Homem Esguio
4 Quatro.
Cinco garotos. Todos mortos. Nossa cabana estava praticamente vazia agora. Os corpos foram encontrados no meio do acampamento, disseram que estavam colocados em um círculo desenhado com sangue, mas pode ser apenas um rumor. Um deles, Alex, não foi encontrado, e estavam tentando encontrar seu corpo.
Estávamos nos mudando para outro chalé, onde a maioria das garotas estava hospedada. Eu e Nicoli não estávamos muito animadas, principalmente depois daquilo, mas após uma semana tudo começou a tomar rumo. Com o assasinato, queriam acabar com a ideia de acampamento, e os professores foram convocados na cidade por causa do possível homicídio. Apenas uma professora tinha ficado conosco, e eu definitivamente não me sentia segura alí.
Assim que entramos, o clima dentro do chalé parecia diferente. As garotas conversavam, rindo, sobre algum assunto aleatório. A conversa parou, e uma delas ficou em pé, animada.
- Nicoli! — Gritou Ana. A abraçou, animada, enquanto outras conhecidas, ao todo quatro, se aproximavam para conversar.
- Nossa, vocês todas se conhecem... — Comentei, meio tímida.
- Somos da mesma sala. — Disse uma das garotas, Wanessa.
- Ei, Natalia, vem pro nosso colégio, é bem legal lá. — Disse Nicoli, me puchando pra rodinha de conversa.
- Só que não. — Disse Ana, e começaram a rir.
Não saímos do acampamento em hipótese alguma, e depois fomos conversar com a única professora que ficou.
- Olha, vocês seis vão ter que se juntar ao outro chalé, onde há outros três garotos. Precisam ficar todos juntos. — Disse a professora, séria.
- Mas tinham mais umas vinte pessoas no acampamento! — Disse Gabriela, a menor das garotas.
- O diretor disse que os outros alunos já voltaram, e amanhã ele irá buscar todos pra uma segunda viagem de volta. Não sei por que, mas todos os ônibus de viagem não funcionam, então vamos ter que esperar. — As garotas bufaram, desanimadas.
- Mas e aquele menino que não encontraram?
- Foi encontrado morto, assim como os outros. Que horror.
Todos permaneceram quietos. Nenhum pai tinha entrado em contato, nem mesmo na própria escola. Tudo isso era muito estranho. Nem meus pais procuraram saber se eu estava bem. Eu não podia pagar pelo ônibus de viagem que vinha da escola, então vim de carro com meus pais. Isso significava que mesmo que elas fossem, eu teria que ficar aqui, sozinha. Não seria uma boa ideia.
Anoiteceu e nós estávamos no refeitório, todos juntos. Os três garotos por coinscidência também eram da mesma classe que as garotas, e eu acho que se davam bem. A professora pegou os "kits" de lanche e entregou pra cada um. Nossa janta seria club social, barra de cereais e um suco horrível de laranja. Óbvio que depois nós dividimos alguns salgadinhos dentro da cabana.
( Narração — Wanessa )
Hoje chegaram duas alunas na nossa cabana. Até algumas horas atrás a gente nem sabia do que tinha acontecido, e depois que a amiga da Nicoli contou, eu comecei a ficar com muito medo de estar naquele acampamento.
Já eram quase onze horas, todo mundo estava muito cansado e já tinha dormido. Eu não parava de pensar na descrição que ela fez do que apareceu nos tanques. Levantei e peguei meu celular pra escutar alguma música, ver se parava de pensar naquilo. Pela janela eu só conseguia ver o único poste de luz do acampamento, perto das árvores do bosque de pinheiros. Aquele lugar me dava medo, ainda mais depois de saber do que tem lá.
De repente, o poste de luz apagou. A luz piscou algumas vezes, mas não acendeu mais. Depois de quase quatro minutos, a luz voltou, e dessa vez havia algo abaixo dela. Um homem muito, muito alto. Ele tinha que se abaixar para não tocar a cabeça na lâmpada do poste. Não tinha rosto, e sua pele era totalmente branca. Usava uma roupa inteira preta, e tinha coisas que se mexiam nas costas. Nesse momento eu fechei a cortina, me segurando pra não gritar. Corri até minha amiga Ana e tentei acordar ela.
- Que foi, diz logo. — disse ela, ainda com os olhos fechados.
- O monstro que elas viram, Ana. Ele tá lá fora.
Ana sentou na cama, me olhando desconfiada.
- É zuera sua, nem vem. Querer assustar a essa hora da manhã, meu Deus.
- É verdade, ele tá alí! — Eu disse, indo até a janela. Ana abriu um pouco da cortina, e não havia nada em baixo do poste.
- Valeu por me tirar o sono. Vai dormir, Wanessa. — Disse ela, se deitando.
Ana se deitou, e fiquei mais um tempo observando a janela. Quando me virei, ele estava na minha frente. Quase batia no teto da cabana. Eu gritei, abrí a porta e consegui sair correndo a tempo. Corrí até o refeitório, e quanto estava entrando, sentí que ele estava atrás de mim. Com sua gigantesca mão, ele me segurou pelo braço. Senti minha pele queimar, não de calor mas de tão fria que era a mão daquele... bixo. Foi aí que minha pressão baixou e eu simplesmente desmaiei, sem ver mais nada.
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