente, morta.
A garota bufou, revirando os olhos.
— E você não acreditou, não é?
— Claro que não, mas achei que não ter veria tão cedo.
— Tanto faz, estou aqui não estou?
Annabeth amarrou a cara e empurrou o ombro da amiga.
— Você sabe o que é passar dois meses sem ninguém te apoiando? Sem ninguém que para te abraçar? Sem ninguém para perguntar como foi seu dia?
— Você sabe que eu sei. Mas olha! As marcas nos meus braços diminuíram, o que quer dizer que estou usando menos, e você está usando shorts!
— E um suéter. Nada mudou Thalia.
A outra mordeu o lábio inferior:
— Vamos, temos aula de Inglês juntas agora.
...
— Então, como vai o nosso querido Freddie?
— Vivo.
— Não graças a mim — Percy apareceu ao lado da mesa com uma bandeja de comida.
Thalia fez biquinho para Annabeth.
— Você é uma garota misericordiosa. — ela se virou para o moreno erguendo as sobrancelhas — então, o que eu perdi?
Annabeth bufou.
— Te mando a lista amanhã.
A morena olhou para a amiga:
— Eu já pedi desculpas.
— Na verdade não pediu.
— Estou pedindo agora.
A loira suspirou:
— Rachel Dare descobriu tudo e agora Percy Jackson está me importunando. Sabia que ele me observava dormindo?
Percy revirou os olhos e se sentou:
— Ela ainda não conseguiu me perdoar por dar carona hoje cedo.
Thalia deu uma risada.
— Então priminho, você está encrencado, ela nunca vai te perdoar por ser gentil com ela. É por isso que eu não sou.
— Priminho? — indagou Annabeth
— É, nós somos primos, de primeiro gral — ela deu de ombros — eu costumo evitar essa informação.
— Certo, Cara de Pinheiro, mas eu não estou aqui por você.
— Eu percebi Cabeça de Alga.
— Cara de Pinheiro? Cabeça de Alga? Eu não vou nem perguntar.
— Não pergunte. — disse Thalia.
— Então — Percy empurrou a bandeja de comida na direção de Annabeth — sua refeição.
Annabeth ergueu as sobrancelhas, Percy Jackson estava cuidando dela? A garota olhou para a bandeja e para o garoto.
— Isso tudo?
O moreno revirou os olhos, ele poderia repetir aquela refeição duas vezes e ainda estaria com fome.
— Anda, nós dividimos.
A garota pegou uma maçã receosa, Percy fingiu que comia algumas coisas, mas então Annabeth começou a devorar toda a comida, não deixando nada para ele.
Aquela era a intenção.
— Oh meu Deus! Eu comi isso tudo? — a loira olhou para a bandeja devastada com os olhos arregalados
— Sim — respondeu Thalia levemente assustada
Annabeth fez menção de se levantar, provavelmente para ir ao banheiro vomitar tudo.
— Não. — Percy segurou seu braço, olhando-a seriamente — você nunca mais vai fazer isso
— Você não manda em mim — disse Annabeth pausadamente, como uma criança — você não pode me impedir.
— Não posso, mas você pode! Vamos, Annabeth, você consegue se controlar.
— Eu não preciso me controlar! Eu não sou uma pessoa doente!
— Sim, você é. E a primeira coisa que você precisa para se curar é aceitar isso.
Annabeth sentiu o peito se inflar de irritação, nunca, nunca, diga que ela é doente, nunca diga à ela o que fazer. A garota desferiu um soco contra o rosto do moreno, e no mesmo momento que o fez se sentiu mal. O que ela estava fazendo? Ela não era Frederick. Ela contemplou os olhos de Percy encontrarem os dela, magoado. O garoto se enfureceu e se levantou, o rosto a centimetros da loira.
— Então vai. Vai, vomite tudo. Siga com isso. Eu não me importo mais.
Notas finais
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