Fomos largados logo na entrada. Eu e meu irmão ficávamos naquele acampamento caindo aos pedaços todas as férias. Quando eu era criança adorava passar os dias lá, mas agora não passava de um lugar triste e tedioso. Logo encontrei alguns conhecidos do ano passado, nenhum deles era amigo meu, e nem queria que fosse. Ao todo oito pessoas estavam em nossa cabana, oito pré adolescentes com idade de quatorze ou treze anos.

- Que saco, queria estar em Los Angeles agora, em um show do Foster The People. — Comentou uma garota sentada em cima de um dos beliches. Era Nicoli, uma "quase-amiga" minha. Nunca conversei muito com ela, mas sabia que ela era mais legal do que os outros alí, e era a única garota além de mim.

Outros rapazes riam e conversavam sobre idiotices como minecraft e a nova temporada de the walking dead. Confesso que não sou fã de terror, ao contrário de Nicoli, que parecia estar adorando a conversa.

Lá fora o clima piorava cada vez mais, o ar frio das montanhas era fresco, mas úmido a ponto de parecer uma garoa. As construções de madeira do lugar se aglomeravam em meio de um vale, que era cercado de uma floresta infinita de pinheiros. O assunto dos garotos mudou para algo mais importante, pois diminuiram o tom de voz. Me aproximei para escutar.

- Dizem que há uma construção abandonada no meio do bosque. Dois garotos foram explorar, e só retornou um. Ele vive aterrorizado até hoje. — Disse um garoto mais alto, de cabelo desgrenhado preto. Acho que seu nome era Alex.

- A gente tem bastante lanternas, vamos lá essa noite! — Disse um dos outros garotos. Um murmurinho aumentou, e eles olharam pra mim. — Ei, menina, você vem?

- O instrutor não vai gostar dessa saidinha de vocês. — Comentei, enquanto colocava um moleton mais quente. Eles pareceram me ignorar, voltando a murmurar sobre historinhas de terror.

- Eu vou ficar com ela, gente! Valeu por perguntar. — Nicoli se manifestou, e gerou uma onda de risadinhas da parte dos outros caras. Ela era bem fácil de se inturmar, ao contrário de mim... Meu irmão estava em outra cabana, com os amigos que já tinha feito alí... sorte a dele.

Nesse momento o instrutor entrou. Um homem sério, velho, e sem animação alguma. Passou as regras do acampamento e foi embora, sem nem dar as boas vindas. Disse o que haveria amanhã, e não eram atividades muito animadoras. Na verdade, eram uma merda.

A noite caiu, e ví os garotos colocando capas de chuva e indo em direção da floresta com as lanternas ligadas.

Nicoli e eu conversamos a noite inteira, provavelmente acordadas até à meia-noite. Mal sabíamos que algo muito ruim estaria acontecendo naquele exato momento. Ouvimos gritos e ecos vindos do puro breu dos pinheiros. Os garotos não estavam muito longe, conseguia ouvir galhos farfalhando e se quebrando a todo instante.

Algo deu muito, muito errado.

Continua.

Notas finais
Reviews. :)