Home Sweet Home!
1 Home Sweet Home!
Notas iniciais
Espero que gostem! Esta ideia surgiu-me do nada enquanto estava a tentar escrever para as outras.
Soundtrack: One dos Metallica.
O céu estava cinzento, e a minha vista estava embaceada pelas lágrimas que teimavam em escorrer dos meus olhos. As árvores passavam rápido pela minha visão, e tropecei em algo. Fiquei no chão durante uns segundos até perceber o quão patética eu parecia. Ergui-me e continuei a correr. Eu precisava de sair dalí. Por que ele me fez aquilo? Não era mau o suficiente o nosso passado? Ele tinha que contar para todo o mundo o que eu fiz?
Foste tu quem concordou.
Mais lágrimas cairam dos meus olhos e eu cheguei à minha rua. Abri a porta sem cerimónias, fechei-a com o pé e corri escadas acima para o meu quarto. Eu só precisava de ficar um minuto sozinha. Mas um minuto tornou-se numa hora, e eu sabia que se não agisse rápidamente e se os meus pais chegassem a casa e já soubessem...
Peguei numa antiga lista telefónica da minha mãe e procurei pelo número que me interessava... marquei o número e fiquei à espera.
- Vá lá... atende! — falei fungando e indo para a casa de banho ver o meu bonito estado.
- Hey!
- Tia Amelia?
- Alice! Pensava que te tinhas esquecido de mim! — falou ela super animada. Eu amava a tia Amelia, mas... aaah, não era uma altura de um reencontro amigável. Eu precisava de um favor.
- Tia? Olha, eu preciso de te pedir um grande favor.
- Ai, filha! O que aprontaste desta vez? — sorri e tirei uma toalha lavada do armário.
- Eu preciso de ir para os Estados Unidos hoje. Achas que me consegues arranjar um bilhete para o próximo voo?
- Aaaaaaaaaaah, sabes que eu já me deixei disso, Alice. — suspirei e olhei-me no espelho.
- Tia, eu não estaria a pedir isto se não fosse realmente necessário. Houve uma pequena fuga de informação a meu respeito aqui e...
- Eu vou tratar do bilhete imidiatamente. Quão longe estás do aeroporto mais próximo? — suspirei de alívio pela prestação da minha Tia.
- Dois minutos a pé.
- Okay então... já arranjei. Só precisas de o ir levantar em nome de Olivia Simons. Era esse o nome do teu passaporte, certo?
- Correcto. E Tia, obrigado.
- Nem me pensem em agradecer. Vens para minha casa, okay? Vou estar à tua espera no aeroporto. Não tragas nada desnecessário! — eu ri. Sempre a mesma Tia.
- Sim, Tia. O voo parte a que horas?
- Tens cerca de meia hora. Mas daqui a um quarto de hora vinte minutos tens que ir fazer o check-in! Não pode haver falhas!
- Tia, eu aprendi com a melhor! Não há falhas a cometer! — ela riu.
- Vai-te despachar, garota! Depois tens que me contar o que se passou! - formou-se um nó na minha garganta, mas eu apenas tive que reconhecer que eu tinha que contar à Tia o que se tinha passado.
- Okay. Eu tenho ir. Bey!
- Bey! - ela desligou e eu fui tomar um banho.
Despi-me e enfiei-me dentro da banheira. Tinha que me apressar. Não havia espaço para pensar agora debaixo de água. Concentrei-me na água quente e passei gel de banho pelo corpo. Depois, shampô pela cabeça. Tirei tudo com água e quase que saí a correr da banheira. Com uma toalha tirei alguma da água do cabelo e limpei o corpo. Fui para o quarto e vesti-me. Algo discreto. Não podia chamar muita atenção.
Quando estava pronta e com duas malas de bagagem fui para a cozinha e peguei num pedaço de papel azul que estava num bloquinho para notas rápidas.
"Fui para casa da Tia Amelia. Sabem que é ela que é a minha tutora legal, então nem venham com merdas com a polícia. Vocês sabem as minhas razões e sabem que não vos odeio de todo. Adeus. Alice."
Depois de escrever saí de casa e corri. Faltavam quinze minutos para o avião descolar, mas não me queria atrasar de todo. Corri o mais rápido que pude mesmo que as minhas pernas reclamassem do esforço. Passei para dentro do aeroporto e inspirei fundo.
Peguei no meu passaporte. Olivia Simons. Acho que era hora de voltar a usar o meu nome atingo. Quando chegasse a casa da Tia ia tratar disso. Mas por agora era a Olivia Simons, filha de um dos administradores da Microsoft.
Fui fazer o check-in e não havia nenhum problema. Aaaah, a Tia Amelia é a maior. Entreguei as minhas malas, e fui para o avião que já estava quase na hora.
Não esperei muito e quando descolamos, as lágrimas vieram aos meus olhos novamente.
Será que eles ainda se lembram da Mell Hollywood?
***
A Tia Amelia estava à minha espera como prometido. Ela nunca mente. Pode omitir, trocar de identidade, mas nunca te vai mentir. Abraçamo-nos. Um abraço que mais parecia o de um urso, mas já não a via faz seis anos!
- Aaaaaaaaah, Mellyssa! Como tu cresceste! Só de pensar que tu eras aquela garotinha no assalto no Kansas!
- Aaaah, Tia Amelia, a mesma Tia emocional de sempre! — a Tia Amelia tinha os seus cinquenta anos, mas ainda se vestia como quando tinha vinte.
- Tu és a única pessoa que está à minha guarda, claro que fico emocional!!!
- Não te tornes demasiado emo, sim?
- Cala essa boca!
- Vamos?
- Já tens as tuas malas?
- Digamos que só a Olivia Simons é que trasia malas e nem sequer eram dela...
- Essa é a minha garota! A cidade mudou tanto desde que tu te foste embora! E as garotas também mudaram.
- Garotos?
- Antes fosse! Líderes de claque e deixaram o negócio para trás!
- Já vi que não me vou dar extremanete bem com elas!
- Sim, somos só nós as duas neste ramo, querida!
- Duas fazem a festa, Tia!
- É verdade! Agora vamos! Quero-te apresentar o meu mais novo carro! O Ben! — o Ben era um carro rosa choque estilo anos 80. Foi algo que nunca saiu da Tia Amelia e isso fazia parte do seu charme de doida.
- Olá Ben! — falei para o carro. Eu sabia que ele não me ia responder, mas todos temos que tratar os carros da Tia Amelia com respeito!
- Ele diz que gostou de ti. Agora entra, garota!
- Moras muito longe? — perguntei quando atirei as malas para o banco de trás. Já referi que o carro era descapotável? Sentei-me e fiquei à espera de resposta.
- Não muito longe. Mas ao menos há garotos bonitos para se olhar.
- Aaaaaaah, Tia! Não me digas que andas a namorar com garotos de vinte anos novamente!
- Nãooo! Isso já é passado! Mas há uns de trinta que meu deus! — eu ri e a Tia acelarou. Levantei-me e gritei. Estava feliz. Só o facto de ter voltado para casa dizia tudo.
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