Hope
2 Gravity
Notas iniciais
Cecília e Olívia saíram da faculdade por volta das 19:30, Olívia falava o tempo todo sobre a ultima aula de anatomia que havia terminado há pouco instantes, enquanto Cecília mergulhara numa preocupação eminente. Ao se aproximarem do estacionamento, Olívia apressou os passos caminhando na frente de Cecília que ao olhar pra sua frente sentira que nunca havia admirado um garoto tão bonito quanto o que estava encostado numa BMW4 a poucos metros de distância. Ele falava ao telefone um pouco exasperado, parecia estar discutindo com alguém, pois sua expressão era de irritação e impaciência. Mas ainda assim, continuara lindo, deveria ter por volta dos 23 anos, era alto, moreno e trajava uma camisa de botão preta com calças Jeans.
Enquanto cecília ainda o admirava, Olívia pedia para que ele desligasse o telefone...
—Vem, Cecília, vamos! -gritou Olívia fazendo sinal para Cecília se apressar, a mesma voltou a si e começou a caminhar rapidamente, ela não podia acreditar que o moreno era o irmão de sua amiga...
Olívia deu a volta no carro e disse que Cecília podia ir na frente, pois ela queria descansar um pouco no banco de trás, Cecília hesitou, contudo o que ela poderia fazer além de concordar? Todos entraram no carro e o rapaz deu a partida, Olívia já estava com seus fones de ouvidos, Cecília não conseguia pronunciar nenhuma palavra sequer, ela que sempre fora destemida acabou por ficar um pouco nervosa com a situação.
—Você não vai colocar o cinto de segurança? Eu dirijo bem, mas algum guarda pode me dar uma multa... -O moreno quebrou o silêncio, fazendo Cecilia se exasperar tentando colocar o cinto, não obtendo sucesso, pois o mesmo enganchara na fivela, o rapaz parou no sinal vermelho e se aproximando de Cecilia começou a tentar encaixar o cinto.
—Desculpe, não tenho muita experiência com cintos de segurança e acho que esse daqui não gostou muito de mim... -falou envergonhada
—Tudo bem, as vezes isso acontece, a propósito me chamo Pedro sou irmão dessa maluquinha aí... -disse sorrindo ainda olhando para a fivela do cinto de segurança. -Cecília acabou mergulhando no sorriso maroto de Pedro e apenas retribuiu com um sorriso tímido._ Você não vai me dizer seu nome? -perguntou Pedro com um ar de riso, agora olhando diretamente em seus olhos.
—Ouul desculpe, me chamo Maria Cecília e sou amiga de faculdade da Liv. -disse rapidamente desviando o olhar por instinto.
—Prazer, Maria Cecília! -falou ainda sorrindo
—Pode me chamar apenas de Cecília.
—Tudo bem, Cecília! -disse voltando o olhar para frente e endireitando a postura pisou na embreagem, fazendo com que o carro se movesse. Ao acelerar um pouco, ele perguntou: _Bom, Cecília, eu não sei onde você mora, então você vai ter que me guiar, tudo bem?
—Claro, mas você vai ter que fazer o mesmo caminhou do ônibus local, okay? -perguntou ainda olhando para frente.
—Tudo bem, mas você nunca voltou para casa de carro antes? -perguntou curioso
—Bom, eu sou nova por aqui, e não tenho carro. -respondeu educadamente.
—Ouul, e pelo seu sotaque creio que seja do interior do estado, acertei? -perguntou olhando rapidamente para o lado, fitando o rosto tenso da garota ao seu lado.
—Sim, sou de Iguaí. Vim pra cá apenas para estudar. -respondeu rapidamente.
O rapaz apenas assentiu e logo parou novamente em outro sinal vermelho, então resolveu ligar o som do carro e a música Gravity do John Mayer inundou o veículo. Pedro saboreava a melodia tamborilando de leve o volante, Cecília apenas observava os outros carros que passavam por eles e como num rompante imagens de exatos oito meses atrás invadiram sua mente...
—Ouuulll meu Deus, eu passei! -Gritou a garota em frente ao computador, o que fez sua tia entrar como uma bala em seu quarto...
—O que houve, Cecília? -perguntou a senhora um pouco assustada.
—Tia, eu consegui entrar para a faculdade, eu vou realizar o meu sonho tia, eu passei! -falava quase engolindo as palavras de tanta emoção, a senhora começou a pular junto com a sobrinha.
—Eu preciso contar pro Miguel e para July! Tia é rápido antes de anoitecer estou de volta, ok? -perguntou meio que anunciando, já pegando sua bolsa e caminhando rapidamente para fora de seu quarto.
—Tudo bem, mas tenha cuidado, e Cecília estou muito feliz e orgulhosa por você, meu amor, parabéns! -a senhora falou emocionada, a garota abraçou sua tia e saiu rapidamente em direção a casa de sua melhor amiga e do amor da sua vida.
Cecília bateu algumas vezes na porta até que Juliana correu e abriu a porta exasperadamente pulando na amiga que também havia passado na faculdade, as duas choraram juntas pois só elas e Deus sabiam o quanto se esforçaram para conseguir a vaga tão esperada.
—Conseguimos, Cecí, conseguimos! — a amiga falava em meio as lágrimas ainda abraçada com a Cecília.
—Sim, graças a Deus conseguimos! Cade o Miguel, Juh? preciso dar a noticia a ele.- perguntou rapidamente.
—Bom, ele está lá em cima, mas... -Juliana hesitou em terminar a frase, e Cecília notara algo estranho em sua expressão.
—O que houve, Juh? fala! -pediu um pouco exasperada.
— Bom, acho melhor vocês conversarem primeiro...! — Juliana eestava completamente temorosa pelo o que esperava sua melhor amiga.
Cecília subiu as escadas correndo indo em direção ao quarto de Miguel, entrou sem ao menos bater na porta e se deparou com uma cena que não esperava. Confusa ela perguntou:
—O que você está fazendo? -perguntou fitando o garoto arrumando algumas roupas dentro de uma grande mala em cima de sua cama.
—Oi, Cecí! Olha, precisamos conversar! -disse parando o que estava fazendo e se aproximando, depositando um beijo casto nos lábios da garota a sua frente.
—O que houve? você vai viajar? -perguntou sorrindo, olhando diretamente em seus olhos.
—Bom, você lembra daquele estágio que eu havia me inscrito em Cambridge nos Estados Unidos? -perguntou segurando as mãos da namorada.
—Sim lembro, você foi chamado? -perguntou feliz ao imaginar a resposta.
—Não é bem isso, é bem melhor que isso. Eles avaliaram meu currículo e me contrataram para fazer parte de uma das mais conceituadas equipes de advogados de Havard. -disse sorrindo largo.
—Havard? como assim? você acabou de se formar em Direito, como pode já ter sido contratado? -perguntou ainda mais confusa, pois não havia completado nem sequer um ano que o Miguel formara-se em Direito.
—Eu não sei como explicar, ao certo, só sei que preciso embarcar amanhã cedo, e se tudo der certo só voltarei daqui a um ano.- falou se afastando um pouco da moça.
—Como é a história? você vai morar lá, Miguel? -perguntou nervosa.
—Sim, desculpe, Cecília, mas eu não posso perder essa oportunidade é a minha carreira, é o meu sonho que está em risco, você tem noção do que qualquer pessoa daria para estar em meu lugar? -perguntou já mostrando um leve estresse e nervosismo em sua voz.
—Okay, mas e nós dois? íamos noivar no final do ano, Miguel, e agora? E caramba, você aceitou tudo sem nem ao menos me consultar? -agora lágrimas dançavam no rosto de Cecília...
—Podemos noivar quando eu voltar, Cecília. Desculpe, mas eu não vou abrir mão disso por um capricho seu. -falou voltando a arrumar suas roupas na mala.
—Ouul meu Deus, como assim capricho, Miguel? Eu te amo e você disse que me amava. Como pode chamar os nossos planos de capricho?-perguntou se colocando na frente da mala, impedindo com que Miguel continuasse o que estava fazendo.
—Desculpe, Cecília, porém os meus planos mudaram e se você não é capaz de conviver com isso, acho melhor pararmos por aqui. — falou segurando os ombros da moça, tirando-a de sua frente. Rapidamente Cecília se esquivou do seu toque e arrematou:
—É claro que iremos parar por aqui, eu não quero passar o resto da minha vida com alguém que coloca o trabalho acima do amor! E sabe-se lá Deus se realmente isso é amor... Acabou Miguel, pode ir pra sua viagem seja muito feliz e desejo todo sucesso pra você! -falou rapidamente saindo do quarto, deixando um miguel estático apenas olhando os movimentos rápidos da moça indo embora. Contudo ele não fora atrás dela.
—E agora, para onde vamos? -perguntou Pedro, olhando pra garota que estava perdida em pensamentos, com os olhos fixos em algum ponto da estrada.
—Oi, você falou alguma coisa? -falou rapidamente saindo do palco de suas lembranças não notando que uma lágrima escorrera por seu rosto.
—Perguntei pra onde vou agora, mas espera porque você estava chorando? -perguntou olhando diretamente nos olhos de Cecília.
—Pode virar a direita, não é nada, não se preocupe. -disse um pouco envergonhada.
O rapaz achou estranho, mas preferiu não insistir, apenas virou a direta e acelerou. Não demorou muito e logo estacionaram em frente a um prédio antigo na zona norte de São Paulo em um bairro de baixa renda. Olívia, por incrível que pareça, dormia profundamente no banco traseiro. Cecília preferiu não incomodá-la e arrumando sua bolsa se preparou para sair...
—Muito obrigada por me trazer, e desculpe o incomodo! -falou olhando o rapaz ao seu lado, e pela primeira vez notou seus olhos verdes de uma clareza impressionante, contrastando com a cor de seus cabelos negros, lhe deixando ainda mais bonito.
—Não foi incomodo algum, sempre que largo mais cedo vou buscar a Liv, então se precisar novamente posso lhe dar carona. -o rapaz falava gentilmente, sua voz era grave e doce ao mesmo tempo, o que encantara Cecília ainda mais...
—Tudo bem, então muito obrigada! até mais, Pedro! -disse sorrindo, mas de repente o rapaz se aproximou lhe beijando a bochecha, porém pela posição em que se encontravam, o beijo tocara o canto dos lábios de Cecília que se assustara com a atitude do rapaz, dizendo apenas um "Tchau" rápido, saindo do carro quase que correndo em direção ao prédio. Pedro apenas a observava e notara que nunca havia admirado alguém tão misteriosamente linda e encantadora em toda sua vida.
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