Hope
3 Capítulo 02
02
– Entre. – a jovem Tanya ordenava. Finalmente se sentindo destemido Edward entra no recinto onde ele pode ver um padre com o rosto marcado pelo tempo, ele aparentava ser muito humilde. Em um canto do quarto um homem, forte e robusto e com os mesmos olhos azuis de Tanya, se encontrava encarando fixamente o enfermo que estava na cama de casal que ficava no meio do quarto.
Edward não sabia se estava preparado para olhar mais atentamente para cama para assim ver o rosto do homem que nunca havia se importado com a sua existência.
– Venha cá meu filho. – o padre chama Edward para mais perto da cama, onde o mesmo também se encontrava. Edward segue até onde o padre estava, ele finalmente olha para Carlisle podendo ver a aparência cansada e acabada. – Carlisle seu filho está aqui. Não deseja falar com ele? – as pálpebras até então fechadas do homem tremem e com muito esforço ele abre os seus olhos verdes, que eram iguais aos de Edward, sua visão se foca no rosto jovem e bonito do seu filho. No momento em que Carlisle tenta falar com o jovem que a pouco chegara ele solta um gemido de dor, fazendo que não saísse nada mais do que a primeira letra do nome de Edward, a respiração de Carlisle se torna escassa e ele desesperadamente aperta a sua mão no seu peito demonstrando que sentia dor no local, a sua visão torna-se embaçada e segundos depois os seus olhos se fecham.
Edward preocupado com o seu pai aproxima-se do homem colocando o seu ouvido rente ao peito dele, mas ele pode perceber que ele se fora, não havia nenhum sinal de batimento cardíaco ali. Carlisle Cullen morrera rapidamente sem ao menos dar chance ao jovem médico que ali se encontrava tentar salvar a sua vida.
– Meu filho eu sinto muito, ele já estava muito doente e finalmente descansou. – o bondoso padre aperta os ombros de Edward para passar algum conforto a ele. Mas Edward não estava se sentindo mal por ter perdido o seu pai, por mais egoísta que possa soar, ele podia dizer que até se sentia aliviado por aquele homem ter partido.
Edward ficou por alguns segundos ou talvez por minutos olhando o morto que ainda se encontrava na cama, era realmente muito estranho ver aquele homem morto.
Os pensamentos de Edward são interrompidos por uma voz grave que fala atrás de si.
– Tenho que conversar com você, senhor Cullen. – o homem forte e robusto, o qual ele não sabia de quem se tratava, lhe diz. O que tinha chamado atenção de Edward fora o uso do sobrenome do seu falecido pai para chamá-lo. Edward não tinha aquele sobrenome, não havia razão alguma para ser chamado daquela forma.
– O senhor não deve me chamar desta forma. – Edward diz depois de ficar frente a frente com o senhor desconhecido.
– Como não? Não é esse o seu sobrenome? – A expressão séria no rosto de Edward provou-o que o rapaz ainda não sabia das novidades. – Então você não sabe? Pensei que minha filha já tivesse lhe contado.
– Não sei do que? – Edward num ato automático que mostrava toda a sua ansiedade aproximasse do homem.
– Seu pai o reconheceu. Agora você é Edward Cullen, mas não foi só o sobrenome que seu pai deixou, ele deixou toda a fortuna para o senhor. – o homem fala calmamente, e talvez de uma forma exageradamente articulada. Apesar da forma que o senhor havia falado Edward acreditava que tinha entendido tudo errado.
Carlisle não podia ter o reconhecido como filho! Não o homem que era conhecido por sua arrogância e falta de bondade.
– O que? Como assim? – Edward falava embasbacado.
– Sim meu senhor. O senhor foi reconhecido, e agora é oficialmente filho de Carlisle. – o homem falava sorrindo – Mas me siga que eu irei lhe explicar tudo. Aliás, sou Eleazar Denali, administrador das propriedades pertencentes à família Cullen.
O não mais desconhecido senhor sai do quarto, então Edward olha pela última vez para o seu pai e logo depois segue Eleazar. O outro leva Edward até o primeiro andar, onde quando a escada chegava ao fim logo ao lado havia uma porta onde eles rapidamente entram fazendo com que Edward pudesse ver que ali era um escritório.
– Pode sentar senhor Edward. – Eleazar aponta para uma cadeira muito bem acolchoada e de aparência confortável que ficava atrás de uma escrivaninha de madeira. O rapaz senta onde lhe fora indicado, mas o outro homem continua em pé – Bem, como o senhor bem sabe, seu pai pediu que lhe chamassem no povoado, já que aconselhado pelo padre ele me pediu que ordenasse que trouxessem para cá o seu único filho. Acho que o seu pai queria ter um último contado. – Eleazar diz enquanto anda calmamente pelo recinto – Enquanto o senhor não chegava Carlisle me pediu que arrumasse a papelada para que ele pudesse o reconhecer como filho e também os papéis do seu testamento. Ele só assinou tudo ontem, quando os papéis finalmente ficaram prontos, mesmo estando tão debilitado. – o homem aproxima-se de Edward para assim poder colocar as suas mãos por cima dos ombros do mais novo – Seu pai não era de todo ruim rapaz. Eu vou preparar tudo para o sepultamento, mas se o senhor estiver com alguma dúvida é só pedir para algum criado me chamar.
Edward não conseguiu responder o Denali, pois se encontrava muito chocado com tudo que o outro falara.
Ele não acreditava que o homem que há um dia fora quase expulso de uma pensão xexelenta por não ter pagado o aluguel, era agora dono dos bens de uns dos homens mais ricos do país.
Eram tantas novidades! Eram tantas mudanças que deixavam Edward atordoado.
Agora ele tinha um sobrenome! Sua amada mãe ficaria tão feliz!
Mas seja lá onde ela estivesse a mesma com certeza está com o seu sorriso doce nos lábios.
Talvez Carlisle não fosse de todo ruim.
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– Bella! Onde você esteve menina? Já faz mais de uma hora que você saiu! – Renné Swan, mãe de Bella, abordava a sua filha logo depois que a jovem entra pelo batente da porta da sala.
– Fui à igreja. E eu avisei a titia que sairia. Aliás, Trisha estava comigo. – Bella diz docemente. Por suas palavras dizerem exatamente o contrário do que ela havia feito ela troca um sorriso cúmplice com Trisha.
– Como se essa molenga fizesse alguma diferença. – a mulher responde grossa. Trisha não se sentia mais ofendida com as palavras da sua senhora, eram tantas ofensas que a pobre escrava tinha aprendido a ignorá-las.
– Não diga isso mamãe. – Bella repreende a sua mãe. – Onde papai está?
– No quarto. – Renée responde com o seu costumeiro tom bravo.
– Vou vê-lo. – Bella deixa a sua sombrinha azul bebê com Trisha e vai em direção a escada de sua casa. O pai de Bella, o conhecido General Charlie Swan, estava doente e por isso teve que se ausentar dos seus serviços.
Bella era a mais preocupada com Charlie, já que era muito apegada ao pai e o mesmo sempre lhe deu muito mimo e carinho.
Enquanto a jovem subia a escada ela acaba encontrando a sua tia Amélia no caminho. Amélia Collins vivia de favor com a família Swan desde que se tornara viúva, ela não tinha nenhum lugar para ir só restando à opção de viver com a sua irmã Renée. Aliás, as duas irmãs eram muito parecidas, a diferença era que Amélia possuía os cabelos lisos e Renée tinha os cabelos compridos e ondulados. Mas as expressões e formato do rosto eram iguais.
– Sua mãe está furiosa. – a querida tia diz.
– Qual é a razão desta vez? – Bella fala num tom cansado. Renée parecia estar sempre zangada com algo, e isso deixava Bella irritada e cansada ao mesmo tempo.
– Você. – a tia responde rápido.
– Eu? O que eu supostamente fiz dessa vez?
– Como se você não soubesse que ela está furiosa com essa sua demora de se casar. Estamos em guerra meu amor, e você precisa de alguém para protegê-la. E você já recusou tantos pretendentes! – a tia explicava a sua sobrinha.
– Mas eu vou me casar!- Bella dizia um pouco brava.
– Então case de uma vez! Mas tem que ser alguém que a sua mãe aprove.
– Não tia, vou casar-me com alguém que eu ame, como papai sempre falou que eu poderia fazer. – Bella falava em tom firme, ela não suportava a ideia de que a sua família rejeitasse Jacob.
– Ah meu amor, você acha mesmo que na situação a qual nos encontramos a sua mãe deixará você se casar com alguém pobre? Ela tem esperanças que você arrume um marido que nos tire dessa situação. – Amélia falava com doçura, ela desconfiava que a sua sobrinha estivesse apaixonada, só que nunca contou a sua irmã para que a pobre menina não sofresse as consequências impostas pela mãe ditadora.
Amélia entendia a sobrinha, ela mesma havia se casado por amor, e bem sabia a sensação de casar com quem se ama. Seus pais no início foram firmes e não a deixaram casar com seu amado, pois o julgavam como sendo inferior a Amélia, mas quando viram que Amélia não cederia, eles acabaram concordando com o casamento. Era uma pena o seu marido ter partido tão cedo.
– Que situação tia? – só com a pergunta da menina que a tia percebera que havia falado demais.
– A guerra ué, essa situação de terror... – a mulher diz tentando mentir.
– Não, a senhora não quis dizer isso. Que situação tia? – a menina torna a perguntar, mas percebendo que nada arrancaria da tia ela dispara: — Vou perguntar para mamãe, ela certamente me dirá.
Bella vira-se na direção oposta para onde estava indo e anda rapidamente até a sala, onde a sua mãe estava. A tia andava afobada atrás da sobrinha.
– Eu já lhe falei que é a situação que a guerra nos deixou Bella. – a tia fala antes de Bella adentrar a sala.
– Mamãe, em que situação estamos? – Bella dispara quase sem fôlego por ter praticamente corrido até ali.
– Situação? Como assim? – a mãe pergunta sem entender o questionamento da filha.
– Não é nada Renée, eu já expliquei tudo a ela. – Amélia fala a sua irmã.
– Ah, entendi a pergunta. A nossa situação Bella? É das piores, estamos na lama. Mas não vamos sair tão cedo, já que as dívidas só aumentam, e com o seu doente também não ajuda. Ah, claro, também tem o fato de que a única que pode nos tirar dessa situação resolve não arrumar um marido rico que nos tire desse sufoco! – Renée falava ríspida.
– Já chega Renée! Você está sendo cruel. A menina não tem culpa de nada! – Amélia defendia Bella.
– Claro que tem Amélia. Ela recusou todos os ótimos pretendentes que arrumei!
A tia e a mãe continuaram a discussão, mas Bella não ouvia mais nada.
Ela estava surpresa com tudo que a mãe havia lhe dito. Bom, certo dia o seu pai havia lhe dito que o financeiro da família não ia muito bem, mas que não era nada para que Bella se preocupasse.
Mas agora a sua mãe lhe vinha dizer que as coisas estavam péssimas e que ainda por cima só ela era a salvação.
Talvez do jeito que as coisas estavam nem o seu pai fosse aceitar Jacob como seu noivo, mas ela não desistiria, ela faria todos verem o quão bom Jake era, apesar do seu quase inexistente dinheiro.
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