Notas iniciais
Olá, espero que gostem da minha nova história! Boa leitura!

Narrando: John

– Um brinde — Anunciei, olhava nos olhos azuis de minha adorável esposa que estava muito bem vestida. Seu rosto corava conforme nossos olhares se encontravam, eu estava tão apaixonado quanto um adolescente no seu primeiro amor. Estendi meu copo de champanhe e ela fez o mesmo.
– Ao nosso amor — Confirmou ela com a sua suave voz
– Ao nosso filho que está vindo — Comentei olhando para sua barriga de 5 meses. A nossa pequena Alice vinha vindo, e nada poderia estragar a nossa felicidade.

Era nossa viagem comemorando o aniversário de Marília, minha esposa. Estávamos num cruzeiro para Miami. Era o grande sonho dela fazer um ensaio fotográfico romântico nas praias de Miami. Por isso, fiz um curso rápido de fotografia e realizei o sonho dela. Estava tudo perfeito, até que antes de nossos copos se tocassem, ouvimos uma grande sirene feita lá do navegador do navio.

Olhamos assustados para as pessoas ao redor, e ouvimos uma voz anunciando que o barco estava virando. Na hora, tudo o que eu pensei em fazer foi levar minha amada pro lugar mais alto do navio. Ela chorava de desespero, o navio virava cada vez mais e eu não sabia o que fazer, várias pessoas já haviam sido arrastadas e levadas ao mar. Olhei para trás procurando alguma coisa para nos segurar e quando virei, Marília já tinha caído. Meu mundo perdeu a cor, num filme preto e branco me senti. Tentei no máximo pegá-la mas tudo o que pude ver foi ela gritando "Eu te amo". E eu sabia que era a última vez que eu ouvira isso dela.

15 anos depois...

Narrando: Alice

Eu olhava a minha cidade natal, Minas Gerais, se afastar conforme o avião ira voando. Eu e meu pai estávamos indo para o Rio de Janeiro. Onde se passava o novo livro dele. Eu estava com fones de ouvido e um bom livro na mão. Meu pai sempre tentou me agradar, porém eu confesso que estava bem triste em deixar tudo de Minas Gerais pra trás. Meus amigos, meu antigo colégio. Não sei como seria no Rio de Janeiro. Iríamos ficar em um lugar chamado Tijuca. Pelas fotos era bem bonito, e ficava perto da praia.

Eu iria estudar num colégio local do bairro. Ele era grande e parecia ser legal. Tá, eu confesso, eu estava um tiquinho animada em me mudar. Deve ser porque eu nunca saí de Minas Gerais, seria uma nova experiência.

Pousamos no Rio de Janeiro, fizemos o check-out e pegamos um táxi até o nosso apartamento. Chegando lá, fui direto pro meu quarto, onde já estava tudo arrumado. Ele era grande e ainda tinha uma sacada. Até que era tudo bem bonito. Esvaziei minha mala e logo arrumei as minhas coisas. Depois de arrumar tudo, liguei meu computador e entrei no Facebook. Miguel estava online.

Miguel era um menino que era do mesmo orfanato que eu. Fomos adotados quando éramos recém-nascidos. Ele foi adotado por um amigo do meu pai. Sempre fomos amigos, desde do nosso primeiro ano de idade. Morávamos um do lado do outro, estudávamos na mesma escola e eu sempre fui apaixonada por ele. E no meu aniversário de 14 anos — que foi ano passado — ele me deu o meu primeiro beijo. Foi estranho, mas foi especial. Porém eu tive que deixá-lo em Minas Gerais.

Miguel: Oi, já estou morrendo de saudades da minha Alice no país das maravilhas.
Alice no país das maravilhas era o meu apelido, eu sempre fui de lua. Vivia no meu mundo, eu me sentia especial.
Alice: Ai que saudade de todo mundo daí
Miguel: Como é aí no Rio?
Alice: A minha primeira impressão daqui foi: muito calor
Miguel: Aproveite muito minha linda, mas nunca se esqueça de mim
Alice: Nem querendo eu iria conseguir. Te amo pra sempre Miguel.
Miguel: Eu também te amo pra sempre, Alice.

Depois de muita conversa eu consegui sentir a presença dele perto de mim, e aquilo me fazia muito bem. Me despedi dele e fui com o meu pai no Shopping comprar nossa árvore de natal.
Estávamos no final de novembro, o que significa que o natal está chegando. Nunca fui fã do natal, mas eu achava uma época do ano legal. Desde de pequena eu via as casas enfeitadas pro natal, cheias de pisca-pisca. E eu achava tudo lindo. Coloquei uma roupa simples, fiz uma trança — que meu pai amava — e fui esperar meu pai se arrumar.

Chegando no shopping, que estava lotado, escolhemos uma árvore não muito grande e alguns enfeites. Meu pai me ofereceu um sorvete, aceitei pois já estava com fome. Pedi sorvete de baunilha, sempre meu sabor favorito. E meu pai pediu misto, toda vez que tomávamos sorvete escolhíamos aquele sabor. Percebi que meu pai estava com um ar triste, resolvi perguntar o que tinha acontecido.

– Minha ex esposa Marília só tomava sorvete de baunilha. Pra falar a verdade, você é muito parecida com ela. Cabelos ondulados loiros, branquinha da cor da neve e olhos azuis. — Ele comentou.
Eu já ouvira a história da Marília antes, soube que ela morreu num acidente de cruzeiro. Eu nunca poderia imaginar aquilo pra ninguém, ás vezes eu via meu pai chorando e lamentando sozinho. Mesmo que já havia feito sei lá, 15 anos. Meu pai tinha 35 anos, se ela tivesse viva ela teria 34. Eu soube que eles se casaram com 20, 19 anos. Pois por acidente ela estava grávida.

E o nome da criança seria Alice. Nunca perguntei o porquê do meu pai amar muito aquele nome. Mas devia ser porque aquele era o conto preferido da Marília. Alice no país das maravilhas era o meu conto favorito também. É, eu e Marília éramos muito parecidas.

Depois do passeio voltamos para casa, andando, pois o Shopping era praticamente duas quadras longe da minha casa. Já tinha anoitecido e eu estava vendo os pisca-pisca nas casas de novo. Naquela hora, eu tive uma lembrança.

1 ano atrás...

Eu estava com a minha barriga doendo de tanto dar risada. Miguel estava me fazendo rir muito. Estávamos sentados na calçada na frente da casa dele. Era época perto do natal, e era meu aniversário também. Eu fazia aniversário dia 24 de dezembro. Sim, na véspera de natal. Depois que parei de dar risada, o que na minha cabeça parecia impossível, ele se aproximou e me deu um beijo. Um beijo intenso, do qual eu nunca tinha experimentado antes. Era meio novo pra mim, mas não deixou de ser perfeito. Depois que me soltou, mergulhei em seus olhos verdes e ele em meus olhos azuis. Um clima inexplicável reinou naquele lugar. Era o melhor dia da minha vida. Era o famoso chamado Milagre de Natal? E naquela hora, apenas ficamos abraçados olhando as casas enfeitadas pro natal.

Atualmente...

Eu entristeci, pois aquilo nunca voltaria mais. Eu sentia muito a falta dele, acho que nunca o esqueceria. Meu aniversário junto com o natal estava chegando, eu queria ir pra Minas Gerais comemorar com os meus antigos amigos, porém meu pai queria comemorar aqui na nossa "nova vida". Eu odiava quando ele falava que essa era a nossa nova vida, se era uma nova vida a gente nunca iria voltar para Minas?

Chegando em casa eu entrei no meu quarto e desabei de chorar na cama. Eu sentia falta de todo mundo de lá de Minas Gerais. Principalmente do Miguel. Não sei como seria sem ele lá pra me abraçar e me falar que Tudo pode acontecer. Graças a ele, eu aprendi a acreditar nos meus sonhos e lutar por eles. Não me imaginava num lugar sem ele...

Passaram-se vários dias e o meu aniversário e a véspera de natal logo chegaram. Eu estava arrumando a mesa pra ceia com o meu pai. Eu estava feliz por completar 15 anos. A minha grande sonhada festa de 15 anos só seria em Julho do ano que vem. Pois tínhamos que juntar dinheiro. Eu queria a presença dos meus amigos de Minas Gerais. Arrumamos tudo e tive um ótimo natal com meu pai.
Eram 23:58, dali a 2 minutos era Natal, e meu aniversário teria acabado. Eu tinha 2 minutos pra desejar alguma coisa, tudo o que eu desejei foi uma vida maravilhosa. Foi a única coisa que eu pude pensar. Assoprei a vela e deu 00:00.

Abracei meu pai, desejando Feliz Natal e comemos a ceia felizes. Tudo havia mudado a partir dali...

Meses depois....

Respirei fundo e entrei pelos portões daquele enorme colégio. Era finalmente o meu primeiro dia de aula. Eu estava vestida como eu achava que tinha que ir, mas vi que o estilo de roupa das meninas dali não eram nada parecidos com o meu, elas eram vulgares *
Estava fresco, porém elas exageraram na roupa curta. Eu fiquei bem horrorizada com aquilo. Passei por um grupo de meninas que elas estavam todas com o mesmo modelo de mini short. Elas zoaram a minha roupa, talvez por não ser igual a delas. Ignorei, e passei mais rápido ainda, olhando pro chão. Quando esbarrei num menino que parecia ser jogador de futebol, forte e muito bonito.
– Olha por onde anda sua lerda — Ele disse, e as meninas riram com suas vozes irritantes.
Saí o mais rápido pra longe daquelas pessoas e fui pro banheiro mais próximo. Lá fiquei até o sinal tocar.

O sinal finalmente tocou e eu pude sair do banheiro. Peguei o papel que estavam distribuindo com o número das salas e dos armários. O número do meu armário era 143. Coloquei minha mochila lá e peguei meu material de Literatura, que seria a primeira aula do dia. Literatura era a minha matéria favorita, e eu estava bem animada para essa aula. Eu estava no primeiro ano do ensino médio. Tudo novo, matérias novas...

Eu nunca fui uma das melhores alunas, sempre passava raspando. Mas naquele ano eu ia tentar me esforçar. Procurei a sala 1765 que era a sala de Literatura. Quando entrei já havia apenas uma menina na sala. Ela estava sentada lendo um livro. A cumprimentei, que sorriu de volta. Resolvi sentar na cadeira em sua frente. Resolvi ler também. Depois percebemos que estávamos lendo a mesma saga. Porém ela estava lendo o primeiro e eu o segundo. Essa saga era Harry Potter.

– Gosta de Harry Potter? — Ela perguntou
– Sim, você pelo jeito deve gostar também — Eu respondi
– Amo.

Sorri e nós duas começamos a conversar, no meio dessa conversa percebemos que tínhamos muitas coisas em comum. Então logo viramos amigas. Resolvemos que iríamos almoçar juntas. Ela estava vestida totalmente diferente das meninas que eu vi no portão da escola. Gostei bastante do estilo dela. O nome dela era Ariana. Um bonito nome, eu gostei.

Nossa conversa foi interrompida pelo professor e vários alunos que estavam entrando. A aula iria começar...

Notas finais
* Nenhum momento eu disse que TODAS as meninas do Rio de Janeiro são vulgares, eu moro no Rio de Janeiro e eu sei que em todo lugar - não só no Rio - tem meninas vulgares não é mesmo? Palavra que define o 2° Capítulo: Revelações O que será que está por vir? Confira no próximo capítulo.