Hope

2 Capítulo 01


01

Um jovem forte e bonito galopava com seu cavalo pela aquela estrada de terra pouco utilizada, ele se encontrava ansioso para chegar logo ao seu destino o que era possível perceber pela velocidade em que o cavalo corria e também por sua respiração rápida e entrecortada.

Ele não conseguia acreditar que o homem que tanto fizera mal a sua mãe e a ele estava agora no leito de morte. Apesar de todo mal que o infeliz homem havia lhe causado ele não desejava a morte a ele, afinal não é correto desejar o mal para aquele que cujo sangue corre em suas veias. Sim, o homem que todo tipo de atrocidade fez em vida e que agora estava dando o seu último suspiro era pai do jovem que corria a toda com o seu cavalo negro.

Apesar de Carlisle Cullen ser o seu pai ele nunca se interessou no bem estar de seu único filho. Na verdade nem no ato que fizera o rapaz vir ao mundo Carlisle teve compaixão, ele simplesmente abusou de uma jovem muito pobre fazendo com que a pouca esperança da mesma se dissipasse devido à chegada de uma criança, cujo pai não ligava nem se tinha um nome ou se era menino ou menina.

Mas a pobre moça de nome Elizabeth que antes fora abusada lutou, lutou muito. Fez de tudo para que o seu pequeno menino crescesse sem lhe faltar nada. Mas é claro que por vezes faltava comida na mesa, mas apesar de tudo o seu filho não a culpava, ele a admirava por ser tão forte e capaz. As dificuldades fizeram com que Elizabeth tivesse que passar por cima de seus sonhos e até mesmo de suas vontades, suas vontades porque a mesma não queria ser uma prostituta, mas as circunstâncias da vida lhe fizeram passar por isso. Elizabeth se sentia suja por fazer esse tipo de trabalho, mas o que uma mulher pobre e analfabeta poderia fazer naquela cidade tão machista?

Mas todo o seu esforço não fora em vão, ela deu um nome ao seu filho, não um sobrenome é claro, até porque a criança só poderia ter o sobrenome do pai e de ninguém mais. Edward. Edward era o nome do seu filho pelo qual ela tanto lutou, o seu menino que lhe dava tanta alegria.

Ela deu estudo a ele. Apesar de nunca ter estudado a mesma fazia questão que seu filho aprendesse a ler e a escrever. Mas ele não só aprendeu a ler, ele virou médico. Ele não era um médico famoso e nem que ganhava rios de dinheiro, até porque ele fazia questão de atender os pobres e os mesmo só poderiam pagar-lhe com algumas poucas moedas ou até mesmo com uma galinha ou um saco de feijão.

Elizabeth morrera à um ano. Ela acabou morrendo dois messes depois de Edward ganhar oficialmente o título de doutor.

Só Deus sabia quanto Edward sentia falta da sua doce mãe.

Mas aquele não era o momento de pensar na sua progenitora, pois ele acabaria ficando com raiva de seu pai por nunca ter ajudado aquela pobre mulher que ele chamava carinhosamente de mãe.

Edward acabara de chegar ao seu destino a Fazenda Cullen, a maior e mais importante da região, e até mesmo do país.

Ele desce do cavalo podendo assim ver que alguns empregados estavam em frente a residência principal da fazenda, certamente esperavam por notícias de Carlisle.

Edward já conhecia a fazenda, mas não conseguia não embasbacar-se com todo o esplendor e requinte do local. Era tudo tão grande. A grama verdíssima cobria todo o jardim, olhando de fora a residência dava a certeza de possuir vários aposentos. A casa era de uma coloração clara e haviam muitas janelas azuis ao longo das paredes do local. Era uma casa muito bonita. E era estranho imaginar que um homem sozinho como Carlisle vivia ali, claro que ele possuía muitos empregados, mas mesmo assim a casa certamente era muito vazia, talvez o próprio Carlisle se sentisse sozinho ali.

Na verdade Edward só usava a palavra “empregados” porque preferia acreditar que a nação havia crescido o suficiente para que a escravidão não mais existisse. Mas todos os homens e algumas mulheres e até mesmo algumas poucas crianças que se encontravam em frente àquela casa eram escravos.

Arrepiava-se quando pensava em todas as atrocidades que essas pobres pessoas sofriam nas mãos daqueles que se julgavam ser “superiores”.

– Você é Edward não é? – uma moça que acabara de sair de dentro da grande casa lhe diz interrompendo os seus pensamentos. A moça que o interrompera era muito bonita, e seu vestido verde -não muito rodado como os das moças da alta sociedade- contrastava fortemente com seus cabelos vermelhos e os seus olhos azuis lhe proporcionavam uma aparência muito bela e tudo levava a Edward crer que aquela mulher certamente tomava os pensamentos de qualquer homem que a visse.

– Sim, sou eu. – Edward responde com a voz firme a mulher a sua frente. Ele sabia que pelas regras tolas que alguém criara ele deveria beijar o dorso da mão da mulher, mas ele não tinha cabeça para tais frivolidades, e também Edward nunca fora da alta sociedade, não tinha porque ele agora seguir tais regras impostas pela mesma.

– Sou Tanya Denali e sou filha do administrador do Senhor Cullen. Recebi uma ordem de que quando chegasse o mandasse entrar. – a mulher de aparência muito jovial não havia se intimidado com o comportamento impassível do homem. A verdade que Tanya havia se sentido atraída por ele, toda aquela beleza lhe causara um estranho frenesi pelo seu corpo.

– Mas quem precisamente me espera? – Edward não acreditava que mesmo que Carlisle soubesse de sua existência o mesmo quisesse vê-lo, principalmente no dia de sua morte.

– Há alguns dias, quando seu pai não estava tão doente, ele falou ao meu pai sobre você, que você era o seu único filho. Mais tarde meu pai falará com você, mas por hora você deve acompanhar-me. – Tanya possuía uma voz firme, o que mostrava o quanto ela era decidida. Edward não sabia se deveria seguir aquela jovem, talvez ele só sentisse medo do que pudesse encontrar dentro daquela casa.

Tanya começa a andar na direção de onde antes saíra, por alguns segundos o homem se manteve parado apenas olhando o caminho que a jovem tomava. Mas ele não tinha o que temer, já tinha perdido tudo que lhe era importante por que justo agora ficaria com receio de algo tão estúpido?

Durante todo o trajeto em que Edward seguia Tanya, ele não conseguia parar de imaginar para onde a jovem estava o levando.

Depois de entrar pela porta da frente que dava direto para uma grande e aconchegante sala, eles subiram as escadas e logo depois Tanya calmamente abriu uma porta.

~*~


–Eu te amo Bella, a amo mais que tudo. – um belo jovem com os cabelos escuros e com a pele de um tom moreno falava para uma bela jovem.

– Eu o amo, amo mais que minha vida. – a jovem respondia com todo fervor e paixão que sentia por aquele jovem a sua frente. – Você tem que falar com a minha família Jake. – a voz doce da garota falava ao seu amado.

– Sua família nunca concordará que a sua preciosa filha se case com alguém sem dinheiro como eu. – o jovem rapaz falava triste, só Deus sabia o quanto ele queria casar-se com sua amada. O quanto ele queria tocar-la sem nenhum pudor, sem nenhum medo de que alguém os visse juntos.

– Mas isso não importa, dinheiro não é o importante. O que importa é que você é nobre, leal, inteligente e instruído. – a jovem morena falava enquanto espalmava as suas pequenas mãos no peito do outro jovem.

– Mas para a sua família importa. Para a sua família dinheiro é o que importa, e além do mais, nem um bom sobrenome eu tenho Bella. – Jake falava triste, ele falava essas verdades, mas só ele sabia o quanto doía dizer a Bella que ele não era bom para ela, que ele não era o homem ideal para casar-se com ela.

– Não, não. Para o meu pai isso não importa, meu pai é diferente Jake. Se eu conversar com ele o mesmo não fará nenhuma objeção. Aliás, você é um militar, assim como ele. – A moça falava tentando fazer com que Jake abandonasse a ideia de que não era bom para ela, pois para ela ele era, ela o amava e era isso que importava. Riquezas e um sobrenome de prestígio não lhe importam, ela só queria ter o seu amado para si, e nada mais. – Nunca mais pense que você não é bom pra mim, por favor. – ela o abraça com todas as forças que possuía em seu corpo. Era tão bom estar ali, presa nos braço de Jake, ela se sentia tão bem, tão protegida.

– Tudo bem meu amor, tudo bem. – Jake beija o topo da cabeça de Bella, onde as sua madeixas castanhas não eram tão onduladas como o restante de seu cabelo.

– Menina Isabella, temos que ir! Sua mãe vai ficar desconfiada com a sua demora! – a sempre fiel acompanhante de Bella a chamava, interrompendo o momento que estava tendo com Jacob Black.

– Já vou Trisha. Eu tenho que ir Jake. – Bella estava triste por ter que deixar Jacob, ela queria poder ficar mais, abraçá-lo mais, beijá-lo mais, tocá-lo... Mas ela sabia que não poderia continuar ali naquele — antigo e afastado do centro da cidade – coreto, onde por um acaso do destino algum conhecido poderia passar e assim o escândalo estaria armado.

– Eu sei meu amor. Não se esqueça de pensar em mim, pois estarás presente em todos os meus pensamentos. – Jake dizia aproximando o corpo de Isabella ainda mais contra o seu. Por mais que não ficassem longe por muito tempo, ele sentiria muita falta de Bella, e ele não conseguiria parar de pensar na veludosa textura da pele de sua amada. – Eu amo você meu amor. – ele dá um pequeno beijo nos lábios de quem tanto ama.

– Eu nunca irei esquecer-me de você Jake. E eu amo você. – ela por sua vez com muito custo afastasse de Jake e vai até a tão querida Trisha. Enquanto Bella e uma das mais antigas escravas de sua família iam em direção a sua casa a doce jovem não conseguia parar de olhar para trás onde o seu tão amado continuava a olhar-la com tanta ternura.