Notas iniciais
Bem gente, me desculpem por não postar aqui há séculos! Além de tar sem inspiração... bem... acho que ninguém deixar reviews e eu achar que ninguém lê este pedaço de bosta... há uma coisa que se eu escrevi na fic que se passou comigo, e eu peço desculpa por a ter colocado aqui, mas isso despertou um pouco a minha inspiração.
*leiam as notas finais que eu explico mais ou menos*

Fiquei a noite toda a ouvir música a tentar esquecer a novidade. Era meia noite. Tinha que ir tomar banho. Estava cansada, cheia de sono, e com uma vontade enorme de fazer um pequeno corte no meu braço. Só mais uma cicatriz para me lembrar do dia em que ele voltou. Não estava ninguém em casa. A Tia Amelia estava fora e ele foi ter com ela para acabarem de fazer o trabalho em New York, por isso ele ainda devia de estar a caminho, já que foi de carro. Entrei dentro da minha casa de banho e fui ao pequeno armário tirar uma tesoura. Virei o meu pulso esquerdo e inspirei fundo. A tesoura caiu sobre a minha pele branca e cortou. Não senti nada. Só as gotas de sangue que tocaram a minha cara. Olhei para a ferida. Não era um simples corte que quase que não deita sangue. A carne ia-se desagregando a cada movimento que eu fazia e o sangue corria que nem um louco manchando o chão e as paredes. Olhei à minha volta. Eu simplesmente não podia coser aquilo com uma linha de costura e uma agulha.

Abri a porta e aí é que me lembrei. Nem a Susan nem a Rosanne estavam em casa. Merda! Peguei numa toalha e enrolei-a à volta do meu pulso, tentando estancar o sangue. Eu precisava de ligar a alguém. Mas tinha deixado o meu telemóvel na cafetaria, por que sai de lá tão depressa que nem deu tempo. Merda! Eu só sabia um número de cor! Mas eu não lhe ia ligar! Ia ser demasiado mau! Mas que outra opção é que eu tinha? Não podia simplesmente ir sozinha para lá!

Desci as escadas e parei em frente ao telefone fixo. Ligo ou não ligo? Eu não posso simplesmente esvaiar-me em sangue. Peguei no telefone e disquei o número.

- Sim? – a voz dele preencheu-me os ouvidos e eu prendi a respiração. O que eu lhe ia dizer? “Hey, sei que fui a culpada pela morte dos teus pais, mas podes-me levar ao hospital já que eu preciso de ir com alguém e não encontro o número do Ash, e mesmo que o tivesse ele deve de estar ocupado demais para atender?”. Pois, também não me parece — Está alguém ai? Ah, foda-se!

- Não desligues. – falei aflita.

- Mellyssa? Como é que tens coragem de me ligar?

- Eu… eu não tinha mais ninguém a quem recorrer… eu… eu preciso da tua ajuda.

- Como os meus pais precisaram?

- Eu… tu… eu preciso de ir ao hospital.

- E o que é que eu tenho a ver com isso?

- Eu não posso ir sozinha!

- Só não pode ir sozinho quem vai ser atendido! Espera… o que é que tu fizeste?

- Eu conto-te depois. Vem-me buscar. Por favor. – ouvi-o suspirar do outro lado da linha.

- Está bem. – ele desligou antes de eu poder dizer obrigado. Apertei a toalha com mais força à volta do meu pulso e fui buscar alguns dos meus decumentos. Imaginem que me pedem algum deles? Enfio-os no bolso, mas tiro-os para verificar se são realmente os cartões da Mellyssa Hollywood e não de outra vaca qualquer. A chave de casa está no meu bolso direito, e as minhas roupas estão manchadas com sangue da trapalhada que eu fiz quando deixei cair a toalha e o sangue continuava a correr loucamente pelo meu braço abaixo. Ouvi uma buzina e saí a correr de casa. Não podia ficar muito mais tempo com o braço assim. Precisava de ser cosido. Entrei dentro do carro de Jake meio sem graça. Não sabia o que dizer.

- Obrigado. – falei envergonhada. Ele olhou-me e viu a toalha envolta no braço.

- O que é que se passou?

- Um acidente. – levantei a toalha e mostrei-lhe o corte.

- Por amor de deus, Mellyssa! Como é que tu fizeste isso? – ele agarrou no meu braço e olhava de lá para a minha cara.

- Também não sei, Jake. Agora só quero ir para o hospital. – encolhi-me no banco olhando para a lua cheia daquela noite. Entoava uma música qualquer que eu nem sabia que sabia a letra e pensava em como não estava nem um pouco afetada pelo corte, mas estava completamente louca por ter o Jake a guiar para o hospital. Por que é que ele me haveria de ajudar no final de contas? Ele não era meu amigo. Ele odiava-me!

Chega-mos e ele estacionou. Entramos juntos dentro do hospital e tive que apresentar os meus decumentos. Fui imediatamente levada para a sala de triagem onde colocaram uma pulseira de papel amarelo no meu braço. Pelo que eu entendi do esquema de cores, amarelo é “muito grave” e a seguir vem o vermelho que é “extremamente grave”. É, que lindo. Tudo por um pulso cortado.

Estavamos sentados nas cadeiras de plástico azul em silêncio. Eu queria falar. Eu estava bem. Eu estava feliz. Eu estava num daqueles estados completamente insanos em que o mundo é o melhor lugar para se viver. E eu só via o Jake completamente em baixo a morder os seus lábios com preocupação. Preocupação por mim!

- Hum, Jake… — ele rodou a sua cabeça para me olhar – Não te preocupes. Vai tudo ficar bem.

- E se não ficar?

- Bem… eu tenho a certeza absoluta que é só coser isto e ir embora! – falei dando um soco sem força no seu braço e rindo.

- Não tem graça, Mell.

- Jake, é o meu braço. E eu acho engraçado.

- Achas engraçado quase cortares uma veia?

- Eu… pois… eu não tinha pensado nisso. O que importa é que eu não cortei uma veia. – ele abanou a cabeça e olhou para o outro lado zangado – Hey! Não precisas de ficar assim!

- Podes ficar sozinha aqui se quiseres. – ele olhou para os meus olhos.

- Podes ir embora se quiseres. – falei olhando os olhos dele.

- És ridícula.

- Eu sei… Ridícula e inútil. – encolhi os ombros e voltei a cantar. Não era como se falar com o Jake me desse algum prazer. Ele não entendia. Não via a felicidade. Não via como eram lindas e interessantes as paredes brancas com contornos azuis. Não via como a lâmpada brilhava numa cor branca e como o som dos sapatos dos enfermeiros que corriam de um lado para o outro era extremamente extasiante. E ele não compreende o quão mal eu me sinto comigo mesma, neste exato momento.

- Mellyssa Hollywood. – falou uma enfermeira. O tom de pele dela era escuro, mas não aquele tipo em que se fosse de noite não se consegueria distinguir a pessoa da noite. Okay, esta foi mal. Ela levou-me para uma salinha e pediu-me para eu me deitar na maca. Deixou-me sozinha com um enfermeiro bastante simpático. Eles eram todos.

Depois de um monte de conversa da treta a enfermeira voltou. Desenfaixou o meu braço e colocou betadine num pano e espalhou por cima da minha ferida. Doeu pa caralho! Ardia demais! O sangue não parava de jorrar e ela continuava a espetar betadine na ferida. Ela pegou num pequeno frasquinho castanho e numa agulha que espetou lá dentro. O líquido ficou naquela coisinha que eu não sei o nome e ela espetou a agulha ao redor da minha ferida até se acabar a anestesia e eu não sentir nada lá. Coseram o meu braço pacientemente e eu só pensava em como a linha preta ia condizer com as minhas roupas. No final ela cortou a última linha e foi embora, deixando-me com o enfermeiro da sala. Entrou outro e eu vi o homem que estava no corredor deitado numa maca levantar-se e tossir descontroladamente.

— Então, Mellyssa. Vou colocar-te um penso bem bonito. – ai merda! Não me digam que me vai pôr um penso da Barbie! Eu não quero um penso da Barbie! Ao menos que seja do Batman! Estava para abrir a boca para contestar quando vi o penso tranparente e suspirei. Não havia nenhuma Barbie! – Ele é impermeável, mas não abuses da sorte com a água.

- Okay. – olhei para a porta e vi Jake. Na minha cabeça ainda me corriam as imagens da minha pele a ser cosida, por que eu nunca desprendi o olhar (a enfermeira até chegou a ralhar comigo por que eu não parava quieta a tentar ver o que eles estavam a fazer!) e ver o Jake fez com que o meu estômago desse uma volta de 360 graus. Ou seja, uma volta completa.

- A ferida da sua namorada está bastante perfeita. – falou o enfermeiro 1.

- Ela não é minha namorada. – falou ele.

- Oh, bem. Mas podia ter sido muito mais grave. Tem que ter mais cuidado com tesouras. – eu ri e sentei-me à espera que me mandassem embora.

- Bem, já podem ir. Boa noite e boa sorte com a ferida! – falou o enfermeiro 2.

- Obrigado. – falei e segui Jake para o carro. E aqui vem a sequela do Silêncio Desconfortável!

- Tu fizeste isso de propósito não foi?

- Mais ou menos.

- Não pode ser mais ou menos. Ou foi de propósito ou foi acidental.

- Era suposto ser um corte superficial, a tesoura escapou da minha mão acidentalmente, e acabou assim.

- Eu não acredito que tu fazes isso.

- Cada um escapa do mundo como pode.

- É para isso que há a arte.

- Já não é o suficiente para mim.

- Só promete que vais parar.

- Por que é que te importas?

- Por que não me haveria de importar?

- Por que os teus pais morreram por minha culpa. Eu matei-os, lembras-te?

- Eu sei… mas eu também não posso esquecer…

- Esquecer o quê?

- Certas coisas… — ele parou em frente à minha casa e eu abri a porta.

- Queres entrar?

- Por quê?

- Foi uma noite complicada.

- Continuo sem saber por que é que me ligaste.

- Sozinha em casa.

- Oh! Eu acho que não há razões para eu entrar.

- Ajusdaste-me quando não o tinhas que fazer. Anda. – fiz sinal com a minha mão e fechei a porta do carro. Senti a sua presença atrás de mim e abri a porta. Olhei para o relógio que havia na entrada. Eram 3:10 da manhã. Segui para a cozinha – Cerveja, vodka, água, sumo…?

- Cerveja para mim está bem. – tirei duas garrafas de dentro do frigorífico e coloquei-as em cima da mesa. Sentei-me e fiz sinal para ele fazer o mesmo. Ele sentou-se na cadeira ao meu lado.

- Que certas coisas é que não podes esquecer? – perguntei tirando a carica das garrafas.

- Coisas estúpidas.

- Como por exemplo? – entreguei-lhe a garrafa e a minha mão tocou na dele. Tirei-a rapidamente sentindo uma corrente elétrica atravessar o meu corpo e um formigueiro na minha mão. Levei o gargalo da garrafa à boca e bebi. Olhei para Jake.

- Eu estava apaixonado por ti naquela altura. Pelo menos, pensava que estava. O que é que um garoto de doze anos sabe sobre o amor?

- Muita coisa. – o meu olhar caiu nos lábios dele. A garrafa dele estava pousada na mesa e a minha também. Agarrei-o pela camisola e beijei-o. Não sei o que me deu para fazer aquilo, mas eu simplesmente tinha que beijar aqueles lábios. Tinha que prová-los. Degusta-los. Reendivica-los como meus. Derreter-me neles. Pensei que ele me repelisse, mas ele respondeu beijando-me de volta. Arrojou a cadeira para trás e puxou-me para ele de maneira a que eu ficasse por cima dele. Agarrou no meu braço esquerdo e eu saltei. A anestesia tinha passado — Desculpa. – disparei sentando-me na minha cadeira envergonhada.

— Não peças. Eu queria fazer isto desde que apareceste em casa do Ashley. – sorri de lado. Eu por acaso também.

Mudamo-nos para o sofá e ficamos a recordar a nossa infância. Coisas como quando eu o Jake e o Andy pegamos na cadelinha da Mrs. Roberts e a atamos a uma bicicleta. A certa altura a minha cabeça cai sobre o ombro do Jake e os meus olhos começam a fechar. Sinto os seus lábios na minha testa e já meio a dormir oiço abrirem a porta.

- Por que é que deixas-te a porta aberta, Mell? – ralhou uma voz conhecida. Levantei-me imediatamente e Jake ficou sem perceber o que se passava. Ele apareceu a sala e riu – Não acredito no que vejo. Jake Pitts, o menino orfão, a comer Mellyssa Hollywood, a menina que matou os pais dele! Que gracinha, vocês dois. – ele pegou o meu braço e apertou. Eu rugi. Era o meu braço magoado – Tornaste-te assim tao fraca, Mell?

- Larga-me, Christian! – falei tentando não mecher o pulso. Já sabia que ia doer mais.

- Christian Hollywood? – sussurrou o Jake.

- Lembras-te de mim, amiguinho? – desbochou ele. Dei-lhe uma tapa.

- Não lhe dirijas a palavra. Eu ainda me lembro do que tu fizeste. — nos olhos dele apareceu a culpa e o receio de ser descoberto. Ele largou o meu pulso.

- Não penses que é por saberes isso que te safas!

- Vai morrer longe, Christian! – falei andando em direção ao Jake. Levantei a mão para o confortar mas ele encolheu-se com medo e nojo. Lágrimas ameaçavam cair dos meus olhos. Por que é que ele estava com medo? Ele não precisava!

- Eu vou embora. – não o podia fazer ficar. Não tinha argumentos válidos.

- Okay. Obrigado mais uma vez.

- Mell, faz-me só um favor.

- O qué?

- Nunca, nunca mais me dirijas a palavra! – ele virou-se e foi embora. Fechou a porta com força e eu caí no chão a chorar. Olhei para o lado e vi Christian no final das escadas.

— A CULPA É TODA TUA! – levantei-me e segui na direção dele.

- Minha, queria Mell? Que eu me lembre foste tu que mataste os pais dele!

- Foste tu, e sabes bem disso!

- Então por que é que me protegeste todos estes anos? Para quê?

- Não importa. – empurrei-o para sair das escadas – Sai da frente!

Subi as escadas para o meu quarto e o cheiro a sangue chegou ao meu nariz. Amanhã. Amanhã de manha limpo esta confusão. Ao menos é uma confusão que eu tenho capacidade para limpar!

Notas finais
Entonces, na segunda dia 4, à 00:00 (ja dia 5) eu fiz um corte profundo no braço acidentalmente. tal como está na fic. A cena do sangue expirrar por tudo o que era lado, aconteceu. Basicamente só mudei as cenas por que entrou o Jake. Eu fui com a minha mãe... mas tá tudo bem! Não se preocupem!
E então? Mereço reviews?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.