Homem Esguio
2 Dois
De repente os gritos silenciaram, o mato parou de farfalhar. Não haviam mais galhos se quebrando, nem nada do tipo. Nicoli olhou para mim, pensativa. Eu sabia o que ela queria, e já me diantei.
- Não, não vou lá fora. Nem vem.
- Se você não for, eu vou sozinha então. — Disse ela, se levantando e colocando uma calça jeans qualquer e um casaco.
- Não acredito que você vai. — Comentei, enquanto via ela pegar uma lanterna grande.
- Já tô indo, decida se vai ou não. — Disse ela, enquanto colocava o capuz e sua mochila.
Depois de insistencia dela, decidi topar ir com ela. Também estava curiosa. Assim que saímos já sentimos um frio anormal no local. A noite estava silenciosa, talvez mais do que nunca. Nem um único grilo ou pássaro se moviam, tudo que ouvíamos eram nossos passos na grama.
Nos aproximamos de onde vieram os gritos.
- Natalia, para de respirar desse jeito, por favor. — Disse Nicoli, adentrando ainda mais na floresta. Não queria ficar longe da lanterna dela, então fui atrás. — Eu ouvi alguma coisa.
Chegamos numa trilha que descia bem longe do acampamento. Eu ia dizer para irmos embora, mas algo me atraía para aquele lugar. Paramos em um lugar onde a trilha se dividia para dois lados.
- Vamos pra direita. — Disse Nicoli, mas eu a interrompi.
- Não, a esquerda. Olha, aqui as folhas estão quebradas. — Nicoli apontou com a lanterna, e resolver ir para a esquerda.
- Tá bom, rastreadora. — Disse, indo na frente. — tá ligada aqueles cachorros de policial? Você é tipo isso.
- Valeu por me chamar de cadela. — Disse. Nicoli começou a rir, mas acho que não foi uma boa ideia. Estava tudo muito silencioso, e a risada fez eco. O que quer que estivesse escondido nas árvores se moveu, e consegui ouvir passos nas folhas. Continuamos seguindo em frente, um pouco mais cautelosas.
Chegamos a um lugar estranho. Vários tanques de água estavam em fileiras, todos cobertos por lonas. Paramos por um tempo pra analisar um dos tanques, e foi aí que ouvimos o barulho.
Em algum dos tanques podíamos ouvir socos contínuos, como se algo quisesse sair. Uma das lonas começou a se mover, e não havia vento nenhum. Eu queria sair correndo, mas Nicoli foi até o tanque.
- Você é idiota, vamos logo! — Puxei ela pelo braço, mas ela continuou. Se aproximou do tanque que fazia barulho, e quando ela apontou a lanterna para a lona, tudo parou. O silêncio se espalhou novamente.
Dois vultos saíram de trás do tanque, gritando alto. Eu e Nicoli gritamos, e acabei deslizando na lama e caindo. Puxei Nicoli e nós caímos juntas. Não tinha mais esperança, éramos presas fáceis.
Foi aí que uma lanterna se acendeu. Eram os garotos. Eles começaram a rir da nossa cara. Não acreditava que aqueles retardados tinham feito a gente de idiotas!
- Seus filhos da puta! — Gritou Nicoli, levantando e dando um chute num dos garotos.
Um deles se aproximou, irritado. Era mais forte e alto que Alex, e pareceu não ter gostado do chingamento.
- Ah, então vão começar a chingar... Duvido que você seria tão corajosinha se ficasse a noite inteira aqui.
- Duvida, é? — Disse Nicoli, braba.
- Gente, calma, e os gritos, o barulho na floresta? Não foram vocês?
- Não, a gente acabou de chegar. — Disse Alex.
Nicoli não tinha esquecido o desafio, e disse:
- Ei, cara gordo e alto. Nós vamos ficar até amanhecer aqui sem dar um grito. Se eu ganhar você vai ficar sem onde dormir. Se perder, somos nós que ficamos sem cama durante uma semana.
O menino começou a rir.
- Tá bom então, cuidado com os lobos, é bem comum nessa região. Ah, e mais uma coisa, vocês vão ter que passar a noite dentro de um desses tanques, assim é mais claustrofóbico.
Conseguimos entrar em um dos tanques e os garotos fecharam a lona em cima de nós, não era muito alto e só cabíamos sentadas, mas dava pra ficar alí. Ouvi a conversa deles.
- É certo isso? — Era a voz de Alex.
- Foda-se se é certo ou não, quero ir dormir. Vamos.
Nesse momento, um dos tanques perdo do qual a gente estava caiu no chão com um estrondo, e os garotos saíram correndo, alguns até gritaram. Nicoli, que tinha tirado um doritos da mochila, quase se engasgou com o susto.
Passar a noite alí não seria tão ruim. Ou será que seria?
Continua.
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