Hope
8 Cinema, desentendimentos e ciúmes
Notas iniciais
A sexta feira passou rapidamente, exausta depois de uma semana extremamente cansativa, Cecília estava lendo um livro que amava a muito tempo no jardim aproveitando a noite estrelada e agradável. Já passavam das 20:30, quando ouviu uma voz anasalada que já conhecia muito bem. Ela olhou para frente e viu Leila e Pedro entrando em casa, ela parecia estar reclamando sobre alguma coisa e Pedro como sempre estava visivelmente irritado. Cecília achou melhor desviar o olhar antes que eles percebem que ela estava ali.
A moça continuou a sua leitura sem interrupções e depois de ler dois capítulos resolveu ir dormir, entrando em casa não viu ninguém por ali, então subiu rapidamente para o seu quarto. Tomou um banho quente e demorado, colocando seu pijama, ajoelhou-se e foi conversar com seu Pai e numa oração sincera contou sobre tudo o que estava acontecendo e o que estava sentindo com relação ao Pedro, pediu perdão pois sabia que não estava certo, visto que o moreno era comprometido. Após derramar algumas lágrimas e ter deixado toda a aflição que lhe angustiava há alguns dias, levantou-se e, quando já estava se deitando, escutou mais uma vez a voz de Pedro e de Leila, mas, agora, eles não pareciam estar se matando em mais uma briga.
—Leila, eu acho que poderíamos esperar mais um pouco, acho que ainda é muito cedo para tomarmos um passo desses. -Falou Pedro calmamente.
—Mas por qual motivo deveríamos esperar ainda mais, Pedro? Já estamos juntos a dois anos; o papai e a mamãe ficam falando o tempo todo que você está me enrolando, eu não vejo qual é o problema em noivarmos no final deste ano. -Disse Leila manhosa.
—Leila, confie em mim, vamos esperar mais um pouco, eu ainda não me sinto preparado, nosso relacionamento ainda não é tão sólido para tomarmos tal atitude... -pediu Pedro com uma voz calma, Cecília não conseguia acreditar que eles estavam tendo uma conversa civilizada.
—Tudo bem, então assim que você se formar noivamos, okay? -perguntou rapidamente.
—Certo, Leila. -disse apenas.
Cecília sentou-se em sua cama e sentiu uma lágrima molhar seu rosto, pois não conseguia acreditar no que acabara de ouvir, ele iria noivar em breve e o sentimento que existia em seu coração por ele não estacionava, muito pelo contrário, ele acelerava a cada dia que se passava. Cecília não se permitia admitir que estava apaixonada o que só complicava ainda mais as coisas. Sem conseguir raciocinar corretamente, ela pegou seu violão e começou a cantar uma bela canção que fazia com que ela se sentisse mais leve, uma vez que falava do grande amor da sua vida, Deus.
Beholding your beauty
Is all that I long for
To worship You Jesus
Is my sole desire
For this very heart you have shaped for your pleasure
Purposed to lift your name higher
Ver sua beleza é tudo que eu anseio
Adorar-te Jesus é o desejo da minha alma
Pois este coração que Tu moldaste ao Teu prazer
Propõe elevar teu nome às alturas
Cecília parou de cantar um pouco antes da canção terminar e colocou o violão ao seu lado na cama, deitando-se e mergulhando num sono profundo rapidamente. Do outro lado, Pedro tinha ouvido a voz doce da garota numa bela canção, enquanto Leila tomava um banho, ele se sentou na beirada de sua cama e permitiu-se envolver pelo som da voz de Cecília, mas ao prestar mais atenção no tom da voz da garota notou uma tristeza que ele nunca tinha ouvido antes, o que o deixou preocupado, e então ele ponderou se Cecília ouvira alguma coisa sobre sua conversa com Leila, mas não entendia por qual motivo ela ficaria triste com seu noivado, tendo em vista que ela nunca demonstrou ter algum sentimento pelo moreno além de carinho.
O sábado amanheceu iluminado e quente. Cecília acordou por volta das 08:00 da manhã, espreguiçando-se colocou um vestido leve de cambraia, e penteou seus cabelos numa trança folgada de lado, não colocou maquiagem alguma, apenas calçou suas sandálias e desceu as escadas rumo a cozinha para tomar o seu café da manhã, chegando lá encontrou Pedro sentado e Leila em pé fazendo um pouco de suco de laranja vestindo apenas um camisão de pedro e um shorts curtíssimo de malha preto.
—Bom dia! -disse apenas, mantendo o olhar na mesa que se sentara.
—Bom dia, você está bem? -perguntou Pedro, olhando para a garota que estava com um olhar baixo e triste.
— Sim, estou ótima, por quê? -perguntou, agora, levantando o olhar e encarando o moreno que ainda estava com o cabelo meio desgrenhado e vestia uma camisa de algodão preta com uma samba canção cinza.
—Não sei, você está um pouco diferente. -disse sorrindo com o canto dos lábios.
—É impressão sua, Pedro. Eu estou como sempre estive. -disse Cecília desviando os olhos do moreno para pegar uma maçã verde.
—Pedro, eu vou comer rapidinho e subir pra me arrumar, a mamãe está me esperando e não posso me atrasar... -disse Leila olhando diretamente para o moreno.
— Tudo bem, eu vou te deixar em casa! -disse agora mantendo o olhar baixo. Cecília notou que o garoto havia mudado de humor e se arrependeu por ter sido tão fria, afinal ele só estava preocupado. Mas era melhor as coisas continuarem assim, ela não queria mais nenhum tipo de aproximação com Pedro.
O casal terminou sua refeição e saiu da cozinha, Leila foi na frente rebolando para chamar a atenção de Cecília que apenas meneou a cabeça em sinal de reprovação com um sorriso irônico no rosto. Pedro levantou ficando de frente para Cecília e lhe perguntou um pouco exasperado:
—Eu te fiz ou falei alguma coisa que te machucou? -perguntou olhando para a morena seriamente.
—Não, por que você está perguntando isso? -perguntou Cecília com um sorriso no rosto, tentando disfarçar o nó que se formava em sua garganta.
—Poxa! Eu não sei ao certo, mas ontem estava tudo normal entre nós dois e hoje você me trata dessa forma... -disse tão rápido que quase não respirou ao dizer as palavras fazendo Cecília olha-lo diretamente nos olhos._Sabe, Cecília, você nunca me deu um bom dia tão frio como fez agora, alguma coisa aconteceu, algo está errado, por favor, me diga o que é... -pediu olhando nos olhos da garota que agora se levantou ficando a mais ou menos 30 centímetros de distancia, Cecília quase vacilou olhando para os belos olhos castanhos de Pedro, mas rapidamente expulsou a vontade de abraça-lo e respirando fundo começou...
—Olha, Pedro, eu estou totalmente como sempre estive, e ontem eu ouvi um pouco da sua conversa com a Leila sobre o noivado, então se em breve você será noivo dela, não acha que está se preocupando demais com a emoção de outra garota, não? Somos apenas amigos, e nada mais... Relaxa , tá!? Vá cuidar da Leila, porque se você demorar mais alguns minutos aqui, ela vai descer com uma faca na mão querendo me matar, e eu não quero mais uma confusão, tudo bem? -perguntou Cecília firmemente, e seu coração se contorcia por dentro por estar falando tudo aquilo para um Pedro que agora a olhava com um semblante triste e decepcionado.
—Tudo bem, Cecília, não se preocupe, farei isso imediatamente! -disse rapidamente com um nó na garganta. Olhou mais uma vez para a garota e não conseguiu acreditar no que tinha acabado de ouvir, meneou a cabeça em sinal de negação e caminhou a passos largos em direção a escada, onde descia Olívia e Mariana sorrindo alto.
—Bom dia, amiga! -disse a loira alegremente. Cecília enxugou rapidamente a lágrima que caiu de seus olhos tentando disfarçar ao máximo a dor que estava sentindo.
—Bom dia! -disse sorrindo forçadamente.
— O que houve, Cecília? -perguntou Olívia notando os olhos vermelhos da amiga.
— Nada, eu só acordei com os olhos um pouco irritados. Mas, fora isso, está tudo bem, Liv. -mentiu rapidamente se odiando por dentro por ter feito aquilo.
— Nossa, tem colírio lá na farmácia, Cecília. -disse Mariana olhando para o rosto da garota.
— Certo, daqui a pouco eu vou buscar, Dona Mariana. -disse sorrindo sinceramente.
— Cecí, estamos indo ao clube, você quer ir conosco? -perguntou Olívia.
—Não, Liv, estou com muitos assuntos acumulados e vou aproveitar para adiantar nossa pesquisa para o trabalho. -disse apenas.
— Tudo bem, então, até mais tarde! -disse abraçando a amiga e caminhando para a saída da frente onde Mariana já estava abrindo a porta.
—Até. -sorriu observando a amiga se afastar.
Cecília olhou o jardim da janela do seu quarto, e viu quando Pedro saiu com Leila, ela olhou os dois e respirou sofregamente, afastando-se da janela e pegando alguns livros para começar o dia de estudos. Cecília não sentiu as horas passarem e por volta das 16:00 Olívia entrou no seu quarto já tomada banho e vestindo um camisão de algodão sentou-se na cama da amiga. Cecília olhou a loira que estava lindamente bronzeada e sorriu admirando a beleza da amiga.
— O que foi? -perguntou Olívia sorrindo.
— Nada, só estou admirando a beleza da minha mais nova amiga super bronzeada. -Disse com um sorriso largo no rosto.
— ahh para, Cecí! Quem me dera se o Bernardo me achasse bonita assim... -disse respirando profundamente.
— Faz tempo que você é apaixonada por ele? -perguntou olhando a amiga.
— sim, mais ou menos uns dois anos, as vezes agente fica quando rola alguma festinha, mas nunca é nada demais, sabe? Eu queria que ele tomasse alguma atitude, mas ele diz que não quer nada sério... -disse num tom baixo.
— Mas, amiga, se ele está agindo dessa forma há dois anos, ele não merece você, será que você não ver que ele está te enrolando? -perguntou temendo que a amiga ficasse com raiva por ser tão sincera.
— E você não acha que eu não sei disso? Eu já sei, Cecília, mas eu o amo, o que posso fazer? -perguntou um pouco exasperada para a morena.
—Ain, Liv, quando gostamos de verdade é mais complicado, mas se eu fosse você daria um gelo nele, e fazia com que ele corresse atrás de mim. -disse firmemente.
—Vou tentar fazer isso, e será hoje! -disse sorrindo.
—Hoje? -perguntou confusa.
— Sim, você esqueceu? hoje teremos o nosso cineminha aqui em casa. -disse rapidamente.
—É verdade, tinha esquecido. -disse apenas.
—Bom, eu vou descansar um pouco e daqui a pouco eu volto, você poderia fazer uma trança no meu cabelo? -perguntou sorrindo.
—Claro! -disse retribuindo o sorriso da amiga.
Olívia saiu do quarto rapidamente, Cecília lembrou-se que era sábado onde ela e Pedro haviam combinado de competir mais uma vez uma corrida de natação, daí um nó se formou em sua garganta por lembrar do que havia dito a Pedro no dia anterior, e desde então ainda não tinha encontrado com ele, mas já estava ciente de que as coisas estariam complicadas entre eles.
A noite chegou sem demora, e por volta das 19:00 Cecília estava escolhendo alguma roupa simples para vestir, acabou escolhendo uma blusa de alças preta e uma saia clara florida que ia até os tornozelos. Cecília já estava arrumada quando Olívia entrou em seu quarto pedindo para que a mesma começasse a fazer a trança, pois em poucos minutos Bernardo e Maria Clara chegariam.
— Iaí, pessoal, posso dar play? -perguntou Olívia para Cecília, Maria Clara e Bernardo que estavam sentados em grandes almofadas espalhadas pela sala, Cecília estava no meio entre Bernardo e Maria Clara.
—Pode! Não esquece de apagar as luzes! -disse Bernardo sorrindo olhando para a garota, mas ela não vacilou, pois estava decidida que iria seguir o conselho de Cecília.
O filme começou e todos tinham optado por Atividades Paranormais que Cecília odiava, mas como era minoria acabou tendo que assistir. Quando o filme já estava na metade Cecília escondia o rosto no ombro de Bernardo que sorria baixinho com a atitude da garota, Cecília não notara o que estava fazendo, o que deixava Olívia ainda mais irritada. De repente, a porta central abriu-se e Pedro entrou sozinho, e quando percebeu o quanto Cecília estava próxima de Bernardo uma raiva repentina tomou conta de todo o seu corpo, ele se aproximou, mas não falou com ninguém apenas sentou-se no sofá, e sem prestar muita atenção no filme começou a notar as investidas de Bernardo para Cecília, o que fez com que ele a encarasse por alguns minutos até que ela percebesse o seu olhar. Quando ela o olhou com o canto dos olhos percebeu seu incomodo e acabou pedindo licença para ir até o jardim afim de respirar e se libertar um pouco do peso e do impacto que aquele olhar havia lhe causado. Pedro saiu em seguida pisando firme indo ao encontro de Cecília.
— O que foi tudo aquilo na sala? -perguntou a garota virando-se e ficando de frente para o moreno.
—Eu te pedi pra ficar longe dele, Cecília. Será que você não ver o que ele está fazendo? -perguntou passando uma mão no cabelo exasperado.
— Pedro, eu nunca me envolveria com o Bernardo, isso é totalmente fora de cogitação. -disse percebendo o absurdo que Pedro estava falando.
—Cecília, talvez você não queira nada com ele, mas ele quer tudo com você. — sorrindo com os cantos dos lábios, Pedro tentava disfarçar sua raiva.
—Pedro, eu não estou lhe entendendo, eu não sou a Leila pra você ficar com ciúmes de mim. — Cecília estava completamente incrédula com aquela situação.
—Eu não estou com ciúmes, Cecília. Eu só estou cuidando de você, porque sei quem é o Bernardo e do que ele é capaz. -disse ficando ainda mais próximo da garota, que, agora, o olhava nos olhos ainda mais nervosa.
—Pedro, eu não preciso que você faça isso, okay? eu... eu -Pedro estava a menos de dois palmos de distância e seu olhar exalava desejo, ele não desviava o olhar dos olhos da garota nem por um minuto, o que a fez perder a linha de todo o seu raciocínio.
—Você o que, Cecília? -peguntou Pedro segurando o rosto da morena com as duas mãos, e um leve sorriso brotava em seu rosto, ele já estava pronto para acabar com a distância que os separava, e Cecília já esperava ansiosamente por isso, mas Olívia chamou Cecília quase se batendo por ter interrompido o que seria o primeiro beijo de Cecília e Pedro.
Pedro soltou a garota como num rompante e virou-se encontrando o rosto envergonhado da irmã. Cecília olhou para Pedro e o encarou mais uma vez antes de sair, ela respirou fundo e correu ao encontro de Olívia, entrando com a garota na sala, deixou Pedro no jardim completamente frustrado, pois tudo o que ele queria era se deliciar com os lábios de Cecília e deixar-se envolver por seu toque suave. Ele já sonhara com esse momento há dias...
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