Hooked on a Feeling

1 Falling from the sky


Notas iniciais
Então! Primeiro chap. Nada de bom pode acontecer quando Rocky decide desmontar a nave. Espero que gostem!

Algo de errado não está certo.

A nave tinha descido abaixo da atmosfera, atravessado uma espessa camada de nuvens e agora já era possível para qualquer um dos tripulantes avistarem outra vez as regiões em sua maioria rurais do planeta dourado. Os campos de trigo iam ficando cada vez mais próximos. A Milano ia perdendo mais altitude a cada tentativa de colocá-la nos eixos novamente.

Todos os presentes olhavam para o piloto, até mesmo Baby Groot em seu vasinho que por acaso estava colocado bem afrente do painel de controle, de modo que ele não só olhava, como encarava com uma expressão de confusão.

— Quill...? — Gamora foi a primeira a falar. Ela estava de pé ao lado de Peter.

Certo, ele não queria admitir que havia alguma coisa errada, mas a medida que o impacto não planejado com o solo ia ficando mais próximo, aquilo se tornou inevitável.

— Eu não faço a mínima ideia do que ta acontecendo aqui — Peter admitiu.

— Talvez os tanques de gasolina não estejam apropriadamente abastecidos — Foi Drax quem sugeriu.

Peter o olhou com uma sobrancelha arqueada, fazendo um sinal com a cabeça para o holograma brilhante diante de seu rosto no painel de comandos que indicava em um verde fluorecente a situação do combustível: Sobrando.

Os Guardiões haviam parado naquele planeta para coletar suprimento de comida e outras coisas e já estavam saindo quando a nave começou a apresentar problemas.

Gamora deu um suspiro aborrecido.

— Preparem-se para o impacto! — Gritou a ex assassina aos outros tripulantes.

— É uma boa ideia — Peter murmurou, percebendo os campos de trigo cada vez mais próximos.

A mulher o olhou com cara de tédio. O Senhor das Estrelas encolheu os ombros em resposta. Ele não podia fazer nada a não ser tentar amenizar o impacto da queda. Não era mesmo sua culpa, ele não sabia mesmo o porquê de a nave estar recusando a decolada.

Gamora se afastou, não sem antes pegar o vaso com o pequeno Groot e envolvê-lo de maneira protetora com os dois braços. Drax já estava sentado na cadeira de copiloto ao lado de Peter e apenas colocou o cinto, voltando a encarar o meio terráqueo em seguida.

— Eu sou Groot.

— Tudo bem Groot, não vamos morrer — Prometeu Peter.

— Ele não disse isso — A voz de Rocky surgiu do nada. — Concordo, Groot. Pelo menos não estamos caindo do espaço.

— Rocky! — Vociferou Gamora. — Aonde você estava?

— Isso não interessa, o que interessa é que cheguei pra salvar as suas vidas — Respondeu o roedor.

— Ei! — Peter reclamou quando Rocky subiu em seu colo de repente. Começou a apertar freneticamente os botões e deslizar hologramas do painel de controle.

— Oh, Oh — Rocky coçou a cabeça.

— O que?! — Peter olhou por cima dos ombros do Guaxinim, percebendo o impacto com o solo em poucos segundos. Arregalou os olhos enquanto colocava outro cinto para garantir e sua outra mão livre procurava pelo freio a ser puxado.

— Rocky... — O tom de Gamora tinha um pesar conhecido para Peter. Era de quando alguém fazia alguma coisa idiota. Esse alguém costumava ser ele. — O que você fez?

— Pensei que a nave conseguiria trabalhar só com uma até eu conseguir outra... Mas acabei de me lembrar que já tinha arrancado a primeira antes.

— Como é que é?! — O roedor abaixou as orelhas quando Peter gritou.

— Eu troquei uma das Baterias de Ion 306 do motor por alguns explosivos com um cara da cidade.

— Você o que?! — Foi a vez de Gamora berrar.

— Eu sei, eu sei! Eu fiquei empolgado. Dá pra explodir umas cinquenta luas com a quantidade de explosivos que o cara trocou comigo por aquela bateria, sem contar a qualidade dos explosivos e é claro...

— Não vamos explodir nenhuma lua — Gamora o cortou.

— Não! — Gritou Peter. — Ainda mais se estivermos mortos! Segurem-se!

A colisão fez com que Rocky desaparecesse da frente de Peter, que esticou o braço para agarrar a pequena mão do Guaxinim antes que ele saísse voando pela Milano afora. A nave capotou. Uma, duas, três vezes. Por sorte, na última vez tombou de pé, ou quase. Estava um pouco inclinada para a direita e todos os objetos estavam espalhados e fora de seus lugares.

Rocket! — Gamora e Peter gritaram em uníssono.

— Deveríamos tê-lo assado na fogueira quando sugeri que fizéssemos! — Drax rugiu.

— Eu sou Groot!

— Calem a boca! — Rocky soltou-se de Peter, caindo no chão da nave. — Até você? — Ele olhou Groot. — Eu vou recuperar as baterias!

— As duas! — Peter o olhou com o cenho franzido.

— Ótimo! Vocês só precisam esperar! Conseguem fazer isso, idiotas?!

Com isso dito, o Guaxinim saiu pisando pesado para outra ala da nave. Era inacreditável como ele ainda queria estar certo.

— Tentarei colocar a nave de volta em seu lugar devido — Drax pronunciou enquanto destravava o cinto. Ele se ergueu e pareceu quase escorregar quando apertou o botão que abria a porta da Milano. Depois disso, o Destruidor desapareceu dali.

— Então...

Peter girou a cadeira para encontrar com a usual expressão de poucos amigos de Gamora.

— Poderia ser pior.

— Eu sou Groot.

Só Rocky era capaz de traduzir o que o homem planta (naquele caso, bebê planta) falava exatamente, porém Peter teve a impressão de que Groot concordava com ele.

Sem mover nada além dos olhos, Gamora observou Groot em seu vaso pousado cuidadosamente em seu colo e voltou a encarar Quill. Ele podia sentir a agressividade do olhar fazendo um buraco em seu rosto. A mulher de pele verde não estava nada contente.

— Pense pelo lado positivo, Gamora. Podemos descansar um pouco, sair para nos divertir...

— É só nisso que você pensa, Quill?! — Ela enfim explodiu. — E se precisarem da gente em algum lugar? Nós não temos tempo a perder!

— Ei, ei, ei... Autch! Calminha. Pensei que confiasse em mim como líder.

— E como nosso líder, deveria evitar os atos estúpidos de alguns seguidores.

— Eu...

Droga! Ela tinha uma resposta para tudo. A mulher agora tinha um sorriso minúsculo no canto dos lábios, observando-o com as duas sobrancelhas erguidas, consciente de sua vitória. Peter não podia acreditar que Gamora estivesse o culpando pela idiotice de Rocky, mas no fim das contas, ela tinha razão. Quill não era um dos melhores líderes. Não, muito longe disso. Talvez estivesse entre os piores. Mas afinal eles todos eram uma equipe. Gamora não podia colocar toda responsabilidade em suas costas.

— Você foi a primeira a me escolher como líder, Gamora.

O sorriso da mulher desapareceu, as sobrancelhas voltando lentamente ao lugar. Um agito repentino fez com que os dois se segurassem nos assentos. Gamora, usando apenas uma mão livre do vaso que agarrava. Um instante mais até que o sacolejar parou. Drax havia conseguido colocar a nave de volta em sua posição perfeita.

Peter esperou mais um pouco para se certificar de que não seria interrompido novamente. Ele se inclinou para frente, olhando a alienígena nos olhos. Ela sustentou seu olhar, franzindo o cenho rapidamente.

— O que estou dizendo é... Não desista de mim.

Sua voz soou um pouco mais suplicante do que gostaria. No entanto, Quill tinha de admitir que se importava muito com a opinião da filha adotiva de Thanos. Não por ela ser tudo o que era e sim porque... Bem...

Foi arrancado de seus pensamentos quando viu Gamora desviar os olhos. Ele seguiu seu olhar e percebeu que havia colocado sua mão levemente sob as costas da mão da outra. A ex assassina parecia desconfortável com o gesto. Apesar de ser apenas um toque leve, inocente e até mesmo inconsciente. Quill não quis nem pensar no que a então amiga faria com ele se sonhasse o modo que ele realmente já quis estar com ela uma porção de vezes antes. Alias, no momento em que pensou sobre isso, tirou a mão de cima da dela. Provavelmente, ela rasgaria sua garganta sem hesitação dessa vez, se ele tentasse por em prática qualquer um de seus pensamentos.

Um barulho sutil seguido de passos indicava a volta de Drax a nave. Peter limpou a garganta e voltou a se recostar na cadeira. Só fitou Gamora novamente quando ouviu sua voz dizer:

— Não se preocupe. Eu irei confiar em você, Senhor das Estrelas.

Ele falhou em conter o tamanho do sorriso estúpido que preencheu quase todo seu rosto. Ela sorriu sutil e docemente, lembrando a ele que no fim do dia Gamora não era apenas aquela garota durona o tempo todo. Às vezes, raramente, ela deixava escapar algo que mantinha Peter esperançoso e também preso a ela de alguma maneira. Mais uma vez estava sem palavras, tudo o que conseguiu fazer foi assentir.

A alienígena verde se levantou e colocou o vaso de Groot no lugar. Peter havia até esquecido que o tempo todo não eram só ele e Gamora ali. Era difícil ter um momento a sós com ela, quando acontecia, Gamora sempre mantinha sua armadura e dava um jeito de escapar antes que ele soubesse como aproveitar. A quem ele estava enganando, afinal? Ele não saberia nem se tivesse tempo para pensar.

Após olhar brevemente por cima do ombro, a bela alienígena caminhou para outro lugar da nave. Quill a seguiu com os olhos. Era algo bonito de se ver, todo seu modo de andar, sua postura e como mexia os quadris, sua forma perfeita.

O meio terráqueo não se lembrava da última vez que uma garota havia mexido tanto com ele. Não... Espere... Uma garota nunca havia mexido tanto assim com ele.

Naquele exato momento, Peter Quill percebeu que estava ferrado.

Notas finais
OiOi, valeu por ter chegado até aqui! Aproveita e deixa uma Review! Beijos, Júpiter.