Hope Of A Vampire
4 Inesperado
Notas iniciais
Da lanchonete fomos direto para o hotel, eu havia dito para Luther que queria ficar um pouco sozinha para pensar sobre o que eu iria fazer. Ele concordou comigo e resolveu ficar na sala vendo TV para deixar o quarto para mim. Agradeci a ele pela sua compreensão e fui para o quarto, fechando a porta atrás de mim.
Minha mente estava tão confusa. Metade de mim queria pegar o carro agora e ir atrás dela para abraçá-la e dizer que tinha sentindo muito sua falta, para ela nunca mais me abandonar, essa era a parte emocional. Já a parte racional dizia que ela não seria mais a mesma mulher que cuidou de mim desde meu nascimento até seus últimos momentos, de certa forma, já que ela não estava completamente morta.
Havia muitas histórias que diziam que uma vez que a pessoa esteja morta, mesmo que ela volte sempre tem um lado ruim dentro dela, que pode ser escondido dependendo da força que a pessoa possua para controlar esse lado.
Desisti de ficar pensando e fui tomar um banho.
Fui para a sala pra dizer pro Luther se ele queria usar o quarto ou o banheiro, mas ele estava no telefone. Esperei ele acabar de falar pra perguntar sobre o que era.
–Era a Meg, ela disse que encontrou outro clã de vampiros não muito longe daqui e pra ver se você estava bem. -respondeu.
–Hum. –murmurei.
–E aí, topa mata uns malas?-perguntou pra mim com um sorriso começando a aparecer.
–Claro! -respondi animada com a oportunidade.
Arrumamos as coisas e colocamos no carro e então fomos para o lugar que Meg havia nos dito, que, para nossa surpresa, era apenas uma casa comum.
Entramos no maior silencio possível e a casa estava incrivelmente limpa e organizada, ela possuía tudo que uma casa normal possui. Passamos pela cozinha e eu não consegui controlar minha curiosidade e abri a geladeira pra ver o que tinha dentro.
Quando eu abri, eu não sei com o que fiquei mais surpresa.
A geladeira estava cheia de comida de humanos e de saquinhos de sangue, daqueles que ficam nos hospitais. O que aquelas coisas estavam fazendo ali? Pelo que eu sei, vampiros não comem comida normal e só tomam sangue de corpos e não de saquinhos.
Segurei a camisa do Luther que estava na minha frente e o puxei para trás pra ver a geladeira. Ele me olhou com um cara de espanto incrivelmente engraçada.
–O que isso está fazendo ai? –sussurrou pra mim.
–Não faço idéia. –respondi.
Nós ficamos mais um tempo olhando pra geladeira e então resolvemos deixar pra lá. Continuamos entrando na casa e indo em direção aos quartos, como é meio dia, eles devem estar dormindo a essa hora.
Entramos cada um em um quarto, muito silenciosamente, e novamente, fiquei chocada.
As camas estavam vazias, arrumadas. Havia material escolar em cima de uma das escrivaninhas, o cesto de roupa suja estava cheio, e o guarda roupa tinha muitas roupas novas.
Voltei para o corredor pra encontrar com meu amigo, mas ele não estava lá. Entrei então no quarto que ele tinha ficado responsável e encontrei ele paralisado enquanto olhava para as camas vazias.
–Onde eles estão? –perguntou-me.
–Não faço idéia. –repeti o que havia dito agora pouco.
–Isso não é normal. Eles não podem sair no Sol, pelo menos, eu acho que não. –falou.
Então ouvimos o barulho de um ônibus buzinando aqui na frente e em seguida a porta sendo aberta. Olhamos um para a cara do outro e rapidamente nos encostamos em cada canto da porta, de um jeito que as pessoas que tivessem chegado não nos vissem e ficamos esperando.
Depois de um tempo que parecia incrivelmente grande, ouvimos passos no corredor e nos preparamos para a luta. Assim que o vampiro entrou no quarto, Luther pegou o pescoço dele e segurou com muita força, e se fosse uma pessoa normal já estaria morrendo.
Ela ficou parada olhando pra nossos rostos com os olhos arregalados e as mãos levantadas em uma forma de mostrar que se rende.
–Você sabe o que eu vou fazer. –Luther falou para a vampira.
Ela olhou para sua outra mão e viu a faca que ele segurava.
–Me matar. –respondeu com a voz meio rouca por causa da força que Luther estava fazendo para segurar seu pescoço.
Ela fechou então os olhos e ficou esperando ele matá-la.
Olhamos um para a cara do outro com expressões de duvida e espanto. Pensei uma segunda vez no que eu ia fazer, só pra ter certeza de que nada iria me dizer que eu estava fazendo a coisa errada. Respirei bem fundo e falei:
–Solte-a.
–O QUÊ?- ele gritou pra mim.
–Você vai fugir? –perguntei para a vampira.
Ela respondeu que não com um movimento de cabeça.
–Solte-a. — insisti.
Ele olhou pra mim por mais um tempo e então soltou um suspiro pesado e a soltou. Paralisei enquanto esperava ela sair correndo pela porta, mas ela sentou na beira da cama e esfregou as mãos em volta do pescoço.
–Obrigada. – agradeceu.
Olhei mais uma vez para Luther pra ver como ele estava antes de falar.
–Qual o seu nome? – perguntei para ela.
Ela olhou pra mim com seus olhos castanhos examinando-me antes de responder.
–Sunny.
Eu não sabia como começar nem o porquê de eu estar fazendo isso, mas algo me dizia que ia acabar em alguma coisa boa. Eu precisava falar com ela, caso contrário teria deixado Luther matá-la.
–Onde você estava? Era pra você estar dormindo. – perguntei mais como uma acusação.
–Na escola. – ela respondeu.
–ESCOLA? – Luther gritou, chocado.
Ela assentiu.
–Eu tenho aula de segunda à sexta. É uma maneira de me enturmar. – explicou.
Fiquei um minuto em silêncio digerindo a informação.
–Mas você na pode sair no Sol. Iria morrer! – exclamei um pouco assustada.
–Eu não tenho esse problema, eu não tomo só sangue, eu como comida humana, o que ajuda o corpo a se proteger do Sol. Sim, é estranho, mas é muito bom saber. Se não fosse por isso, teria sido difícil pra meus pais arrumarem emprego apenas na parte da noite, e pegar sangue do hospital seria mais difícil se meus pais não trabalhassem lá.
–Espera! Vocês não matam as pessoas para se alimentar? – perguntei com uma ponta de esperança.
–Não, não gostamos de fazer isso. É errado, então nós pegamos o sangue doado para o hospital, mas também comemos comida normal, então não precisamos tanto de sangue, mas ainda assim, tem que tomar, caso contrário...
A voz dela foi sumindo aos poucos, me deixando sozinha com meus pensamentos. Não era necessário ser um monstro. Eu poderia ter minha mãe de volta, podemos ser normais de novo, bem, quase normais. Tudo iria ficar bem.
Senti uma lágrima descendo pela minha bochecha, mas dessa vez, era de felicidade. Eu iria ter minha mãe de volta.
Fale com o autor