Hopeless
1 Memories
Notas iniciais
Já eram 02:00 da manhã, e eu não conseguia dormir. Fiquei contemplando as estrelas que brilhavam através da janela ao lado direito da minha cama, quando me lembrei de tudo o que eu mais queria esquecer...
Flashback On~
16 de Novembro de 2002
Eu tinha apenas seis anos. Estava em casa com meus pais e nosso labrador, Piper. Estávamos sentados à mesa, apenas conversando, quando de repente, ouviu-se um barulho na porta da frente. Um barulho muito forte. Meu pai se levantou e foi ver o que tinha acontecido, enquanto minha mãe me puxava pelo braço para subir as escadas com ela e Piper. Fomos até o meu quarto. Ela fechou a porta, me colocou sentada na cama, pegou uma caneta e um papel e começou a escrever algo que eu não me lembro. Lembro-me de ter perguntado pelo meu pai. Ela disse que ficaria tudo bem. Então, de repente, três homens entraram com tudo em meu quarto, pegaram minha mãe que chorava, pelo braço e a carregaram com eles. Me lembro que fiquei com Piper dentro do quarto, muito assustada. De repente ouço um disparo. Mais um. Outro. E outro. Então, quando um silêncio aterrador tomou conta da casa, senti uma lágrima que parecia pesar mais doque um navio, escorrer pelo meu rosto. Então me levantei, e fui com Piper até a sala de estar, onde encontrei os corpos ensanguentados da minha mãe e do meu pai no chão. Meu pai já estava completamente incinsciente, mas minha mãe, quando viu que eu estava ali, me chamou para perto. Andei devagar até ela, e me ajoelhei ao seu lado. Ela sorriu para mim, arrancou um medalhão de seu pescoço, e me entregou dizendo
–Te amo pra sempre, meu anjo.
Depois disso, seus olhos ficaram completamente imóveis, fitando o nada. Ela se fora. Agora tudo o que eu tinha era o Piper, e um medalhão ensanguentado. Lembro-me de ficar algumas horas ali, deitada ao lado do corpo frio e gélido da minha mãe, enquanto Piper lambia o pálido rosto do meu pai. Até que, cinco homens entraram em minha casa. Dei um pulo de susto, e encostei-me no canto da parede, com os olhos arregalados enquanto um deles se aproximava dizendo
–Calma, estamos aqui para te ajudar. Somos policiais...
Me acalmei quando ouvi aquelas palavras. Me sentei no chão olhando para o medalhão cheio de sangue em minhas mãos. Um dos homens, não lembro-me de suas características, chegou bem perto de mim, enxugou uma lágrima que descia pelo meu rosto, sorriu para mim, e me perguntou meu nome. Em meio a soluços, eu respondi
–Nora... Nora James.
Ele sorriu, e disse que encontrariam um lar para mim em breve. Fiquei meio confusa na hora, mas já não me sobravam forças para hesitar. Ouvi um dos policiais dizendo que teriam de levar Piper para um canil. Nessa hora eu não aguentei. Me levantei, abraçei Piper com toda força e disse
–Se eu tiver que ir para qualquer lugar, Piper vai comigo!
Dois dos policias riram, enquanto outro disse
–Mocinha, o cachorro terá que vir conosco. Você fica ai com os outros, e depois nós vemos oque fazemos com você.
Pegaram Piper e o levaram ao carro, enquanto eu gritava implorando para não tirarem de mim tudo oque me sobrou. Os outros dois policiais que ficaram comigo me levaram para outra viatura, e o que dirigia falou
–Não ligue para o que o Connor disse. Ele é assim mesmo. Vamos arrumar um lar para você
Eu apenas acenei a cabeça, concordando. Me levaram até um orfanato. O orfanato no qual eu passei mais três anos da minha vida. Ninguém lá me dava atenção. Até os que deveriam cuidar de mim, me desprezavam, se eu discordassemos de algo, éramos severamente castigados, e até agredidos. Até que um dia, quando eu estava com nove anos, apareceu uma mulher que aparentava ter uns vinte e poucos anos, com os cabelos loiros lisos na cintura, uma blusa que deixava parte de sua barriga amostra, calça jeans escura, um tênis, segurando uma bolsinha vermelha em uma mão e um cigarro em sua boca... E é com ela que eu vivo, até hoje.
Flashback Off~
Fui tirada de meus pensamentos, subitamente, com alguém gritando. Era ela. Bethanny. A mulher que me criou. Muito mal por sinal
–Levanta dessa cama garota, você tem escola hoje!
Joguei meu relógio de mesa na porta, fazendo um barulho alto e gritei
–Cala a boca!
–Cala a boca nada sua inútil! Vai, levanta logo dessa cama antes que eu perca a paciência!
–Aaaaah!
Me levantei, e fui direto pra o banheiro do meu quarto. Parei em frente ao espelho raxado em cima da pia, e me olhei. Não estava muito diferente. Pálida, Meus cabelos pretos lisos escorriam pelos meus ombros, com resto da maquiagem de meus olhos escorrendo, estremamente magra... Tirei a roupa, liguei o chuveiro e deixei a água que descia, escorrer por meu corpo, enquanto fitava uma lâmina na prateleira que tinha dentro do box. Hesitei por alguns minutos quando olhei para os meus pulsos, já cheios de cortes. Mas então quando pensei em tudo oque tenho sofrido, pego a lâmina rapidamente e faço meu primeiro corte do dia. Fecho forte os olhos enquanto sinto meu pulso arder. Abri os olhos e vi o sangue que delicadamente escorria pelo meu pulso e caia no chão se misturar com a água. Desliguei o chuveiro, me enrolei em uma toalha, e quando sai, dei de cara com um homem em meu quarto.
–Quem é você?
Eu disse assustada. Ele sorriu e disse
–Sou Mark.
–Saia do meu quarto!
–Calma princesa, não vou te fazer mal
–Sai daqui agora!
Ele me agarrou, me jogou contra a parede, fazendo com que a toalha caísse. O único nome que me veio a mente, infelizmente foi o dela
–Bethanny!
Ela veio andando calmamente, parou na porta, olhou para o tal Mark que falou
–Então Beth... É essa?
Ela sorriu para ele e disse
–É essa sim! Divirtam-se...
Então ela fechou a porta, e ouvi um barulho de chave. Ela tinha me trancado lá dentro com esse cara. Ele chegou perto de mim, e quando estendeu a mão para tocar meu rosto, eu apertei a mão dele. Então ele disse
–Tem certeza que quer resistir? Você já está com a vida toda ferrada mesmo...
Então eu sorri para ele e disse
–Hoje não...
Quando tentei sair, ele segurou meu braço com força, me jogou na cama e disse
–Isso vai ser mais divertido doque eu pensei...
Então ele veio pra cima de mim. Quanto mais eu tentava gritar, menos adiantava. Então aconteceu. Que ótimo! Agora além de drogada, bêbada e depressiva, as pessoas vão me chamar também de vadia. Senti como se a única chama de esperança em mim tivesse se apagado completamente. Agora, mais do que nunca, eu estava sem esperanças.
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