Home Sweet Home!
4 Reckless Day
Notas iniciais
Perdoem-me... sério. Eu juro que vou tentar melhorar.
Away, Banda Sonora : Falling In Love, dos Falling Up. *por que eu ainda me dou ao trabalho de vos dar a banda sonora?*
Away2, espero que gostem do cap... qualquer erro ortográfico ou de sintaxe ou lexical... desculpem isso também.
Não havia ninguém no pátio da escola, o que me dava um ar suspeito. E eu não precisava de um ar suspeito. Já tinha várias coisas que não estavam a meu favor. Como por exemplo, ter sido minha culpa que os pais do Jake morreram. Abanei a cabeça. Não iamos pensar mais nisso. O que lá vai, lá vai! Apressei o passo para nenhuma das funcionárias me ver e ir dizer logo à diretora que eu me tinha baldado ao resto das aulas. Raio de funcionárias também, não sabem manter a boca fechada.
- Mell? – sussurrou alguém impaciente – Mell. – falou esse alguém mais furiosamente. Virei-me, preparando-me para ver alguém que eu não quisesse. Afinal, era só o Ash.
- O que foi?
- Onde pensas que vais? – ele aproximou-se de mim.
- Embora.
- Ai, vais faltar às aulas e não me dizes nada? Grande amiga!
- Só estou a pensar no teu futuro, Ash, querido.
- Que gracinha. Vamos mas é embora antes que a Senhora Empaladora nos veja.
- Senhora Empaladora?
- Ahan. Ela não faz mais nada a não ser lixar as alunos.
- E o que é que isso tem a ver com empalar?
- Sei lá eu! Não fui eu quem lhe deu a alcunha. – revirei os olhos e contive o impulso de gritar assim que pisei o chão que não pertencia à escola – Vamos para onde?
- Não faço a mínima!
- Ah, boa! Isso é muito bom!
- Cala a boca! Como se tu tivesses um bom sítio para ir!
- Minha casa.
- Óh, sim. Claro! E aparece lá o teu pai, e depois?
- Depois o quê? Mas tu achas que o meu pai pensa que eu estou na escola? Quando ele vê metade das faltas do que esperava até dá pulos de alegria.
- Imagino as tuas notas.
- Muito boas!
- Vá, vamos acabar com esta conversa deprimente. Eu preciso de um café.
- Eu também. Não dormi nada esta noite.
- Insónias?
- Ahan. E chamavam-se Mary e Louise.
- És mesmo um prostituto sem remédio.
- Fazer o quê?
- Curar-te.
- Não há cura.
- Há sim. Castramento! – ele engasgou-se e eu tive que lhe dar umas tapinhas nas costas – Pronto, acalma-te. – falei rindo.
- Nunca mais digas uma coisa dessas na tua vida, Mellissa Hollywood!
- Tadinho… falou-se em castramento e ia tendo um ataque. Vá, vamos. Eu quero um café.
- Viciada.
- Fala o fumador!
- Xô! Tu deves de espetar pá veia!
- Cala a boca ou eu vou chamar um capador para tratar do teu Ashinho!
- Já me calei! – paramos em frente a uma cafetaria e eu pedi o meu café preto sem açucar. Meu deus, café é tão bom… obrigado por teres criado esta obra prima!
- Hum, Ash?
- Diz.
- Aqueles ali não são…? – ele olhou para onde eu apontei com a cabeça, então não tive que acabar a frase.
- Oh, pois são! Hey! Jake! Andy! Jinxx! Sandra!! – gritou ele acenando com as duas mãos entornando um enorme pedaço de café com leite em cima de mim.
- ASHLEY PURDY ÉS UM HOMEM MORTO! – gritei quando vi o meu camisolão dos Twisted Sister arruinado pelo café.
- Hey, hey! Olha a violencia!
- Tu vais ver o que é violência, seu cabrão de merda… — olhei novamente para o camisolão – Era dos Twisted Sister… — fiz beicinho e olhinhos de cachorrinho para ele.
- Foi sem querer…
- Sabes que só não te despejo o meu café em cima de ti por que além de o ter pago, eu amo café.
- Sei. Por isso é que eu acho que sou um garoto sortudo.
- É. Deves ter nascido com o cu virado para a lua. Só pode. – e eu não devo, de certeza. Por quê? Quer dizer, eu saí da escola em parte para não ter que aturar o Jake e agora o Ash teve que o chamar? Digam lá se eu não tenho sorte!
- Hey gente! – falou o Ash completamente alheio das coisas. Será que ele não vê que ninguém se dá bem comigo sem ser ele? Toda a gente me odeia por que eu matei os pais do Jake. Ele ficou orfão por minha culpa. “Por culpa do Christian, queres tu dizer!”. Eu dei um pequeno salto de susto com este pensamento. Não, a culpa não era o Christian. Era minha. Minha. “Claro! E não me digas que foste tu que pegaste fogo à casa!?”. Engoli em seco. Eu… eu precisava de espairecer. O meu cérebro não está bem. Não pode estar bem.
- Mell, tu estás bem? – perguntou o Jinxx.
- Eu… ah… Sim. Eu vou… eu preciso de sair daqui. – olhei para o outro lado da rua, onde milagrosamente estava um autocarro a parar na paragem – Adeus, gente.
Corri sem esperar resposta – que eu duvido que fosse existir – e entrei dentro do autocarro.
“É assim tão difícil perceberes que não és culpada de nada? Ou tu queres ser culpada da morte dos pais do Jake? É por que gostas do Christian? É por isso que nunca o entregaste? É por ainda gostares dele?”
- Eu… eu… — sussurrei. O autocarro estava vazio. Só eu e o motorista. Esfreguei os olhos tentando evitar as lágrimas. Mas mesmo assim, elas correram pelo meu rosto. Encostei a minha testa ao vidro frio e vi como a chuva ia caindo cada vez com mais força.
O que havia de errado comigo? Por que é que agora apareceu esta dúvida? Eu sempre soube que tinha sido a culpada da morte dos pais do Jake! Por que é que agora eu tinha que ter desenterrado as memórias daquela noite? E ter que voltar a pensar no Christian. Abanei a cabeça, como se assim todos os meus problemas simplesmente desaparecessem. E o pior de tudo, é que agora eu não podia fazer nada! Ia ser descuidada e imprudente e ia ser apanhada. Tinha que ficar quieta, silenciosa no meu cantinho obscuro.
O autocarro parou pela terceira vez e eu levantei-me para sair. Dei uma mão cheia de moedas ao motorista e saí de lá o mais depressa que pude. O homem não devia de ter tido tempo para contar e saber que e nem tinha pago metade da viagem.
Estava num bairro que eu desconhecia. Sabia que era perto da escola primária por causa das gargalhadas infantis que estavam bastante próximas. Aproximei-me da escola e tudo o que me separava daquela felicidade embriagante era uma grade de metal preto. Algumas meninas estavam naquela coisinha com cadeiras que gira e gira… o portão principal abriu-se e eu entrei. Sorri para as meninas e elas sorriram para mim. Olhei em volta. Não havia nenhuma professora por perto. Sentei-me na única cadeira livre e comecei a rodar. As meninas gritavam com emoção e eu só via como as coisas desapareciam. Tudo estava desfocado e só o som dos gritinhos histéricos delas é que me prendia à realidade.
- O que pensa que está a fazer? – perguntou uma voz que eu não sabia a quem pertencia. Era uma mulher velha. Abrandei repentinamente a roda. Coloquei o capuz e corri para fora da escola rezando para que as meninas não se lembrassem da minha cara.
Corri para casa. Precisava de um banho. E precisava da minha terapia musical.
Entrei em casa ainda a tentar recuperar o folego quando ouvi a voz que eu nunca mais queria ouvir. Ela continuava doce, com um tom de ironia. Segui a voz. Eles estavam na cozinha. Deixei cair a minha mala no chão com o choque. Como é que ele se atreveu a voltar?
- Mell! – ele abraçou-me antes que eu pudesse fazer algo para o parar. Separei-me dele – Não estás contente por me ver?
Subi as escadas e tranquei-me no meu quarto. Não. Não. Isto não era real. Ele não pode ter voltado. Ele simplesmente não pode ter…
Merda, ele voltou!
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