Hope

9 Tio Pedro


Notas iniciais
Olá amores, boa tarde! Bom, ai vai mais um capítulo pra vcs e espero que gostem como eu gostei *.* Nos veremos lá embaixo!

Cecília dormia levemente após uma grande relutância para conseguir dormir, pois o rosto e principalmente os olhos de Pedro não saiam de sua mente, assim que ela fechara os olhos via aquele belo par de olhos verdes fitando-a como nunca houvera feito antes. Por volta das 02:00 da manhã Cecília despertou assustada gritando um pouco alto demais, ela olhou em volta e percebeu que havia sido apenas um pesadelo, sua respiração estava acelerada e suas mãos suavam frio, no mesmo instante ela escutou batidas na porta do seu quarto e alguém chamando por ela. Cecília levantou-se acendeu a luz e foi abrir a porta se deparando com um garoto sonolento com o cabelo desgrenhado e uma voz rouca, porém visivelmente preocupado.

—Oi, aconteceu alguma coisa? Você gritou, e agora está tão pálida! –perguntou Pedro olhando Cecília dos pés a cabeça já entrando no quarto um pouco exasperado.

—Eu tive um pesadelo, foi só isso. –disse Cecília rapidamente olhando para o garoto.

—Você quer um pouco de água? –perguntou Pedro, segurando a mão de Cecília notando que a mesma estava gelada.

—Sim, você poderia buscar um pouco pra mim? –perguntou baixo, caminhando em direção a sua cama.

—Claro, espera um pouco... –disse Pedro já descendo as escadas rumo a cozinha, Cecília não pode deixar de pensar no quanto ele era lindo e atencioso, e concluiu que a cada dia as coisas estavam ficando ainda mais complicadas, pois o sentimento que ela tinha por ele estava aumentando sem a sua permissão.

Cecília colocou um travesseiro no espelho da cama, e encostou-se nele sentando na cama, em menos de 5 minutos Pedro entrou no quarto com um copo de água na mão e fechou a porta atrás de si. Ele sentou-se em frente a Cecília e lhe deu o copo de água. Enquanto a morena tomava sua água, Pedro a observava, e involuntariamente um sorriso brotou no canto dos seus lábios, ele notou o quanto ela estava linda com os cabelos caindo no rosto em leves cachos, os olhos apertados por causa do sono e o jeito que ela colocava uma mecha de cabelo atrás da orelha era encantador. Cecília já ganhara espaço em seu coração e por mais que ele não quisesse sentir aquilo era simplesmente impossível, ele estava apaixonado por Maria Cecília.

—Você quer conversar sobre o pesadelo? –perguntou gentilmente segurando uma mão de Cecília olhando para o seu rosto.

—Acho que não, creio que o que me fez tê-lo foi o filme que assistimos mais cedo, eu odeio filmes de terror, mas todo mundo insistiu tanto que eu não tive escolha. –disse rapidamente olhando para Pedro.

—Entendo, acho que é melhor falarmos sobre outra coisa. –disse olhando para a moça a sua frente, ele não conseguia desviar o olhar dos olhos de Cecília.

—Pois é, quero lhe fazer uma pergunta... –falou seriamente.

—Sim, pode perguntar, só não garanto que vou responder... –brincou Pedro com um sorriso amarelo.

—Lembra daquele dia no estacionamento da faculdade, quando você disse que não amava a Leila? –perguntou numa voz baixa, olhando para sua mão e a mão do moreno.

—Sim, lembro. –disse apenas.

—Então, eu já sei que logo logo vocês irão noivar, mas como vocês irão noivar se você diz que não a ama? Digo, como você pode planejar passar o resto da sua vida ao lado de alguém que não ama? –perguntou firmemente olhando para o garoto, que agora estava com o olhar baixo acariciando a mão de Cecília.

—Eu não estou planejando nada Cecília, Minha família e principalmente o meu pai, é quem já planejou tudo. –disse sem dirigir o olhar a garota.

—Espera um pouco, estamos em pleno século 21 e você está me dizendo que vai casar obrigado? Mas por que seu pai faria isso Pedro? –perguntou confusa e um pouco exasperada.

— O Claudio pai da Leila é um grande amigo do meu pai e sócio dele no hospital, daí eles combinaram que eu e a Leila nos casaríamos, isso foi pensado desde a nossa infância. Então quando estávamos no começo do ensino médio a Leila se apaixonou por mim e eu achei que tinha me apaixonado por ela, mas com o passar do tempo vi que era apenas uma paixonite adolescente, mas aí já era tarde demais, e agora estamos aqui. –disse respirando sofregamente após terminar de falar. Cecília o olhava incrédula, pois aquilo era um verdadeiro absurdo pra ela.

—Mas ainda há tempo Pedro, você ainda pode acabar com tudo isso, é notável sua infelicidade com esse relacionamento. E isso me preocupa, pois a infelicidade pode gerar coisas horríveis na vida de alguém. –disse tocando o rosto do moreno, fazendo com que ele erguesse o olhar e encontrasse o dela.

—Eu não posso decepcionar o meu pai Cecília, ele não me perdoaria, diria que isso seria mais um capricho meu, do mesmo jeito que discutimos quando eu falei pra ele que iria largar a faculdade para viver de música. Meu pai nunca se importou com o que eu penso ou sinto, ele ficaria uma fera e sinceramente não sei do que ele seria capaz de fazer. –disse soltando a mão da garota e passando a mão no cabelo em sinal de nervosismo.

—Nossa, é realmente complicado Pedro, mas uma coisa eu sei, você não pode continuar assim, está errado... –disse gentilmente olhando para o garoto.

—Não se preocupe, vai ficar tudo bem, você já está se sentindo melhor? –perguntou olhando nos olhos de Cecília.

—Sim, mas sei que vou demorar a pegar no sono, mas não se preocupe, pode ir, eu estou bem. Muito obrigada por tudo! –disse sorrindo.

—Okay, mas se você quiser posso ficar aqui e lhe fazer companhia até você adormecer. –disse Pedro com um sorriso no canto dos lábios.

—Não Pedro, não precisa, pode ir, se alguém lhe ver aqui estamos perdidos. –disse Cecília um pouco exasperada.

—Cecília deixa de besteira, vai, se afasta, eu vou ficar aqui quietinho apenas lhe fazendo companhia e assim que você dormir eu saio, tudo bem? –perguntou já se aproximando e sentando ao lado da morena que parecia mais nervosa do que quando Pedro entrou no quarto.

—Pedro... –Cecília ia pedir para que ele saísse quando foi interrompida pelo dedo indicador de Pedro em seus lábios.

—Não se preocupe, está tudo bem. –disse gentilmente puxando a morena para seus braços fazendo com que ela descansasse em seu peito. Um milhão de pensamentos rondavam a cabeça de Cecília naquele momento, mas nada disse, apenas permitiu-se envolver pelo carinho que Pedro fazia em seus cabelos e pelo calor que emanava de seu corpo. Antes de pegar no sono Cecília lembrou-se da música que havia escutado na última vez que Pedro cantara em seu quarto.

— Pedro? –o chamou com a voz sonolenta.

—Sim, o que foi?

—sabe aquela música que você cantou na última noite? –perguntou olhando para o rosto do rapaz.

—Sim, o que é que tem ela? –perguntou olhando nos olhos apertadinhos de Cecília, sorrindo ao admirar sua beleza inocente.

—Eu não conheço, mas é muito bonita, qual é o nome dela? –perguntou curiosa.

— Eu só digo se você dançar ela comigo! –disse sorrindo largo.

—Dançar? Agora? –perguntou rapidamente.

—sim, agora! –respondeu apenas.

—Nossa, agora não Pedro, eu estou com muito sono, podemos deixar para outro dia por favor? –perguntou aconchegando-se ainda mais no peito do rapaz, o que lhe fez perceber que estava errado, pois se alguém os visse naquele momento diria que eram um casal de namorados, mas a àquela altura Cecília resolveu deixar seus pensamentos de lado.

—Pode, pode sim, mas eu vou cobrar. –disse sorrindo.

—Então já que você não vai me dizer o nome da música, que tal você cantar um trechinho dela pra mim? –perguntou com a voz um pouco arrastada em meio a um bocejo.

—Sem o violão? –perguntou rapidamente.

—Sim, por favor... –pediu levantando um pouco o rosto para olhar nos olhos do rapaz que no mesmo instante sorriu e começou a cantar com sua voz rouca, fazendo Cecília mergulhar no seu olhar...

Settle down with me
And I’ll be your safety, you’ll be my lady
I was made to keep your body warm
But I’m cold as the wind blows
So hold me in your arms

My heart’s against your chest
Your lips pressed to my neck
I’m falling for your eyes but they don’t know me yet
And with this feeling I’ll forget, I’m in love now

Kiss me like you wanna be loved
You wanna be loved, you wanna be loved
This feels like falling in love
Falling in love, we're falling in love

Acalme-se comigo
E eu serei a sua proteção, você vai ser minha dama
Eu estou aqui para manter você aquecida
Mas eu estou frio à medida em que o vento que sopra
Então me segure em seus braços

Meu coração contra o seu peito
Seus lábios pressionados no meu pescoço
Eu estou mergulhando nos seus olhos, mas eles ainda não me conhecem
E com este sentimento que eu vou esquecer, eu estou apaixonado agora

Me beije como se quisesse ser amada
Você quer ser amada, você quer ser amada
Isso é como se apaixonar
Se apaixonar, nós estamos nos apaixonando

Uma vontade súbita de beijar os lábios de Pedro tomou Cecília completamente de surpresa mas contendo-se ela apenas deitou-se novamente no peito do rapaz e o abraçou enlaçando um braço em sua cintura, e ao som de Kiss me do Ed Sheran ela adormeceu. Pedro Percebeu que a garota havia dormido, mas permitiu-se observa-la por mais alguns instantes antes de sair. Depois de algum tempo ele se afastou cuidadosamente colocando a cabeça de Cecília em um travesseiro e levantou-se, porém antes de se dirigir ao seu quarto ele se aproximou novamente da morena, afastando levemente uma mecha de cabelo do seu rosto, depositou um beijo demorado em seu rosto, um beijo que transmitia todo carinho que sentia por ela. Quando afastou os seus lábios do rosto de Cecília ele sussurrou um “Boa noite minha linda” e foi embora.

Olívia acordou por volta das 09:00, abrindo os olhos, olhou em volta e preguiçosamente foi até o seu banheiro, olhando-se no espelho ela lembrou da noite anterior e de como Bernardo olhava para Cecília, o que acabou por fazê-la trincar os dentes com a ideia dele estar interessado em sua amiga. Ela foi até o closed e pegou sua roupa intima, uma blusa de mangas compridas e um shorts jeans curto, entrou no chuveiro, permitindo-se demorar ali mais ou menos uns 15 minutos. Quando estava devidamente pronta, saiu do quarto indo em direção a cozinha onde encontrou Cecília conversando com seu pai e rindo de alguma coisa que ele havia falado.

—Bom dia, papai! –Olivia sorria, pois independente de qualquer problema, ela jamais parava de sorrir.

—Bom dia, meu amor! –disse retribuindo o sorriso. Otávio amava profundamente sua menina e demonstrava isso. Era fácil lidar com ela, pensava o pai, visto que a garota jamais contestou uma decisão sua, ao contrário do seu filho.

—Bom dia, Cecília! –disse mais fria do que queria, deixando claro tudo o que estava passando em sua mente.

—Bom dia, Liv. Está tudo bem? –perguntou rapidamente notando a expressão um pouco irritada da amiga.

—Sim, posso conversar com você depois? –perguntou tentando parecer o mais sutil e gentil possível.

—Claro, mas pode ser quando eu voltar? Estou indo ao hospital agora, e por falar nisso, onde estão as coisas que você queria que eu levasse? –perguntou rapidamente.

—Pode sim, estão na dispensa. Você vai de ônibus? –perguntou curiosa.

—Sim, por que? – Afirmou sorrindo ao olhar para a loira que não acreditava no que estava ouvindo. Olivia jamais andou até um ponto de ônibus em sua vida.

—Bom, é que daqui até o ponto de ônibus são mais ou menos uns 2 quilômetros... –disse olhando para a amiga, fazendo uma careta engraçada.

—Nossa! Isso tudo? – perguntou assustada com a distância que teria que percorrer, carregando várias sacolas.

—Eu te dou uma carona, Cecília. Você vai agora? –perguntou Pedro sorrindo largamente para a morena que retribuiu o sorriso com facilidade.

Otávio percebeu o clima que estava rolando entre os dois e não gostou do que viu, rapidamente perguntou ao filho:

—Onde você vai, Pedro? – sua voz soou firme, sendo direcionada para Pedro que o encarou sem demora.

— Na casa da Leila, Otávio. Por que? –perguntou friamente.

—Não, nada. Pode ir! –disse apenas, pois todas as vezes que Pedro se dirigia a ele daquela maneira, seu coração doía profundamente, mas ele entendia que muito daquele comportamento era culpa dele.

—Pedro, me dá só um momento, tenho que buscar algumas coisas na dispensa. –disse Cecília olhando para o rapaz rapidamente, já saindo da cozinha, caminhando a passos largos.

—Tudo bem. Estou na garagem te esperando. –disse Pedro ainda sorrindo para a garota e também deixando a cozinha.

Os dois estavam a caminho do hospital e Cecília se sentia culpada pela noite anterior, visto que Pedro, ao que lhe parecia, nunca iria deixar a Leila, então aquilo não poderia continuar acontecendo.

—Você vai mesmo à casa da Leila? –perguntou curiosa, olhando com o canto dos olhos para o rapaz ao volante.

—Não. Vou encontrar com o Bernardo e com o Rafael. Disse que iria na casa dela pro Otávio não pegar no meu pé. –respondeu dando de ombro.

—Sei. -aquilo estava completamente errado, pensou Cecília. _Vire a esquerda, estamos quase chegando. –disse Cecília mostrando o caminho para Pedro. Depois de alguns instantes, eles estacionaram em frente ao Núcleo de Apoio a Criança com Câncer.

—Você vai ficar aqui até que horas? –perguntou Pedro olhando para a garota sorrindo.

—Não sei, vai depender deles, geralmente saiu por volta das 15:00. Quer entrar comigo? – sorrindo largamente para o rapaz, ela sugeriu sem pensar muito.

—Não sei, acho que não... –foi interrompido por Cecília.

—Ahh... vamos! Vai ser legal, você vai ver, não há nada melhor do que fazer alguém sorrir. –A voz de Cecília soava gentil e alegre fazendo com que Pedro destravasse no mesmo instante seu cinto, saindo do carro.

Os dois entraram no local, Cecília cumprimentou a recepcionista e pegou o elevador, apertou o botão 4 e rapidamente a grande porta de ferro se abriu fazendo os dois caminharem por um longo corredor branco, mas antes de entrar na sala de recreação, Cecília prendeu seu cabelo, colocando uma peruca rosa chiclete, um nariz de palhaço e seu jaleco. Pedro observava cada movimento da garota, e quando ela terminou ele a olhou risonho e ela disse:

—Não pense que você vai escapar, garotão... –sorriu largamente colocando um nariz de palhaço em Pedro. _Vamos?

—sim, vamos! –respondeu encantado pelo jeito doce da morena ao seu lado.

Cecília e Pedro entraram na sala, encontrando uma dúzia de crianças brincando e, apesar de tudo, elas estavam sorrindo com mais duas enfermeiras. Cecília abraçou e beijou cada uma, perguntando como elas estavam, e, por fim, apresentou Pedro como o "Tio Pedro". Pedro brincava com algumas crianças, enquanto Cecília lia uma história infantil para 4 meninas mais velhas que se deliciavam com cada palavra que a Tia Cecília dizia.

—Tio, você é o namorado dela? –perguntou Arthurzinho curioso.

—Não, cara, ela é minha amiga. Por que a pergunta? –perguntou Pedro apertando o nariz do garoto risonho a sua frente.

—Ela está muito feliz e ela nunca esteve assim antes. Ahh... e o senhor olha pra ela como o namorado da minha irmã olha pra ela... –disse distraidamente olhando para o seu mine Batman que havia acabado de ganhar.

—O que é que vocês dois tanto conversam? –perguntou Cecília se aproximando com as quatro meninas, após terminar a história.

—Estava perguntando se vocês são namorados... –disse o pequeno sorrindo.

— Calma, eu já esclareci tudo! –disse Pedro na defensiva, fazendo um sinal de paz com as mãos.

—Sei... –disse Cecília envergonhada, deixando transparecer o vermelhidão em suas bochechas.

—Sabe, tia, vocês fazem um lindo casal, deveriam ser namorados. –disse Bianca segurando a mão de Cecília, deixando-a ainda mais envergonhada.

—Gente, já chega! Vamos parar com isso, o Tio Pedro já tem namorada, okay? –perguntou Cecília olhando para os pequenos que sorriam ao notarem a vergonha estampada não só no rosto de Cecília como também no de Pedro que sorria largamente.

Os dois brincaram mais um pouco com as crianças e depois foram até a cantina almoçar, Pedro pediu um sanduíche natural com suco de laranja e Cecília pediu um de queijo com suco de uva. Os dois sentaram numa mesa de plástico e começaram a comer, assim que terminaram o celular de Pedro tocou e Cecília notou que pelo tom da voz dele, estava falando com Leila. Ela sentiu um incômodo em seu estômago, ao vê-lo mentindo sobre onde e com quem estava, deixando-a enjoada. Por fim, Cecília decidiu que precisava conversar com Pedro sobre isso mais uma vez e colocar o rumo correto naquela situação.

Após Pedro desligar a ligação, Cecília pediu para que ele a acompanhasse , pois queria visitar uma paciente que estava no quarto, uma vez que o seu estado era um pouco mais delicado do que o das outras crianças. Pedro assentiu e caminhou ao lado de Cecília, percebendo que a garota estava diferente, parecia tensa e preocupada, mas resolveu que iriam conversar depois, tendo em vista que ele também queria esclarecer algumas coisas.

—Larissa, minha princesa, você está acordada? –perguntou Cecília sentando-se ao lado da pequena Larissa, que respirava com ajuda de aparelhos.

—Oi, tia Cecília, estava com saudades. –disse a garota com a voz baixa quase inaudível, estendendo os bracinhos frágeis para abraçar a sua querida tia. Pedro observava aquela cena e não conseguiu conter a lágrima que se formara em seus olhos, deixando-a escorrer por seu rosto.

—Eu também estava com muitas saudades, meu amor. como você está se sentindo? –perguntou a garota acariciando o rosto da pequena.

—Estou bem, não está doendo tanto como antes. Quem é esse moço bonito atrás de você? –perguntou levantando a mão vagarosamente apontando para Pedro.

—Esse é o Tio Pedro. –respondeu Cecília abrindo espaço para que Pedro cumprimentasse a garota.

—Oi, princesa Larissa, saiba que é um imenso prazer lhe conhecer! –disse Pedro fazendo reverencia para a garota, o que fez Cecília sorrir largamente.

—Oi, o senhor parece um príncipe. É o namorado da minha tia princesa Cecília? –perguntou gentilmente.

—Não, meu amor, ele não é o meu namorado! –disse Cecília, olhando para Pedro que sorria com o canto dos lábios para ela.

—Mas deveria ser. A senhora não gosta dele, tia? –perguntou a pequena inocentemente. Cecília olhou para Pedro e por alguns instantes se perdeu no sorriso maroto do rapaz, mas logo voltou a si e respondeu a pergunta da pequena olhando-a firmemente.

—Eu gosto, meu anjo, mas não é um gostar de namorados, somos apenas amigos, o Tio Pedro já tem uma namorada. –disse sorrindo para Larissa que a olhava confusa.

—Que estranho... –disse olhando para Pedro.

—O que é estranho, meu amor? –perguntou Cecília olhando para a pequena.

—Ele parece gostar de você, tia. Olha como ele fica bobo quando te olha... –disse a garota encarando Pedro, que sorria gentilmente.

—Deve ser impressão sua Larissa. –disse apenas, pois já estava mais nervosa do que queria, olhando para a sagaz garota.

Pedro e Cecília conversaram mais um pouco com Larissa até família chegar. Os dois cumprimentaram os pais e o irmão de Larissa, e quando a pequena adormeceu, Pedro e Cecília saíram do quarto e foram direto para o carro. Cecília tirou seus apetrechos e os guardou na bolsa, enquanto olhava para Pedro sem conseguir segurar uma risada.

—O que foi? –perguntou Pedro sem tirar o olhar da estrada.

—Você, Pedro... ainda está com o nariz de palhaço que, em minha opinião, ficou muito bem em você. –disse sorrindo.

—Eu sei que fico bem com qualquer coisa, mas tira aqui, por favor, se não as pessoas vão pensar que enlouqueci. –disse sorrindo olhando pra garota. Ela se aproximou e com cuidado retirou o nariz do rapaz, guardando-o junto com as outras coisas.

—Pedro, eu preciso conversar algo com você... – disparou Cecília, olhando seriamente para o rapaz e tentando conter o turbilhão de emoções que estavam dentro dela.

—Eu sei que precisa, pode falar. –disse calmamente. Cecília endireitou-se no banco ficando de frente para Pedro, respirou fundo e começou...

—Pedro, eu não gosto quando você mente para a Leila, e acho que isso não é bom para o seu relacionamento. Eu andei pensando e acho que seria bom nos afastarmos, uma vez que chegamos a um ponto que não dá para continuarmos amigos, infelizmente. Eu sinto muito. – A morena falou tudo de uma só vez, sem nem parar para respirar, pois doía proferir, principalmente, as ultimas palavras.

—Espera ai, você está dizendo que seria melhor não sermos mais amigos? –perguntou exasperado.

—sim. Eu não quero continuar sendo motivo de briga, Pedro, e não quero que você minta pra sua namorada. Bom, e sobre ontem, não quero que se repita. –disse um pouco nervosa já contendo as lágrimas que se formavam em seus olhos.

—Cecília, ficar longe de você só vai piorar tudo. Será que você não entende? Eu não posso simplesmente esquecer o que sinto por você e fingir que não lhe conheço. –disse, volta e meia desviando o olhar da estrada para fitar os olhos da garota aflita ao seu lado. Tudo o que ele queria era abraça-la para lhe acalmar e transmitir todo o carinho que tinha por ela.

—Espera! Como assim? Do que você está falando? –perguntou confusa , olhando para o garoto que, no momento, continha um sorriso no canto dos lábios.

—sim, Cecília. Eu não sei como isso é possível, mas eu estou apaixonado por você, e pode ter certeza que eu não planejei isso, apenas aconteceu e , agora, eu já não sei mais o que fazer... e é por isso que não posso simplesmente me afastar de você, seria demais pra mim. –disse rapidamente, fazendo Cecília soltar as lágrimas que se acomodaram em seus olhos. Ela não conseguia acreditar no que tinha acabado de ouvir...

—Pedro, você está falando sério? Ou isso é uma brincadeira de mal gosto? –perguntou olhando para o garoto sem se importar com seu estado emocional.

—É claro que é sério, Cecília. Por que eu brincaria com uma coisa dessas? –perguntou Pedro seriamente estacionando o carro em frente a garagem de sua casa. Ele olhou para a morena que mantinha o olhar baixo, e segurou seu rosto com as duas mãos. _Cecília, eu preciso saber se o que eu sinto por você é recíproco, pois se for, eu vou lutar por nós dois, eu farei o que for preciso para ficar ao seu lado.

—Pedro, por favor, não faz assim, eu ainda estou muito confusa, você sabe que sofri muito com meu último relacionamento, mas eu não posso dizer que sou completamente indiferente com relação a isso. — a garota fez uma pausa um pouco mais longa em sua fala, e passou a observar os detalhes do rosto do rapaz. Respirando profundamente ao notar o quanto ele era bonito, ela continuou: _Eu sinto algo muito forte por você, mas somos de mundos completamente diferentes, e você tem a Leila então... –disse sofregamente enquanto lágrimas dançavam por seu rosto. Pedro levou uma mão até o rosto da garota e enxugou suas lágrimas, e olhando-a nos olhos ele disse:

—Qual a parte de “farei tudo para ficar ao seu lado” que você não entendeu? –perguntou fazendo com que a garota o encarasse.

—Pedro, eu sinto muito, mas nunca daríamos certo. –disse Cecília se esgueirando do toque de Pedro, e sem dizer nem mais uma palavra, ela pegou a sua bolsa e saiu do carro, correndo em direção a entrada da casa.

Cecília já estava em sua cama com os cabelos molhados, vestindo um blusão velho, tentando estudar anatomia, quando ouviu a porta do quarto de Pedro bater, ela deduziu que depois que ela entrou em casa ele deveria ter ido a algum lugar, já passava das 23:30, mas Cecília não estava com sono. Ela não conseguia se concentrar no livro, então resolveu dar uma volta no jardim. Quando ela estava distraidamente olhando para as estrelas, ouviu um carro estacionar, ela parou de caminhar e se pôs a observar, então avistou uma loira entrando correndo para dentro da casa e ela parecia estar furiosa. Cecília entrou depois de algum tempo e foi para o seu quarto, e do corredor ouviu a gritaria que vinha do quarto de Pedro.

—Você não pode fazer isso comigo, Pedro, nós iremos noivar! –gritava Leila, com uma voz chorosa.

—Leila, eu não gosto mais de você, não podemos noivar dessa forma, não dá mais! –disse Pedro com uma voz aparentemente serena.

—Você só pode estar brincando comigo, qual é? Foi aquela piranha, não foi? Depois que ela chegou aqui você mudou completamente, Pedro. –Leila falava completamente descontrolada.

—Leila, me ouça, eu não estou de brincadeira, nosso namoro acabou, não dá mais! –disse Pedro exaltando-se.

—Pedro, você não pode terminar tudo comigo! –disse Leila debochadamente.

—E por que não? –perguntou rapidamente.

—Por que eu estou grávida, Pedro! –disse Leila vitoriosa...

Notas finais
Amores,não me matem por favor!!! Como será que vai ficar o Pedro e a Cecília agora? Essa Leila tinha que engravidar mesmo ? Aff ninguém merece ! Bom,meninas se chegaram até aqui por favor deixem seus comentários... Beijos,fiquem com Deus e até o próximo :)