Hope
2 Capítulo I
Notas iniciais
Voltei correndo pra casa, abri a porta da frente devagar, ela rangeu alto.
Ele estava sentado em sua poltrona na sala, passei por trás dele, em silêncio.
– Onde estava? – perguntou enquanto eu subia as escadas
– Passeando. – respondi, sem mais delongas.
– As roupas do seu irmão estão espalhadas por todo o quarto. – disse ele, ainda olhando fixamente para a tv onde passava um noticiário sobre um incêndio em uma casa na cidade.
– Isso porquê ele as deixou espalhadas. – respondi em voz tão baixa que ele não me ouviu.
– Arrume-as. – ele ordenou depois de uns segundos de silêncio.
Raphael tinha 11 anos, seus cabelos e olhos negros realçavam a pele clara e a boca rosada e fina. Raph passava o dia todo jogando videogame, não sabia fazer mais nada além disso, mas não era culpa dele.
O quarto estava realmente muito bagunçado, roupas por todos os cantos, o material escolar jogado pelo chão, a pilha de CDs e jogos espalhados pela escrivaninha e pelo visto as janelas não tinham sido abertas há dias. E, quando as abri, pude ver que o quarto estava mais empoeirado do que parecia.
– O que está fazendo no meu quarto Hope?! Saia já! – gritou Raph que acabara de sair do quarto de jogos e estava com os olhos vermelhos.
– Estou arrumando o quarto que você deveria arrumar. – o respondi – Há quanto tempo está jogando? Seus olhos estão vermelhos.
– Não te interessa. E não posso arrumar meu quarto todo, ele é enorme e muito bagunçado. – Ralph disse, dando de ombros e se voltando para o corredor.
Suspirei, olhei pela janela e de lá podia ver a ponta da chaminé da velha casa.
☓
Passei a tarde toda arrumando o quarto do Raph, via ele hora ou outra sair do “quarto de jogos” para comer alguma coisa. Quando acabei, fui para meu quarto, tomei um belo de um banho e adormeci.
Na manhã seguinte, acordei com o cheiro de omelete e torradas. Me arrumei e desci, preparei meu café, pus numa bandeja e fui para a varanda dos fundos. Tinha uma pequena mesa delicada de ferro tingida de branco lá. Me sentei e comi uma torrada.
– Hope. – chamou-me mamãe.
Assenti com a cabeça e me virei para vela na porta entreaberta.
– Queremos que tome café conosco na mesa. – disse ela com um sorriso.
– Acho melhor não, mamãe. – respondi e retribui o sorriso.
– Hope! – Ele chamou, de trás dela. – Entre, agora!
Peguei minha bandeja e me sentei junto deles na mesa.
Antes obedecê-lo do que enfrenta-lo sem forças.
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