Honra de Cavaleiro

1 Prólogo - A lenda do cavaleiro mascarado


Notas iniciais
Oi pessoal! Estou começando mais uma fic. Já tenho uma aqui, chama-se "Até ele voltar".
Essa fic é ambientada na época medieval, épocas de castelos, reinos, princesas, cavaleiros... eu sou muito apaixonada por histórias desse tipo e espero que vocês gostem da história e o jeito que eu pretendo adaptar os personagens!
Aceito criticas, sugestões e fico muito feliz quando eu tenho um retorno com comentários!

FANFIC PERINA PRINCIPALMENTE!

Os acordes do violino de Pepe ajudavam a dar um ar macabro a situação. As crianças, visivelmente assustadas, encolhiam-se em volta da grande fogueira, com frio e com medo.

- Se vocês ficarem bem quietinhas, poderão escutar o trote de seu cavalo negro — sussurrava vovô Duarte, pedindo silêncio com o dedo frente aos lábios — escutem...

Todas as crianças obedeceram. Os olhinhos assustados atentos a qualquer barulho. De repente, o uivo do vento atrás de uma moita fez todas pularem de susto.

- Ouviram? — perguntou o velho senhor, apontando para a floresta — ele vem mais cedo ou mais tarde. Galopando em seu cavalo negro, com uma espada em sua mão, clamando por justiça. Se você conseguir atraí-lo para a luz da lua, conseguirá ver sua máscara dourada....

- Quem é ele, vovô Duarte? Quem é ele? — perguntou Wallace, tremendo da cabeça aos pés, coberto de um modo que só era possível ver seus olhos.

- Como podemos saber? Ele jamais sai sem sua máscara. Ninguém nunca o viu sem ela... alguns, meu amigo, dizem que por trás daquela máscara... esconde-se um monstro horrível...

- Eu não quero mais — choramingou Bianca, querendo se levantar.

- Por Deus, Bianca — reclamou João, tentando esconder o próprio nervosismo — é só uma história boba de vilões.

- Tem certeza, João? — questionou vovô Duarte, tentando apavorá-lo ainda mais.

- Tenho... — gaguejou o menino, encolhendo-se mais ainda no cobertor — minha m-mãe disse que é só h-história que o senhor conta nas festas de lua cheia.

- João fez xixi na calça de tanto medo na última festa vovô. Por isso a mãe dele precisou contar para nós a verdade.

Assim que Bianca disparou a verdade, João ficou vermelho como um tomate. As crianças riram e apontavam para ele enquanto cantavam músicas sobre crianças tolas que fazem xixi na cama.

- Não tem nada demais sentir medo. Medo é o que nos faz nos manter longe do perigo — respondeu vovô Duarte, abandonando a encenação — o cavaleiro mascarado não vai fazer nada com vocês a não ser que... vocês não se comportem.

- Temos que tomar banho todos os dias — gritou Mari, começando a enumerar a lista de coisas que crianças deveriam fazer para não serem pegas pelo cavaleiro do mau.

Em todas as festas de lua cheia, a lista era recitada com entusiasmo.

- Obedecer papai e mamãe — disse Jeff ao seu lado, orgulhoso.

- Não andar sozinho na floresta e estar sempre em casa antes de anoitecer — disse Wallace, um pouco receoso pelo medo.

- Estudar e ajudar nossos pais nas tarefas — completou Bianca.

Dandara aproximou-se devagar do pequeno grupo e sorriu para o grupo de crianças.

- Esqueceram-se do mais importante — disse ela fazendo mistério — dormir cedo.

Todos suspiraram de desânimo. Vovô Duarte era o mais decepcionado.

- Virão outras festas da lua cheia, crianças — disse Dandara, puxando o pequeno João pela mão — e não se esqueçam. São apenas histórias crianças. Se comportem e nada de mal irá acontecer.

Dandara piscou para o velho antes de sair com o filho para sua pequena casa. Aos poucos, os pais aproximaram-se da fogueira para chamar seus filhos. Vovô Duarte, como em todas as festas, ficou por último para apagar a grande fogueira. Estava quase abafando as últimas labaredas quando percebeu uma sombra distante. Imediatamente, sorriu. Terminou seu trabalho e se aproximou da criança, pensativa em cima de uma grande pedra.

- Ouviu a história, minha boneca? — perguntou o velho sorrindo para a menininha linda à sua frente.

- Ouvi, vovô — respondeu Karina, estreitando os olhinhos azuis — mas com todo o respeito, não acredito no senhor.

O velho Duarte riu, cansado. Com dificuldade, sentou-se ao lado da menina e passou a observar a lua junto com ela.

- E por que não acredita em mim?

- Já tentei encontrá-lo, se quer saber.

- Ah é, pequena? — perguntou o velho, tentando segurar o riso — e como fez isso, seu velho avô pode saber?

- O desafiei, vovô — respondeu ela, orgulhosa — o desafiei!

Karina pulou da pedra e se pôs a frente do avô.

- Em um dia só, fugi da escola, desobedeci uma ordem de papai, não tomei banho, entrei na floresta e fiquei lá até anoitecer — dizia Karina, extremamente orgulhosa de sua coragem — e sabe o que me aconteceu?

Vovô Duarte era maravilhado com a pequena neta de 9 anos. Karina o desafiava, mas sem perder o respeito. Mesmo tão criança, ela tinha um poder enorme de virar a história a seu favor. Mesmo sendo um experiente contador de histórias, ele estava entretido demais na explicação da garotinha.

- O que, meu amor? — respondeu o velho, demonstrando o máximo de curiosidade para alegrar Karina.

- Nada — respondeu ela simplesmente — nenhuma perseguição. Ele não existe vovô.

Duarte riu e se deu por vencido.

- Não se preocupe, vovô. Essas crianças precisam de algo para assustar elas, se não, o senhor sabe, não se comportam.

- Isso você tem razão. Nem todas são crescidas como você, não é mesmo? — disse o velho, fingindo estar sério.

- Exato.

- KARINA! DORMIR!

Karina deu um pulinho ao ouvir a voz do pai. Acenou para o avô e saiu correndo para a casa.

- Karina! — chamou o avô, de repente.

A menina parou subitamente e virou-se para ele, sorrindo com sua inocência de criança. Mas sem motivo aparente, vovô Duarte ficou sério, visivelmente preocupado com alguma.

- Me prometa uma coisa.

- O que quiser vovô.

- Se um dia ver alguém com uma máscara dourada, fuja.

Karina arregalou os olhos azuis, confusa.

- Prometo vovô — respondeu ela — não importa quem seja. Eu vou fugir.

Notas finais
E essa Karina marrenta desde criança?
E aí, quem seria o máscara dourada? será que existe?