De manhã, eu já estava saindo com Nicoli para o refeitório quando vi uma pequena multidão se formando na grama. Assim que me aproximei, vi que havia uma garota desmaiada na grama. Era wanessa. Via uma estranha queimadura em seu braço, como uma tatuagem feita de propósito. Um círculo com um X no centro. Ana se ajoelhava ao seu lado, preocupada.

- Eu devia ter ouvido ela. Eu devia ter ouvido. — Repitia ela, nervosa. Um rapaz alto se aproximou, era Matheus. Tocou o pulso de wanessa, sério.

- Ela tá viva. — Disse ele, e todos ficaram aliviados. Após algumas horas ela já tinha retomado a consciencia e repousava na cama dura dos dormitórios.

- Natalia, eu vi... eu vi ele. — Disse com voz baixa pra mim. Eu me aproximei mais, preocupada. Ana ficou do lado de Wanessa até agora, parecia se sentir culpada, mas não sei do que.

- Conta com calma o que aconteceu.

- Eu vi ele embaixo do poste perto da floresta. Aquele bixo que vocês viram... Fui mostrar pra Ana, mas quando ela foi até a janela, não tinha nada. Depois eu fui me virar e ele estava no quarto. — Wanessa olhava para o nada, seus olhos estavam obscuros como o breu da noite passada, enquanto tocava a faixa por cima da queimadura em seu braço.

- Eu deveria ter acreditado. — Disse Ana, frustrada.

- Cala a boca, Ana. Mesmo que você tivesse acreditado ele entraria na cabana e encontraria vocês. — Disse Nicoli, que estava mechendo com seu canivete.

- Temos que achar outro lugar pra ficar. — Eu disse. — Ele pode querer voltar.

De repente um monte de livros caiu no chão, e a porta bateu. Todas nos assustados, e Nicoli se atrapalhava pra tirar a lâmina de dentro do canivete.

- Oi. — Calebe se aproximou.

- Ai, Calebe! Assustou a gente! — Ana disse, com a mão no peito.

- É, assusta mais então, quero ver quando o bicho de verdade aparecer. — Disse Nicoli, revoltada.

- Eu sei um lugar pra se esconder. O porão. Lá tem espaço pra todo mundo, é onde guardavam a comida. — Disse ele, sério.

- Gente, vamos lá então. Vamos pegar os colhões e levar pro porão, a gente dá um jeito de passar eles. Hoje vamos dormir a luz de velas.

* * *

Já era noite, e Matheus, o último dos alunos, entrou no porão. Fechou o alçapão e as sete trancas que ele tinha. O lugar era empoeirado e úmido, um cheiro de mofo se espalhava pelo ar. Todos já estavam deitados em colchões jogados no chão, e as velas já estavam acesas.

- Eu quero dormir com as velas acesas... por que vai que... — Wanessa disse, preocupada.

Todos estavam tristes aquele dia. Na mesma tarde, encontraram um corpo na floresta. Alguém que tinha fugido do acampamento, e acabou sendo pego.

- A gente vai embora, você vai ver. — Disse Jon, sentado perto de um baú cheio de colchas pras cabanas.

- Até a professora sumiu, eu não acredito que vamos conseguir viver com ... aquilo lá fora. — Disse Gabriela secamente. Ela sempre esteve animada e elétrica, mas agora estava triste, talvez mais do que a maioria alí. A pessoa morta era sua amiga.

Foi aí que as velas se apagaram, todas elas no mesmo instante. Um barulho de respiração ofegante invadiu o porão, forte como um trovão. Um grito de alguma garota. As velas acenderam novamente, e Wanessa havia desaparecido.

Todos se entreolharam, apavorados. Na parede, desenhado com sangue, um círculo com um X no centro.

Eu me levantei. Ana começou a soluçar, e todos permaneciam estar mais sombrios do que nunca. As sombras das velas dançavam nas paredes.

- Vamos buscá-la. — Disse Ana, se levantando e secando as lágrimas. Se aproximou de um armário e pegou uma enxada, dando um pequeno sorriso maluco.

Nicoli pegou uma pá da parede, e a empunhou, séria. Matheus pegou uma garrafa de vidro que estava jogada alí perto, e a quebrou, segurando pela boca.

- Alguém tem que ficar. — Eu disse, séria. — Precisamos cuidar das nossas coisas. E... pode nos matar. Ainda restará uma salvação pro nosso grupo. Calebe, Jon e Gabriela ficam.

Nos preparamos com tudo o que precisávamos para a noite, e abrimos as trancas do alçapão.

- Nicoli e eu vamos para os tanques, Ana e Matheus seguem o outro caminho da trilha. Hoje vamos ter umas aulinhas de assasinar monstros. — Eu disse.

Nicoli deu um sorriso, talvez mais ameaçador do que amigável. Seus dedos estavam brancos de segurar a pá com tanta força.

Coisas aconteceriam naquela noite. Não só com as duas duplas, mas dentro do porão.

Continua.

Notas finais
Voltei! E vou postar mais, com certeza. :P
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.